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2.1 Modern Mimarlığın Türkiye’de Üretilme Biçimleri

2.1.3 Uygulama Alanı

2.1.3.1 Aktörler

2.1.3.1.1 Yabancı Mimarlar

O Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare entrou em contato com o encenador Gabriel Villela pela primeira vez durante a residência do coletivo potiguar realizada no ano de 2007 no Teatro da Universidade de São Paulo – TUSP, em São Paulo/SP. Tal residência foi de grande importância para o futuro do Grupo, uma vez que ali o coletivo começou a estruturar os projetos que resultaram em montagens posteriores e aproximou-se de colaboradores que participaram efetivamente desses próximos espetáculos. Yamamoto sintetiza da seguinte maneira esse momento do Grupo, que marcou também o reencontro dos Clowns de Shakespeare com Shakespeare (a partir da ótica do autor Jan Kott, apresentado ao coletivo por Marcio Aurelio, que ministrou uma semana de oficinas ao Grupo nesta mesma residência):

Dos inesquecíveis encontros que tivemos [com Marcio Aurelio] ficou, dentre tantos outros aprendizados e admiração, a indicação de Jan Kott, mais especificamente seu “Shakespeare Nosso Contemporâneo”, obra já recomendada mais de uma vez pelo grande parceiro Eduardo Moreira. Por

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No que concerne a relação estabelecida entre o Grupo e os encenadores, ainda que esta se configure como uma parceria artística em que ambos os lados tenham interesse, é elucidativa a fala de [Ivan], quando este aponta que era o primeiro trabalho do qual participava em que um coletivo de teatro de grupo

Kott, nos apaixonamos por Ricardo III, obra que despertou um sentido tão pleno aos nossos questionamentos sobre nossa existência, sobre a situação das políticas públicas para o teatro no nosso estado e na nossa cidade, que a partir de então surgiu um vínculo indissociável, uma relação alimentada diariamente a quase dois anos, que só cresce. Durante essa mesma residência em São Paulo, outro grande mestre surgiu no nosso caminho, o encenador Gabriel Villela, e com ele um desejo latente de trabalharmos juntos, de transformarmos em cena a potência deste encontro (YAMAMOTO, p.15, 2009d).

A um só tempo, houve uma grande aproximação e já a manifestação do desejo de se trabalhar com os encenadores Gabriel Villela e Marcio Aurelio. Por ora o foco residirá no encontro do Grupo com Gabriel Villela, deixando para o próximo item a relação com Marcio Aurelio.

Apresentado ao Grupo através do maestro Ernani Maletta, Villela trazia aos Clowns de Shakespeare a possibilidade de uma retomada – e um maior desenvolvimento – das matrizes relativas ao teatro popular presentes na estética do encenador e que, como visto, permeiam o imaginário dos Clowns de Shakespeare desde o processo de Megera doNada (1998). Assim, foi a partir do desejo de aprofundar-se numa estética aproximada daquela identificada à sua própria que o Grupo convida Villela a assumir a direção de um de seus espetáculos. Essa irmanação entre as estéticas do encenador e do Grupo é reiterada tanto por integrantes do coletivo, como [Fernando] e [Marco], quanto por observadores externos, tais como [Rodrigo], [Ernani] e [Gabriel], que não apenas identificam essa similaridade, como também a relacionam ao Grupo Galpão. Dentre os entrevistados que evidenciam essa irmanação, [Ernani] talvez seja aquele que o faz de forma mais direta:

Há uma empatia profissional [entre Villela, Clowns e Galpão], porque acho que a origem do teatro deles é muito parecida. O que o Gabriel quer fazer de teatro é o que o Galpão quer fazer de teatro e é o que os Clowns querem fazer de teatro, mesmo que eles não saibam disso, mesmo que não seja consciente para eles. [...] Pelo tanto que já estudei teatro nesses anos todos, tenho quase certeza de que, quando eles buscam, num desejo mais profundo, alguma ideia, alguma coisa, eles vão para o mesmo lugar. O Gabriel, o Galpão e os Clowns (Anexos, p.196).

Ter uma obra dirigida por Gabriel Villela significava para o Grupo, segundo [Fernando], a possibilidade de aprofundamento de uma matriz teatral já conhecida pelos Clowns de Shakespeare. [César] e [Marco], por sua vez, destacam o fato de essa troca com o encenador mineiro representar a possibilidade de se trabalhar com uma figura que habitava o imaginário mítico do Grupo desde seu início – estatuto que Villela, de certo modo, conserva frente ao coletivo mesmo posteriormente ao processo de criação, e que ainda permeia o discurso de seus integrantes.

