2.4. İlgili Çalışmalar
2.4.2. Yapılan Uluslararası Çalışmalar
O esforço metodológico de reconhecer os clusters de aglomeração espacial dos migrantes forneceu importantes indicações do alcance das áreas de fronteira na composição das territorialidades das comunidades transfronteiriças. Em função disto, ressalta-se a importância da utilização dos métodos de autocorrelação espacial. Mais do que simplesmente reconhecer os espaços onde há altos valores absolutos ou relativos de migrantes desses países, os modelos de associação espacial como o Moran Global e os LISA permitem contrapor os indicadores de cada localidade a uma estrutura espacial de distribuição dos fenômenos. A existência das comunidades transfronteiriças, é obvio, não se explica através da distribuição espacial (resultados do modelo), antes, são as redes de relações sociais que, quando se mobilizam no espaço, reestruturam e ressignificam os lugares, podendo aproveitar ou se restringir com as características geográficas (relevo, clima, solo, etc.). Neste sentido, é importante ressaltar que o elemento central na identificação dessas territorialidades não é a delimitação do receptáculo, mas o reconhecimento do campo de ação espacial de um determinado grupo social.
Os resultados apresentados nos mapas deixam evidente que as trocas populacionais com Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai vêm construindo uma fronteira em expansão, com trajetórias distintas de brasileiros e estrangeiros. Em cada fluxo, percebe-se um tipo diferenciado de relações com o Brasil, e a análise do perfil dos imigrantes permite especular que, não obstante haja uma tendência convergente de ampliação dos clusters nas áreas de fronteira, cada relação migratória deve estabelecer um padrão particular.
Nas últimas décadas a rede migratória brasileira vem apresentando um padrão de difusão/diversificação das conexões origem-destino, simultaneamente a uma sobreposição das migrações internas e internacionais nas áreas de fronteira, reforçando as comunidades locais e identidades transfronteiriças. Consequentemente, ocorre uma fragmentação dos espaços, estabelecendo hierarquias nas quais certos territórios exercem maior poder de atração e são mais eficientes em difundir o comportamento migratório. Determinadas mobilidades não utilizadas no passado passam a ficar cada vez mais presentes, não apenas em função do avanço das tecnologias de transporte e comunicação, mas também devido à própria configuração das redes migratórias no espaço. Neste sentido, observa-se uma complexificação do território junto com a ampliação e especialização dos tipos de mobilidades. Esses tipos se complementam, hierarquicamente e funcionalmente – alguns
espaços terão a presença mais forte de uma mobilidade temporária/circular, outros irão funcionar apenas como pontos de passagem, e outros, ainda, serão destinos mais estáveis.
3º Artigo
Migrações complementares: sobreposições
escalares entre os movimentos internos e
internacionais nas conexões entre Brasil e
Migrações complementares: sobreposições escalares
entre os movimentos internos e internacionais nas
conexões entre Brasil e Paraguai
Resumo
Este artigo propõe uma metodologia de identificação e análise de sistemas migratórios complementares, envolvendo fluxos internos e internacionais na região da fronteira Brasil-Paraguai. A reaproximação bilateral entre esses dois países, a partir da segunda metade do século XX, materializada em projetos binacionais como a Usina de Itaipu, motivou o aumento das migrações internacionais em complemento aos fluxos internos que ocorriam na expansão da fronteira agrícola de ambos os países. De acordo com os dados do Censo 2000, o Paraguai foi o país que mais enviou migrantes para o Brasil na década de 1990, formando uma conexão migratória capaz de impactar a organização territorial dessas nações. A partir da Aplicação de Indicadores Locais de Associação Espacial (LISA) e de métodos de Análise de Redes, verifica-se a hipótese de que exista um subsistema migratório interno no Brasil cuja estrutura espacial dá suporte às conexões entre as localidades concentradoras de migrantes internacionais oriundos do Paraguai.
Palavras-chave: Migrações Internacionais; Migrações Internas; Estatística Espacial; Análise de Redes.
Migrações complementares: sobreposições escalares
entre os movimentos internos e internacionais nas
conexões entre Brasil e Paraguai
1) Introdução
As conexões entre o Brasil e o Paraguai remontam aos esforços de ocupação da Bacia Platina no período colonial. As características geográficas da região (solo fértil e extensa rede hidrográfica) ressaltavam sua importância geopolítica, tornando-a pivô de uma série de disputas entre as metrópoles portuguesa e espanhola pelo controle de rotas comerciais na região (Matos et al., 2005). Assim, desde o século XVIII já se registrava a circulação de pessoas entre os portos de Buenos Aires e Montevidéu. Mas foi com a chegada dos migrantes ultramarinos, no século XIX, que a mobilidade populacional entre os atuais territórios do sul do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina tornou-se intensa (Marques, 2009).
