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2. KOJENERASYON SİSTEMLERİ

2.3. Literatürde Kojenerasyon ve Ekserji Uygulamaları

Desde o episódio denominado “querela das investiduras”, no final do século XI, marcado pela luta de poder sobre a investidura dos bispos na região do chamado Santo Império, entre o Papa Gregório VII e o imperador Henrique IV, com reflexos em toda a região circunvizinha, a Igreja Católica veio a conquistar uma vitória do poder papal, efetivada no século XII.

No século XI, atribuía-se a regra Officium propter beneficium, pela qual aquele que obtivesse o gozo de um benefício (região de domínio da Igreja que o beneficiário utilizava para seu uso e fruto enquanto tivesse a atribuição concedida) mais rico ou mais importante teria um cargo correspondente a ele. Assim, relacionava-se benefício a ofício, havendo benefícios maiores, relacionados com arcebispos, bispos e abades, e benefícios menores, relacionados com padres oradores, curas, etc. A indicação dos benefícios maiores, a partir do século XII, portanto, passou a ser da autoridade máxima da Igreja, com anuência dos poderes locais, e não mais o inverso, como ocorria principalmente antes do episódio da “querela das investiduras” (cf. Ellul, 1999: pp. 240- 242).

Aliás, até o século XII, a nomeação aos benefícios maiores era efetuada pelos reis ou pelos principais senhores feudais, que entregavam aos beneficiados o anel e a cruz do cargo (as insígnias) como sinal de troca de atenção pela homenagem e fé a eles prestadas. Após a reforma gregoriana (a que se refere o episódio da “querela das investiduras”), cessou o dever de homenagem pelo beneficiado, que passou a ter seu benefício pela responsabilidade direta do Papa, com indicação de escolha pelos sacerdotes locais (relacionados à Igreja catedral), permanecendo, entretanto, a cerimônia da entrega do anel e da cruz pelas autoridades terrenas locais46.

A nomeação dos benefícios menores era efetuada pelos bispos locais; no caso de domínio de Igreja construída por um particular (geralmente um senhor feudal), o

implantar uma racionalização tributária, estabelecer uma política monetária centralizada, estruturar uma justiça com base nessa centralização política e uma segurança eficaz aos negócios e no dia-a-dia.

46 Ellul (1999: pp. 241-242) destaca que a escolha do bispo se dá por pedido da assembléia eleitoral (padres da localidade em que se encontra a catedral) ao rei para que seja efetuada a eleição. O rei ou o senhor principal dá indicação de seu candidato; a partir daí, os padres votam em sessão sob a direção de um bispo vizinho, e a designação é feita não pela maioria quantitativa, mas pela prioridade qualitativa dos votantes – os principais entre eles. No caso de contestação ao resultado, é feito um apelo de revisão ao arcebispo e depois ao Papa. A partir do século XIII, o Papa passa a nomear diretamente os bispos.

fundador apresentava ao bispo sua indicação, que poderia ser anuída pelo mesmo. Caso houvesse alguma irregularidade na nomeação efetuada, que se denominava direito de “Patronato”, a mesma poderia ser revisada pelo Papa47.

A hierarquia, após o episódio da “querela das investiduras”, era constituída inicialmente pelos primados que, a partir de meados do século XII, passaram a se constituir em títulos honoríficos, embora até esse momento representassem ainda uma chefia da Igreja no reino. Havia então o arcebispado, com atuação regional e nomeado pelo Papa, que lhe concedia as insígnias de sua dignidade; a partir do século XIII, a atuação do arcebispo passa a ser diminuída pela intervenção direta do Papa nas questões regionais. O bispado também sofreu uma interferência direta do Papado após a reforma gregoriana, pois o bispo passou a ter de se dirigir a Roma e ali permanecer por quatro anos; além disso, teve seu papel reduzido quanto à relação de poder com os senhores locais, graças a uma centralização ainda maior do papado a partir do século XIII.

O clero regular tomou uma nova feição entre os séculos X e XII com o surgimento do monastério de Cluny, uma ordem baseada nos ensinamentos de S. Bento, com ampla atuação em diversos reinos, e possuindo, só na região da França, cerca de oitocentas casas ligadas a ela no meio do século XII. Havia ali um prior (o Abade de Cluny) que nomeava os priores de todas as casas (abadias), assim como os destituía de forma unilateral. Tal absolutismo centralizador foi incentivado pelos papas do período, sendo certo que o Abade de Cluny não estava subordinado senão ao Papa.

