EGEMENLİĞİN VE EGEMENLİK SÖYLEMİNİN DÖNÜŞÜMÜ
3.1. EGEMENLİĞİ DÖNÜŞÜME ZORLAYAN DİNAMİKLER
3.1.5. Uluslararası, Ulusüstü Aktörler ve Ulus Devlet Egemenliğ
3.1.5.3 Çok uluslu Şirketler
Apesar da diversidade de assuntos que servem de objeto à cooperação jurídica internacional, os ligados à seara penal sempre se mantiveram presentes, tendo em vista que, com vistas a primar pela manutenção de uma sociedade justa e fraterna, a ausência de autoridade superior entre os Estados fez nascer a necessidade de colaboração e, principalmente, de limitação de seus próprios poderes, bem como dos poderes pertencentes aos indivíduos que os compõe.
Ainda no que diz respeito à definição do objeto da cooperação jurídica internacional em matéria penal, Marco Bruno Miranda Clementino aduz que o mesmo consiste na
91 BAPTISTA, Bárbara Gomes Lupetti. Breves considerações sobre o anteprojeto de lei de Cooperação Jurídica
Internacional. Revista da AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil. Brasília, ano 23, n. 84, abr./jun. 2006, p. 66.
assistência prestada por um Estado a outro, por solicitação deste, em razão de um processo penal, ainda que este não tenha sido deflagrado (hipótese de medidas mais restritivas, em particular aquelas com reserva de jurisdição) ou que já tenha sido concluído (a exemplo da extradição) 93.
Ademais, com vistas a efetivar essa cooperação jurídica em matéria penal, dentre outras medidas, caberá aos Estados apurar as condutas ilícitas que venham a atingir a esfera criminal, comprometendo-se a efetivamente punir os responsáveis, especialmente quando praticados delitos contra a humanidade ou qualquer outro elencado por meio da Convenção de Genebra e seus protocolos adicionais, utilizando-se, para tanto, inclusive, dos acordos de mútua assistência pactuados.
Complementando, ainda, tais medidas, tem-se a necessidade de aplicação das leis penais a todos os indivíduos, com vistas a repressão internacional do crime, implementando- se, assim, uma justiça universal, em que o indivíduo que praticar determinado delito, independentemente de qualquer condição pessoal ou até mesmo do lugar onde se encontre, deverá ser punido.
Outra medida, talvez a de maior relevância, diz respeito ao asseguramento da dignidade da pessoa humana, tendo em vista que a cooperação jurídica em matéria penal deve primar pela proteção do indivíduo em si, por ser valor absoluto, de forma a respeitar os direitos subjetivos inerentes a condição humana.
Verifica-se, portanto, que a territorialidade e a soberania cederam lugar a outros valores absolutos, dentre eles o asseguramento da dignidade à pessoa humana e a promoção de direitos coletivos e difusos, sendo essa nova postura defendida por diversos tratados internacionais e, inclusive, internalizada por diversos países, de forma a compor o seu acervo jurídico nacional.
Imperioso ressaltar que, mesmo com a tomada das medidas citadas, com vistas a efetivar a cooperação jurídica em matéria penal, os conflitos têm-se por inevitáveis, tanto entre os próprios Estados, signatários de determinados tratados internacionais, quanto com relação aos indivíduos que o compõe, visto que diversos fatores, dentre eles o desemprego e as desigualdades sociais marcantes, influenciaram no aumento dos índices de criminalidade e
92 AMARAL JÚNIOR, Alberto do. Curso de Direito Internacional Público. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2013.
p. 687.
93 CLEMENTINO, Marco Bruno Miranda. A cooperação jurídica internacional em matéria penal-
acabaram por forçar a tomada de medidas enérgicas, uma vez considerada a ineficácia da repressão, face às novas modalidades delituosas.
Especialmente no que diz respeito aos conflitos inerentes aos Estados, verifica-se a criação de mecanismos para a solução de controvérsias, em que diversas medidas negocias são tomadas, com o fito de prevenir a impunidade e evitar a instauração de conflitos armados.
