2. KOJENERASYON SİSTEMLERİ
2.1. Kojenerasyona Genel Bakış
Em contraponto à economia fundada na terra e seu domínio, as cidades passaram a conter uma economia monetária em decorrência da renovação comercial, com a estruturação de comércio e indústrias em seus meios31. Vale observar que o comércio nas regiões de Flandres e da Itália possuía característica mais fortemente pré-capitalista do que na França, que detinha, por seu passado de maior influência clerical, associações de comércio e indústria mais influenciadas por elementos religiosos, o que obstaculizava o desenvolvimento de um capitalismo mais individual. E esse viés provocava uma ênfase para que os comerciantes nas regiões francesas, desde o final do século XII, se preocupassem em colocar o dinheiro ganho preferentemente em terras, e não em novos investimentos comerciais. As atividades de crédito e empréstimo de numerários do Norte da região francesa eram mais simples, diferentemente das dos negociantes italianos.
31 Ellul (1999: pp. 200-201) destaca a renovação comercial desde o século X na Europa Ocidental, a partir de dois pólos principais: um, o setor da Itália com influência bizantina e a cidade de Veneza, que mantém comércio com o Islão; outro, com os normandos pelo mar do Norte e o Báltico, passando pela ilhas britânicas e a Rússia. Logo mais tarde, Marselha e Barcelona se tornam grandes centros comerciais, enquanto aumentam as rotas comerciais pelo rio Sena e a costa britânica, tendo a região de Flandres retomado fortemente a indústria de têxteis de lã. Também se amplia o comércio de especiarias e seda, com a presença de comerciantes italianos na região de Paris estabelecendo ali mais um centro financeiro; e também, é claro, muito importante o comércio de vinho.
Entre os negociantes italianos, viam-se cada vez mais as atividades de comércio de dinheiro, operando o crédito com empréstimos e complexificando essa relação com a criação de sociedades comanditárias, letras de câmbio, etc. 32. Passaram então a suplantar os negociantes judeus, que se mantiveram mais localizados e restritos, inclusive em razão de suas condição de “não fiéis”. Cabe destaque a inclusão de créditos imobiliários, com a obtenção de rendas financeiras e a concessão de arrendamentos de terras e imóveis a terceiros.
O comércio e as cidades trouxeram uma modificação para a agricultura: a concentração de pessoas passou a exigir mais provisões. E aquilo que era produzido para sustento passou a ser produzido para servir também para venda, fazendo que o dinheiro passasse a circular cada vez mais no campo, e os servos passassem a receber dinheiro e comprar sua liberação das terras; assim como os vilãos e os burgueses, que também passaram a comprar terras para explorá-las. Os senhores feudais passaram a vender terras ou a emprestá-las para exploração aos banqueiros ou burgueses comerciantes, bem como foram transformando suas reservas próprias em terrenos para uso rural (tenures). Ocorreram, portanto, grandes modificações na forma de exploração da terra dominial sob a influência das novas cidades, que se multiplicaram entre os séculos XII e XIII e passaram a ser autônomas a partir de cartas de franquia de senhores feudais, que cobravam tributos como a talle, mas passaram a admitir uma direção própria para essas comunidades.
Vale destacar que essa passagem do direito potestativo senhorial para a autonomia das novas cidades não se realizou de forma homogênea e pacífica. Há vários relatos de insubmissões e contestações de camponeses, vilãos e burgueses contra senhores feudais na formação de diversas cidades, além de arbitragens pelos representantes da Igreja e até processos perante as cortes reais. Ocorreram, ainda, algumas revoltas armadas em regiões francesas, inglesas, italianas e principalmente espanholas; nessa última região, chegaram a existir combates de guerrilha por moradores castilhenses em meados do século XIII contra o bispo de Osma, por “pirataria senhorial” 33.
32 Assim como na Provence e em Barcelona.
33 Bourin e Durant (2000: p. 107) descrevem a revolta castilhense de Osma como contraponto à “pirataria senhorial” representada pela política senhorial episcopal de cunho fortemente autoritário, que usava de força de forma provocativa, trazendo insegurança aos moradores da cidade.
