3. KUYUMCU İŞLETMELERDE STOK HESAPLARININ DENETİMİ
3.1. Kuyumcu İşletmelerde Stok Hesaplarının Denetiminde Önceden
3.1.1. Vergi Yasaları
3.1.1.1. VUK’a Göre Kuyumcu İşletmelerin Stok Denetiminde
Como este trabalho é sobre uma língua falada na África, é essencial que o trabalho de campo seja feito no local, já que seria muito difícil obter dados de qualidade no Brasil, pois a maioria dos falantes nativos da língua em questão têm mais de sessenta anos. Além disso, a língua não possui muitos falantes nativos, dificultando ainda mais um trabalho de campo que não fosse feito na comunidade. Segundo Vaux et al. (2007: 5), o trabalho de campo é obviamente necessário a linguistas que não estão trabalhando com sua língua materna, já que julgamentos sobre a gramaticalidade dos dados dependem da intuição do falante nativo. Dessa forma, uma longa estadia no campo permite uma coleta de dados
variados, a checagem destes dados junto aos falantes nativos, bem como a possibilidade de documentar ocasiões singulares do uso da língua, como a participação no programa de rádio e nos encontros semanais de lung )e, por exemplo, e da interação linguística com os falantes. Além disso, Crystal (2000: 101) afirma que é crucial para os estudos linguísticos contar com descrições de línguas em perigo de extinção, como parece ser o caso do lung )e, no dado momento.
Foram selecionados dois livros principais que auxiliaram na análise dos dados e no trabalho de campo. Describing Morphosyntax, de Payne (1997), serviu como um guia para a elaboração de uma gramática a partir da coleta do trabalho de campo. Segundo Payne, a pura existência de um dicionário ou uma gramática confere prestígio à língua estudada, já que línguas ágrafas são muitas vezes consideradas pelos leigos como não tendo uma gramática , isto é, não sendo uma língua sistematiɔável, ou como sendo somente um dialeto ou, ainda, uma língua primitiva . Primeiramente, Paɓne mostra de que maneira o pesquisador pode obter informações demográficas e etnográficas, como, por exemplo, a situação sociolinguística. É preciso investigar em quais contextos a língua é utilizada, qual a porcentagem de monolíngues e multilíngues e quais são as outras línguas faladas pela comunidade. A seguir, Payne descreve a tipologia morfológica (dividindo as línguas em isolantes, aglutinantes ou fusionais) e as categorias gramaticais: nomes, verbos, modificadores e advérbios. Em seguida, o livro traz informações sobre a tipologia das orações, ordem de constituintes, substantivos e sintagmas nominais, verbos e sintagmas verbais. Há ainda uma seção dedicada à investigação de estruturas marcadas no nível da pragmática e outra dedicada à língua em uso. Além de detalhar cada um dos assuntos com muitos exemplos, o autor sugere, em todos os capítulos, algumas questões a serem trabalhadas pelo linguista acerca da língua-alvo.
O segundo livro, Linguistic Field Methods, de Vaux, Cooper & Tucker (2006), é um manual para estudantes de linguística descritiva e para o linguista que fará trabalho de campo. O volume apresenta uma introdução acessível ao trabalho de campo e aborda métodos para elicitação e documentação de dados com informantes nativos. A introdução traz informações que podem ser úteis no momento de escolha do informante, como, por exemplo, o fato de que as pessoas não costumam gostar de ouvir ou ver gravações de si mesmas. Em todo momento, os autores citam exemplos de situações reais de contato entre linguistas e informantes. É sugerido que todas as seções de coletas de dados sejam gravadas com aparelhagem apropriada e transcritas em cadernos próprios para este fim. Então é apresentada uma maneira de coletar vocabulário e textos a partir de lista de palavras e elicitação de narrativas pessoais, contos tradicionais e textos inventados pelo próprio pesquisador. A obra mostra como identificar padrões sonoros, estruturas de
palavras e nuances de significado, além de como descrever padrões acústicos e articulatórios, e analisar sentenças. Finalmente, o livro fornece recursos para o estudo da língua em uso, de sua variação e de seu passado. Em todos os capítulos, há uma seção com questões a serem consideradas pelo estudante ou linguista e algumas delas são respondidas no final do livro pelos próprios autores.
Há dezenas de métodos para um bom trabalho de campo e cada um deles deve se adaptar à situação local. Para além das informações de uso prático apresentadas no livro, utilizamos as ferramentas de coleta e análise adquiridas durante a graduação em linguística na USP, nas discussões das reuniões do grupo de estudos crioulos, além das orientações do orientador desta tese.
Durante o mestrado, que deu origem ao doutorado direto, foram realizados dois trabalhos de campo. No primeiro trabalho de campo, com duração de quatro meses, realiɔado em , estudamos a fonologia e a morfossintaxe do lung )e. Em fevereiro de 2010, foi realizado o segundo trabalho de campo, com duração de 40 dias. Nesta segunda etapa, preparamos os textos utilizados no método pedagógico, além de desenvolver sua estrutura. Nesta ocasião, coletamos todos os arquivos de áudio e vídeo de cada lição, que serão disponibilizados online. Após ingressar no doutorado, foi realizado o terceiro trabalho de campo, em abril de 2011. Dessa vez, o objetivo foi completar os textos de cultura e traduzi-los para o lung )e, além de gravá-los em áudio com falantes nativos. Além disso, produzimos os exercícios comunicativos, de interpretação e de produção, além de ampliar o vocabulário do método. O quarto trabalho de campo foi realizado em maio de 2013, com duração de três meses. O principal objetivo foi coletar dados para o dicionário bilíngue lung )e/português, português/lung Ie, sendo importante para aumentar o vocabulário temático de cada lição da gramatica pedagógica. Ao mesmo tempo, durante esses três meses, pudemos revisar e finalizar o método pedagógico e coletar dados para a descrição fonológica do lung )e. Durante esse período, foi possível também interagir com maior fluência em lung )e junto aos falantes nativos. Em 2014, foram realizados dois trabalhos de campo no Príncipe e em São Tomé, em junho e outubro, com duração de um mês cada, em que o principal objetivo foi sanar algumas dúvidas de fonologia.
