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ACİL DURUMLARDA YAPILMASI GEREKENLER

YÖNETİM VE PERSONEL DÜZENLEMELERİ

ACİL DURUMLARDA YAPILMASI GEREKENLER

Encontramos nos relatos bíblicos, em cada uma das narrativas da Criação, duas versões também muito diferentes sobre a formação do homem. Com efeito, no capítulo 1 de Gênesis (atribuído à tradição “sacerdotal”, como já dissemos), o homem aparece como o remate da criação e como a coroação da grande pirâmide de toda obra criadora, que foi se manifestando gradualmente, partindo do mais elementar até o mais complexo e perfeito, com base em certas categorias lógicas convencionas. Porém, “o momento da aparição do

303 CORDERO, op. cit., p. 10 s. 304 Ibidem,p. 12.

305 Cf. EUSÉBIO, Praep. evang. I 10: PG 21,75; LAGRANGE, M., Études sur les religions sémitiques (Paris,

homem, no mesmo dia em que os quadrúpedes, é solene, e o autor bíblico, para narrar a diferença em relação a tudo que fora criado até então, narra um colóquio íntimo divino, já que Elohim ia criar a criatura cume da criação.”306 Diz o texto bíblico: “Façamos o ser humano a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o ser humano a sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Gênesis, 1.26-27) [grifo nosso]

A concepção é enobrecedora, já que o homem e a mulher emergem instantaneamente do nada como fruto de uma intervenção criadora do Deus único, transcendente e preexistente ao próprio caos primitivo, como já notamos. Já podemos notar também o mesmo sentido de distinção do Criador do criado ser aplicado, em seu nível mesmo de criatura, ao ser humano que, ao mesmo tempo em que assegura uma dimensão última de irredutibilidade de redução do ser humano ao natural, como já notamos, aponta, como veremos mais à frente, para a comunidade de destino de todos os seres humanos enquanto chamados à co-criação de Deus. Em suma, trata-se de um modo de dizer a especificidade do ser humano em sua diferença essencial em relação a tudo que fora anteriormente criado como emergido das águas e da terra, como fruto de uma eclosão natural promovida por uma ordem divina (v. 24-25). Segundo Delitzsch: “O ser humano é feito à imagem e semelhança do próprio Deus, concepção grandiosa, única na história do pensamento humano. [grifo nosso] O que é um modo de dizer que no ser humano há algo superior que se assemelha ao criador, pelo que se distingue de todos os seres criados anteriormente e pelo que se torna capaz de ‘dominá-los’ ao seu serviço. Justamente a coroa real do ser humano se caracteriza por essa supremacia sobre todo o criado.”307 No Sexto dia: este ato de criação, também, como todos os precedentes, é apresentado com a divina palavra “bom” por ser de acordo com a vontade de Iahvé. Mas a benção pronunciada é omitida, o autor apressa a narrativa da criação do ser humano, em que a obra da criação culminou. A criação do ser humano não acontece por uma palavra dirigida por Deus à terra, mas como o resultado, como já notamos, de uma divina decisão: “‘Façamos o homem a

306CORDERO, op. cit., p. 12. 307 Ibidem, p. 13.

nossa imagem e semelhança’ ... é o que proclama a preeminência do ser humano acima de todas as criaturas da terra.”308

No cap. 2 (devido à tradição “javista”, como já notamos) encontramos uma versão da origem do homem mais primitiva e antropomórfica, já que Iahvé-Elohim é apresentado como um oleiro modelando, de sua argila, o primeiro homem: “Então, formou Iahvé- Elohim o ser humano do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o ser humano passou a ser alma vivente.” (Gênesis 2.7)