Entretanto, mesmo que obtidas conflituosamente, os termos dessas cartas de franquia possuíam um ideal cristão e de “cavalaria”, facetado nas suas proposições. Bourin e Durant (2000: p. 108) descrevem a utilização do vocábulo benevolência nas introduções dos termos, em contraposição ao estigma de arbítrio pelo poder senhorial existente. Dão como exemplo a carta de franquia outorgada pelo senhor de Tintinnano, na Úmbria, em 1207, que destaca em seu intróito a “liberdade, a justiça e a igualdade, motivos do triunfo de Roma, que quer ser aplicado a suas terras e a seus fiéis, a fim de se retornar às boas condições antigas” 34.
Os mesmos autores ainda descrevem que, no Norte da atual França, um quarto das franquias é de período anterior a 1190; a metade foi redigida entre 1190 e 1240, e o outro quarto delas depois de 1240. Mas as primeiras franquias apareceram na região da Itália, Espanha e Flandres, sendo raras na Normandia, tardias no Sul e praticamente inexistentes no Oeste francês e na Bretanha. Apontam também que as nuances regionais reforçam os resultados mais precoces ou não da existência das autonomias nas cidades mais novas. Destacam (p. 16) 35: “De uma cidade a outra, de uma região para outra, tal ou tal setor possui uma forma própria de estimular o acerto. Aqui, a forma de fechar as entradas da cidade, ali, os problemas fiscais, acolá, a melhor forma de se ministrar a justiça. As diversas maneiras de se prestar solidariedade comunitária confluem para criar administrações públicas municipais e formas de institucionalização da vida política local”.
A estruturação das novas cidades inter-relaciona-se com um tipo social: o burguês. Régine Pernaud (1995: p. 27) nos informa que o burguês habita a cidade e se relaciona a seu desenvolvimento na Idade Média; e a primeira vez que o termo burguês aparece em um documento histórico como tal ocorre para designar os habitantes de uma nova cidade, no início do século XI (1007) através de uma carta de franquia em que o Conde de Anjou garante as isenções de imposto para esses habitantes. A palavra burguês aparece na forma latina: burgensis.
34 ...la liberté, la justice et l’égalité, moteurs du triomphe de Rome, qu’il veut appliquer à sa terre et ses fidèles afin de revenir au bon estaut d’autrefois.
35 D’un village à l’autre, d’une région à l’autre, tel ou tel secteur a joué le rôle de catalyseur. Ici la clôture du village, là les problèmes fiscaux, là enfin la manière de rendre la justice. Les diverses formes de solidarités villegeoises confluent pour aboutir à la naissance de magistrats municipaux et d’une forme instituinnalisée de vie politique locale.
Essa categoria não representava um tipo abstrato, ou indeterminado, mas em cada cidade os membros da comuna que faziam o juramento de convívio e participação eram burgueses daquela comunidade específica. Quem era burguês não era nobre, nem clérigo, nem servo ou ligado ao serviço real. O termo burguês em seu início tinha relações diretas ou de até sinonímia à de negociante, ou seja, aquele que comerciava bens que não necessariamente produzia. A condição de burguês era reconhecida por origem de nascimento familiar, ou por cerimônia de entronização na cidade e, nesse caso, teria de ser paga uma taxa de entrada, prestar juramento de cumprir a carta de franquia daquela localidade e construir uma casa de moradia (o que permitia que um ex-servo que cumprisse essas obrigações pudesse se tornar burguês).
Havia, para os burgueses nessas cidades, uma característica urbana que diferia da rural, provinda de costumes de comércio internacional (em razão dos mercadores): as relações jurídicas eram cumpridas com base na tradição do direito romano; deveria o burguês participar das festas de Natal, Páscoa, do santo padroeiro da cidade, além de poder participar da escolha da administração da comunidade, a par dos pagamentos de taxas pela sua situação no burgo.
