• Sonuç bulunamadı

6. MODELİN SİSTEME UYGULANMASI

6.2. Enerji Bağıntılarının Uygulanması

6.2.6. Kızgın su eşanjöründe hava çıkış sıcaklığının hesabı

A partir de Bolonha, primeira universidade da cristandade, há que se destacar o trabalho de um mestre no século XI, Irnério (ou Guarnério ou Warnério), que ficou conhecido como o responsável pelo renascimento do direito romano naquele período (Curtis Giordani; 1987: p. 245). Da mesma forma que em Bolonha, também em Provence (Aix), Lombardia e Ravena, passou-se a transmitir os estudos de direito romano, a partir do pressuposto de que tal direito abarcava uma universalidade em seus princípios norteadores; além disso, ressalte-se sua incrível adaptabilidade àquele momento histórico de recuperação urbana e crescimento do comércio. Curtis Giordani cita Vinogradoff para considerar a Summa (súmula) do Código de Justiniano, conhecida como Lo Code, como a “mais interessante contribuição da França ao ressurgimento do Direito Romano”; ela foi redigida em provençal para os juízes da Provence em torno de 1149. Tal trabalho foi realizado por glosadores, que também atuavam na Lombardia e em Revena.

Entretanto, foi Bolonha, por sua posição estratégica e proximidade geográfica e política com o papado romano, que passou a representar o principal pólo de irradiação dos estudos jurídicos relacionados com o direito romano, quer por ser um ponto de convergência na intensificação dos estudos naquele momento histórico (em razão de sua posição geográfica e política) de desenvolvimento, quer por sofrer a influência de estudiosos ligados à reforma gregoriana, que buscavam textos do direito romano para poderem contrapor argumentos de enfrentamento ao discurso jurídico dos imperadores germânicos, em prol no posicionamento político da Igreja.

Vale destacar o trabalho dos glosadores: sendo considerado o fundador dessa concepção, Irnério destacou-se pelas anotações feitas à margem dos textos da legislação Justiniana (notadamente o Corpus Juris Civilis). As glosas eram interlineares ou marginais às páginas dos textos romanos: entre linhas, as breves explicações sobre o que estava escrito nas linhas originais e, à margem dos textos, as explicações mais detalhadas e aprofundadas sobre o escrito naquele lugar. Adotavam a interpretação exegética, literal, sem generalizações ou mesmo digressões. Curtis Giordani (1987: pp. 248/250) ainda observa que, com o tempo, as glosas passaram a ser compostas em textos próprios, denominados de súmulas (summae), comentários de partes escolhidas de textos (apparatus), ou de hipóteses relativas aos textos (casus), ou ainda regras jurídicas retiradas dos textos (brocardi).

São apontados como grandes os defeitos dos glosadores a partir de seu parco conhecimento filológico, o que incidia em grandes erros etimológicos (erros de tradução ou adequação), erros de escrita e deficiência sobre o conhecimento histórico (o que era muito usual na Idade Média64); entretanto possuem o mérito de terem tornado acessível o direito romano aos juristas medievais através das suas glosas. O outro glosador que se tornou referência até em textos reais de diversos países (Ordenações Manoelinas, por exemplo), foi Acúrsio, autor da Magna Glossa, florentino professor da universidade de Bolonha.

No final do século XIII, surgiu um movimento de contraponto aos glosadores, que possuíam ainda uma postura estática frente ao texto romano, representado

64 Por exemplo, nos vitrais da Saint Chappelle, capela reconstruída por S. Luís em Paris, há uma genealogia do rei capeto que o coloca como descendente do rei Salomão, de Israel; ou então, na lenda escrita por um clérigo a Carlos Magno, sobre o bispo decapitado de Paris, S. Denis (Dionísio), do século III, há a identificação desse santo com Denis (Dionísio), o Aeropagita, amigo grego do apóstolo Paulo, do século I da nossa era.

pelo bispo de Verdun, Jacques de Revigny (falecido em 1296); isso em pleno caminhar das mudanças políticas, religiosas e econômicas ocorridas após a Renascença medieval. Foram os pós-glosadores que passaram a ter um posicionamento mais participativo e includente sobre os textos de direito romano, antes só comentados de forma restritiva ou literal. Os pós-glosadores procuraram extrair dos textos romanos princípios ou teorias para atender aos casos práticos que foram surgindo de forma mais ampla, pela complexidade maior das relações naquela sociedade em mutação. A partir dos silogismos e método dedutivo, passaram a adaptar o direito antigo aos novos tempos. O seu principal representante foi Bártolo de Sassoferrato (1314 a 1357), também usado como referência interpretativa pelas Ordenações do Reino portuguesas.

O método silogístico e dedutivo dos pós-glosadores era composto de sete momentos (cf. Curtis Giordani; 1987: pp. 250-252):

premitto (esclarecimentos de ordem gramatical); scindo (dividem-se as diversas partes do texto a ser comentado); summo (resume-se o texto em questão, usando-se para isso a obra de Bártolo e de Baldo que continha uma síntese pronta para cada caso, pois esses autores haviam feito um comentário de quase todo o Corpus Juris); casum figuro (exposição de um caso prático a que se refere determinada lei); perlego (relê-se o texto); do causas (indicação das várias questões a que se pode aplicara mesma passagem); connoto (resumo de tudo que foi tratado) (p.252).

O lema dos pós-glosadores era “qui bene distinguit, bene docet (quem distingue bem, ensina bem)”65. O autor referido ainda acrescenta que esse pensamento lógico usualmente era aplicado de forma cansativa e obsessiva, o que resultava em divisões e subdivisões excessivas e maçantes.

Entretanto, como mérito dessa escola, destaca-se a criação de institutos novos não existentes no direito romano, a par de promover uma inserção e correlação entre o direito romano e o direito costumeiro, sendo teórica e praticamente responsável pelo que se denomina o jus commune, cuja principal fonte (mas não a única) era o direito romano. A

65 Encontramos na baixa Idade Média um posicionamento dos juristas pós-glosadores, ou comentadores, que não mais apenas comentavam em glosas (comentários ao lado dos textos do Corpus Juris Civilis), mas também emitiam suas opiniões diante dos textos clássicos e seus comentários. Eram mais práticos, pois respondiam a consultas de partes interessadas. No dizer de Lima Lopes (2002: p. 135) “não queriam a antiguidade pela antiguidade, mas para seu próprio uso e interesse. Não tinham a paixão pelo texto clássico puro, como diz Wieacker, mas pelo seu valor contemporâneo”.

Esses pós-glosadores, repensando as glosas anteriores sobre os textos romanos, passaram a observar a necessidade de outros posicionamentos frentea situações novas, observando o limite entre o justo e o formal. Daí, temos como exemplo contundente de aplicação do justo no âmbito privado, a formação da cláusula conhecida como rebus sic stantibus em antagonismo à tradição romana do pacta sunt servanda: Contractus qui habent tractum sucessivum et dependentiam de futuro, rebus sic stantibus intelliguntur.

partir dele, o direito passa a ser conduzido pelos costumes e pela aplicação do justo (em sua concepção aristotélico-tomista).