II. BÖLÜM: NEOLİBERAL İDEOLOJİ’DE SERMAYE-MEKÂN İLİŞKİSİ VE
2.4. Neoliberal Dönüşümün Esasları
2.4.4. Yönetsel Anlayıştaki Değişim
O processo de descentralização da área central no Brasil ocorreu a partir da segunda metade do século XX, sendo que, desde então, tal área deixou de ser o espaço exclusivo de produção e reprodução da atividade econômica. Nesse sentido, Corrêa (1997) explica que esse processo descentralizador se relaciona aos mecanismos de acumulação capitalista, o que para o autor equivale:
Às deseconomias de aglomeração da Área Central, ao crescimento demográfico e espacial da cidade, inserindo-se no processo de acumulação de capital. De certa forma, repete o fenômeno de centralização, tornando a organização espacial da cidade mais complexa, com o aparecimento de subcentros comerciais e áreas industriais não centrais. (CORRÊA, 1997, p.129).
A descentralização corresponde ao crescimento horizontal da malha urbana posto que, a partir do aumento demográfico, impõe-se a necessidade de responder pelas carências de consumo da população a ser atendida.
Um dos impactos da descentralização consiste na redefinição e distribuição de atividades econômicas diversas fora do eixo central principal das cidades, e, conforme Scarlato (2005, p.139):
Essa centralidade, que, especialmente nesse caso, corresponde ao lugar de origem da cidade, é resultado do próprio crescimento da mesma que, nesse local, concentrou as mais diversas atividades e uma grande densidade populacional. Entretanto, a força da centralidade exigiu sua própria expansão. [...] A crise da centralidade única, marca da cidade de então e espacializada no centro histórico, faz parte do próprio processo de reprodução espacial da sociedade capitalista.
Scarlato (2005) aponta os elementos que contribuíram para a fragmentação espacial da centralidade, dentre eles:
[...] a própria centralidade fez com que houvesse uma valorização do solo urbano e os preços elevados tornaram-se um fator negativo para novos investimentos. Aliado a isso, houve também a ação do mercado imobiliário, que, para valorizar outras áreas e auferir desse fenômeno ligado à especulação imobiliária, contribuía na criação de uma imagem negativa desse centro tradicional. Como as formas das edificações não podiam ser transformadas no mesmo ritmo acelerado dos novos fluxos, elas mesmas tornam-se não funcionais do ponto de vista técnico. Tudo isso, aliado ao desenvolvimento das técnicas, principalmente de comunicações, contribuiu para o surgimento de novas centralidades: algumas espacialmente contínuas ou próximas do centro tradicional e outras que não tinham essa continuidade territorial. Temos, assim, o desdobramento da centralidade, com o surgimento de uma multipolicentralidade. (SCARLATO, 2005, p.139).
Nesse contexto, emergem, em áreas distantes do núcleo central, novas centralidades ou formas comerciais, tais como: vias especializadas, shopping centers, hipermercados e subcentros. Essas formas de comércio e serviços diversificados se diferem do núcleo central ao atender às necessidades de consumo de uma parte da população urbana residente em áreas periféricas, sendo, portanto, um produto de consumo de abrangência menor se comparado ao núcleo central.
Segue-se a dinâmica da reestruturação intra-urbana, associada à intensidade do processo de urbanização do final do século XX e aos fluxos decorrentes da multiplicação e diversificação de atividades comerciais e de serviços, que resulta na ampliação de áreas centrais. Esse processo está relacionado à expansão do tecido urbano. Desse modo, a expansão territorial, com a abertura de novos bairros/loteamentos, irá contribuir para a formação de novas centralidades e vias especializadas para atender ao crescimento territorial e populacional da cidade. Leite (2003, p.79-80), estudando a questão, aborda que:
Baseando na concentração demográfica como um reflexo da intensa urbanização, associando a isto uma diversidade de atividades econômicas, podemos identificar, em Montes Claros, a ampliação dos papéis desempenhados pela cidade na atual divisão territorial do trabalho. Em função disso, ocorre com intensificação das modalidades de expansão urbana de maneira descontínua, favorecendo, sobretudo, a especulação imobiliária. Dessa forma, novas áreas vão sendo ocupadas em locais distanciados da área anteriormente ocupada, [...].
Montes Claros apresenta uma dinâmica de crescimento da área central em direção a bairros periféricos, a partir da expansão vertical e horizontal. A concentração excessiva de atividades e serviços no núcleo central da cidade e a melhoria nas formas de transporte são também aspectos que têm causado o processo de descentralização da área central. Somam-se a isso a instalação de novas infra-estruturas e os mais diferentes usos do solo urbano, que se impõem no atual período técnico-científico-informacional.
O espaço dominado, controlado, impõe não apenas modos de apropriação, mas comportamentos, gestos, modelos de construção que excluem/incluem. Produz a especialização dos lugares, determina e direciona fluxos, originando centralidades novas. (CARLOS, 2002, p.179).
Para Spósito (2001, p.238):
As áreas centrais estão se multiplicando e a observação dessa tendência pode ser reconhecida como resultado de uma lógica que passou a orientar a constante dinâmica de reestruturação das cidades brasileiras. A multiplicação de áreas de concentração de atividades comerciais e de serviços revela-se através da nova espacialização urbana [...]. Em outras palavras, o reconhecimento da multiplicação de áreas centrais de diferentes importâncias e papéis funcionais pode se dá através da observação da localização das atividades comerciais e de serviços.
A redefinição da área central, no entanto, não pode ser analisada apenas no plano da localização das atividades comerciais e de serviços, como já tem sido destacado por diferentes autores, ao contrário, deve ser estudada a partir das relações entre essa localização e os fluxos que ela gera e que a sustentam. Os fluxos permitem a apreensão da centralidade, porque é através dos nódulos de articulação da circulação intra e interurbana que ela se revela. Essa circulação evidente é redefinida constantemente pelas mudanças ocorridas na localização territorial das atividades que geram concentração. Nessa perspectiva, não há centro sem que se revele sua centralidade, assim como essa centralidade não se expressa sem que uma concentração se estruture. (SPÓSITO, 2001, p.238).
Nesses espaços, ou seja, nas novas centralidades, ocorrem também fluxos de informações, tecnologias, matérias-primas e capitais, que vão gerar diferentes núcleos dotados de infra-estrutura e funcionalidade e, em alguns casos, surgem a especialização funcional ou
atividades que serão oferecidas e para o estabelecimento de uma economia nas novas áreas centrais que se formam. Tais processos se apresentam nas áreas centrais antigas e, como resultado da expansão territorial das cidades, vão se repetir nas novas centralidades formadas, seja via subcentros, áreas especializadas, ou ambos, entre outras formas comerciais.
Assim, a centralidade se associa à urbanização que, por sua vez,
[...] se realiza em função da reprodução econômica, revelando o espaço enquanto condição-meio-produto da reprodução social [...]. Hoje, a transformação do conteúdo e da extensão da centralidade é conseqüência desse processo, exigindo uma política urbana que oriente os recursos para a construção de infra-estrutura necessária. (CARLOS, 2005, p.33).