II. BÖLÜM: NEOLİBERAL İDEOLOJİ’DE SERMAYE-MEKÂN İLİŞKİSİ VE
2.4. Neoliberal Dönüşümün Esasları
2.4.1. Sanayisizleştirme-Finansallaşma-Esnekleştirme
De acordo com a Lei n. 3031 de 16 de julho de 2002 - que dispõe sobre Normas de Uso e Ocupação do Solo do Município de Montes Claros - foram criadas zonas de uso, ocupação e parcelamento do território da sede do município, entre elas, destaca-se a Zona Comercial (ZC) que se subdivide em Zona Comercial 1 (ZC 1), Zona Comercial 2 (ZC 2) e Zona Comercial 3 (ZC 3).
Dentre as categorias de usos, o art. 11 do Capítulo IV assegura que o uso comercial abrange comércio local, comércio de bairro, comércio principal e comércio atacadista. O art. II do mesmo Capítulo. complementa que os serviços se classificam em: serviços locais, serviços de bairro, serviços especiais e serviços principais.
A partir de uma breve análise da Lei de Uso e Ocupação do Solo no Município, pode- se constatar que as atividades comerciais e prestação de serviços realizadas no núcleo central, como, por exemplo, restaurantes, lanchonetes, sorveterias, salão de beleza, locação de filmes,
lojas diversas, consultórios médicos e odontológicos incluem-se simultaneamente, na referida lei como serviço local, de bairro e principal, sendo que, há uma predominância dessas atividades como serviço principal, definido como atividade de serviço com ampla variedade de atendimento. O serviço local está ligado ao atendimento imediato em estabelecimentos de até 200m2 e o serviço de bairro refere-se a atividades ligadas ao atendimento da população em estabelecimentos com área edificada de até 400m2.
O núcleo central atual de Montes Claros é o local por onde se dirigem pessoas para trabalhar e consumir, recebendo uma parcela significativa da população montesclarense. A grande concentração de pessoas decorre do fato de o núcleo central abrigar setores de decisões administrativas importantes, tais como bancos, prefeitura e fórum. Mas, a principal característica do núcleo central de Montes Claros é seu uso comercial, sendo bastante expressivo o número de estabelecimentos comerciais e de lojas de prestação de serviços presentes nesse espaço.(Figura 7). (Mapa 5).
Figura 7 Área comercial central - Praça Doutor Carlos Versiani Autor: FRANÇA, I. S. de./nov. 2005
Para dar suporte à demanda de espaços físicos que funcionem como lócus de potencialização do consumo populacional e, conseqüentemente, reprodução do capital, os agentes imobiliários atuam diretamente no núcleo central das cidades por meio de investimentos em empreendimentos diversos, que vão abrigar a atividade econômica. Os promotores imobiliários constroem, financiam e comercializam imóveis. Nesse sentido, constroem-se prédios comerciais, galerias e galpões nos núcleos centrais das cidades, obedecendo à lógica da especulação imobiliária com o intuito de supervalorização dos espaços urbanos.
O fato de que o espaço se transforma em mercadoria produz uma mobilização frenética desencadeada pelos promotores imobiliários - no plano do lugar e pode levar a deterioração ou mesmo à destruição de antigos lugares, em razão da realização de interesses imediatos, em nome de um presente programado e lucrativo, que traz, como conseqüência, a destruição de áreas imensas que passam a fazer parte do fluxo de realização do valor de troca. (CARLOS, 2002, p.180).
O crescimento demográfico de Montes Claros gerou a necessidade de aumento do número e variedade de serviços oferecidos no núcleo central para atendimento da demanda de consumo da população.
Tem-se então, no núcleo central da cidade, um comércio atualmente bastante diversificado, além de grandes edifícios, habitações, colégios particulares e algumas escolas estaduais. (Figura 8). Os bairros residenciais de classe média e alta distribuem-se próximos ao núcleo central e, em direção à periferia da cidade, estão as moradias que abrigam a população de baixo poder aquisitivo. As indústrias de Montes Claros localizam-se na região norte, onde foi construído o distrito industrial para sediá-las.
Figura 8 - Verticalização e diversidade de uso e ocupação da área central: residências, serviços, comércio
Autor: FRANÇA, I. S. de., nov/2005 e jul/2006
A partir de dados agregados do IBGE (Censo 2000), a referida área apresenta 9001 pessoas residentes, sendo, desse total, 3817 homens e 5184 mulheres. Essa população distribui-se em 2740 domicílios. Em relação à população total residente no núcleo central, as mulheres correspondem a 57,6% e os homens, 42,4%, com uma média aproximada de 3,3% pessoas por domicílio.
