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YÖNETİM ORGANİZASYONU VE PERSONEL DÜZENLEMELERİ

YÖNETİM VE PERSONEL DÜZENLEMELERİ

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Como vamos mostrar, até que estudos mais recentes e aprofundados da cultura helênica205 pudessem ter sido realizados e apontado nuances, prevaleceu um preconceito geral e generalizante em relação à cultura grega206 e que se transformou num verdadeiro “acordo universal” quanto ao que seria não somente os elementos principais ou mais enfáticos, mas constituidores últimos mesmo de seu pensamento. Trata-se do costume de se afirmar, tranqüila e rapidamente, que a sensibilidade grega era marcada, “sem nuances suficientes para criar elos históricos, continuidades possíveis”, e quanto à noção de tempo

205 Referiremo-nos principalmente aos trabalhos de Werner JAEGER e de RodolfoMONDOLFO,dos quais,

principalmente, além de outros, nos valeremos aqui.

206 Mantendo este preconceito, mais à frente, e restrito ao âmbito do tema que estamos tratando, vamos

mencionar tanto Kierkegaard como Nietzsche. Todavia, é necessário deixar claro que nem Mounier escapa desse preconceito. Todavia, seus estudos com Pouget, como notamos antes, e, portanto, seu contato com a atmosfera de resgate do histórico no âmbito das ciências humanas, notadamente no da ciência bíblica, não deixam este preconceito sem tensão, como podemos ver da citação de Mounier acima, pela qual ele afirma a compreensão geral que se tinha da cultura grega e, em seguida, faz uma crítica às concepções de descontinuidade absoluta.

e de história (que são as que mais nos interessam nesse momento, apesar de sermos obrigados a tocar em outros elementos constituintes, em aspectos da sua antropologia, da sua cosmologia etc.207), pelo tempo cíclico e pelo destino rigidamente traçado, com o conseqüente sentimento de desalento do indivíduo diante do inexorável. Todavia, à luz das pesquisas mais recentes, isso tende a parecer hoje como uma facilitação apropriada para uma leitura puramente descontínua da história.

Em relação à cultura grega, uma das especificidades do kerygma cristão estaria, sem dúvida, ligada à afirmação radical da valorização e do resgate do temporal, do quotidiano, mas não que não houvesse nenhuma ressonância dessa sua mensagem já, de alguma forma, no âmbito do caldo cultural dos primeiros séculos. Uma das provas é o truísmo de que se simplesmente, entre a mensagem cristã e o mundo cultural ambiente, não houvesse nenhuma ponte possível para se estabelecer a comunicação – estamos falando não só de cristianismo e judaísmo cuja tradição veterotestamentária comum às duas tradições é patente, mas entre mensagem cristã e cultura helênica –, ele não teria sobrevivido e alcançado a difusão que alcançou. Todavia, afirmando esta sua especificidade, em sua radicalidade, face à sensibilidade helênica difusa e difundida na época, o cristianismo se colocou diretamente em face das evasões a que a metafísica grega alimentava a partir de sua estruturação do cosmos em dois níveis, o terreno e o divino. Para o ser humano primitivo, cuja individualidade se encontra ainda imersa em proveito das prerrogativas da vida coletiva, o mundo é enigmático e inquietante. Todavia, este mesmo ser humano, vai se tornando, para si mesmo, à medida que a consciência de si caminha paralela ao movimento de individuação, também enigmático e inquietante. Juntamente com a beleza dos cosmos, com a curiosidade filosófica por descobrir o princípio de sua unidade fundamental, caminhará ao lado o sentimento de um destino inexorável e o pressentimento de uma dimensão obscura intrínseca ao ser, sempre esquiva à razão humana organizadora. E ainda como uma prova dos limites da capacidade racional organizadora do ser humano, essa obscuridade incontornável vai fazer com que a superação do mito e da religião, proposta pelo próprio movimento do pensamento que busca sua independência, ainda tenha de

207 O modo de ser da relação, que se encontra na base da ontologia e da antropologia personalistas não é

apenas uma “noção”, quer ser a expressão mesma que indica uma dimensão real do ser em nossa experiência finita e que o personalismo mantém como a experiência originária do ser, contra tanto o relativismo (pluralismo) como o monismo (panteísmo).

