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Yönetimsel Örgütün Etkinleştirilmesi ve Bölgesel Kalkınma Ajansları

BÖLÜM 1: BÖLGESEL KALKINMA OLGUSU VE BÖLGELERARASI

1.3 Bölgelerarası Gelişmişlik Farklılıklarını Gidermeye Yönelik Politikaların İlkeleri,

1.3.1 Bölgelerarası Gelişmişlik Farklılıklarını Gidermeye Yönelik Politikaların

1.3.3.4 Yönetimsel Örgütün Etkinleştirilmesi ve Bölgesel Kalkınma Ajansları

Em muitas ocasiões, os entrevistados mencionam os livros ‘Rítmica’ e ‘Rítmica Viva’, escritos por Gramani, como não sendo métodos. Provavelmente, essa ênfase na dissociação do termo ‘método’ em relação à produção literária do professor, se deve ao fato de que tanto os seus livros quanto a sua prática pedagógica não procuram prescrever um caminho de ensino unidirecionalmente objetivo e não servem de mediadores de um conhecimento pronto, como nos tradicionais livros didáticos de música, que costumeiramente são chamados de ‘métodos’.

A gente entra no que ele não chama de método, naqueles livros dele. Nem sei como é que eu posso falar… os livros de rítmica dele. (P5)

Depois, passávamos para os exercícios de rítmica, do seu livro “Rítmica”, que ele fazia questão de chamar de livro de rítmica e nunca de método. (P1)

Aquilo não é um método. Método é uma coisa que você já sabe o que tem lá, que está explicado por alguém que fez uma determinada pesquisa. (P5)

No entanto, o termo, distante de suas reflexões sobre o ensino, pode ser emprestado coloquialmente para significar, simplesmente, ‘livro’, ‘metodologia’ ou prática pedagógica:

Alguns diziam que ele era ‘maluco’ de fazer o método aqui. (P4)

O material é tão forte e tão original para resolver esse problema, mas não original musicalmente falando: já aconteceu aquele tipo de situação musical. Original como método de estudo, da gente estudar daquela maneira. (P6)

Ele não era uma pessoa muito erudita do ponto de vista de leitura destes assuntos de educação (…) Ele não centrava a metodologia dele, o método dele a partir disso. (P4)

P4 alerta para o fato de que o método pode ser importado, trazendo em seu pacote informações alheias às culturas locais. Isso ocorre porque, para ele, o significado de ‘método’ está vinculado à cultura e faz parte dela. No entanto, ele não descarta a possibilidade e a importância de se trazerem técnicas alienígenas. Com isso, há no depoimento uma distinção entre método e técnica, mas ambas estão vinculadas ao ensino.

Eu acho assim, método é cultura, você compõe um método para alguém estudar, então quando você fala em metodologia você está falando em cultura. Eu acho complicado o caso

da Unicamp de trazer uma metodologia da “Berklee38” para cá. Eu acho extremamente

complicado, porque você está trazendo uma abordagem de uma cultura que não é a nossa. Então eu penso assim: o importante é trazer técnicas, pois eles têm umas técnicas fantásticas para estudar isso ou estudar aquilo. É maravilhoso. Mas o método, não. Isso daí tem que ser nosso. (P4).

Em algumas frases, o termo ‘ensino’ parece ter o mesmo caráter prescritivo de ‘método’. Principalmente quando associados a um certo teor de semântica pejorativa, esses termos talvez estejam se referindo não somente a um sistema de ensino ultrapassado como também a uma relação hierarquizada na qual somente os professores provêem o conhecimento aos alunos. Nesse sentido é que Gramani ‘não ensinava nada’, mas procurava estimular os alunos a fazerem descobertas.

… o dele não é um método, ele não está lá pra necessariamente ensinar uma determinada coisa específica. (P5)

Ele não gostava de ensinar, Gramani não ensinava nada, o que interessava a ele era despertar alguma coisa no aluno. (P1)

Num dos relatos, a crítica ao método é clara. A depoente menciona uma letra de canção, concebida pelo professor, em que o termo, com significados que extrapolam o contexto do ensino formal, constitui-se ironicamente numa receita de como se desumanizar. O ‘método’ é tratado aí como fórmula mágica, pronta e indiscutível, que anula a potencialidade crítica pessoal do indivíduo e o faz mero repetidor desta fórmula.

