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Corpus 2 . Para o livro Memórias a referência é:

MEMÓRIAS. Vários autores. Coletânea de textos finalistas da Olimpíada de Língua

Portuguesa Escrevendo o Futuro, 2008. Disponível em: <http://escrevendo.cenpec.org.br /images/stories/textos/livro_memorias_finalistas_2008.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2012.

A coletânea Memórias foi uma publicação decorrente da realização da Olimpíada no ano de 2008, como foi dito. O livro tem a finalidade de fazer vir a público os textos finalistas, escritos pelos alunos participantes da Olimpíada naquele ano. É uma reunião de 49 textos finalistas criados por estudantes de todas as regiões do país.

A publicação se deu em mídia virtual, encontrando-se disponível para acesso no sítio da Comunidade Virtual do Escrevendo o Futuro, no endereço eletrônico: http://escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/textos/livro_memorias_finalistas_2008.pdf

Desse corpus 2, analisaremos como e por que esse sujeito, que chamamos de aluno- autor, responde à cena fundadora proposta no Caderno e realizada pelo Professor.

O corpus Memórias possui a seguinte organização composicional:  Capa, introdução, índice.

 Textos finalistas.

Os textos, em geral, apresentam título, nome do aluno, a narrativa (muitos textos, ao final da narrativa, inserem um parágrafo explicativo com dados a respeito da pessoa entrevistada, ou seja, o nome, a idade, a profissão, a cidade onde mora e outras informações relevantes) e, na parte final, na última linha da página, o nome do professor ou professora, o nome da escola e do município.

Em se tratando das características do modo de fazer análise do discurso no campo semiótico, tomamos como ponto de partida para a análise do estilo o princípio de totalidade. Segundo Discini (2008, p. 35), “[...] por meio de uma totalidade de enunciados se obtém o efeito de individualidade”. Além disso, segundo a mesma autora, “[...] o texto considerado para a análise de um estilo deve ser entendido como unidade correlata a uma totalidade” (Idem, ibid., p. 35). Nesse corpus 2, que se apresenta coletivizado, para o estabelecimento dos critérios de seleção dos textos que foram escolhidos para análise do estilo, faz-se necessário um levantamento de informações e das principais características que compõem essa realidade que se mostra no todo:

a) Informações a respeito dos Estados de origem dos 49 textos

Observa-se que há uma distribuição equilibrada do número de finalistas por Estado, o que evidencia que a OLPEF privilegiou, de maneira numérica equivalente, os participantes envolvidos e, principalmente, que a Olimpíada teve uma abrangência nacional, pois professores de todos os estados do país nela se inscreveram, tiveram acesso a ela e utilizaram o material que compõe o corpus 1. A seguir, apresentamos um quadro com o número de textos finalistas por Estado:

REGIÃO Número de textos finalistas por Estado Total Sul PR 3 SC 2 RS 3 8 Sudeste SP 4 MG 4 RJ 2 ES 1 11 Centro-oeste GO 2 MS 1 MT 2 DF 1 6 Nordeste BA 2 PI 2 SE 1 AL 1 PE 2 PB 2 RN 2 CE 2 MA 3 17 Norte AC 1 RO 1 TO 1 AM 1 RR 1 PA 1 AP 1 7

Total de textos no livro 49

Quadro 4 – Distribuição de textos finalistas por Estado (ano de referência: 2008)

b) Informações a respeito da pessoa entrevistada

A maior parte dos 49 textos coloca informações a respeito da pessoa entrevistada, fonte de onde derivam as histórias e, ainda, destacam, ao lado dos acontecimentos contados nos textos, nome, profissão, se é ou não aposentada, a importância da pessoa para o lugar; ainda, costuma ser registrada a idade do entrevistado. Como grande número de entrevistados apresenta idades que variam entre 50 e 80 anos, nós temos, na totalidade de textos escritos pelos estudantes, a confirmação de uma temática que retrata o Brasil dos anos 30 a 60. Assim, de acordo com o Caderno do Professor, verificamos uma previsibilidade na qual o estudante recupera, por meio da escritura, o discurso memorialista da realidade do lugar onde vive.