A burguesia passou a enriquecer pela ampliação das atividades de comércio e indústria, e começou a se organizar como classe, estruturando-se para fazer a defesa de seus interesses em relação à nobreza e até mesmo ao clero. Como exemplo da capacidade de aglutinação, temos a formação de confrarias burguesas, com características religiosas, porém de cunho disciplinar, organizativo e de defesa do grupo, quer abrangendo um setor, quer abrangendo uma região.
A partir do século XIII, surgiu a figura da chamada “burguesia do Rei”, ou burguesia forasteira, originária de cidade subordinada ao Rei, e que passou a se instalar em terras de outro senhorio sem perder os direitos adquiridos na cidade de origem. Em 1287, ocorreu uma ordenança real regulamentando a burguesia.
III - As instituições políticas 1 - A organização do reino
Em primeiro lugar, cabe destacar que em um grande período, durante a Idade Média, alterando-se a partir da baixa Idade Média, a concepção da realeza representava menos a atribuição de direitos e poderes do rei, do que considerar o rei como um titular de uma função, portador de um grande número de deveres perante a Cristandade e os súditos.
A dinastia dos Capetos36 conquistou um prestígio ímpar no reino da França, devendo se destacar que, embora tenha sido eleita, é a partir dessa dinastia a opção da sucessão pelo filho mais velho, em razão de lei sálica37 readotada quanto a esse tema. Sua sucessão tinha também um caráter sacro pois, a partir da morte do rei, imediatamente se declarava rei o descendente direto38, com duas cerimônias interligadas pelo arcebispado, que fazia a transmissão da coroa. Esse ato correspondia ao que se entende como sacralização do poder real, o que levava à concepção do poder divino do rei. Deve ser destacado ainda que, a partir do século XII, o rei francês não presta homenagem ou qualquer tipo de subserviência a qualquer outro senhor; e, durante o reinado de Felipe Augusto, no início do século XIII, ele chega a proibir que se ensine direito romano em Paris, pois tal ensino propaga a supremacia imperial e ele, rei de França, não se subordina a império.
É interessante notar que o caminho da concentração do poder real é proporcional ao caminho inverso do poder feudal, pois à medida que diminuem as esferas de poder, diminuem as forças políticas dos senhores que as exercem, substituídas pelo maior ângulo de força real centralizada. Embora integrado ao sistema feudal, o rei é um suserano especial: recebe as homenagens de seus vassalos, aplica a justiça senhorial, mas não presta homenagens, tendo sido fortalecido com o passar do tempo o princípio de que todo o senhor feudal dependeria ao menos mediatamente do rei. Curtis Giordani (1987: p. 50) lembra Ellul ao destacar que o poder de administrar e de exercer a autoridade não sofre
36 Um tal Hugo, que foi eleito em uma reunião de nobres rei dos francos no final do século X, adquiriu o sobrenome de Capeto (Capetien), ou “aquele da capa”, por ter sido escolhido numa abadia em que havia a guarda de uma capa de um santo.
37 Codificação franca do período das invasões do Império Romano (uma das leges barbarorum). 38 “O Rei está morto; viva o Rei”.
efetiva contestação por parte dos senhores feudais, mas é na administração da justiça que seu poder é inabalável, pois controla as justiças senhoriais e as subordina por meio das apelações39. E, a partir do século XIII, retorna com força a noção de súdito: todos os habitantes do reino devem obediência ao rei pelo simples fato de serem habitantes; tal situação chega a seu extremo durante os séculos XIV e XV, principalmente em função da guerra dos Cem Anos.
O rei possui deveres para com seus súditos fundamentado no mito construído pela sucessão e sagração: proteger o próprio reino e a Igreja, quer de forma interna, na proteção de igrejas, no atendimento aos apelos contra injustiças, no arbitramento de questões entre senhores feudais, quer de forma externa, formulando e exercendo a defesa do reino, organizando negociações com outros reinos, etc.
O reino possuía, no período que também é denominado central da Idade Média40, duas categorias de pessoas em seu torno: a domus regia, composta pela sua família, notadamente o príncipe herdeiro, e os palatinos, habitantes junto à corte, como cavaleiros sem feudo, clérigos íntimos e colaboradores do rei, além dos oficiais reais, como o senescal (chefe do palácio), o copeiro (com relação direta ao fornecimento do palácio, depois suprimido), o camareiro (depois substituído na prática pela ordem dos templários no tempo de Luís IX), o condestável (conselheiro militar e cavaleiro) e o chanceler (um secretário-geral); e a curia regis, que tinha a forma de assembléia real e era composta de vassalos: senhores feudais, bispos e abades, geralmente convocados para discutirem problemas de ordem política, judiciária e financeira.
A partir do século XII, ocorreu uma mudança com alteração na curia regis: foi criada a figura dos “Pares de França” (Pares Franciae), os principais senhores feudais colocados acima hierarquicamente na assembléia41, assim como se iniciou um recrutamento de pessoal especializado para dar andamento a situações que se faziam necessárias no âmbito jurídico, administrativo e financeiro. Também se aperfeiçoou a curia regis com a criação nela de novos órgãos, como os “bailios” (baillis), que eram delegados do órgão, utilizados a partir de Felipe Augusto e tendo como modelo os xerifes ingleses (cf. Olivier-
39 Cabe lembrar que foi S. Luís (Luís IX), no início do século XIII, quem proibiu o duelo de armas como instrumento recursal, o que foi implantado de forma paulatina, desde os domínios reais até seu completo cumprimento.
40 Utiliza-se aqui a referência de Idade Média entre o período do século X e o século XIII. 41 Iniciaram-se com seis pares leigos e seis eclesiásticos; depois foram ampliados.
Martin, 2005: p. 232); o “parlamento”, que era a composição de juízes para atender as tecnicidades processuais; e a “câmara das contas”, composta por pessoal especializado para examinar as contas apresentadas pelos agentes reais. Curtis Giordani (1987: p. 56) destaca que, no século XIV, a “câmara das contas” separou-se da curia regis.
Esse autor ainda destaca que foram criados os “estados gerais” a partir do destacamento da curia regis pela curia in concilio, que era um conselho mais próximo do rei, mais precisamente formado por prelados e barões representantes das principais cidades do reino. Tal figura surgiu42 no início do século XIV, na época do conflito entre Felipe, o Belo, e o papa Bonifácio VIII. Esse conselho foi reconvocado para tratar das questões oriundas dos templários e passou a ser composto como assembléia consultiva por três ordens do reino: grandes senhores, prelados e representantes das cidades principais. Davam apoio à monarquia e deliberavam sob a alçada de cada ordem respectiva.
Nos domínios reais havia uma administração local que era realizada pelo “preboste”. Este era escolhido em um tipo de leilão: aquele que oferecesse maior soma pecuniária ao rei era arrendatário do prebostado, por um período pré-fixado, que não poderia ser disputado por nobres ou clérigos para evitar a feudalização desse poder diretamente subordinado ao rei. A partir do século XIII, o preboste passou a ser escolhido e demitido pelo rei de forma direta; tinha como circunscrição territorial uma região específica, cabendo a ele dar a conhecer e fazer cumprir as ordens reais, recrutar soldados para o rei, administrar a justiça real, receber rendas e cuidar dos bens do domínio real do qual era encarregado (cf. Curtis Giordani, 1987: p. 58).
Além dos prebostes, a partir da “guerra dos Cem Anos”, surgiu a figura dos “governadores”, que inicialmente eram escolhidos pelo rei entre seus nobres principais e eram enviados como delegados reais para manter a ordem em uma região ampla e distante quando isso se fazia necessário. Com o tempo esses delegados reais são fixados por regiões e passam a dirigir a administração que se denomina província.
