3. KUYUMCU İŞLETMELERDE STOK HESAPLARININ DENETİMİ
3.1. Kuyumcu İşletmelerde Stok Hesaplarının Denetiminde Önceden
3.1.1. Vergi Yasaları
3.1.1.2. Katma Değer Vergisi Kanunu’na Göre Kuyumcu İşletmelerin
Nesta seção, abordaremos os trabalhos prévios sobre o lung )e. Há, relativamente, poucos estudos sobre as línguas crioulas de São Tomé e Príncipe e a literatura que trata do lung )e resume-se a uma dezena de trabalhos. Como mencionado no capítulo 1, há duas gramáticas da língua: Günther (1973) e Maurer (2009), que constituem os trabalhos mais extensos sobre o lung )e. Além desses, há alguns outros trabalhos em que a língua é descrita ou citada (Ribeiro 1888; Schuchardt 1889; Ferraz 1975, 1976, 1979; Ferraz & Traill 1981; Hagemeijer 2009, 2009b; Rougé 2004; Maurer 1997; Mané 2007; Araujo & Agostinho 2010; Agostinho et al. 2012, Agostinho 2012; Araujo & Agostinho 2014).
A primeira descrição do lung )e foi feita em 1888 por Manuel Ferreira Ribeiro e serviu de base para a publicação de Schuchardt em 1889 (Maurer 2009). Um segundo trabalho, publicado em por Valkhoff, traɔia alguns dados de lung )e, mas o seu foco principal era o santome. Em 1973, Günther publicou a primeira gramática com uma descrição científica da língua, Das portugiesische Kreolisch der Jlha do Príncipe , trabalho que será abordado adiante.
Luis )vens Ferraɔ publicou em um artigo sobre a influência africana no lung )e; em 1976, publicou um artigo sobre a origem das línguas do Golfo da Guiné. Em 1981, juntamente com Anthony Traill, Ferraz publicou um trabalho sobre a interpretação dos tons em lung )e, que será retomado no capítulo 3.3. Seu livro The Creole of São Tomé, de , traɔ alguns dados do lung )e, mas é dedicado majoritariamente ao santome. O trabalho de Rougé (2004) é um dicionário etimológico que contém cerca de 700 palavras do principense, embora muitos de seus étimos estejam incorretos.
Maurer trata do sistema de tempo, modo e aspecto do lung Ie. Em 2009, Maurer publicou uma gramática do lung )e, Principense: Gramar, Texts, and Vocabular of
the Afro-Portuguese Creole of the Island of Príncipe, Gulf of Guinea , que será retomado a seguir. O trabalho de Maurer (2009) é, possivelmente, o único trabalho ao qual a população do Príncipe teve acesso. Na ocasião de sua publicação, houve uma palestra do autor na sede do Governo Regional e há alguns exemplares disponíveis para consulta no Centro Cultural do Príncipe, embora o livro seja em inglês.
Em 200 , Djibɓ Mané defendeu a tese de doutorado intitulada Os crioulos portugueses do Golfo da Guiné: quatro línguas diferentes ou dialetos da mesma língua? . Contudo, além dos trabalhos prévios, o autor utilizou informantes residentes no Brasil para sua análise e, como esta língua é falada por poucas pessoas e seus falantes têm normalmente mais de 60 anos, é possível que aqueles informantes não fosses competentes na língua, já que é possível encontrar muitos étimos incorretos em sua tese.
A seguir, retomaremos os trabalhos de Günther (1973) e Maurer (2009) por serem os mais completos sobre o lung )e. O trabalho de Ferraz & Traill (1981) será discutido na seção 3.3.
A gramática de Wilfried Günther (1973) é a primeira gramática científica da língua lung )e. Günther não faz menção ao ano de coleta do material, mas supomos que tenha se dado entre o final dos anos 60 e começo dos 70. A partir do trabalho de campo, pudemos comparar itens lexicais e orações descritas por Günther com os dados que recolhemos, verificando possíveis alterações e palavras que caíram em desuso, bem como palavras recentemente introduzidas. A gramática de Günther é dividida em três seções: gramática,
crestomatia (coleção de passagens literárias usadas especialmente para auxiliar na
aprendizagem de uma língua estrangeira) e glossário. Além disso, há uma introdução na qual o autor faz uma breve descrição histórica e sociolinguística das ilhas do Golfo da Guiné (São Tomé e Príncipe e Ano Bom), comentando também sobre a língua santome, o fa d Ambô e o angolar, bem como definindo o termo crioulo e descrevendo sua interpretação sobre a estrutura das línguas crioulas, de modo geral. O autor também menciona a teoria do substrato (defendendo-a, implicitamente) e sugerindo que os escravos mantiveram sua língua tanto quanto possível e que os crioulos refletem a estrutura básica destas línguas. Por fim, tece considerações sobre o substrato do lung )e, identificando a língua Bini como sendo parte importante desta herança.
