2. KURAMSAL BĠLGĠLER VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.4. Hipotezler Arasındaki ĠliĢkiler
Em El consGmo jGvenil en la sociedad mediática, Muñoz Gonzalez (2008) fala sobre como a internet afeta a produção de sentido e as identidades de jovens em fase de formação. Dentro disso, analisa alguns efeitos, desafios e perspectivas da internet na vida desses sujeitos. O autor aborda modificações nos espacos culturais do jovem a partir da internet, o isolamento no ciberespaco; os usos das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação); a produção dos saberes e como ficam suas identidades nesse contato. Percebi, em conversas com os jovens,
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pessoais impressionante e que as músicas das mídias permeiam essas relações surgidas constante e vertiginosamente nos meios de comunicação virtual.
Creio que estudos como os de Paz (2004) se fazem cada dia mais necessários, uma vez que não é somente a música que estimula o jovem, segundo o autor, em suas incursões pelo mundo do consumo. Certamente, os produtores desse universo mágico dos shopping centers não os criaram sem análises e pesquisas a respeito do tema. A partir daí, educadores devem se preocupar em aprofundar seus conhecimentos no tocante a esses aspectos, uma vez que a juventude está profundamente envolvida com o consumismo, de forma geral, representado magistralmente pelos contextos dos grandes centros comerciais espalhados pelas médias e grandes cidades do planeta. Este autor descreve jovens e consumo, oferta comercial e sua relação com cultura juvenil, e faz observações acerca de espaços de convivência jovem, como shoppings e centros recreativos de Buenos Aires. Esses são observados por permitirem, segundo o autor, que os jovens classifiquem a si e aos demais, ao mesmo tempo em que produzem uma redefinição do consumo desses espaços e de seus bens. O pesquisador aborda o consumismo, afirmando que tudo nesses locais (arquitetura, música, decoração, eventos, propagandas, vitrines) conflui para estimulá-lo. Isso gera, segundo ele, um forte impacto nos sistemas socioeconômicos locais, juntamente com a postura ativa dos jovens que os frequentam.
Refletindo sobre o consumo juvenil, Oliveira e Tomazetti (2012) refletem sobre a cultura de consumo de mercadorias e seus sentidos para adolescentes e jovens do Ensino Médio. Fundamentado em Hannah Arendt, Zygmunt Bauman e Jurandir Freire Costa, os autores preocupam-se em conhecer e compreender o atual desinteresse juvenil pela sala de aula. Tratam da sociedade de consumo e os comportamentos existentes nesse contexto. Os autores concluem seu estudo afirmando que esse cenário colabora no desinteresse juvenil pela construção do Ensino Médio como um projeto de longo prazo, e que a escola torna-se, assim, um ambiente de diversão.
Essas colocações vão ao encontro do trabalho citado anteriormente, no qual o autor se refere ao universo do shopping center como espaço de consumo juvenil. Pode-se pensar, até mesmo, em como seria inusitado encontrar nos jovens um entusiasmo tão significativo quanto à escola, como aquele que demonstram diante do paraíso das compras e de suas múltiplas ofertas de diversão, alegria e consumo. Durante entrevistas e observações em minha coleta de
dados, imaginei alunos e alunas participando das aulas de Música com aquele mesmo entrosamento, interesse e vontade de aprender que mostravam a mim, entrevistadora, quando lhes perguntava algo sobre suas canções e músicos preferidos. Havia disputa pelo espaço para falar no gravador, risos, debates, cada um querendo contar o que sabia, alguns desafiando colegas quanto a seus conhecimentos sobre determinado cantor ou banda. Dessas observações, também surgiu em mim a certeza de que esse domínio e interesse extraescolares apresentados por jovens, na área da Música, podem e devem ser utilizados pela escola na implementação de uma educação musical mais atraente e engajada como cotidiano deles, tornando-se assim mais apta a transformar a realidade em que vivem.
