3. YÖNTEM
3.4. Verilerin Analizi
3.4.1. Yapısal EĢitlik Modeli Analizi
Há vários depoimentos que envolvem música como fator de criação e identidade, nas observações colhidas nas duas escolas.
174 [...] P. nos falou que depois de começar a ouvir samba, sentiu uma grande influência em suas composições de rap, que antes disso, tinha um universo bem reduzido em gêneros musicais, e ouvindo o gênero samba, ele sente que houve um crescimento no seu trabalho de compositor de rap (O SM2).
Ainda na escola particular, uma aluna deu seu depoimento sobre um projeto cultural promovido pelo colégio:
Agora vou perguntar para a aluna I. R., do 2º Médio, do espaço ‘Desconstrução’, sobre suas impressões pessoais do projeto Museu Vivo Buarque-se. Qual a relação desse trabalho com a sua experiência musical, se há novidades ou algumas coisas que ela já conhecia. O que isso mudou e se mudou a sua relação com a música popular brasileira e com a cultura brasileira. Ela diz que ele (Chico Buarque) e a professora P. (História da Arte), idealizadora do projeto, tiveram uma influência muito grande em seu gosto musical e em sua maneira de ver a arte, já que através do projeto ela aprendeu que tudo pode ser arte, e a gente não deve julgar antes de conhecer (OSM5).
O jovem rapper revela claramente a influência que recebe em suas composições, a partir da audição de gêneros musicais e compositores que não ouvia habitualmente, o que denota ampliação cultural enriquecendo sua experiência. O mesmo fenômeno pode ser percebido no relato da aluna I.R., que passa também pela ampliação de suas vivências culturais ao contatar a obra de Chico Buarque, num evento promovido pela escola particular. Esse contato propiciou a ela a capacidade de ver obras de arte de maneira desprovida de preconceitos, segundo se pode perceber.
Nos Estudos Culturais, Hall (2004) utiliza
[...] o termo ‘identidade’ para significar o ponto de encontro, o ponto de sGtGra, entre, por um lado, os discursos e as práticas que tentam nos “interpelar”, nos falar ou nos convocar para que assumamos nossos lugares como os sujeitos sociais de discursos particulares e, por outro lado, os processos que produzem subjetividades, que nos constroem como sujeitos aos quais se pode “falar” (p. 111-112).
Esta definição de Hall explica com precisão os depoimentos acima, de jovens que fazem música. Seus discursos sobre o próprio fazer, as próprias práticas musicais, estão coerentes o bastante para indicar que compreendem o seu lugar como sujeitos sociais, e para fazer com que o interlocutor compreenda também os lugares que eles ocupam. Esses jovens produzem música, alguns deles criam música e, assim, suas subjetividades são produzidas.
Nas entrevistas individuais, recolhi as seguintes informações na categoria música como fator de criação e identidade:
Quais são seus grupos musicais e cantores preferidos? O que você mais admira neles?
“Eu gosto de One Direction, Celena Gomez e One Republic. O modo deles serem. Eles são ‘tipo assim’, muito inspiradores. Eles me inspiram com as letras das músicas” (ESM14, menino, 15 anos).
Pesquisadora – Você alguma vez já se inspirou neles para fazer algo ou se influenciou por eles, de alguma forma? Como?
E SM7 (16 anos, menina) – Sim, já. Pra tomar decisões, eu acho. Ah, eu acho que desde o âmbito pessoal até o âmbito profissional aqui do colégio, sabe? Acho que instruem muito as músicas. As letras, elas nos dão ideias, nos ajudam mesmo a tomar decisões.
E SM14 (menino, 15 anos) – Bastante, porque me influencia muito, tá no meu dia completamente, eu escuto todo dia, e também me influencia na hora de escrever. Eu escrevo algumas músicas e alguns poemas. Aí eu tiro a inspiração deles.
Pesquisadora – Que estilos de música você ouve mais? Por quê?
E SM12 (menino, 15 anos) – Ah, eu ouço pop, rock, às vezes, porque eu sou atraído por esses estilos de música. É difícil de explicar. Porque eu ouço mesmo muitas músicas, aí acaba que eu começo a gostar, tanto que eu quero ser um compositor, músico quando eu crescer, profissional mesmo.
Ao analisar a coleta nos grupos focais, encontrei os seguintes depoimentos:
Pesquisadora – Alguma vez vocês já se inspiraram nesses cantores ou grupos de alguma forma?
G.S., GF SM2 (13-14 anos, menino) – Acho que, como eu falei inicialmente, acho que até hoje nenhum artista me inspirou. Algumas frases de algumas músicas me falaram alguma coisa em alguma situação pra eu fazer. Aí eu me inspirei nessas frases.
G.H., GF PII1 (12-13 anos - menino) – Eu já me inspirei muito em MCs de fGnk. O Delano. O meu sonho é ser MC. Aí eu me inspiro muito nas músicas dele pra fazer as minhas.
Pesquisadora – Você compõe? Já mostrou pra alguém? G.H. – Já, mas nunca gravei, não.
A.L., GF PII2 (12-13 anos, menina) – Uma vez, a Paula Fernandes. Eu me inspirei nela pra eu poder inventar, compor outras músicas baseadas naquela dela. Eu compus. Eu inventei essa música tem muito tempo, na minha antiga escola, tanto que eu tive que inventar uma pras minhas amigas pra elas poderem dançar, que elas iam fazer uma apresentação, e pediram pra eu fazer a música. Aí eu fiz e deu tudo certo. Foi bem divertido.
Woodward (2000) discorre sobre a representação, compreendida como um processo cultural, e diz que ela “estabelece identidades individuais e coletivas e os sistemas simbólicos nos
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quais ela se baseia fornecem possíveis respostas às questões: Quem eu sou? O que eu poderia ser? Quem eu quero ser?” (p. 17).
A admiração por seus ídolos cria identificação dos jovens com eles em relação a aspectos diversos, tais como seus modos de se comportar, seu desejo de seguir a mesma carreira profissional, a inspiração intelectual em seus trabalhos musicais. Aqui, é relevante comentar a importância do princípio da imitação em processos de aprendizagem, não somente escolar e formal, como também informal, aprendizagens múltiplas de posturas, comportamentos, escolhas de caminhos pelos quais se constroem, especialmente nessa fase da vida, as subjetividades dos jovens estudantes.