2.3 Modern Konut İmgesi Olarak Kübik Ev
2.3.3 Fonksiyonel Kurgu
Assim como no caso de Sua incelença, Ricardo III (2010), o fato de Hamlet: um relato dramático medieval (2013) ter realizado sua temporada de estreia em Natal faz com que esta análise seja iniciada pela publicação de Fortunato em seu site pessoal. Fortunato inicia sua postagem, intitulada simplesmente de Hamlet, por destacar a força coletiva do Grupo e a distribuição dos papeis no elenco; o que em seu ponto de vista,
privilegiou um equilíbrio entre os intérpretes e maior benefício para a montagem31. Tendo assistido ao espetáculo em sua estreia, Fortunato entende que a montagem ainda não está completamente ajustada, mas ainda assim tece breves comentários, quase sempre elogiosos, sobre cada um dos intérpretes. De modo geral, perpassa a publicação de Fortunato a sensação de que há uma mudança em operação no Grupo (motivo recorrente na fala do jornalista sobre o coletivo potiguar), que se caracteriza pela maturidade dos Clowns de Shakespeare em suas duas décadas de existência - de fato, são utilizados ao longo do texto os termos “maduros”, “amadureceu”, “cresceram”, “amadureceram” e “não se acomodaram”.
Figura 25: Joel Monteiro em Hamlet: um relato dramático medieval (2013).
Fonte: Acervo dos Clowns de Shakespeare. Fotógrafo: Adalberto Lima.
Outro fator salientado por Fortunato diz respeito ao público do Grupo, que segundo o autor, ainda não parecia ter acompanhado as mudanças do coletivo – se para o jornalista os Clowns de Shakespeare teriam amadurecido, seu público ainda buscava no novo Grupo o mesmo que já visto anteriormente. Nesse ponto, Fortunato destaca o
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Vale ressaltar que tanto em Sua incelença, Ricardo III (2010), quanto em Hamlet: um relato dramático medieval (2013) a distribuição dos papeis para o elenco foi realizada de modo vertical, sendo designadas pelas equipes de direção de cada um dos espetáculos.
alívio para esse público ocasionado pela cena do teatro dentro do teatro, que se utiliza de uma maior gama de componentes da solaridade, como a música em cena, e um tom mais clownesco. Curiosamente, assim como feito em relação a Sua incelença, Ricardo III (2010), Fortunato foca sua publicação no Grupo, sem mencionar o encenador Marcio Aurelio, nem creditar qualquer mudança e amadurecimento do Grupo ao fato de estarem sob uma direção externa.
Figura 26: Titina Medeiros em cena de Hamlet: um relato dramático medieval (2013).
Fonte: Acervo dos Clowns de Shakespeare. Fotógrafo: Adalberto Lima.
A figura do encenador também é de certo modo sublimada na crítica de Prado para o Portal de Notícias R7. Em completa oposição à crítica de Ramos para O capitão e a sereia (2009), Prado não confere sequer um ponto positivo à montagem de Hamlet: um relato dramático medieval (2013). Em seu discurso, é possível entrever a responsabilização do coletivo potiguar pela falta de êxito da peça, a começar pelo seu título (Clowns de Shakespeare derrapa em Hamlet). Esse mesmo pensamento é reafirmado ao longo da crítica em períodos como “Os potiguares derraparam feio” e “o Clowns de Shakespeare desperdiçou a chance”. Ainda assim, o encenador é citado
brevemente, apenas no que concerne à exposição da ilusão teatral e ao figurino, que segundo o crítico, carece de unidade estética.