A partir do século XI, ocorreu um tipo de reação a Cluny, acusada de relaxamento das rígidas ordens morais baseadas no beneditismo (S. Bento), sendo criada a ordem Cister48 a partir da Abadia de Citeaux49, próxima a Dijon. Sua organização era descentralizada e cada abadia elegia o abade por seus monges, possuindo uma característica federativa; seu conclave anual, com a presença aberta a todos os seus monges, era o órgão jurisdicional supremo da ordem. Seu grande teórico foi S. Bernardo, e os cistercienses denominados de “beneditinos brancos”. Tinham por base uma conduta austera na vida cotidiana e ênfase no trabalho manual; nos séculos XII e XIII, foram considerados os

47 O mesmo autor supra destaca que o recrutamento dos clérigos de tais benefícios, até o século XIII, era efetuado no meio rural; mas, a partir daquele século, passou a haver um recrutamento de clérigos entre a burguesia comerciante nas cidades, o que veio a transformar a mentalidade do clero desde então.

48 Deserto de Cister em que se situava a Abadia de Citeaux. 49 Comunidade de Saint-Nicolas-les-Cîteaux, a 20 km. de Dijon.

maiores cultivadores das terras na Europa em regiões desbravadas. Além disso, demonstravam profundas preocupações com os miseráveis e tinham como mote o trabalho livre: “Os homens livres trabalhando sobre um solo livre” 50.

Os templários representavam, por seu turno, a ordem monástica militarizada. Formaram-se entre monges cavaleiros para lutarem contra os infiéis; a ordem dos templários foi fundada no século XII (1128), inicialmente supervisionada pelo Patriarca de Jerusalém, e somente no ano de 1139 foi reconhecida pelo Papa. O mestre da ordem era detentor de uma autoridade total, intitulava-se “Príncipe e Grande Mestre pela Graça de Deus”, e podia dispor do patrimônio da ordem; no entanto, precisava de um conclave para modificar seus estatutos, promover guerras, firmar a paz, receber um cavaleiro e nomear os representantes regionais. O papa não poderia intervir no seio da ordem, quer na parte administrativa, quer na parte financeira. A principal e primeira função dos seus membros era promover a segurança das rotas de peregrinação para Jerusalém. Havia quatro categorias de participantes: os cavaleiros, pertencentes à nobreza e combatentes; os sargentos e escudeiros, saídos da burguesia; os capelães; e os criados e artesãos.

Os templários se sobressaíram como operadores de finanças, promovendo operações bancárias como depósitos, contas correntes, cauções, consignações, pagamento de rendas, transmissão de dinheiro a distância, etc. Forneciam empréstimos a papas e a reis (por exemplo, foram muito próximos de Luís IX – São Luís, um rei incentivador de construções, como a catedral de Notre Dame51, S. Denis e Chartres), tendo ainda aplicado técnicas de contabilidade bastante avançadas e se aprofundado em técnicas científicas como a química e construção naval.

Outras ordens religiosas foram criadas nesse período acima, cabendo destacar como exemplo de ordem mendicante que se transformou parte atuante na sociedade medieval, a partir do século XIII, a dos franciscanos. Fundada por São Francisco de Assis, em 1209, foi marcada por crise interna duradoura entre os que defendiam os

50 «Des hommes libres travaillanant sur un sol libre».

51 Os templários tiveram ampla atuação durante as cruzadas e na reconquista da Península Ibérica junto aos mouros. No início do século XIV, suas riquezas foram alvo do interesse de Felipe, o Belo (rei francês), e uma das causas do litígio entre esse rei e o papado. Após a supressão da ordem (1312), com a condenação e morte pela fogueira de seu grão-mestre, os bem imóveis dos templários foram doados à Ordem do Hospital. Mas, em Portugal, Dom Dinis ignorou a ordem papal e criou a Ordem de Cristo com os bens dos templários dali; os soberanos portugueses aplicaram os materiais e as riquezas dessa ordem para financiamento de seus empreendimentos.

cânones iniciais do fundador, com ênfase à pobreza absoluta e ausência de organização regular, e os que consideravam a mendicância inaplicável aos novos tempos no decorrer do século XIII, com opção pelo sacerdócio regular, estudos universitários e ensino, e daí a construção de conventos. Denominavam-se essas correntes, respectivamente “observantes” (mantendo a proposta mendicante) e “conventuais” (com proposta de inserção na sociedade e nas universidades).

Observa-se que o Papado foi submetendo as ordens religiosas para torná-las auxiliares em suas reformas, restringindo assim as antigas regras de autonomia (venda de bens das abadias, por exemplo) e estabelecendo outras, como a necessidade de relacionamento direto com a Santa Sé e com as outras ordens. Além disso, incentivou a criação de ordens sob a subordinação direta do Papado, como a organização da ordem dos dominicanos, ratificada pelo Papa em 1216 (cf. Ellul; 1999: pp. 246-247).