A concepção do Deus oleiro é, segundo Cordero, comum a todos os povos da Antiguidade, já que é da experiência universal que o homem, depois de morto, se torna pó, e assim, segundo uma avaliação popular, o homem é feito de pó.309 Nesse sentido, o deus egípcio Khnum, de acordo com Cordero, é apresentado como um oleiro formando ao seu redor os corpos dos seres humanos, ante cujas narinas, se coloca o hieróglifo expressivo da vida como sinal de animação. Na literatura clássica é também comum esta concepção do homem formado da argila.310, o mesmo que em numerosos povos da Antiguidade e dos primitivos atuais.311 Esta concepção antropomórfica é plasticamente expressa do modo seguinte no relato do Poema da criação babilônico: “Quando Markud ouviu as palavras dos deuses, seu coração o excitou a modelar obras artísticas; e, abrindo a boca, se dirigiu a Ea nestes termos para comunicar-lhe o plano que havia concebido em seu coração: ‘Vou amassar o sangue e farei com que existam os ossos; vou suscitar um selvagem, cujo nome será homem; certamente, vou criar o homem selvagem para que se encarregue do serviço dos deuses, de modo que estes sejam aplacados.”312

Depois Marduk decide que seja Kingu, o chefe dos Tiamat que lutarão contra ele, a vítima que porta o sangue para a modelação do homem: “Ataram-no e o mantiveram preso diante de Ea; colocaram sobre ele o peso de sua culpa e abriram (os vasos de) seu sangue; assim, com seu sangue, fabricaram a humanidade.”313

Segundo Cordero, em diversos textos sumérios dão-se outras versões coincidentes do mesmo fato: a formação do homem com o sangue de uma divindade, o que é um modo

308 DELITZSCH, op. cit., p. 61. 309 CORDERO, op. cit., p. 13.

310 PAUSANIAS, X 3.4; OVÍDIO, Metamorf. I 82; JUVENAL, Sátiras XIV 35. [Citado por CORDERO, ibidem.] 311 Cf. FRAZER, Le folklore dans l’Ancient Testament (Paris, 1924), p. 8. [Citado por CORDERO, ibidem.] 312 Poema da criação, VI 1-8; ANET 68; Labat, op. cit., p. 143. [Citado por CORDERO, 13 s.]

de destacar sua categoria excepcional de ser humano, que, segundo a Bíblia, é “feito à imagem e semelhança” do Deus criador. Aqui, com um crasso antropomorfismo, chega-se a expressar algo parecido. Assim, em um texto sumério, se diz: “Matemos dois deuses Lamga (artesãos), formando com seu sangue a humanidade.”314 Em outro texto sumério, fala-se da necessidade de se misturar o sangue com a argila.315 Esse elemento plástico, relacionado ao ato da criação do ser humano, já é uma intuição mítico-religiosa do seu caráter de artefato. À própria constituição do ser humano está implicado um caráter de “artefato” .

Todavia, em todos estes textos quer-se destacar também que o homem foi formado de algo muito frágil, como a argila, que é a matéria prima da olaria antiga. Isso liga esta expressão mítica ao caráter fugaz da vida: do pó vieste para o pó voltarás. Por outro lado, como também podemos ver, não há matéria mais adaptável, dócil, flexível, nesse período primitivo da fabricação humana, pelo que a metáfora se presta muito bem, também, para expressar a vontade ilimitada dos deuses, o que já anuncia a necessidade do culto organizado para fazer cumprir ordenadamente essa vontade ilimitada deles.

Em um texto sumério-acádico, segundo Cordero, se diz que Marduk, depois de criar Eridul sem templo, amontoou os juncos sobre o mar, e logo criou o “pó”, formando um bloco com ele, dando assim origem à “humanidade”.316 Em outro texto similar, diz-se que o deus Ea “arrancou um pedaço de argila do abismo e depois formou todas as coisas”.317

Porém, ao mesmo tempo se insiste em que o homem foi formado com um ingrediente superior: o sangue dos próprios deuses, o que justifica a dignidade pessoal do homem.