Na seção denominada gramática, Günther apresenta a fonologia, a morfologia e a sintaxe do lung )e. Na seção sobre a fonologia, descreve a realiɔação das vogais orais, vogais nasais, semivogais, a formação de ditongos, hiatos e a sílaba. Aborda também a realização das consoantes (oclusivas, líquidas, fricativas e africadas). Segundo o autor, há sete vogais orais, /i, u, ɛ, e, , o, a/, e cinco nasais, /ĩ, ũ, ẽ, õ, ã/, sendo que [ẽ] e [õ] estão em variação com [ɛ̃] e [ ̃], respectivamente. No que diz respeito ao quadro consonantal há, segundo ele, 23 consoantes: /p, b, m, w, f, v, t, d, n, l, s, z, r, c, , , , , k, g, y, , gb/. A consoante /c/ é uma africada alveolar, realizada como [t]; /r/ é uma vibrante múltipla; /gb/ é uma consoante oclusiva velo-labial. Os tipos silábicos possíveis são: V, CV e CVC, (onde V é vogal e C, consoante).
Por fim, o autor menciona algumas características prosódicas. Segundo Günther, o lung )e é uma língua tonal com três tons: alto ´ , baixo não marcado e crescente (^) e não há oposição entre o tom baixo e o tom crescente. Alguns exemplos da oposição tonal, coletados por Günther:
LUNG)E PORTUGUÊS LUNG)E PORTUGUÊS
kába cabra kabá acabar
kɛba rir kɛbá quebrar
swá história suâ suar
pwɛ pai kwê parir
Quadro I: Oposições tonais como descritas por Günther (1973).
Günther defende que o tom provém da língua de substrato Bini. Alguns exemplos oferecidos pelo autor:
LUNG)E PORTUGUÊS BINI PORTUGUÊS
byê coɔinhar biê ser bem coɔido
ɲɛ empurrar niɛ empurrar
Quadro II: Palavras com substrato Bini, como descritas por Günther (1973).
No entanto, defender uma posição superestratista ou substratista sem conhecer a fundo os elementos formativos do crioulo, ou seja, as várias línguas do substrato, inclusive as línguas formadoras que enfrentaram a extinção, sem deixar vestígios, é uma tarefa muito complexa. Retomaremos a análise prosódica de Günther no capítulo 3.3.
O autor também descreve a morfossintaxe, baseando-se na divisão gramatical clássica das descrições das línguas da Europa Ocidental. Assim, as categorias de palavras abordadas são, de um lado, o substantivo (e suas flexões), o adjetivo, o advérbio, o numeral, os artigos, os pronomes e, de outro lado, o verbo (e suas conjugações). Na parte dedicada à estrutura da sentença, Günther menciona os tipos e funções dos sintagmas e a tipologia da sentença.
Na crestomatia, o autor traɔ uma coleção de textos em lung )e. Entre os textos há histórias, ditados populares e canções, com sua respectiva tradução em alemão.
O glossário contém cerca de 800 palavras, apresentadas de forma bilíngue lung )e/alemão), com observações em português, sobretudo etimológicas e, às vezes, com o equivalente em inglês. O autor utiliza um sistema de transcrição misto, com elementos do Alfabeto Fonético Internacional (IPA) e do Alfabeto Fonético Americanista.
Maurer (2009) apresenta uma introdução com informações sobre a história, a situação linguística e a variação do lung )e capítulo . (á, em seguida, descrições da fonologia (capítulo 2) e da morfossintaxe (capítulo 3) da língua. O capítulo sobre a morfossintaxe é consideravelmente mais detalhado do que o da fonologia. O autor também descreve alguns aspectos variados capítulo e apresenta uma coletânea com os textos
que utilizou em suas análises (capítulo 5). Finalmente, há uma lista de palavras principense-português (capítulo 6) e português-principense (capítulo 7).