Em JGventGd y consGmo: bases analíticas para Gna problematización, Catalán Marín (2010) aborda que elementos culturais e psicossociais orientam o consumo de jovens, a partir de uma perspectiva relacional.
Apresenta-se um contexto macrossocial que define as sociedades que possuem uma cultura de consumo e sua relação com a juventude. Em seguida, desenvolve-se um conjunto de elementos psicossociais e culturais do consumo para uma análise futura. Por último, faz-se uma apresentação relacional dos elementos conceituais que permitem orientar a interpretação do consumo da juventude dentro de um contexto social específico, isto é, dentro das sociedades de consumo (MARÍN, 2010, p. 137).
O trabalho de Mattos e Castro (2008) vem reforçar a importância de discussões em torno do consumo. Elas abordam os sentidos da liberdade na sociedade de consumo, na qual há uma infinidade de escolhas possíveis entre bens, objetos e experiências e questionam como fica o jovem diante disso: “Discutimos que na articulação entre liberdade e consumo devemos ficar atentos aos modos como os indivíduos se apropriam das interpelações do mercado para exercerem suas escolhas de estilos de vida” (MATTOS; CASTRO, 2008, p. 151).As autoras observam narrativas de jovens cariocas nos quais a questão do consumo aparece como sendo “central à construção de suas subjetividades” (MATTOS; CASTRO, 2008, p. 151). Como resultados da pesquisa, elas encontraram os jovens apontando as armadilhas do consumo ilimitado, e concluíram que o mundo de aparências é superestimulado pelo consumo que os faria se submeter às exigências externas. Os dois trabalhos acima se preocupam com a maximização do consumo na vida de jovens nas sociedades. Posso analisar que também cheguei à mesma conclusão de Mattos e Castro (2008), ao encontrar jovens apontando criticamente canções e gêneros musicais que consideram menos válidos no elenco de suas
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âmbito do consumo de bens e produtos da cultura, em geral. É essa capacidade crítica que a Educação deve estimular e promover nos contextos diversos da escolaridade.
Embora se saiba da existência de revistas especializadas em música, os sujeitos da minha pesquisa não se referiram a essa mídia em seus comentários. Acredito que a efervescência das mídias digitais seja, em grande parte, responsável por essa ausência, pois o consumo dessas revistas era muito comum há algumas décadas. Santos (2012) pesquisa sobre a aceitação de veículos de comunicação de uma agência publicitária, entre jovens. Considerando a mudança motivada pelos meios de comunicação no comportamento de consumo de jovens, o trabalho desse autor é verificar a Kzuka, empresa de comunicação multimidiática do Grupo RBS (RS), voltada para os jovens. Seu objetivo é “desvendar se o público-alvo conhece e consome os veículos da empresa; os motivos para consumir; quais suas percepções acerca dos conteúdos; e se a Kzuka é conectada aos jovens, conforme se apresenta” (SANTOS, 2012, p. 3). Primeiramente, o autor identificou as motivações para o consumo da revista Kzuka entre estudantes. Depois, identificou o consumo de todos os espaços midiáticos da marca Kzuka, sempre por meio de questionários. Assim, conseguiu-se “descobrir o grau de conhecimento e consumo dos jovens para com cada um dos veículos da empresa, além de desvendar suas impressões acerca da marca, dos meios e dos conteúdos, bem como avaliar se as técnicas mercadológicas da empresa estão de acordo com o público-alvo” (SANTOS, 2012, p. 3).
