7. BULGULAR VE TARTIŞMA
7.5. Yapay sinir ağları ile elde edilen ekserji analizi sonuçları
A universidade corresponde a uma criação européia medieval formada a partir do século XI. Tratava-se de uma instituição de ensino superior com a “agregação de várias escolas específicas, destinadas à formação de especialistas titulados” (Larousse Cultural, 1998: pp. 5837-5838). A primeira universidade, formada em Bolonha, teve seu núcleo inicial com a faculdade de Direito em 1088, e possuía um aspecto laico que logo veio a se antepor à universidade de Paris, iniciada menos de setenta anos depois, e que só se
88 O Dicionário Houaiss da língua portuguesa não possui esse termo; mas a Grande Enciclopédia Larousse Cultural o trata por Juranda, em português.
laicizou no século XIII. A universidade de Bolonha nasceu sob o apoio da administração municipal e era sustentada tanto pelo governo municipal como pelo pagamento dos estudantes. Logo após Bolonha e Paris, também surgiram universidades em Pádua, Nápoles, Siena, Oxford, Cambridge, Heidelberg, etc.. Uma de suas características era a autonomia universitária, nascida de movimento corporativo de autodefesa dos professores e alunos; possuíam freqüência de milhares de alunos e centenas de professores; consistiam centros de cosmopolitismo cultural, com direção própria, mas apoio de reis, bispos, imperadores ou papas.
Le Goff, em Un Autre Moyen Âge (1999: pp. 197-208), destaca que da mesma forma que as corporações, as universidades se utilizavam do monopólio, no caso escolar, mais precisamente o monopólio da entrega das colações de grau. Conseguiram se estruturar com autonomia jurídica, o que serviu de base conceitual para o apoio a Bolonha dos poderes públicos, a partir do reconhecimento do imperador germânico Barba-Roxa90, pelo édito Authentica Habita. Nessa linha, o rei Felipe Augusto concedeu autonomia jurídica à universidade de Paris em 1200, reconhecimento esse que só foi completamente formalizado pelo papado em 1231.
Como destaca Le Goff, a universidade, como toda corporação, controlava a atividade escolar, e os poderes públicos tinham tal controle como útil, pois tratava-se de uma organização de ordem profissional inserida no contexto da ordem pública. Sob tal prisma, as universidades eram vistas como a organização corporativa denominada universidade, e possuidora, como corporação, de privilégios especiais aos seus participantes, como, por exemplo, a isenção de seus membros de participarem do serviço militar. Da mesma forma que as corporações de ofícios, possuíam as obrigações de supervisão interna, assim como de controle de qualidade, de atendimento das condições de trabalho, pagamento pelos serviços e regulação dos estipêndios, termos de regulamentos internos com as obrigações de respeito e serviço, função das chefias, etc..
Mas as corporações das universidades possuíam uma característica que as distinguiam, além da questão intelectual, das demais corporações: era a constante relação (muitas vezes conflituosa) e colaboração dos poderes públicos. É que a maior parte das demais corporações possuía, por suas direções, nesse caso os mestres, uma independência
econômica efetiva para com os poderes públicos, em face da natural atividade dessas corporações (a venda e a compra dos produtos e a forma de relacionamento com o público); tais artesãos e mestres que viviam nas cidades tinham, historicamente de forma recente, conquistado a liberdade diante do senhorio feudal pelo trabalho na cidade. Mas os mestres universitários possuíam geralmente, por força de sua formação cultural e origem menos humilde do que a dos artesãos em geral, um tipo de percebimento pelos trabalhos mais diversificados: de um lado, recebiam pelo seu trabalho dos estudantes para quem lecionavam, e nesse pagamento incluíam-se também presentes na época dos exames; de outro lado e, principalmente, percebiam remuneração dos setores que apoiavam a universidade, quer pelos auxílios eclesiásticos, quer pelas autoridades das cidades, dos príncipes e soberanos.
Tal situação distinguia também a corporação da universidade das demais corporações pela ausência de auto-recrutamento (usual na vida da grande maioria das outras corporações). No caso da universidade, havia um número de cadeiras a serem preenchidas por alunos que as utilizavam em razão de um quadro aberto pelo financiamento da universidade pelas autoridades públicas ou oficiais; embora tais auxílios representassem uma forma importante de subsistência dos mestres, também representavam uma abertura para influências exteriores na instituição, o que resultava potencialmente em crises de relacionamento91.
Entretanto, a relação entre a universidade e os poderes públicos apresentava aspectos positivos, com a utilização da universidade no aperfeiçoamento da administração pública; com o desenvolvimento e aprimoramento das atividades afins; com a cooperação dada pelas faculdades de Medicina, muito úteis no período da peste negra; ou com a atuação correspondente de outros setores da universidade para a melhoria da urbanização; além da utilização dos conhecimentos de ciência política e econômica, por exemplo, pelos poderes reais. Da mesma forma, os quadros universitários eclesiásticos foram muito utilizados pela Igreja, quer pela estruturação de formas teológicas aplicadas, quer pela burocracia papal.
91 Como exemplos dessas interferências, temos conflitos surgidos na universidade de Louvin, sobre a interpretação dada pelo dirigente de Louvin à bula papal de Eugênio IV, no século XV, sobre formas de suspensão na nomeação de professores, e a interferência do representante do poder local na escolha de becas negras na universidade de Paris.
Le Goff ainda destaca as universidades como um grupo econômico de consumidores (1999: pp. 200-201), ainda que não produtor de bens concretos, como por exemplo, a universidade de Oxford que possuía, por volta de 1380, cerca de um mil e quinhentos universitários, em uma cidade que possuía cerca de cinco mil habitantes usuais. Tal volume de pessoas representava um estímulo ao comércio, mas também representava problemas para a acomodação e convívio de tantos alunos (não produtores de bens), pois tal fato desequilibrava o cotidiano e o atendimento às necessidades urbanas, levando-se em conta ainda um número não pequeno de alunos pobres. Vale destacar que os alunos universitários possuíam vários privilégios econômicos, como a isenção de taxas, pedágios, impostos, etc.
Cabe observar que o recrutamento dos mestres universitários era feito tendo em vista a competência dos candidatos, os interesses locais em sua especialidade, e a política de atuação pretendida pela direção universitária responsável pela arregimentação dos lentes. O trabalho era extenso, com muitas horas de estudo e aulas durante o dia, incluindo-se os serviços religiosos e a atenção aos alunos, sob o prisma material, de formação moral e, inclusive, da prática religiosa. Desde o século XII, o ensino correspondia a uma carreira, ocorrendo mudanças de mestres para outras universidades em função de público mais numeroso, remuneração maior ou mesmo motivos pessoais, não havendo óbices para professores “estrangeiros”. A duração dos estudos variava de acordo com as matérias e as localidades; por exemplo, um doutorado em Orléans demorava cerca de dez anos: os exames finais eram feitos privativamente, comportando uma explicação de texto escolhido por um dos mestres doutores, com a discussão com tais mestres compostos em forma de júri; a licença obtida autorizava a docência, licencia docendi (cf. Basdevant- Gaudemet e Gaudemet, 2003: p. 117).