Aliando novamente aspectos formativos e de manutenção, a idealização de um projeto conjunto por parte do Grupo também engloba o desejo de expansão da visibilidade e circulação dos Clowns de Shakespeare – bem como a possibilidade de internacionalização do Grupo – através da junção do coletivo à chancela obtida pelo prestígio de Villela, fator esse ressaltado tanto por [Ernani] quanto pelo próprio [Gabriel], que ressalta:

[Os Clowns] desejavam imensamente sair de um campo restrito de trabalho e dilatar a experiência mundo afora. É muito comum encontrar em declarações do Grupo, do Fernando Yamamoto, dizendo que comigo eles atravessaram o oceano. E é verdade. Mas eles queriam isso. Eles pagaram a mim para atravessar o oceano. Me compraram como uma escada que tem os degraus da glória para o exterior. E fizeram isso no melhor bote, porque não tinha perigo de afundar, não era um Titanic (Anexos, p.268).

Estando essa intenção mais “comercial” compactuada com o encenador desde a idealização do projeto, é possível entender que esse objetivo, ainda que não isoladamente, também tenha guiado o processo de criação do espetáculo.

Após o primeiro contato no TUSP, os Clowns de Shakespeare manifestaram ao encenador o desejo de que ele assumisse a direção de um próximo espetáculo do Grupo, e, já influenciado pelo trabalho realizado com Marcio Aurelio, partiu do coletivo o intuito de que o espetáculo partisse de uma obra trágica de Shakespeare. A essa manifestação, seguiu-se uma viagem de Villela a Natal, para que fosse decidido em conjunto qual seria a tragédia de Shakespeare escolhida.

Definido o projeto de montagem do drama histórico Ricardo III, ainda influenciados pela leitura da obra do teórico Jan Kott, iniciou-se então um longo (e, por ora, infrutífero) período de captação de recursos. Ainda assim, em 2008, ocorreram duas ações de aproximação com a obra: a vivência no sítio de Villela em Carmo do Rio Claro e a Caravana de investigação cênica Ricardo III – no meio da qual houve a ruptura e o afastamento de três integrantes do Grupo.

O projeto de montagem de Ricardo III ficou temporariamente suspenso e deu-se início ao processo de criação de O capitão e a sereia (2009), já descrito. Após a bem- sucedida temporada paulistana de O capitão e a sereia (2009) e a montagem de Farsa da boa preguiça (2010), os Clowns de Shakespeare encontravam-se num período extremamente efervescente para o coletivo, que além dos integrantes presentes em O capitão e a sereia (2009), passou a ser composto também pelos atores Dudu Galvão e

Joel Monteiro e pelas atrizes Paula Queiroz e Titina Medeiros. Convidados, a princípio, para a montagem de Sua Incelença, Ricardo III (2010), devido ao projeto inicial deste espetáculo ter sido concebido por Villela para um elenco composto por quatro atores e quatro atrizes – configuração que os Clowns de Shakespeare possuíam em 2008, quando o projeto foi idealizado – os quatro novos atores acabaram por ser incorporados rapidamente como integrantes do Grupo.

Com relação a esse ponto em específico, é interessante verificar que antes da ruptura em 2008 os Clowns de Shakespeare possuíam como integrantes três atores (César Ferrario, Marco França e Rogério Ferraz) e três atrizes (Carolline Cantídio, Nara Kelly e Renata Kaiser), e que quando da idealização do projeto, já havia um convite para que Dudu Galvão e Titina Medeiros fizessem parte do elenco do espetáculo, visto que ambos já eram parceiros do Grupo e estavam no elenco de Muito barulho por quase nada (2003), quando Villela conheceu o trabalho do Grupo. Assim, é curioso notar que o encenador, acostumado a trabalhar tanto com coletivos de teatro de grupo, quanto com elencos para produções independentes, faz com que no momento de execução do projeto, em 2010, os Clowns de Shakespeare operem num primeiro momento num sistema híbrido, ao determinar que fossem convidados para a montagem outros atores para manter a ideia original de elenco proposto. Importante destacar também que essa renovação de elenco ocorreu num período em que o Grupo acabava de se reconhecer numa nova configuração, que devido à essa situação, operou somente durante o processo específico de O capitão e a sereia (2009).

Sua Incelença, Ricardo III (2010) – que se configura como segundo projeto com o maior orçamento do Grupo, somente ficando atrás de Hamlet: um relato dramático medieval (2013) – pôde finalmente ser retomado e realizado em 2010, graças à conjunção das verbas obtidas através de três diferentes meios de financiamento, conforme anteriormente citado.

Desenhado o contexto no qual se efetivou o encontro entre os Clowns de Shakespeare e Gabriel Villela, o próximo subitem tratará tanto das primeiras ações de aproximação com a obra, em 2008, quanto dos procedimentos de criação, durante o período de ensaios, efetivado em 2010.

2.3.2. Do processo de criação de Sua incelença, Ricardo III (2010): a imersão