Considero o estudo de Marques (2012) bastante relevante no que diz respeito ao consumo familiar de bens. Ela mostra como filhos consumidores influenciam o consumo nos pais. Ela afirma que a facilidade de uso de tecnologia é um dos fatores dessa influência, bem como a diminuição do número de filhos por família e o aumento dos rendimentos. A pesquisa foi feita sobre uma revisão de literatura e com entrevistas com 21 famílias, envolvendo pais e filhos pré-adolescentes, na idade de 10 a 14 anos: “Entre os resultados encontrados destacam-se uma tendência das famílias serem mais abertas às opiniões e sugestões dos filhos, e a crescente participação desses não só na busca por informações e escolhas, mas em um peso efetivo no momento da tomada de decisão pelos pais” (MARQUES, 2012, p. 7).É bastante revelador o resultado da pesquisa quanto a indicar que filhos influenciam pais também na compra de bens familiares e não somente de produtos de seu interesse individual, e que fatos como a culpa e a compensação emocional a filhos leva pais a comprarem por influência desses. Nas relações de influência familiar, em minha investigação, o que percebi foi o oposto do que é aqui comentado pela autora, uma vez que muitos jovens declararam ser influenciados por seus
pais, e até mesmo por irmãos mais velhos, nas escolhas e gostos musicais que possuem. Talvez fosse interessante questionar se o contrário também acontece no campo do consumo musical, ou seja, se os filhos jovens influenciam seus pais, assim como esse autor os encontrou influenciando-os em escolha de outros produtos da cultura.
A pesquisa de Feldmann (2008) investiga como os jovens consomem, baseando-se em aspectos históricos ocorridos no final da segunda Guerra Mundial – as transformações comerciais, políticas e sociais. Segundo ele, “as nações ocidentais, em especial o continente europeu, passam a supervalorizar suas crianças e seus jovens, valor este que rapidamente se estende às Américas” (FELDMANN, 2008, p. 4). Com isso, os estudos sobre a adolescência crescem, e esses indivíduos passam a ter um novo statGs social e “um novo significado na sociedade [...] que é inclusive representado por escolhas de consumo” (FELDMANN, 2008, p. 4). O autor reflete a respeito da teoria do consumidor, questionando se ela descreve o comportamento de consumo do jovem, considerando que ele é um ser em transformação biopsicossocial. Sem dúvida, o jovem passou a representar uma fatia significativa dos mercados de consumo mundiais, e isso é sentido no campo da música de forma evidente e crescente. Com as declarações dos sujeitos da minha pesquisa, principalmente aquelas referentes a consumo musical e de bens culturais ligados à música, pude notar como essa é uma realidade cada vez mais presente e que não pode ser ignorada pela Educação, da mesma forma como não é ignorada pelos profissionais do marketing comercial.
Rossi (2007) discute questões como aprender a ser jovem e estilos de vida por meio do consumo de mercadorias. Seu objetivo é “desconstruir discursos acerca dos modos de ser jovem na contemporaneidade articulados ao consumo como prática social” (ROSSI, 2007, p. 4). A pesquisa foi feita sobre a seleção de edições do Caderno Patrola, encartado no Zero Hora, jornal de maior circulação no Estado do Rio Grande do Sul. Além disso, também foram analisadas conversas com jovens leitores do Caderno por meio do Messenger e e-mails com a editora do Caderno. A autora
[...] analisa o modo como os discursos do Caderno Patrola não apenas sugerem objetos de consumo que podem constituir certos modos de ser jovem, como também podem ensinar o que consumir para ‘possuir’ tais modos, para, assim, adotarem-se as ditas posições desejáveis de ser jovem (ROSSI, 2007, p. 4)
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Ela afirma compreender que “é através das estratégias engendradas no âmbito da cultura do consumo que objetos, imagens, desejos, identidades, valores, modos de ser podem ser transformados em mercadorias: podem ser ‘adquiridos’, consumidos e por fim descartados” (ROSSI, 2007, p. 4). A pesquisa possibilitou, segundo a autora, entender como se investe no mercado jovem, fabricando produtos e “transformando os produtos fabricados pelos jovens em algo rentável” (ROSSI, 2007, p. 4). A estudiosa afirma que muitas pessoas, por desejarem permanecer jovens, consomem produtos das culturas juvenis, as quais se tornam, assim, bons negócios. Assim como a pesquisa de Santos (2012), já citada anteriormente, o trabalho de Rossi também é relevante, na medida em que ambos se referem a veículos midiáticos impressos atuando nos comportamentos de consumo de jovens. O de Rossi descreve pontos importantes, tais como a descartabilidade de produtos e a juventude como um estado movido pelas práticas de consumo, mais do que uma faixa etária. A questão do descartável em música é flagrante para qualquer bom observador e ouvinte das mídias, especialmente, do rádio. É comum que grandes e meteóricos sucessos de audiência se tornem, em pouco tempo, obsoletos, logo após estrondos de venda e recordes de execuções em emissoras. É comum confundir-se qualidade estético-musical com desempenho de sucesso em mídias de canções que se ouvem muito, e que costumam ser também tocadas por períodos curtos de tempo. Por isso, impressionaram-me alguns depoimentos de jovens ao mencionarem canções, bandas e músicos há muito fora das principais mídias como sendo seus favoritos. Acredito que esse seja um movimento paralelo, que acaba por manter vivos nomes já esquecidos dos grandes meios de comunicação veiculadores de música.
