• Sonuç bulunamadı

Kur’ân-ı Kerîm’de Müşkil Âyetlerin Bulunmasının Nedenleri

va o paletó na direção da luz para ver melhor as linhas e desmanchá-las mais facilmente, e refletia que talvez seja tão rigoroso assim no seu trabalho devido à disciplina difícil na qual foi criado. A labuta teve início cedo em sua vida: aos 11 anos ele foi encaminhado para o aprendizado da profissão com um amigo de seu pai. Começou realizando as funções de acabamento, como chulear, fazer casas e pregar botões. “Até você fazer uma peça inteira demora um ano, antes disso precisa aprender a fazer todas as miudezas”, revela. Questionei se Antônio tinha o desejo de ser alfaiate desde pequeno. Com o sotaque forte que denun- ciava sua descendência portuguesa, respondeu:

- Lá na nossa terra é o seguinte: ou você nasce rico, ou você é agricultor, ou você tem uma profissão. Eu não tinha muitas alternativas, então ter uma profissão é muito melhor do que ser agricultor, e, como o meu pai era alfaiate, isso acabou facilitando as coisas.

Aos 12 anos Antônio imigrou da Europa para o Brasil. Agora diz não sentir saudades de Portugal. Entretanto, nos primeiros anos em que se mudou para as terras brasileiras, reclamava todos os dias e culpava sua mãe por tê-lo tirado de Portugal. Sabiamente, a por- tuguesa respondia com calma: “Um dia tu ainda verás porque eu te trouxe!”. “Quando se tem 12 anos é difícil para um garoto compreender o porquê de abandonar sua terra, deixar para trás os seus colegas e familiares e largar tudo para começar a trabalhar cedo”, reflete. Ainda menino, trabalhava das oito à meia noite e, como na época morava na Rua Treze de Maio, região cheia de imigrantes, não era raro para Antônio ouvir os outros chamarem-no de burro. “Xingavam-me de burro por dois motivos: primeiro porque eu estava trabalhan- do e segundo porque eu era português”, diz sorrindo.

O pai de Antônio era bastante rígido, nunca foi capaz de proferir um único elogio ao filho. Quando ele era mais jovem, sentavam-se juntos aos domingos para assistir televisão. Sempre que os olhos críticos do pai avistavam algum terno mal feito, ele perguntava ao filho: “Foi tu que fizeste aquele terno? Porque parece com os teus”. Um dos constantes criticados pelo pai era inclusive o apresentador Raul Gil que, segundo ele, sempre se vestia mal! O alfaiate agora entende que as provocações só tinham como objetivo trazer o seu melhor. “Você é o filho dele, tem o mesmo gene, então você não vai aceitar essas críticas e vai lutar para não cometer esses erros!”, Antônio medita.

Foi em fevereiro de 1966, aos 22 anos, que Antônio instalou seu ateliê na Galeria Ouro Fino e de lá nunca mais saiu. Os shoppings ainda não existiam, e a Augusta era o local que as pessoas frequentavam para comprar em boutiques e acompanhar as novas tendências. O jovem alfaiate, que até então só sabia fazer camisas e calças, passou a trabalhar para a luxuosa classe A do país. Os anos foram passando e, no início da década de 70, já com mais experiência, a principal clientela de Antônio era formada por judeus, que sempre enco- mendavam ternos novos para a virada do ano. Mais tarde, artistas como Jorge Ben, Gilber-

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que buscar a imaginação no inferno. Aí você acorda de madrugada com a solução, porque durante o dia e no trabalho parece que você não consegue pensar. Você nunca acaba de aprender.

A dedicação de Antônio em seu trabalho é movida pelo prazer. Orgulhoso, recorda de uma vez em que um de seus clientes importantes estava nos EUA em uma reunião de negócios, e um norte-americano gostou tanto do terno que ele usava que pediu para tirar uma fotografia da roupa. Quando o cliente retornou ao Brasil, foi direto ao ateliê de Antônio lhe dar uma bronca. Motivo da reclamação: antes as pessoas pediram para tirar fotos suas, agora só estavam interessados em fotografar seu terno. Esse foi um dos grandes elogios que Antônio relembra. E para ele não existe melhor propaganda que a do boca- -a-boca.

Durante a época áurea da Galeria Ouro Fino, Antônio relembra que dez alfaiates chegaram a ter seus ateliês instalados lá. Hoje só sobrou o ateliê do Antônio e de mais um colega de profissão. A maioria dos alfaiates que trabalhavam na Galeria não se previniu e não comprou o imóvel próprio. Com o aumento do preço dos imóveis, quem não tinha espaço próprio não teve dinheiro suficiente nem para pagar o aluguel da sala. Antônio acompanhou essas mudanças da porta de seu ateliê, e explica que, quando os primei- ros proprietários dos imóveis morreram, seus filhos e netos aumentaram absurdamente o aluguel: “Se eles puderem cobrar 20 mil de aluguel por uma salinha da Oscar Freire, vão cobrar”. Desde o início dos anos 90 até hoje, a extrema valorização dos imóveis vem contribuindo para que muitos lugares na Augusta tornem-se estacionamentos, já que é um negócio em que o dinheiro que entra fácil.

Antônio é o comerciante mais antigo da Galeria. Nunca faltou em um único dia no trabalho e há 44 anos trabalha com um vinil de ópera na vitrola, resistindo bravamente ao rock’n’roll e sons alternativos dos seus vizinhos do terceiro andar. A Galeria Ouro Fino sempre foi e continua sendo um local jovem, mas Antônio não se sente nem um pouco deslocado: “Não sou eu que estou no meio da juventude, a juventude é que está à minha volta”, diz o alfaiate, que sempre gostou e achou mais fácil trabalhar com jovens. Ao refle- tir sobre o caráter “contestador” da juventude, Antônio acredita que os jovens não são tão transgressores assim, já que buscam sempre suas referências no passado:

- A cada 15 anos há o surgimento de uma nova geração que sempre apresenta mudan- ças, mas na realidade essa nova geração bate sempre com a passada. O jovem não muda tanto assim. Os ternos de 1930, por exemplo, são todos ajustadinhos como as roupas que estão usando agora, todas amarradas.

Da janela do ateliê, a Avenida Paulista encontra-se distante, nem é possível ser avis- tada. Mas as diferenças dos dois mundos traçados por ela ao cortar a Augusta vão cada vez mais se acentuando à medida que nos distanciamos do Centro e nos aproximamos

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