A crítica de Prado se inicia com uma breve comparação entre a (segundo o autor) exitosa montagem Sua incelença, Ricardo III (2010) e a malograda experiência de Hamlet: um relato dramático medieval (2013), destacando a diferença entre as duas montagens do mesmo Grupo. Entretanto, não traz à tona a questão fundamental de os trabalhos terem sido dirigidos por dois encenadores de opções estéticas opostas. A crítica de Prado, que deprecia de forma deselegante a interpretação de praticamente a totalidade do elenco, parece ser fundamentada, contudo, numa expectativa pessoal para a montagem da obra clássica shakespeariana, ao compará-la, por exemplo, à versão de Hamlet recém-apresentada pelo Wooster Group. Interessante notar que se para Fortunato, do ponto de vista de espectador privilegiado da trajetória dos Clowns de Shakespeare, o ponto principal da montagem reside nas novidades trazidas por uma mudança no coletivo, o olhar de Prado desconhece a peça na trajetória do Grupo, mas logra compará-la às versões da mesma obra apresentadas no Brasil; o que o leva a criticar justamente uma suposta falta de inovação.
Já a crítica de Maria Eugênia de Menezes para O Estado de S. Paulo tem um trânsito maior entre as trajetórias do encenador e do Grupo, conforme anunciado desde seu título (‘Hamlet’, encontro de tempos e estéticas). De fato, no texto de Menezes há um certo equilíbrio de forças e de protagonismos entre Aurelio e os Clowns de Shakespeare: se por um lado a crítica identifica na montagem os elementos definidores da estética do encenador, também leva em conta o histórico do Grupo, citando inclusive a utilização do recurso de direções externas pelo coletivo, bem como o fato de o coletivo estar se arriscando para além de sua estética habitual nessa parceria em específico. Apesar de pontuar que os intérpretes estão fora de sua zona de conforto, Menezes não deixa entrever se esse fato seria positivo ou negativo. Sobre o tom geral, sinaliza também para o respiro na tragédia dado pela cena do teatro dentro do teatro – fator também mencionado por Prado.
Por fim, na crítica de Carolin Overhoff Ferreira para a Folha de S. Paulo, intitulada ‘Hamlet’ deixa viés político compreensível ao espectador, a autora traz uma leitura política dos elementos de cena, do cenário à maquiagem, passando pelos figurinos, para destacar a inteligibilidade da proposta para o grande público. De fato, o recorte dramatúrgico realizado em Hamlet: um relato dramático medieval (2013)
garante uma grande compreensão do enredo da obra original – muito além daquele assegurado pela adaptação textual de Sua incelença, Ricardo III (2010), por exemplo. Ainda assim, mesmo que a obra seja compreensível pelo público, parece não ter tido um grande grau de comunicação com ele, ou pelo menos, com o público que tinha como expectativa a comunicabilidade já alcançada pelas demais montagens dos Clowns de Shakespeare.
Figura 27: Renata Kaiser em cena do metateatro em Hamlet: um relato dramático medieval (2013).
Fonte: Acervo dos Clowns de Shakespeare. Fotógrafo: Adalberto Lima.
Uma questão que perpassa a fortuna crítica de Hamlet: um relato dramático medieval (2013) diz respeito ao ponto de vista do espectador – especializado ou não – frente à obra: considera-se a mudança de rumos e a necessidade de se tomar por comparação as demais montagens que fazem parte da trajetória dos Clowns de Shakespeare, ou não. Por se tratar de um espetáculo que rompe com o que o Grupo estava acostumado a apresentar (e, de modo especial, com a montagem recém dirigida por Villela), elaborar uma leitura isenta do espetáculo, sem vinculá-lo (positiva ou negativamente) ao contexto da produção anterior do Grupo, se tornou uma tarefa delicada.
Relatados e analisados os processos de criação de O capitão e a sereia (2009), Sua incelença, Ricardo III (2010) e Hamlet: um relato dramático medieval (2013), no próximo capítulo será realizada a avaliação da utilização do recurso do convite a encenadores externos pelos Clowns de Shakespeare, tendo em vista os aspectos elencados no primeiro capítulo, bem como serão abordados os desdobramentos posteriores desses processos na prática recente do Grupo.
3. CAPÍTULO 3: DA AVALIAÇÃO DOS PROCESSOS ANALISADOS: