YÖNETİM VE PERSONEL DÜZENLEMELERİ
PERSONEL SAĞLIK TAKİP FORMU
O aspecto histórico da experiência de Israel com Iahvé, marcada pelos eventos salvíficos, e a compreensão do tempo413 que o semita mantém a partir da sua leitura dos eventos à luz da tradição que se formou e da necessidade de compreensão do significado do evento para o momento presente pelo qual, então, ele pode perspectivar o futuro, deixou os escritores bíblicos à vontade quanto a uma descrição não puramente cronológica e pontual dos fatos. Pois aqueles escritores ressaltam os aspectos mais significativos dos mesmos para a história nacional que, com o aparecimento da profecia, vai firma-se, definitivamente, como vocação para uma história universal ao mesmo tempo em que cresce a consciência de uma chamada de responsabilidade vocacional de co-criação como um projeto de Iahvé para toda humanidade. Quer dizer, sentimento e consciência do caráter universal desse chamado cobrindo não só o plano nacional como o individual.414 Esta noção de tempo semita, que vai se elaborando e tomando sua forma a partir da releitura do passado pela luz dos eventos do presente, é muito bem esclarecida por Wolff, em sua famosa Antropologia do Antigo Testamento.415 Assim: “No escrito sacerdotal encontramos a noção de tempo refletida e diferenciada. Em primeiro lugar, ele mostra interesse por datas cronológicas e de calendário como quadro da história. ... As genealogias até se tornam o princípio de estruturação para o plano geral do escrito sacerdotal.”416 E, ainda Wolff: “Com o javista, o problema do tempo ainda não o ocupa teoricamente... o “dia” não é introduzido como espaço de tempo do calendário, portanto não como conceito físico do tempo, mas exclusivamente como o espaço de um acontecimento, e, em primeiro lugar, do acontecimento de uma ação
413 Expandiremos mais esta explicação da concepção semítica de tempo, que o resgate do histórico e sua
valorização nas pesquisas atuais do pensamento ocidental, a respeito do tema, parecem fazer justiça, em contraste com a nossa mais tradicional concepção cronológica, pontual do tempo, herdada dos gregos.
414 Com relação a esse último ponto, o profeta Jeremias vai ser paradigmático. Tentaremos seguir a pista
sinuosa deste “movimento de universalização” – movimento e não acabamento, como quis a modernidade ocidental. Nesse sentido, é importante notar o resgate personalista dessa estética hebraica da história. Assim, no personalismo, a universalização, ou melhor, o sentido da universalização, é uma tarefa, uma obra a se cumprir perpetuamente, e não um estado ou substância acabada. Quando tratarmos do sentido de universalização em relação ao surgimento da filosofia grega, como implícito ao seu ideal de Paideia, e a tomada radical para si deste projeto de universalização pelo cristianismo, quanto a estes dois últimos desenvolvimentos, nos remeteremos mais à obra de Mounier.
415 WOLFF, Hans Walter, Antropologia do Antigo Testamento, Edições Loyola, São Paulo, 1975, p. 117 a 127. 416 Ibidem, p. 120. Esta observação de Wolff diz respeito à perspectiva geral da fonte (P = Sacerdotal) ao
longo da tradição veterotestamentária, e não se restringe somente à narrativa de Gênesis, da qual tratamos aqui, o mesmo vale para suas observações quanto à perspectiva de (J = Javista).
divina.”417 E ainda: “Assim, para o javista, a história é uma sucessão mutável e causadora de mudanças orientadas para uma meta que, como tempo, oferece, antes de tudo, a possibilidade da vida doada ao homem. Entretanto, o javista usa poucas vezes a palavra tempo (‘eth)...”418 E, acerca da fonte deuteronomista (D), conclui Wolff: “Os pregadores deuteronômicos refletem profundamente sobre a relação entre o passado e o futuro. Estão interessados apaixonadamente no “hoje”.”419 Podemos dizer que é a imbricação destas três principais perspectivas do pensamento hebraico que vai configurar, ao longo da história de Israel, sua concepção, para nós ocidentais mais afeitos à leitura do tempo pontual de inspiração grega, “estranha” que se denominará: escatologia.