Inevitavelmente, o modo de dizer do outro incorporado pelo enunciador-aluno encaminha para temáticas peculiares: ao se identificar, na totalidade, um sistema de restrições semânticas, o consciente e o inconsciente coletivizados eclodem, mostram-se na dimensão do cotidiano, dos ritos, da vida doméstica, dos comportamentos, o que pode unificar e identificar a cultura envolvida, a história e o sistema de valores sociais vigente de uma época. Mas sabemos que a unidade é sempre um duplo, com apoio de Bakhtin (1997).

c) Interdiscursividade, intertextualidade

A relação dialógica, conceito que possui caráter intrinsecamente social e linguageiro, é o lugar da interação e constituição dos sujeitos e dos discursos. O corpus 2 a ser analisado é uma materialização da manifestação dessas imbricações. Nele, sujeitos socialmente organizados, situados e agindo num complexo quadro de relações socioculturais, discursivizadas segundo o projeto enunciativo, usam procedimentos discursivos de

incorporação da voz do outro. Apresentam então, em seu conjunto, relações dialógicas peculiares entre enunciados (interdiscursividade) e relações dialógicas entre textos (intertextualidade), conforme Fiorin (2006a), Discini (2008) e Brait (2010a). Interessa-nos verificar se o enunciador-aluno, participante finalista da Olimpíada, incorpora, no enunciado de sua autoria, o estilo do gênero ou o estilo peculiar de algum autor dos textos exemplares e, se o faz, como o faz.

Mediante a apresentação das características gerais que compõem o livro Memórias (2008), é necessário explicitar os critérios de seleção estabelecidos para definir os sete textos do corpus 2 escolhidos para análise nesta pesquisa:

 Um texto para cada região do Brasil; portanto, serão, aqui, selecionados cinco textos. Acrescentar-se-ão dois textos por terem revelado diferenciados graus de densidade de presença autoral em relação à produção escrita.

 Textos que apresentam estratégias de instauração de pessoa, de tempo e de espaço convergentes às estratégias empregadas nos Textos Recomendados.

 Textos que incorporam explicitamente a presença do sujeito da interdiscursividade ou, explicitamente, a presença do sujeito de textos de base nas relações de intertextualidade.

Tomados como exemplares representativos da totalidade, os textos escolhidos foram:

Texto A (TA): Quem viu Mateus que balance, que dance, que encante Aluna: Evellyn de Almeida Santos (ANEXO 4, p. 224)

Cidade: São José da Caatinga – Japaratuba – SE. (REGIÃO NORDESTE) Texto B (TB): Lembranças

Aluna: Ana Carolina Araújo Lima (ANEXO 4, p. 225) Cidade: Manaus – AM. (REGIÃO NORTE)

Texto C (TC): Outros tempos

Aluna: Cristiane Peinhopf (ANEXO 4, p. 226) Cidade: Concórdia – SC. (REGIÃO SUL) Texto D (TD): Minhas lembranças... minha vida Aluna: Renata Gaspar da Silva (ANEXO 4, p. 227) Cidade: Guiratinga – MT. (REGIÃO CENTRO-OESTE)

Texto E (TE): Ipuã tem memória

Aluna: Gabriela Ricardo Vaz (ANEXO 4, p. 228) Cidade: Ipuã – SP. (REGIÃO SUDESTE) Texto F (TF): Do distrito à capital

Aluno: Arthur de Souza Santos (ANEXO 4, p. 229) Cidade: Palmas – TO (REGIÃO NORTE)

Texto G (TG): As coisas mudam!

Aluna: Josemária Patricia Cunha da Costa (ANEXO 4, p. 230) Cidade: Natal – RN (REGIÃO NORDESTE)

Esses sete exemplares selecionados são unidades de análise correlatas à totalidade da coletânea Memórias (2008). Considerando um conjunto de enunciados vistos segundo as semelhanças do modo de dizer, Discini (2003, p.19) mostra que a totalidade em que se busca o caráter do enunciador é diferencial, porque a “totalidade que supõe o mais de um e a relação parte/todo” deve resultar de determinado procedimento analítico, que faz emergir um fato formal de estilo, “fundado pela presivibilidade depreensível da totalidade”. Ou seja, a parte contém o todo e o todo é formado pelas partes. Assim, a parte pode ser representativa do todo. Ao analisarmos e discutirmos enunciados depreendidos de uma totalidade, surge o seguinte questionamento: é possível reconhecer a voz de um enunciador em um exemplar de enunciado? A resposta é afirmativa, desde que se considere as correlações entre a parte e o todo, e desde que se tenha em mente que cada enunciado é uma unidade integral, representante de um conjunto.

Cabe ressaltar que, ao inventariarmos esses dados descritos nesta seção, inevitavelmente somos lançados a focalizar aspectos relativos à organização das estratégias didáticas de ensino de gêneros, as quais envolvem desde o primeiro contato com o texto-base até os critérios de avaliação, bem como a veiculação do enunciado produzido. As análises, que sucedem nas Seções II e III, privilegiam o estudo dos gêneros discursivos e discutem a noção de estilo de gênero e de efeito de autoria. O interesse nosso por essas noções está no fato de o estilo do gênero estruturar e unificar os enunciados produzidos pelo enunciador em uma situação comunicativa peculiar e ser um dos componentes caracterizadores do discurso.

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