No capítulo sobre a fonologia, Maurer apresenta os fonemas da língua. Para o autor, o lung )e tem sete vogais orais, /i, u, ɛ, e, , o, a/, e sete nasais, /ĩ, ũ, ɛ̃, ẽ, ̃ õ, ã/, que podem ser realizadas como nasais em todos os contextos ou como vogal oral mais consoante nasal homorgânica. Para Maurer (2009: 8), as vogais nasais são fonemas da língua. O autor também descreve as nasais sila bicas /n̩/ e /m̩/, que aparecem apenas em ini cio de palavra. O autor apresenta o quadro consonantal do principense com 22 consoantes: [p, , m, f, v, kp, gb, t, ɗ, n, r, s, z, l, , , tʃ, , , k, g, ]. Maurer (2009: 9) não identifica se o quadro é constituído de fonemas ou fones, mas podemos inferir que seja um quadro fonético, já que ele informa que n9 e estão em distribuição complementar. O autor também diz que
consoantes pré-nasalizadas são marginais, mas não as coloca no quadro de fones. Maurer (2009: 10) oferece pares mínimos para as consoantes com estatuto fonológico. No entanto, os pares mínimos referentes às consoantes palatalizadas [ʃ, ʒ, tʃ], sempre as trazem diante de [i], ou seja, é difícil estabelecer se a palatalização é fonética ou fonêmica, a partir dos exemplos do autor. Maurer (2009: 12) não discute a posição dos glides na sílaba, mas, como os considera formadores de ditongos, é possível inferir que o autor os considera semivogais. Segundo Maurer (2009: 12-13), as sílabas mais comuns são V e CV e suas combinações, e as palavras em lung )e podem ter até cinco sílabas, mas palavras com mais de três sílabas são raras.
Maurer (2009: 10-12; 13-14) descreve brevemente alguns processos fonológicos como palatalização e despalatização à luz da diacronia e o processo de sândi vocálico sincrônico, que pode ser o gatilho para palatalização e despalatização sincrônicas.
Maurer rejeita a hipótese sobre a tonicidade do lung )e apresentada em G“nther (1973), bem como a de Ferraz & Traill (1981). Sendo assim, o autor apresenta uma visão diferente acerca dos tons e do acento em lung )e, que será retomada no capítulo 3.3. O autor tece considerações muito breves sobre o acento, e afirma que é preciso mais estudos para observar a interação entre tom e acento.
O capítulo sobre fonologia de Maurer traz muitas considerações pertinentes a esta tese, porém, em alguns momentos, é difícil separar o sincrônico do diacrônico, bem como o estatuto fonêmico do fonético, em muitas das suas análises. Além disso, o autor não demonstra como chegou a uma análise em certos pontos de seu texto. Discutiremos mais sobre sua análise fonológica no Capítulo 3.
9 Maurer não utiliza // ou [ ] quando escreve sobre fonemas ou fones em seu texto, portando fica difícil saber seu estatuto.
O capítulo sobre morfossintaxe traz várias questões pertinentes. O autor descreve o sintagma nominal, o sintagma verbal, sentenças simples e complexas e partículas de final de sentença. Em 1997, Maurer havia descrito o sistema de tempo, modo e aspecto do lung )e e retoma seus argumentos para definir a tipologia dos verbos.
Maurer (2009) utiliza o termo independentes para a classificação de alguns pronomes, termo que não aponta para uma análise ou descrição linguística. Além disso, podemos identificar duas categorias distintas para eles: deslocados e argumento (dativo). Estes pronomes podem ser pronomes livres em função de interface sintática-discursiva, sendo nestes casos topicalizados, muito similar à expressão de tópico com pronome resumptivo, que aparece em várias línguas do mundo. Estes pronomes também são usados como pronomes isolados e em construções clivadas. A seguir podemos observar exemplos de usos desses pronomes topicalizados (1)-(2), isolados (3)-(4) e clivados (5):
(1)
[ami, nsa sama tʃi]. 1PS.DES 1PS.SUJ.PRO chamar 2PS.OBJEu estou te chamando .
(2)
[eli, e sa sama nɔ].2PS.DES 3PS.SUJ PRO chamar 1PP.OBJ Ele está nos chamando .
(3)
[ami]? 3PS.DESEu?
(4)
[atʃi ki ami]. 2PS.DES CONJ.e 1PP.DESEu e você .
(5)
[eli ki sama nɔ].2PS.DES REL chamar 1PP.OBJ Foi ele que nos chamou.
Esses pronomes chamados de independentes por Maurer também podem ter função dativa no argumento interno do verbo preposicionado, como podemos observar nas sentenças a seguir:
(6)
[ŋka po feze ṽtʃi mili dɔba datxi]. 1PS.SUJ.N-PASS poder fazer vinte mil dobra10PREP.para.2PS.DAT
Eu posso faɔer por vinte mil dobras para você .
(7)
[n
sa
kɛ
ʃjowo
fa].1PS.SUJ.PRO ir.FUT PREP.sem.2PP.DAT NEG Eu não irei sem vocês .