Será justamente a tensão criada na própria experiência de sentir o tempo pelo judeu primitivo que o fará sentir-se dramaticamente pertencente a uma história da qual faz parte e na crescente consciência da execução de um papel a cumprir insubstitível: a história do descortinar de um “propósito” ao mesmo tempo transcendente em seus alcances últimos, pois que se encontram no “conselho de Iahvé”, e imanentes, através dos eventos do passado dos quais a tradição se apropria e que pelos quais o indivíduo pode ver confirmado e atualizado em sua própria vida cotidiana. Além dessa dramática individual, a dramática coletiva do povo de Israel caminhará ligada à consciência da obrigação do cumprimento do seu papel como nação no projeto de universalização inscrito nas ações criadoras e libertadoras de Iahvé e a sua recusa em cumprir esse sentido do universalismo sotereológico salvífico restringindo-o aos ditames dos quadros particulares de sua expressão cultural, étnico-religiosa. Por isso, nota Wolff: “É característico para o Antigo Testamento o fato de estarem lado a lado providências concretas e projetos utópicos (cf., por exemplo, as leis dos escravos e o espelho dos juízos, no livro da aliança, com a lei da realeza, no Deuteronômio, e a prescrição do ano jubilar, na lei da santidade). Melhoramentos relativos provisórios e a esperança da liberdade plena não se excluem, mas são elementos que devem estar unidos.”420 Essa tensão própria inserida na experiência do tempo, esse não abrir mão do inusitado possível no confronto com o evento presente, é a outra face da moeda que, no Ocidente, via cristianismo, vai contrabalançar a face do
417 Ibidem, p. 117. 418 Ibidem, p. 120. 419 Ibidem, p. 121. 420 Ibidem, p. 256.
“determinismo”. É com isso que se abrirá a possibilidade de um confronto direto com o que poderia advir como corolário próprio de sua sensibilidade e metafísica: conservantismo, letargia, conformismo, indiferentismo etc. Tudo isso em relação ao sentimento de impotência e de nenhum vislumbre, por parte da pessoa concreta existente, de pertença a um projeto transcendente a ela e em relação ao qual, na imanência, possa nutrir o sentimento de poder influir de alguma forma sobre ele e, por conseguinte, ser parte integrante do mesmo. E isto, mesmo pelos dados que recebe da própria tradição que confirmam, ao mesmo tempo, sua dimensão criatural – pó –, mas também sua dignidade pessoal de co-criadora – imagem e semelhança de Iahvé421, agora como fato histórico que, pela apropriação e seu legado deixado pelo pensamento cristão, recebe uma propriedade heurística.
Como pudemos notar, é justamente essa tensão própria na experiência do ser humano, que procura se situar no mundo, como pertencente e ao mesmo tempo diferente do mundo, que se dá, e para a qual queremos apontar, na narrativa da criação de Gênesis, na qual nos deparamos, de modo impressionante422, num texto tão antigo, com os constituintes fundamentais da noção de dignidade que será, a partir de então, nos níveis e desníveis da história tanto de Israel quanto da humanidade, a base sobre a qual as inspirações mais profundas quanto ao anseio de elevação e libertação humanas poderão encontrar apoio. Sempre presente – e a atualidade está aí para demonstrar a sua força – o movimento de personalização423 será a marca da inserção de um elemento de imprevisibilidade nas estruturas temporais engessadas e carcomidas que militam, em sua estagnação confortável mórbida, para a contenção deste que é o movimento mais próprio da pessoa.424
421 É o estoicismo antigo e o neo-estoicismo contemporâneo – na esteira de Nietzsche – que serão as posturas
mais corajosas de confronto à morbidez latente dessa metafísica incontornável do gênio do “paganismo” e não do “cristianismo”, como, todavia, entendeu Nietzsche que fosse.
422 Creio que, depois do que temos concluído, esta minha “expressão” se justifique um pouco. Creio também
que com isso essa inspiração personalista pode ser vista como situada na tradição filosófica, pois para Aristóteles a filosofia começa justamente com um “espanto”. Talvez a salvação da filosofia, para quem ainda acredita nisso, e o personalismo de Mounier acredita, esteja na capacidade de recuperarmos o exercício da capacidade de se “espantar” com as coisas, no sentido de Aristóteles e da mística, é claro, e não no sentido do inusitado dos eventos da situação de risco da guerra de todos contra todos inaugurada e mantida pelas instituições do racionalismo liberal e burguês, que torna a vida da maioria esmagadora das pessoas mais do que um espanto, um inferno.
423 Que nesta dissertação definimos pelo movimento de emergência e insurgência da pessoa na história e à luz
do personalismo de Emmanuel Mounier.
424 Esta é uma das compreensões que Emmanuel Mounier tem da inserção, por arte do personalismo, da noção