Sob o prisma financeiro, o reino utilizava as taxas denominadas tonlieu, que também correspondiam a rendas régias com base no direito de exercer a mercancia sobre a venda de comestíveis, roupas, vendas em feiras, etc. Havia também outras taxas, como o pedágio de viajantes e circulação de mercadorias, passagens sobre pontes, entradas e saídas
de bens e mercadorias pelas cidades, etc. Havia também taxas de distribuição de justiça, recursos provenientes de rendas sobre os domínios e contribuições dos súditos. Foram sendo criadas várias taxas durante os séculos, muitas delas tendo sido objeto de reclamações e revoltas, como aquela contra a taxa criada no final do século XIII, em função dos estoques de vinho; tal taxa foi denominada de maltôte, muito embora tal termo designasse uma taxação mais extensiva. Aliás, esse termo acabou denominando a amplidão dos impostos indiretos.
Já no século XIV, há na França dois tipos principais de impostos: o chamado fouage, que incidia para cada sede da família (feu); e o imposto indireto, denominado maltôte, que correspondia a taxas de múltiplos aspectos, como as taxas criadas sobre o uso de vestes, combustíveis, as décimas cobradas do clero, venda do sal, etc.
A cobrança de impostos reais foi sendo progressivamente substitutiva daquelas cobradas pelos senhores feudais, impedindo-se ampliativamente a concorrência de tributos do rei e dos senhores feudais, passando a ocorrer um monopólio real, caminho para o absolutismo político. Esse também foi o caminho na Península Ibérica, havendo um típico exemplo no texto das Partidas de Afonso XI, no Ordenamiento de Alcalá, em que se declara que são dos imperadores e dos reis as águas e poços salgados que produzam sal (Cf. Curtis Giordani, 1987: p. 190).
Cabe ainda observar rapidamente a moeda: com o chamado Renascimento medieval, já visto acima, diante da evolução econômica e transformações sociais ocorridas a partir das cidades repovoadas e criadas, surgiu uma efetiva necessidade de dinheiro. Curtis Giordani (1987: pp.191-192) elenca alguns fatores que deram origem a essa necessidade: novas exigências no campo militar (armamento metálico mais custoso, construção de fortalezas com material mais durável, novas armas), no campo religioso (novas igrejas, peregrinações e as cruzadas), no campo tecnológico (vários tipos de moinhos e uso de roda específica, novas formas construtivas, como abóbadas, escadas em caracol e formas de pavimentação), e no campo doméstico (com melhor conforto e condições de vida, uso de tecidos, etc.).
Para atendimento dessa demanda, ocorre um aumento de metais preciosos, em razão da descoberta de minas de prata e cobre (propiciando a ampliação da fabricação das moedas), do comércio com o Oriente próximo (com o uso de moedas bizantinas e
muçulmanas) e do retorno das peças de tesouro saqueadas pelos húngaros e vikings (normandos). Diante de tal situação, as oficinas de cunhagem de moeda foram sendo multiplicadas, por interesses da Igreja, dos senhores feudais e mesmo das cidades, tornando o jus monetae um elemento a mais para a anarquia monetária existente no período feudal até a Idade Média baixa.
A partir do século XIII, mais precisamente com o rei Felipe Augusto (no início desse século), passou a ocorrer uma política de unificação monetária em seu domínio43, com o fechamento das oficinas de cunhagem regionais e centralizando Paris como ponto de cunhagem do reino, sob sua supervisão. Seu descendente, Luís IX (S. Luís), regulamentou a cunhagem de moedas, devendo ser notado que este rei incentivou a circulação de moeda pela população, com a cunhagem de uma peça de prata, o gros. O mesmo Luís IX passou a cunhar moedas de ouro em 1257, o que ocorreu quase um século depois na região de Castela, por Afonso XI.
A organização política na Península Ibérica, tendo como base Leão e Castela, obteve com Afonso X, no início do século XIII, a criação de texto primordial para a organização política do reino. Trata-se das “Siete Partidas” 44, que estabelecem a sucessão do reino pela primogenitura, e nesse contexto se consagram ao rei o direito à promulgação de leis e sua interpretação, recebimento de impostos ordinários, a responsabilidade direta pela cunhagem de moedas, a nomeação de altos funcionários palacianos e judiciários, o comando supremo do exército e a administração da justiça e indulto de penas.
Em Portugal, que recebeu influência marcante das Siete Partidas, principalmente a partir do século XIV, o papel do rei como monarca e centralizador do