A evocação da memória pelas mídias é tema de Westphalen et al. (2005) que descrevem de que modos a memória da mídia serve para incentivar o consumo, principalmente, de jovens que rememoram momentos evocados por materiais simbólicos ofertados no presente. A pesquisa “examina o papel dos meios de comunicação na configuração dessas práticas de rememoração” (WESTPHALEN et al., 2005, p. 845), tais como revistas atuais destinadas ao público jovem, que fazem releituras de dadas épocas.
No estudo desses materiais, verificou-se a predominância de discursos memoralísticos que privilegiam experiências de consumo em massa, particularmente aquelas ligadas ao mercado de entretenimento infantil e juvenil (televisão, música, moda, brinquedos, etc.) (WESTPHALEN et al., 2005, p. 845).
É relevante que os autores chamem a atenção para o procedimento oposto das mídias em relação a passados políticos e fatos importantes da história que ficam esquecidos, ao lado desse tipo de fenômeno. Ainda pensando, na minha pesquisa, num movimento de buscar o desenvolvimento da crítica para a cidadania de jovens apreciadores de música, pode-se utilizar desses produtos culturais, bem como de outros, para dar a conhecer acontecimentos importantes da história das sociedades. Aqui também se vê um estudo sobre mídias impressas divulgando produtos da cultura jovem, num importante papel de rememorar épocas passadas claramente com o intuito de vender, mas acabando por manter vivos bens culturais já adormecidos. Encontrei histórias de pais e avós fazendo esse papel com os jovens, em casa, quando me contaram que seus gostos vêm se perpetuando neles mesmos, que não conheceriam tais canções se não fosse por meio dos mais velhos.
No texto O comportamento de consGmo do jovem e a teoria do consGmidor, de Feldmann (2008), encontro razões para acreditar que minha pesquisa e futuros trabalhos sobre esse tema são muito relevantes para a área da Educação. Esse pensamento deve-se, sobretudo, ao fato de ter tomado conhecimento de aspectos históricos que originaram a trajetória do consumo juvenil, aspectos que se geraram há décadas, e que parecem, no entanto, tão recentes e atuais. Mudanças políticas, econômicas e sociais continuam configurando identidades nessa faixa etária tão específica e cheia de vulnerabilidades. Isso tudo não pode ser desprezado por pesquisadores da área, bem como por educadores, em geral, principalmente pela duração desses fenômenos que envolvem o jovem como consumidor, mesmo que transmutados, através dos anos, com novas roupagens.
Sobre consumo e juventude, interessam-me bastante os trabalhos acima, sobretudo por tratarem do tema que é bastante central na minha investigação. Os grupos focais realizados revelaram aspectos diversos e inúmeros sobre hábitos de consumo relacionados ao consumo musical de jovens entrevistados. A riqueza de dados que esse procedimento de coleta proporcionou aos resultados da pesquisa foi surpreendente, e atribuo isso ao fato de que a troca de ideias entre seus pares os fazia ficarem mais soltos e espontâneos do que nos
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bastante expressiva. Esses foram materiais coletados que aproveitei muito na análise, e que podem ser vistos em capítulos posteriores desta tese.