O método pedagógico foi inspirado livremente no método de Quint (2003) para o kabuverdianu. As 17 lições foram elaboradas focando os itens gramaticais que apareceriam em cada lição. Dessa forma, há mais vocabulário e pontos gramaticais básicos e em maior número nas primeiras lições, e menos vocabulário e pontos gramaticais mais complexos, e em menor número, nas lições mais avançadas. A primeira etapa foi montar os diálogos em português, já com os pontos gramaticais esquematizados para cada lição. Nas duas primeiras semanas do trabalho de campo, foi possível escrever os equivalentes aos
diálogos para o lung )e, com auxílio de falantes nativos. Os textos e músicas foram produzidos pelos próprios falantes de diversas faixas etárias e traduzidos para o português junto a falantes nativos8. Todas as sessões de tradução foram gravadas em
áudio e vídeo. Com os diálogos prontos, foram feitas gravações dos falantes lendo os textos. Cada diálogo foi gravado pelo menos cinco vezes, a fim de garantir arquivos sem problemas de leitura ou pronúncia. Todas as sessões de versões em português dos textos de cada lição, de vocabulário extra e dos textos de cultura também foram gravadas, caso houvesse alguma dúvida no momento de transcrição dos dados.
2.2.1. Informantes
No trabalho de campo realizado em 2009, ainda na Ilha de São Tomé, trabalhamos com o casal Sier Lima, nascido em 1946, e Luzia da Trindade, nascida em 1966. Durante este primeiro momento de reconhecimento da língua, foi possível gravar listas de palavras, histórias e canções tradicionais. Ainda em São Tomé, foi possível conhecer Manuel Salomé, nascido em 1950. Salomé foi o informante com quem mais trabalhamos durante esta viagem. Sua contribuição foi essencial para a constituição dos dados utilizados na Fonologia. Foram feitas algumas gravações com os informantes Salomé e Marcelo Lopes de Andrade interagindo, a fim de observar processos fonológicos sincrônicos. A informante Teresa de Jesus Andrade (Zeta), também nos auxiliou na coleta de dados para a Fonologia e em coletas de sentenças. Zeta é uma grande conhecedora da culinária tradicional e de plantas medicinais. O informante José Napoleão (Mestre Juju), músico e contador de histórias, nos auxiliou de diversas formas, sobretudo narrando vários contos tradicionais e canções em lung )e, de autoria própria. O informante Guilherme dos Ramos Martins (Seu Paz), nos mostrou várias letras de músicas em lung )e da dança tradicional dêxa. Frutuoso dos Santos Luís Fernandes (Tuta), nascido em 1971, o informante mais jovem com quem trabalhamos, nos auxiliou na coleta de dados de fonologia e morfossintaxe. Era músico e escreveu várias canções em lung )e. )nfeliɔmente, Frutuoso faleceu em 2010. Trabalhamos com Severina Gomes Furtado Pernambuco (Dinha), nascida em 1971, e sua mãe Dona Severina, falecida em 2013. Outros informantes que auxiliaram nesta pesquisa durante o primeiro trabalho de campo foram: Ana dos Prazeres, nascida em 1942, Antônia Raposo de Bastos Aurora, nascida em 1950, José Ananias, nascida em 1942, Onória Selina, nascida em 1934, e Pedro Gomes (do Picão).
No trabalho de campo realizado em 2010, trabalhamos basicamente com Frutuoso na elaboração e tradução de todos os diálogos do método pedagógico. Neste segundo
8 Os textos trarão o nome de seu autor.
trabalho de campo, pudemos conhecer o informante Alvarino Barbosa Neto (Xexé), que nos auxiliou em vários momentos, sobretudo com nomes de peixes e plantas. Outros informantes que auxiliaram com os textos de cultura e com dados e fonologia durante a segunda viagem foram Dinha, Juju, Zeta, Salomé e Paz.
No trabalho de campo realizado em 2011, trabalhamos na elaboração e tradução dos textos de cultura e dos exercícios com os informantes Dinha, Xexé, Salomé e Dona Severina.
Nos trabalhos de campo realizados em 2013 e 2014, vários informantes nos ajudaram novamente na constituição do corpus do dicionário, revisão da fonologia e do método pedagógico: Xexé, Zeta, Dinha e Pedro. Durante este período, pudemos também trabalhar com alguns informantes pela primeira vez: Oscar Lavres, Salvador Manuel das Neves, Nicolau Lavres, Maria dos Santos Rosa Montes (Avelina), Professora Linda e Manuel Salomé. Durante este período, foi possível participar do programa da Rádio Regional na companhia de Juju, Oscar e Dinha.