3.1. KUR’AN YOLU TEFSİRİNDE MÜŞKİLÜ’L-KUR’ÂN
3.1.8. Kıssalarla İlgili Müşkiller
da Companhia insistir em querer uma geladeira de verdade, funcionando, com gelo e tudo, no meio do palco. Os dois parecem ser bem familiarizados com a vida noturna da região. No quarteirão em frente à Praça há uma vasta opção de bares peculiares e aconchegantes, como o PPP, “Papo, Pinga e Petisco”, palco do primeiro show de Elis Regina em São Paulo, e o Parlapatões, conhecido por sua fama de “não fechar nunca” e ficar aberto até o último cliente ir embora.
- Eu passo muito tempo aqui, não faz bem! Tem muito artista, e esse povo é tudo doido! – exclama Dan.
- Olha, só não tiro os sapatos, mas já me sinto em casa! O difícil mesmo é sair daqui da Praça Roosevelt – retruca Elder.
- A gente se programa para sair, ir para algum lugar diferente, mas acaba passando aqui e vai ficando... – concorda Dan, enquanto acende um cigarro.
À medida que a noite cai, aumenta a música, a conversação e o número de cadeiras de plástico que saem bares à fora e dominam as calçadas. Atores, músicos, trabalhadores, travestis, boêmios, intelectuais e artistas de teatro param para beber e conversar a conversa que seria, várias vezes, interrompida pelo (mesmo) mendigo insistente que não desistia de tentar conseguir alguns trocados.
Meu entrevistado chega e trocamos de boteco, vamos para o bar intimista e a luz de velas do próprio Espaço Satyros I. Entre um café e um croquete, Ivam se confessa um urbano apaixonado pelo burburinho dessa mistura de gente, raças e cores do centro de São Paulo. Há quatro anos na Augusta, e 10 no Centro, seu prédio é o primeiro da rua, o número 66. Do alto do quinto andar, Ivam estima, quem diria, a humanidade presente no centro urbano. Ele aprecia sair de manhã para comprar jornal e, no caminho até a banca, ir cumprimentando o cara do açougue, da padaria, do bar... E mais que isso, cumprimentá- -los por seus nomes, até mesmo os moradores de rua, ele sabe com se chamam.
Foi nesse cenário que Os Satyros, fundado em 1989, escolheram para erguer sua sede. Mas, antes de fixar-se nos terrenos do Baixo Augusta, em 1992 a Companhia partiu para um longo período na Europa. Na época, o Brasil, comandado por Fernando Collor de Melo, ainda tinha em sua memória recente lembranças da ditadura, havia uma incerteza em todos os sentidos políticos e econômicos, e não havia nenhum espaço para cultura, nenhuma lei de incentivo ou política cultural. Então, os artistas eram quase marginais, e quem trabalhava com artes: ou ia para a Globo, ou não era ninguém.
Convidados para representar o Brasil em alguns festivais europeus, eles aproveitaram o mo- mento nacional nada favorável, e sonharam a possibilidade de ter uma sede fora do país. O tipo de atitude que você só toma quando se tem vinte e poucos anos. Apesar de terem conquistaram muitas coisas no velho continente, não estava nos planos d’Os Satyros ficar pra sempre por lá.
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Sampa, e por sempre apostar no processo de renovação que, naturalmente, transformaria o lugar.
- Foram quatro anos de brigas e lutas para conquistar o espaço, mas nunca tivemos dúvidas de que essa região se transformaria em um local iluminado e bacana, porque é um processo normal – explica Ivam, e saca o celular do bolso para me mostrar sua nova obsessão: fotografar palácios deteriorados, que ele tem certeza que serão restaurados, por serem patrimônios históricos e arquitetônicos importantes.
Foi assim com Soho, bairro do centro de Manhattan, um lugar abandonado que passou a ser o refúgio dos artistas de Nova York nos anos 70, e hoje é uma das regiões mais ele- gantes do mundo. A partir de um processo artístico a região de Soho transformou-se no que é hoje, e o mesmo tende a se repetir no centro paulistano. Todo o processo de revitali- zação do Baixo Augusta se iniciou em volta dos movimentos artísticos da Praça Roosevelt, e foi tomando as ruas. A ressignificação do espaço degradado e decadente, através da arte. Participando ativamente dessa “revitalização”, os Satyros foram a primeira Companhia de Teatro a apostar (desafiar) no Baixo Augusta. Desde o primeiro ano, já tiveram uma boa acolhida da crítica e um olhar diferenciado, mas, só em 2003 começaram a atrair bastante público à Praça, e isso se consolidou em 2005. Com a montagem da peça “Vida na Praça Roosevelt”, a Companhia ganhou público e prêmios. A cidade passou a percebê-los, e o teatro a assumi-los.
- Depois disso passamos a não ter mais problemas com o tráfico – conta Ivam, re- lembrando da época em que tinha que negociar com os traficantes o horário de fechar o Espaço: em final de semana eles podiam ficar até mais tarde, em meio de semana não.
A partir daí, os participantes do movimento teatral da Praça passam a ser vistos pelos moradores como os embaixadores dessa “revitalização”, e o poder público começa a prestar atenção na região, e a cogitar uma reforma. A ideia era tornar o local um espaço aberto, que fizesse a ligação entre a região da Roosevelt com a Augusta.
- Foi um processo muito bacana e democrático do poder público com o que estava acontecendo aqui. Demorou pra caramba, ainda não terminaram, mas eu acho que é uma vitória desse movimento que começou lá atrás, e a gente não vê a hora de tirar esses ta- pumes e termos uma praça horizontal – vibra, e comenta que a previsão é de a Praça ficar pronta até março de 2012.
Não existiria palco melhor que o Baixo Augusta para Os Satyros montarem seus es- petáculos. A região tem tudo a ver com os artistas, todo processo de teatro de grupo e da construção da história do teatro de São Paulo passou por aqui. A Augusta sempre teve esse lado efervescente e irreverente, gerações e todos os grandes movimentos, como a Bossa Nova paulistana e a Jovem Guarda, cruzaram a rua que passou a transpirar o “inconsciente coletivo” da arte. “É uma rua que vive absolutamente na contramão de qualquer coisa,
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