BÖLÜM 1: BÖLGESEL KALKINMA OLGUSU VE BÖLGELERARASI
1.3 Bölgelerarası Gelişmişlik Farklılıklarını Gidermeye Yönelik Politikaların İlkeleri,
1.3.1 Bölgelerarası Gelişmişlik Farklılıklarını Gidermeye Yönelik Politikaların
1.3.3.1 Bölgesel Planlama
Na transcrição procurou-se expressar todo o conteúdo, escrevendo-o literalmente, e preservando, o quanto foi possível, todas as conotações perceptíveis decorrentes da linguagem coloquial do depoente, com a finalidade de “analisar os dados em toda a sua riqueza, respeitando, tanto quanto o possível, a forma em que estes foram transcritos” (BOGDAN e BIKLEN, 1994, p. 48).
Exemplo 1:
Pergunta: Em que momentos, fatos e acontecimentos em que você esteve presente,
marcaram positivamente ou negativamente a vida e a carreira de Gramani?
Resposta: um momento que marcou muito foi o primeiro show do “Trem de Corda”. O
primeiro show do Trem foi o um segundo début dele… voltando a tocar.
Pergunta: foi onde?
Resposta: foi lá no Centro de Ciências e Artes. Nós ficamos uns dois ou três dias de casa
lotada e foi um sucesso total, ele gostou demais…
No entanto, há textos que, uma vez elencados para a pesquisa, sofreram posteriormente algumas correções de ortografia e gramática, com o propósito de facilitar a leitura e a clareza de seu conteúdo. No entanto, o sentido do discurso não foi alterado. Para vocábulos acrescentados, não presentes no texto original, foram utilizados colchetes, com o propósito de explicitar e elucidar o conteúdo original.
Exemplo 2:
Ele não dava nada de regra. Tinham que sentir, [pois há] uma pulsação dentro de tudo isso e [ela] pode ser em quatro, cinco, sete, ou o número que for, mas a pulsação continua, [é contínua].
Para iniciar a organização dos dados, foi escolhida uma das entrevistas transcritas que, à primeira vista, parecia abarcar uma considerável gama de tipos de informação e, por esta razão, podia servir de modelo para classificar os trechos dos outros depoimentos.
Através desse primeiro texto, cada parágrafo considerado relevante para a pesquisa foi grifado, enunciado com uma ou mais designações categorizantes inspiradas em referenciais teóricos sobre histórias de vida de professores e sobre trajetórias profissionais bem sucedidas na docência.
Exemplo 3:
Ele estudou na Fundação de Artes São Caetano, que na época era talvez a melhor escola de música do Brasil ou a mais dinâmica, vamos dizer assim, é difícil falar a melhor. Era uma escola muito famosa e grande parte desses músicos de São Paulo, que dominam o cenário musical paulistano hoje, são músicos formados nessa escola. Passaram por lá. Eu tenho a impressão que lá mesmo ele já começou a dar aula. – início da profissão docente
Eu acho que esta era a opinião que os alunos tinham dele: era o melhor professor. – bom
professor.
Através do mapeamento daquela primeira entrevista, foi possível relacionar, à parte, os principais temas que emergiam do texto, e como os seus sub-temas poderiam se articular e se ordenar no texto da descrição e análise dos dados.
Exemplo 4:
1. Fases da vida do professor e a sua formação profissional a) início da profissão docente.
b) momento de ruptura. 2. Crenças e valores do professor 3. Práticas e técnicas pessoais de ensino
a) rotinas.
4. Características pessoais e profissionais a) relacionadas ao docente.
b) relacionadas a sua personalidade.
Conforme os trechos se encaixavam numa mesma designação, ou tinham sentidos parentes, foram transferidos e agrupados para um mesmo “espaço”. E para mencionar os participantes sem, no entanto, identificá-los nominalmente, foram utilizados os códigos de P1 a P6:
Exemplo 5:
2.Crenças e valores do professor
Era dessa forma que o Zé era professor: ia olhando um por um, considerando a
“história” de cada um e observando se o aluno estava inquieto dentro de um
sistema de ensino muitas vezes estagnado, desgastado, se este aluno estava questionando, procurando algo mais dinâmico e verdadeiro, e isso era muito pessoal. (P1) - singularidade e tratamento diferenciado.
