2.4. ÖĞRETİM STRATE Jİ, YÖNTEM VE TEKNİKLERİ
2.6.3. Yaratıcı Düşünme
Ocorreram entre os meses de maio, junho e julho de 2006, (ANEXO M – Cronograma das Oficinas de Trabalho) com o propósito de através de metodologias participativas, possibilitarem ao núcleo gestor maiores conhecimentos a cerca das potencialidades e problemas enfrentados por todo o município. Elas foram desenvolvidas, na área urbana, em 8 regionais58, envolvendo as
seguintes localidades: 1) Mundéus, Vila das Flores, Vila Rato, Bairro Europeu; 2) Charneaux, Morgan, Maria da Costa, Cidade Jardim; 3) Quitandinha, Campo Miranda, Funil e Bairro Americano; 4) Vista da Serra, Bonsucesso, Dechamps, Jardim Bandeirantes, Vila Zelinda; 5) Dom Carmelo, Vila Paineiras, Pedra Branca, Bela Vista, Santo Antônio; 6) Barro Preto, Centro, Córrego Machado, Santa Fructuosa, Fonte da Clara, Forno, Pito Aceso, 7) Caixinha, Catita, Emboabas, São Geraldo, Juca Vieira, e, 8) Penedia e Quintas da Serra. E na área rural, nos distritos de Roças Novas, Morro Vermelho e Antônio dos Santos.
A proposta da SEDEAMA é construir o PLANO DIRETOR de forma temática.
Os resultados alcançados pela oficina foram estruturados em relatórios, e, posteriormente, após discussão desses levantamentos no âmbito do Núcleo Gestor, consolidaram-se as propostas com o devido tratamento jurídico, normativo.
O trabalho foi orientado pela seguinte seqüência de levantamentos:
a) Delineamento da situação atual da localidade - envolvendo elementos culturais, econômicos, ambientais, equipamentos públicos, acessos e transporte, saneamento, políticas públicas nas áreas da saúde e educação, lazer. Com o olhar sobre estes elementos foram apontados pelos participantes, as potencialidades e os impactos indesejáveis oriundos das várias atividades comerciais, industriais. Ainda construindo a realidade local, foram abordados, os conflitos pelo uso do espaço e acesso aos bens ambientais, concluindo-se esta primeira etapa, com o levantamento dos diversos constrangimentos sofridos pela população, cotidianamente, ante, o atual estagio de urbanização que se encontra a localidade.
b) Visão de futuro – reflexo da construção coletiva da “cidade que queremos” como propõem inúmeras vezes as abordagens dos materiais integrantes do Kit do Ministério das Cidades. Nesta aponta-se para a concretização dos anseios da sociedade em relação ao espaço de sua reprodução, a cidade.
58 A divisão em regionais segue critério de divisão de atuação do PLANO DE SAÚDE DA FAMÍLIA – PSF, financiado pelo Governo Federal, envolvendo por vezes os bairros por inteiro, ou fragmentos deste, e ainda, os distritos. O critério de divisão seguiu a possibilidade de melhor acesso dos pacientes ao Posto de Saúde.
c) Propostas – concentram um esforço em sistematização das ações no intuito de se adequarem à organização normativa. Foi traçada a diretriz geral da oficina e a divisão em eixos temáticos, tratou-se das políticas públicas: diretrizes e ações estratégicas, voltadas à desenvolvimento econômico e social, desenvolvimento humano e qualidade de vida, meio ambiente e desenvolvimento humano, e por fim, políticas de desenvolvimento urbano. Em algumas oficinas foi possível definir a priorização das propostas, último tema abordado.
Aponta-se aqui um questionamento a esta prática: poder-se-ia extrapolar os limites do diagnóstico, do mero levantamento das representações do espaço, dos constrangimentos e sonhos de quem sobrevive à precariedade, à distância dos centros de poder? Lefebvre (2005) propõe que se trate do percebido, concebido e vivido de maneira integrada e associados à materialidade, à concretude na qual estão envoltos os sujeitos. Contempla-se com maior aproximação da realidade, a análise que associa as relações sociais de reprodução, bem como as relações de produção; não se deveriam isolar as relações entre sexos, idades, a estrutura familiar e ainda, a hierarquização do trabalho (LEFEBVRE, 2005).
Um dos inúmeros exemplos, desta correlação proposta por Lefebvre, consta do Relatório da oficina de trabalho em Rancho Novo 59 (ocorrida em 20/5/06),
“[...] As crianças ficam agressivas sem as mães durante a semana; Muitas mães solteiras jovens que saem para trabalhar e as crianças são criadas pelas avós. As crianças brincam no córrego infectado [...]”.
Neste trecho do Relatório pode-se constatar claramente a associação da hierarquização do trabalho, na qual as mães, em busca de sustento para suas famílias, são forçadas, pois a circunstância não deixa alternativa, a compartilhar a educação de seus filhos com as avós. Não bastasse tal constrangimento, o ambiente ainda lhes oferece outros desafios que comprometem a vida de seus filhos e lhes frustram emocionalmente.
Poder-se-ia nestes momentos - nos termos propostos por Mouffe (2003) – alargar a esfera do político, multiplicando-se as possibilidades de eclosão das diferenças, já que “poder e antagonismo são indissociáveis” (MOUFFE, 2003). Neste sentido, a autora propõe que o poder é inseparável das relações sociais e que “[...] a questão principal da política democrática não é como eliminar o poder, mas como constituir formas de poder compatíveis com valores democráticos” (MOUFFE, 2003, p. 4). Nesta direção seria possível como assegura a autora estabelecer bases de convivência do
antagonismo, eliminando ou reduzindo cada vez mais, as pressões ao autoritarismo que um consenso racional pode levar.
Uma alternativa corresponderia ao uso de técnicas de dramatização destes antagonismos como relata Dantas (1993) quando da realização do PLANO DIRETOR de Angra dos Reis – R. J., em 1990. Naquela experiência, adotou-se o “Teatro do Oprimido” de Augusto Boal como metodologia de representação da situação de exclusão social vivenciadas pela comunidade em encenações teatrais. Tais peças retratavam a história do lugar num período em que ocorreram os processos de transformação da cidade e que mais opressões causaram (Verolme Estaleiros Reunidos e Furnas Centrais Elétricas). Dividiram-se as apresentações que ocorriam regionalmente, em dois momentos; no primeiro, expressou-se objetivamente o processo de instalação da indústria e a expulsão dos nativos para os morros de Angra dos Reis, tornando-os proletários. No segundo momento, os moradores eram convidados a participar da encenação, quando então lhes era permitido expor seus sentimentos. Neste momento, vários moradores conseguiram construir coletivamente o conceito de “injustiça” e criando um “nós” em contraposição a “eles” (MOUFFE, 2003) passando a politizar a interpretação do ocorrido. Necessitou-se a intervenção da coordenação para acalmar os ânimos dos que tanto se envolveram nesta vivência e que desejavam agredir os atores que representavam os opressores, cercando-se dos objetos à mão para lançá-los.