Face à atual sistemática vivenciada e à imprescindibilidade da cooperação jurídica internacional, em matéria penal, Marco Bruno Miranda Clementino ressalta que negar a atuação, no atual contexto de transnacionalização da criminalidade, implica também – e indiretamente – atentar contra a preservação da higidez jurídica do Estado que a requer, já que se tem como verdadeira a premissa de que, sem ela, ainda que envide todos os esforços possíveis, este não terá condições de promover a persecução penal de forma eficiente em determinadas situações. Por outro lado, como é muito difícil ter conhecimento, a priori, da extensão de determinadas atividades criminosas, negar cooperação pode significar o encobrimento de crimes que violem a própria ordem jurídica do Estado de quem ela é solicitada94.
Imperioso, destacar, que a cooperação jurídica internacional é instrumento que traz inúmeros benefícios não somente aos Estados que estabelecem os respectivos laços, mas, sobretudo, à toda comunidade internacional, tendo em vista que a mesma, além de ocasionar a paz entre os povos, proporciona o aprofundamento dos interesses recíprocos dos Estados Partes e, por via de consequência, a estabilidade das relações internacionais.
Ademais, trouxe consigo outras vantagens, dentre as quais: oportunizou a proteção dos bens jurídicos além das fronteiras; possibilitou o inter-relacionamento pessoal e comercial de pessoas físicas e/ou jurídicas residentes em países estrangeiros; ressaltou a necessidade de colaboração para a solução de conflitos e a repressão do crime em países distintos; reconheceu a transnacionalização do crime, destacou a necessidade do desenvolvimento transnacional do processo, assegurando, para tanto, não só os direitos e garantias individuais, mas, sobretudo, a preservação da soberania nacional; viabilizou o acesso à justiça; possibilitou a celeridade processual, o que impõe a razoável duração do processo, na medida
novos espaços de juridicidade. 2013. 374f. Tese (Doutorado em Direito) – Programa de Pós-Graduação em Direito, Centro de Ciências Jurídicas/FDR, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2013. p. 24.
94 CLEMENTINO, Marco Bruno Miranda. A cooperação jurídica internacional em matéria penal-
tributária como instrumento de repressão à criminalidade organizada transnacional: globalização e novos espaços de juridicidade. 2013. 374f. Tese (Doutorado em Direito) – Programa de Pós-Graduação em Direito, Centro de Ciências Jurídicas/FDR, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2013. p. 27.
em que possibilitou o cumprimento dos atos processuais em país diverso do que tramita a ação penal.
Ressalte-se, ainda, que a cooperação jurídica internacional propiciou o reconhecimento da juridicidade de ato praticado em outro Estado, garantindo, portanto, a eficácia das decisões judiciais proferidas por Estados distintos, tendo em vista que, a princípio, confere exequibilidade às respectivas decisões, contudo, respeitando os seguintes limites: o emprego da lei e o respeito aos procedimentos estabelecidos pelo Estado requerido, tendo em vista que o referencial legislativo utilizado é o do país que coopera passivamente; o reconhecimento, via de regra, da necessidade da dupla incriminação à efetivação do pedido de assistência, requisito esse que, por vezes, pode ser excepcionado por meio de cláusula contida no tratado; obediência ao princípio da Especialidade, visto que somente poderá ser utilizado o objeto da cooperação para o fim proposto e devidamente autorizado pelo Estado requerido; proibição da efetivação de auxílio mútuo fundado em crimes de natureza tributária, política e militar, sendo essa última natureza excepcionada por alguns países, dentre eles a República Federativa do Brasil.
Verifica-se, portanto, que a apesar da cooperação jurídica internacional possibilitar a união não somente de esforços, mas, sobretudo, de interesses, a mesma encontra-se sujeita, além da possibilidade de negativa e dos limites já citados, à superação de outros entraves que, por sua vez, dificultam a sua efetividade.