… naquele contato pessoal que ele estava tendo com cada aluno individualmente, pela sensibilidade dele, ele já conseguia fazer o melhor para o aluno ali naquele momento. (P5) – explicações para cada aluno individualmente
Uma vez agrupados, alguns trechos receberam títulos de assuntos comuns aos mesmos, que se incluíam sob um dos temas anteriormente demonstrados:
Exemplo 6:
2. Crenças e valores do professor a) Pensar x Sentir:
Ele não dava nada de regra. Tinham que sentir, [pois há] uma pulsação
dentro de tudo isso e [ela] pode ser em quatro, cinco, sete, ou o número
que for, mas a pulsação continua, [é contínua] e a gente tem que encaixar estas coisas dentro desta pulsação, porque você tem a própria pulsação no
seu coração, dentro do seu corpo. (P3) – sentir (x contar) – percepção
corporal – pulsação do ritmo x pulsação do coração.
Tem até a ver com algumas coisas que ele diz no Prefácio de “Rítmica” que sugerem fugir daquela coisa extremamente racional que, no caso do tratamento específico com a rítmica, refere-se a uma coisa mais
matemática, métrica. Simplesmente, é preciso sentir. Essa palavra tem
técnica para sentir (ou perceber) outras relações / sentir como meio para superar dificuldades.
Exemplo 7:
3. Práticas e técnicas pessoais de ensino a) Descrição de rotinas A aplicação de ditados:
Pelo menos nos festivais e na UNICAMP, havia uma certa rotina, entre aspas, com ditado. (P2)
Às vezes ele fazia ditado rítmico (P5) – rotina com ditado rítmico.
Ele gostava de fazer ditado (P5) – rotina com ditado rítmico.
Havia trechos e categorias que se entrelaçavam, pois um mesmo trecho de entrevista podia se encaixar em diversas categorias ao mesmo tempo.
Exemplo 8:
Ele dizia: ‘hoje é ditado rítmico. Vamos lá’. Então ele cantava uma melodia, em que ele dava, na interpretação, uma sincopa: ‘alguma coisa acontece no meu coração’. A maneira como ele interpretava era legal porque soava muito bem e era muito claro. (P5) – rotina
com ditado rítmico; utilização de melodias populares (canção “Sampa” de Caetano Veloso).
Foi necessário, então, fragmentar muitos dos excertos destinando-os a diversas categorias.
Exemplo 9:
… era uma pessoa muito dócil… (P4). – dócil
… sempre passava as coisas com bom humor. (P4). – comunicação do saber com bom humor.
… eu acho que esse aluno ficava com vontade de também ser notado e valorizado por um
professor que não poupava elogios, que era simpático, super bem-humorado, que não tinha pudores de ser amigo dos alunos. (P1) – não poupava elogios / simpático / super bem-humorado / amigo dos alunos
O trem de corda foi choros: ele começou a fazer arranjo de choros mil… (P4) – criativo
(arranjos).
Eu gosto muito dele. Dessa verdade musical que ele tem e tudo o que ele fez. (P6)
Em outros, mesmo aqueles que apresentaram diversas temáticas diferentes, foram preservados os seus discursos próximos da íntegra. Em geral isso ocorreu com textos que correlacionaram os temas de forma a apresentar coesão na forma de pensar do professor.
Exemplo 10:
Ele fez ‘O que Remétodo’ ou ‘Como se Desumanizar numa Boa’, que eu acho que é uma música assim, que fecha várias coisas dessas sobre fundamentos pedagógicos. A letra expressa muito do que ele falava: ‘Fórmulas mundos, e fórmulas tudo, já está para tudo pronto. Fórmula, mágica veloz, folgada. Método, mundo de métodos tudo, já está para
tudo planejado. Métodos, receita rápida, sem dor. Ai que método, método várias fórmulas,
fórmulas sexuais, fórmulas…’ E aí vem uma valsinha que fala: ‘Pai e mãe, basta você aceitar que seu filho seja mais um elo do vício circuloso, nojo, nebuloso cidadão. E sente o
que lhe ordenam e acredita que o que sente tem sentido, piamente, e se coloca como repetidor’. Aí fala: ‘a mediocridade institucionalizada’. Essa crítica ao método, de que o caminho de todo mundo é igual, bastando você seguir uma receitinha, que você vai chegar até ali, sem dor, sem processo. É rápido, é garantido. Sendo que as soluções são as mesmas para todo mundo. ‘Eu posso medir o seu tempo de habilidade’. ‘Como assim?’
Acho que isso ele questionava bastante. (P2) – método como fórmula pronta e que é
‘circulosamente’ (ou repetidamente) ensinada (como ‘receita’, oferecendo soluções iguais para todos)
Com base na revisão bibliográfica, foram feitas inúmeras tentativas de agrupamentos dos dados coletados. Depois de uma série de rearranjos - com o propósito de articular as “categorias” como partes relacionadas umas às outras, tornando-as progressivas na compreensão do todo - e após observar quais eram as maiores freqüências dos dados entre todas as entrevistas, o item “descrição dos dados” chegou ao formato em que se encontra atualmente.