deixar algum espaço para as formas religiosas e míticas de “explicação”. Além disso, quanto mais o indivíduo toma consciência de si, de sua condição singular no processo de individuação, mais se sente integrado e solidário às vicissitudes inelutáveis deste cosmos, enquanto ele mesmo se auto-compreendendo como um microcósmos. Ao lado da força da natureza e da inexorabilidade do destino, noções mais gerais, o indivíduo sente a ação de poderes demoníacos atuando até mesmo em seus próprios impulsos e paixões.208 Os “gnosticismos”209, orientalismos prevalecentes e o intelectualismo conseqüente, com todos os constituintes cúlticos – abluções, oblações, oferendas etc. –, de cunho soteriológico decorrentes de sua metafísica-religiosa explicadora, todavia, não serão, por sua vez, capazes de deixar de nutrir, nas vidas que vão tomando consciência de sua singularidade, uma sensação de impotência e, na vida social, uma atmosfera que, no primeiro século do surgimento do cristianismo, alimentava todo um sentimento de fragilidade e desalento diante de um destino que se mostrava inexorável e contra o qual e em função de seu apaziguamento, além da soteriologia e os meios de consecução pelo culto de mistérios já ditos, restava o exemplo dos seres de exceção, os heróis, aqueles que ousavam se contrapor

208 BULTMANN, Rudolf, Creer y comprender, vol. II, Stvdivm Ediciones, Bailén, Madrid, 1976, p. 55: “La

comprensión del mundo y del hombre en el Nuevo Testamento e en el helenismo”, in Theol. Blätter, 19, 1940, pp. 1-14.

209 Werner JAEGER sublinha a relação entre os cultos de mistério e a filosofia dos primeiros filósofos gregos

em: La teologia de los primeros filosofos griegos, op. cit., especialmente pp. 77 ss. Apesar do gnosticismo, no singular, ser possível enquanto expressão de elementos comuns de uma inspiração greco-oriental difundida e dominante, por exemplo: antropologia dualista, ontologia maniqueísta, moral repressora e de autopunição etc., quanto a esta última, há um estranho fenômeno. Dependendo da corrente gnóstica, essa moral de purificação poderia tomar o outro extremo libertino e de rédea-solta. No entanto, mesmo neste outro estranho extremo, o da rédea solta, por conta mesmo do conteúdo implícito na noção de sacrifício e de autopunição purificadora em sua consecução, o que se dava era a compreensão da necessidade de se cansar o corpo satisfazendo-o e exaurindo-o em seus apetites para que, então, se tornasse mais fácil dar vazão às prerrogativas do espírito, possível agora com o corpo extenuado. Todavia, em ambos os extremos de purificação, por causa de fundamentos comuns, tais como pecados herdados em reencarnações passadas etc., podemos usar a noção no plural pelo fato mesmo de gnosticismo, no singular, como se vê, cobrir uma variedade de formas. É fato que sempre existiu – e ainda existe e de maneira atuante – um gnosticismo cristão, que por causa de sua diluição predominante no âmbito da experiência histórica e projeção sociológica do cristianismo – a intenção do gnosticismo na manutenção de sua existência é sempre facilitada tanto por sua diluição como por tornar-se um parasita, um corpo estranho onde quer que consiga aderir-se –, tem confundido a muitos em sua crítica a qual é feita como se tratando do cristianismo em si, quando, na verdade, deveria ser ao gnosticismo que tem necrosado todo o tecido. Sobre a complexidade do fenômeno do gnosticismo, ver: Cf. Gerd LÜDEMANN and Martina JANSSEN, Suppressed Prayers – Gnostic spirituality in Early Christianity, SCM Press, London, 1998; não obstante a visão simpática do autor pelo que ele compreende como “criatividade religiosa gnóstica contra o engessamento da ortodoxia” (p. 14), que parece impedi-lo de ver, pela forma como coloca o problema, que não se trata de escolher entre uma morte rápida e expressa pela “ortodoxia”, ou uma mais longa e sutil, portanto mais duradoura e mais difícil de superar depois de emplacada, pela suposta “liberdade gnóstica”, só porque essa se apresente com mais requintes “criativos”.

a sua inexorabilidade divina, mas cujo exemplo, depois da perda do ideal grego da polis desde o início do helenismo, já também não conseguia exercer uma influência empolgante.210