Assim, pois, comparando o texto bíblico de Gênesis 2.7, atribuído à tradição javista, mais antiga, como vimos, segundo o método histórico crítico, com os textos das cosmogonias mesopotâmicas, podemos dizer que o “sangue” deste é substituído pelo “sopro”, rûah, que Iahvé-Elohim da Bíblia infunde no corpo formado da “argila”; portanto, no sentido de uma expressão mais complexa da natureza do ser humano. Quer dizer, mesmo no âmbito de uma narrativa de cunho ainda bem antropomórfico, o javista vê dois princípios na constituição do ser humano: um material e adaptável (a “argila”), e outro superior, divino: o “sopro”, com a dignidade que este carrega, deduzida da noção de

314 Ver Errandonea, Éden y paraíso (Madrid, 1966) p. 7. [Citado por CORDERO, ibidem, p. 14.] 315 Ibidem, p. 24. [Citado por CORDERO, ibidem.]

316 Cf. Cuneiform Textes from Babylonian Tablet in the Britsh Museum XIII 35-38; ERRANDONEA, J., op. cit.,

p. 8. [Citado por CORDERO, p. 15.]

transcendência absoluta de Iahvé-Elohim Criador a todo o criado. Por outro lado, enquanto todos os povos primitivos têm se considerado em relação de “sangue” com as divindades totêmicas, no entanto, este estágio religioso aparece já totalmente superado nos relatos bíblicos, ainda que nos mais arcaicos, como vemos em relação ao relato javista, o antropomorfismo esteja bem presente. Porém, sob estes símiles, mais ou menos crassos e antropomórficos, permanece a grande realidade de que o homem é superior aos animais, porque é feito “à imagem e semelhança” do próprio Deus.

Por outro lado, para os hebreus a vida se manifestava, sobretudo, no “sangue”; por isso não era permitido tirá-la, pois ela pertencia à própria divindade, que é senhora da vida.318 Contudo, o autor bíblico não diz que o homem é formado do “sangue” de Deus, o que seria blasfemo. Por isso, a tradição hebraica ambiente à mesopotâmica, em vias de constituição, substitui o “sangue” pelo “sopro” (rûah), ou hálito vital infundido diretamente por Ihavé-Elohim. Isso não comprometia sua transcendência. Em troca, a tradição folclórica sobre a origem do corpo humano a partir do pó é mantida pela tradição hebraica. Esta idéia, conforme Cordero, acima, que temos visto no Poema da criação, na realidade, já aparece nos textos sumérios mais primitivos. Assim, o deus Enki se dirige a sua mãe, Nammu, nos seguintes termos: “Oh! Minha mãe! A criatura cujo nome tens pronunciado (o ser humano), já existe; forma sobre ela ... a dos deuses. Mistura a substância da argila que se encontra encima do abismo. Os bons e nobres modeladores condensam a argila. Tu vais trazer os membros à existência. Ninmah atuará sobre ti; os deuses te assistirão em tua tarefa de modelar ... o ser humano”.319

Por isso, no Antigo Testamento, morrer é voltar ao pó: “Se tu, (Iahvé), lhes tirar o espírito (rûah), eles morrem e voltam ao pó”320, pois Deus “conhece nossa feitura e não se esquece de que somos pó”.321 Assim, coloca-se na boca do desafortunado Jó as seguintes palavras: “Tuas mãos me fabricaram ... Lembra-te de que como argila me fizeste, e ao pó me farás voltar”322, conforme a sentença divina dada ao primeiro homem: “Pó eras, e ao pó

318 Gênesis 9.3-7.

319 KRAMER, Sumerian Mytholgy, p. 70, n. 71; citado por ERRANDONEA, J., op. cit., p. 25. [Citado por

CORDERO, op. cit, p. 16.]

320 Salmos 104.29; Eclesiástico 17.1; Salmos 22.16; 30.10; 103.14; Jó 17.13-15. 321 Salmos 103.14.

voltarás.”323 É esta trágica realidade que faz surgir, em todas as literaturas da Antiguidade, o sentimento de angústia vital, que, como podemos ver, não é propriedade nem da psicologia contemporânea e nem do existencialismo: trata-se da intuição fundamental da condição humana já totalmente esboçada nesse período chamado “primitivo”. E é no poema de Gilgamesh, segundo Cordero324, que o herói se apresenta em busca do hálito da vida.