Dessa forma, o sistema pronominal descrito no método pedagógico11, e reproduzido
no quadro a seguir, difere do descrito por Maurer (2009: 56):
ARGUMENTO NÃO ARGUMENTO DESLOCADOS
SUJEITO OBJETO DIRETO OBJETO INDIRETO ADJUNTO DO NOME - POSSESSIVOS 1PS n mi ami me ami
2PS txi txi atxi tê atxi
3PS ê li êli sê êli
1PP no no no no no
2PP owo owo owo owo owo
3PP ine ine ine ine ine
Indefinido a a a a a
Quadro III: Sistema pronominal do lung )e.
Nossa descrição de tempo-modo-apecto é baseada na de Maurer, mas difere quanto à classificação de tempo presente. Enquanto o autor utiliza a noção de tempo presente tanto para os verbos de estado como para os verbos de ação, decidimos aqui utilizar a noção de [- passado] para os verbos estativos e experienciais [+ estativos/epistêmicos], já que estes verbos não condizem com a categoria tempo presente. A seguir, temos os quadros de TMA dos verbos estativos/experienciais modificados de Maurer (2009) utilizados no método pedagógico:
10 Moeda de São Tomé e Príncipe
ZERO-ESTATIVO AFIRMATIVO NEGATIVO
NÃO-PASSADO - -
PASSADO tava tava
FUTURO ka sa
Quadro IV: Verbos zero-estativos.
KA-ESTATIVO AFIRMATIVO NEGATIVO
NÃO-PASSADO ka sa
NÃO-PASSADO PROGRESSIVO sa sa
PASSADO PERFECTIVO - -
PASSADO IMPERFECTIVO tava ka tava sa
Quadro V: Verbos ka-estativos.
Já para os verbos de ação, a noção de presente momento da ação coincidindo com momento de fala) é dada através do aspecto progressivo. A seguir temos o quadro de TMA dos verbos de ação modificado de Maurer (2009) utilizado no método pedagógico:
Quadro VI: Verbos de ação.
Não é o objetivo desta tese fazer uma revisão completa dos sistema de tempo-modo- aspecto descrtito por Maurer (2009). No entanto, cabe ressaltar que mais estudo será
AÇÃO/ATIVIDADE AFIRMATIVO NEGATIVO
PROGRESSIVO sa sa
HABITUAL ka sa
FUTURO ka sa
PASSADO PERFECTIVO - -
PASSADO PROGRESSIVO tava sa tava sa PASSADO HABITUAL tava ka tava sa
necessário para que se compreenda por completo este sistema e suas categorias12. Alguns
estudos apontam que o tempo presente não é atestado em línguas crioulas ou que não há categorias de tempo nestas línguas, apenas aspecto e modo (cf. Villanueva 2008, Binnick 1991). Dessa maneira, o uso do [- presente] não se comprometerá em definir as marcas de tempo-modo-aspecto de uma ou outra maneira.
O capítulo sobre traços variados descreve interjeições, onomatopeias, reduplicação e ideofones da língua. Não concordamos com Maurer em relação à reduplicação de alguns substantivos, pois a reduplicação só é verdadeira se a forma simples da palavra existir. Dessa forma, palavras como [bezubezʊ] bochecha , [bwebwe] larvas de peixe e [ɲaɲa] gato selvagem não são consideradas como formas reduplicadas em nossa análise, já que não existem as palavras [bezʊ], [bwe] e [ɲa]. Sendo assim, palavras como estas não serão grafadas com hífen no método pedagógico. Além disso, algumas palavras descritas por Maurer (2009) como ideofones, como por exemplo [ʃtrĩkɪ] ~ [ʃtĩːkɪ] nos trinques , foram descritas em nossa fonologia e no método pedagógico como nomes ou advérbios13.
Após os capítulos de análise linguística, Maurer (2009) apresenta uma coleção de dez textos, com glosa e tradução. Por fim, há um glossário lung )e/inglês e inglês/lung )e. O livro também reproduz o manuscrito de Ribeiro (1888), com tradução para o inglês e notação das palavras em lung )e moderno.
12 O fato de que o que Maurer chama de presente habitual poder ser formado exatamente da mesma maneira que o passado habitual e que o futuro, tal como o presente progressivo pode ser formado exatamente da mesma maneira que o passado progressivo e o futuro progressivo mostra que o sistema de tempo-modo-aspecto desta língua precisa ser revisto e re-analisado. Abaixo temos um verbo de ação com a partícula ka que pode significar o aspecto habitual e o tempo futuro, sendo, em ambos os casos, não-passado:
(1) N ka bêbê 1PS.SUJ beber
Eu bebo . habitual Eu vou beber . futuro