A Lei Municipal no 2921 de 27 de agosto de 2001, que institui o Plano Diretor de Montes Claros, alerta para os problemas decorrentes da expansão exagerada do núcleo central, apontando algumas iniciativas para minimizar questões infra-estruturais.
Para a área considerada como núcleo central de Montes Claros, o Capítulo III da Lei do Plano Diretor Municipal, denominado Das Diretrizes para o Desenvolvimento
Urbanístico das Zonas Urbanas do Município , estabelece na Sessão II Das Diretrizes para Infra-Estrutura e Serviços Urbanos, art. 30:
III estabelecer política de desenvolvimento urbano para o Município, capaz de orientar o processo de ocupação e uso do solo, inibindo a ampliação descontínua da malha urbana [...];
VI desestimular o crescimento vertical e diminuir a taxa de utilização da área central, viabilizando o aproveitamento dos espaços vazios e o descongestionamento do núcleo central da cidade [...];
XV incentivar o desenvolvimento de atividades comerciais e prestadoras de serviços nos bairros, visando a descompressão da área central, especialmente com relação ao tráfego[...].
A referência ao núcleo central e à área central de Montes Claros nas Leis de Plano Diretor, de 2001, e de Uso e Ocupação do Solo, de 2002, remetem simultânea e contraditoriamente a aptidão desses espaços para o desenvolvimento e expansão do comércio ao mesmo tempo em que alerta para o inchaço do mesmo que ocasiona diversos problemas referentes a congestionamentos de veículos e saturação.
Nessa perspectiva, cada vez mais o núcleo central da cidade reduz as possibilidades de encontros, trocas e relações humanas, visto que a reprodução do capital se torna imperativa, legando a esse espaço uma função meramente econômica para os agentes imobiliários e empresários, ao mesmo tempo em que se consolida como um espaço de consumo para a população.
Cada vez mais, novas avenidas rasgam o tecido urbano para permitir o afluxo de um número sempre crescente de carros particulares e, com sua construção, quarteirões inteiros são derrubados e com eles áreas públicas. Tal processo gera modificações profundas na vida cotidiana, pelas mudanças que são impostas ao trajeto, ao ritmo dos passos, às possibilidades do encontro e do acaso. Nesse processo, se diluem ou se destroem os referenciais urbanos indispensáveis à manutenção da identidade entre o cidadão e a cidade, cada vez mais marcados por uma relação espaço-temporal dominada pela mercadoria. (CARLOS, 2002, p.181-
Ainda que o núcleo central de Montes Claros se caracterize atualmente por apresentar elevada concentração de lojas comerciais e serviços, esse espaço preserva, simultaneamente à atividade econômica, algumas identidades do passado, conforme ponderam Leite e Pereira (2003).
O núcleo central é o foco irradiador da organização espacial urbana, possuindo também um sentido social e espacial singular, pois é o local de convergência e encontro de toda a população. Em Montes Claros, continua sendo a maior concentração de lojas, escritórios e serviços. Mas é, ao mesmo tempo, um espaço marcado pelo declínio do uso residencial com a intensificação de usos mais lucrativos como comerciais e de serviços. (LEITE; PEREIRA, 2003, p.4).
A heterogeneidade das ocupações no núcleo central revela a importância econômica, política e cultural desse espaço no interior das cidades que se expandem cada vez mais, atendendo à ampliação do mercado capitalista, às novas formas de uso e ocupação do solo urbano impostas pela modernização, tecnologias e pelo comando do capital econômico, seja ele público ou privado. Tudo isso se associa e responde à necessidade de crescimento territorial e demográfico de tais cidades, sentidos a partir dos processos de industrialização e urbanização, notadamente na segunda metade do século XX.
As mudanças de ordem política, econômica, social e demográficas, vivenciadas por Montes Claros pós década de 1960, notadamente, refletiram, entre outros aspectos, na reestruturação da cidade e, por sua vez, de sua área central pelos diferentes usos do solo urbano e pela expansão territorial da cidade. Tais transformações resultaram em mudanças no espaço central de Montes Claros com a descentralização das atividades de comércio e serviços, anteriormente monopolizadas.
Percebe-se na área central de Montes Claros uma expressiva diversidade e especialização de atividades comerciais e prestação de serviços. A melhor oferta de equipamentos urbanos da referida área, em relação a outros espaços das cidades, explica-se em função da clientela atendida, de ser a área de maior emprego da população e de maior
consumo, além de abrigar uso residencial, embora restrito. Ainda que o uso comercial predomine esse espaço, coexiste com ele o uso residencial com a presença de edifícios em sua maioria em detrimento de casas.