Ele fez ‘O que Remétodo’ ou ‘Como se Desumanizar numa Boa’, que eu acho que é uma música assim, que fecha várias coisas dessas sobre fundamentos pedagógicos. A letra expressa muito do que ele falava: ‘Fórmulas mundos, e fórmulas tudo, já está para tudo pronto. Fórmula, mágica veloz, folgada. Método, mundo de métodos tudo, já está para tudo planejado. Métodos, receita rápida, sem dor. Ai que método, método várias fórmulas, fórmulas sexuais, fórmulas…’ E aí vem uma valsinha que fala: ‘Pai e mãe, basta você aceitar que seu filho seja mais um elo do vício circuloso, nojo, nebuloso cidadão. E sente o que lhe ordenam e acredita que o que sente tem sentido, piamente, e se coloca como repetidor’. [Ele falava de uma] mediocridade institucionalizada. Essa crítica ao método, de que o caminho de todo mundo é igual, bastando você seguir uma receitinha, que você vai chegar até ali, sem dor, sem processo. É rápido, é garantido. Sendo que as soluções são as mesmas para todo mundo. […] Acho que isso ele questionava bastante. (P2)

Esse tratamento ao ‘método’, na forma em que se apresenta na canção do professor, parece embricar-se a temas e a outros termos usados no seu vocabulário pessoal,

38 A “Berklee College of Music”, Boston, MA (USA) é uma faculdade de música Americana

nas reflexões e questionamentos escritos sobre o ensino e sobre a sua forma de ver o mundo.

Os temas da ‘massificação’ e da negação da ‘singularidade’, por exemplo, aparecem indiretamente nas expressões ‘nebuloso cidadão’ e ‘mediocridade institucionalizada’, pois esses versos apresentam, ao mesmo tempo, situações que se contrapõem à valorização do indivíduo (em sua condição humana perante a sociedade) e ao seu potencial de ação no mundo. Esses temas serão novamente explorados no item “Singularidade e diferença – a heterogeneidade na sala de aula”, que segue em seqüência a este.

Já a palavra ‘processo’, apesar de ter sido explicitada anteriormente na voz da entrevistada, também é freqüentemente usada pelo professor. Ela é, no excerto apresentado, mais valorizada do que a expressão ‘chegar até ali’, que poderíamos inferir como sendo a realização de um produto. Apesar de esta última representar o resultado final do processo, não se apresenta aí como finalidade ou intenção primordial da pedagogia de Gramani. O termo ‘processo’ será mais enfaticamente apresentado adiante, no item “Uma aprendizagem com ênfase no processo”.

O próximo excerto é uma transcrição de parte de um texto escrito por Gramani que trata da “compartimentação” do conhecimento musical escolar, em assuntos de conteúdos separados, como um grande problema pedagógico, o qual encerra essa parte da exposição. Nele o professor vincula o método à personalidade de cada “aluno-individuo” (conforme as suas palavras nesse mesmo texto). A adaptação do aluno ao conhecimento geral e os métodos de ensino centrados na “matéria a ser ensinada”, o que marginaliza “o sujeito que se dispõe a aprendê-la”, são situações de ensino criticadas pelo professor, que defende a idéia de alicerçar a base de conhecimento docente através da percepção e do conhecimento da personalidade e do repertório de cada discente, mesmo numa coletividade heterogênea.

Não sabemos ensinar. Acreditamos nos métodos de ensino que nos passam e não nos preocupamos ao menos em verificar se algo poderia ser melhor. Ensinamos todos os alunos da mesma maneira, esquecendo que ainda nos resta (?)39 ao ser humano o privilégio de ter sua individualidade. Não aproveitamos esse fato; ao contrário: tentamos sempre fazer com que cada aluno se adapte ao geral, perdendo assim a sua personalidade. Temos nossa

39 Esta interrogação é original do texto. Possivelmente para comunicar uma incerteza do autor sobre a verdade

desculpa: os métodos já foram testados e aprovados (…) Nossa desculpa: temos um caminho seguro a indicar, por que nos arriscarmos? Acredito que o problema maior seja o seguinte: os métodos de ensino preocupam-se muito com a “matéria” a ser ensinada e quase nada com o sujeito que se dispõe a aprendê-la. Na realidade o contrário seria o correto. O correto seria conhecer o aluno, suas características de personalidade, seu repertório de informações, sua atitude perante a arte e a vida, perante si próprio. Desse estudo poderia resultar uma base sólida para o professor orientá-lo no estudo de música. Sonho? Não sei. Talvez isso possa acontecer, inclusive em uma classe coletiva. É possível perceber muita coisa em uma pessoa se se está preocupado com isso. E se não existe essa preocupação, nada se percebe(GRAMANI, 1996, p. 83).