3.1. KUR’AN YOLU TEFSİRİNDE MÜŞKİLÜ’L-KUR’ÂN
3.1.5. Vasiyet ve Miras ile İlgili Müşkiller
de Leonardo da Vinci, Raphael e Michelangelo que, segundo ele, só foram possíveis para aquela época porque foram feitas sob a influência de drogas. “E naquele tempo eram dro- gas mesmo, vindas do Oriente, da papoula, não era essa porcariada que tem hoje em dia”, lamenta. Verdi começou a usar entorpecentes quando tinha 18 anos. Foram os Beatles que o introduziram ao mundo das drogas. A música “Happiness is a warm gun”, do Álbum Branco, composta na fase em que o John Lennon estava tomando heroína, foi o pontapé para atiçar sua curiosidade e fazê-lo se permitir experimentar de tudo. Inclusive crack.
- Eu tava dobrando a esquina e o crack entrou na minha vida e não sai mais, é terrível. Se eu tivesse dinheiro seria todo dia e eu já estaria morto, porque é uma droga fortíssima. Ah, é maravilhoso, é uma sensação esplendorosa... É terrível, eu não desejo para o meu pior inimigo... É uma delícia, PUTA MERDA!
Verdi foi operado no mesmo dia em que chegou ao hospital, ganhou de presente uma cicatriz enorme em sua careca e a notícia de que não voltaria mais do coma, que era daí pra pior. Ele ficou dois anos vegetando em “outra dimensão”, mas, em 1991, levantou-se. Na verdade, ele queria se levantar, mas não o deixaram. O hospital perdeu todos os seus arquivos e Verdi, até hoje, não conseguiu receber sua aposentadoria por incapacidade, in- validez, ou qualquer ajuda do governo.
- É um país filha da puta, ou não é?
Verdi Tavares de Lima, 64 anos, mora de favor em um apartamento alugado de sua irmã, na Aclimação, mas passa a maior parte de seu tempo flanando na Augusta. Seu es- pírito vagabundo e curioso interpelou várias vezes a nossa conversa, quando me apontava o moço de andar delicado que “parecia estar flutuando”, o cara que “se assemelhava a um corredor africano”, a mulher de calças elegantes, o casal de lésbicas: “Olha lá como elas de- ram um chute no casamento”, os laços fraternos de uma mãe abraçada a seu filho, a menina escandalosa de saia rasgada, o menino com o livro gigante, os policiais que deveriam “ir na câmara dos vereadores e botar tudo em cana”, a travesti: “Dá uma olhada, olha como ele anda, OLHA! Parece uma mulher, mas não é”, e os moradores de rua procurando comida em latas de lixo: “Você viu como eles estão para todos os lados?”.
De vez em quando, ele também gosta de flanar no cemitério da Consolação, região na qual já morou e local onde sua mãe está enterrada. No meio da beleza mórbida dos magníficos túmulos e esculturas, Verdi vai lá, fuma um baseadinho, senta-se ao lado da sepultura de sua mãe e fica lhe fazendo companhia, pensando na vida e imaginando que, se ele tivesse sua aposentadoria, estaria em Buenos Aires com seus netos e sua ex-mulher. Porque Verdi, um dia, já foi casado: “O que você chama que é casamento? Ir na igreja, assinar papel e tal? Moramos juntos e era tudo legal, uma maravilha”.
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achou que Verdi era o dono da boca, e foi pra cima dele. Eles cheiraram e transaram o dia inteiro. Ela gostou da brincadeira e resolveu acompanhar Verdi, os dois foram ao Paraguai, compraram 30kg de maconha de primeira, e passaram muitos apuros para andar com todo esse volume de droga. Quando chegaram a Asunción, se livraram dos 3kg que restavam, e foram para Buenos Aires se divertir com a abundância das anfetaminas vendidas em farmácia. “Um luxo!”.
De Buenos Aires partiram para o Piauí. Numa manhã clara, como só as manhãs de sá- bado são, Verdi panfletava pelas ruas de Teresina, quando foi preso e torturado pelo DOI- -Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna). Naquela época a repressão no Brasil estava implacável: Codis, Dops, Operação Bandeirantes e toda a coerção de Geisel. Ele perdeu vários amigos para a ditadura: “Éra- mos levados de ponta cabeça, te matavam, te pintavam, te bordavam, eles tinham imuni- dade em tudo”. Conseguiu se refugiar no Chile, onde trabalhou na campanha política de Salvador Allende Gossens, presidente que mais tarde seria deposto por Augusto Pinochet.
Entre idas e vindas para Peru e Equador, Florencia ficou grávida de seu primeiro filho, o Água, nascido no dia 3 de setembro de 1971:
- Me lembro como se fosse hoje, estava uma tarde maravilhosa quando minha mulher pariu, quisera eu ter visto, mas não vi o parto de nenhum dos meus filhos... Não vi porque vivia em Marte, sei lá! Por desrespeito à mulher, porque o homem tem que acompanhar, ele acompanha tudo porque na hora de parir não está presente? Dá uma mijada na mulher, sente orgasmo e vai embora?
Com Água ainda recém-nascido, eles atravessaram e descobriram o esplendor da Flo- resta Amazônica na volta para o Brasil. O ponto de chegada foi um posto de gasolina, em Belém do Pará, de onde percorreram os 3 mil kilômetros restantes, de carona, até São Paulo. Chegaram à terra da garoa sem um puto no bolso, e foram pedir abrigo aos pais de Verdi. Mas, a estadia não durou muito tempo, sua mãe, infelizmente, sofria de um mal terrível que é o ciúme, “A Bíblia fala que é a infecção dos ossos, de tão grave que é”. Ela não suportou a ideia da nora dividir o mesmo teto que seu marido, e, para não causar constrangimento, eles saíram de lá e foram para Ubatuba.
No Litoral Norte, Verdi montou uma empresa de raspadinha com um amigo, que mais tarde seria morto pela polícia. Eles subsistiam vendendo raspadinha nas várias das 76 praias de Ubatuba. Na época, em 1973, sua mulher engravidou de novo, dessa vez uma menina. Como Verdi era hare krishna, ele nomeou sua filha de Maria Ramanhã, uma homenagem à deusa Rama e à sua mãe, Maria: “Maria da manhã”. Três anos depois, já na Argentina, Florencia daria luz à sua caçula: Dulce Virgínia. Dessa vez, Verdi a homena- geou com a canção “Sweet Virginia”, do álbum “Exile on main street” dos Rolling Stones. “Vindo dos Stones, tudo é bom!”.
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