Trata-se de uma região com uma longa história compartilhada, que atualmente se divide entre os quatro países integrantes do Mercosul. A criação desse bloco econômico em 1991, reflexo dessa integração histórica e também das novas condições do mundo globalizado, aprofundou os vínculos entre essas nações e fez crescer o interesse pela análise dos bens e pessoas em circulação por esses países (Sales, 1996; Patarra e Baeninger, 2004 e 2006; Lamberti, 2006; Souchaud et al., 2007). O fato de a Região Platina configurar uma área transnacional certamente torna esse espaço único em vários sentidos. A história e a cultura compartilhadas contextualizam as dinâmicas sociopolíticas e os interesses divergentes dos Estados Nacionais, das corporações e elites interessadas em obter o controle econômico das atividades desenvolvidas na região (Melo Almeida, 1996; Silva, 2005).
Esse ambiente de integração/fragmentação constitui um espaço ideal para explorar o tema central deste trabalho: a complementaridade existente entre as migrações internas e internacionais. De forma genérica, pode-se afirmar que as migrações internas comumente são abordadas sob a perspectiva dos equilíbrios/desequilíbrios regionais no interior das nações, como uma espécie de mecanismo de ajuste ou reprodução das desigualdades espaciais geradas pela expansão capitalista (Gaudemar, 1977; Harris e Todaro, 1980; Borjas, 1996, Sjaastad, 1980; Martine, 1980; Singer, 1980). Por sua vez, a migração
internacional engloba, além desses, outros temas de interesse, como: a mobilidade de bens de capital e trabalho, o equilíbrio das relações internacionais, as migrações ilegais, a supressão de direitos dos migrantes, a fluidez das fronteiras, as acomodações culturais entre os grupos em contato, o impacto das remessas, o papel das redes sociais, entre outros. (Kritz e Zlotnik, 1992; Massey et al., 1993; Jordan e Düvell, 2003; Castles e Miller, 2003; Skeldon, 2008).
Tal separação conceitual é importante, já que cada uma das escalas do fenômeno migratório, quais sejam, no interior de um país ou entre países, tem implicações bem distintas. Contudo, procura-se aqui analisar a mobilidade populacional numa perspectiva sistêmica (Kritz e Zlotnik, 1992), especialmente em áreas de fronteira, pois fica evidente que a mobilidade da população no espaço se desenvolve ao longo de uma hierarquia escalar e funcional, onde as migrações internas e internacionais são necessariamente complementares (bem como, as mobilidades circulares, no caso da fronteira binacional Brasil-Paraguai). Esses tipos diversos de mobilidades, segundo posições na hierarquia e funcionalidades, articulam um sistema específico de migração, gerenciando diferentes fluxos de pessoas, bens, serviços e capital, que envolve dois ou mais países (e seus respectivos pontos de origem e destino, que se fixam também numa ordem transescalar, própria do mundo contemporâneo globalizado e interconectado).
Ao longo das últimas décadas, um número considerável de brasileiros se encontrou envolvido em um movimento migratório (interno, a princípio) decorrente da reestruturação do uso da terra, em áreas de ocupação antiga e a abertura de novas frentes de expansão agrícola, no Centro-Oeste e no Norte (Balan, 1973; Graham e Holanda Filho, 1980; Martine, 1987). Eventualmente, esse movimento ―transbordou‖ para os países fronteiriços ao Brasil, especialmente o Paraguai. Neste contexto se fixam os elementos relevantes para a análise da migração interna: i) realocação regional da mão de obra; ii) reestruturação produtiva; iii) urbanização; iv) impacto de grandes projetos (especialmente Itaipu). Mesmo que seja possível interpretar essa migração internacional apenas como um desdobramento de um grande fluxo interno no caso brasileiro, o fato é que entraram nesta ―equação‖ elementos típicos da migração internacional: i) a questão da cidadania; ii) os movimentos ilegais; iii) os ajustes culturais e linguísticos; iv) os interesses contraditórios das nações; v) os fatores demográficos essenciais (vazio demográfico no interior oriental paraguaio e
excedente populacional no lado brasileiro) (Albuquerque, 2005; Santos, 2004; Sprandel, 2006).
Neste sentido, cabem explorações metodológicas que procurem qualificar e quantificar o efeito dessas escalas complementares da mobilidade espacial concentrada nas áreas de fronteira. Propõe-se aqui uma análise dessas migrações (interna e internacional) complementares no território brasileiro, a partir dos dados do Censo Demográfico de 2000, aplicando técnicas de detecção de clusters espaciais e métodos de análise estrutural de redes de trocas migratórias entre unidades espaciais. A exploração aqui proposta tem caráter experimental e trabalha com a hipótese de que é possível reconhecer, no território, a ação de redes migratórias internas associadas às áreas constituídas como fronteira entre Brasil e Paraguai, em função da forte presença de migrantes internacionais.