EGEMENLİĞİN VE EGEMENLİK SÖYLEMİNİN DÖNÜŞÜMÜ
M. Akif Ersoy Üniversitesi, Sosyal Bilimler Enstitüsü Dergisi, Cil:6, sayı:14,
Sobre a República Federativa do Brasil, no que diz respeito à cooperação jurídica internacional, verifica-se que a legislação que a regulamenta é fragmentada, na medida em que foi observada a existência de normas que versam sobre o Direito Internacional em diversos diplomas legais, a tratar dos mais variados assuntos como, por exemplo, os princípios que regem a República Federativa do Brasil nas relações internacionais (Artigo 4º da Constituição da República Federativa do Brasil)95, a hierarquia dos tratados de Direitos
95 Artigo 4º da Constituição da República Federativa do Brasil: “A República Federativa do Brasil rege-se nas
suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I- independência nacional; II- prevalência dos direitos humanos; III- autodeterminação dos povos; IV- não-intervenção; V- igualdade entre os Estados; VI- defesa da paz; VII- solução pacífica dos conflitos; VIII- repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX- cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X- concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.
Humanos no ordenamento jurídico brasileiro (Artigo 5º, parágrafo terceiro, da Constituição da República Federativa do Brasil) 96, a obrigatoriedade da lei brasileira no Estado estrangeiro
(Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro - Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1922)97, a competência internacional da autoridade judiciária brasileira (Artigo 88 do
Código de Processo Civil)98 e as ressalvas da abrangência do processo penal brasileiro em seu
território (Artigo 1º, inciso I, do Código de Processo Penal)99, sem, contudo, nenhum dos
respectivos dispositivos terem sido criados com o intuito de regulamentar a cooperação jurídica internacional em si.
No que diz respeito à política externa brasileira, uma vez presente o desejo de regulamentação da cooperação jurídica, em matéria penal, no âmbito internacional, dentre outros tratados internacionais que perfazem modalidade específica de cooperação, foi ratificado o Mutual Legal Assistance Treaty – MLAT, acordo de cooperação mútua celebrado entre a República Federativa do Brasil e os Estados Unidos da América.
Logo, conforme ensina Bárbara Gomes Lupetti Baptista, é certo que o Brasil tem celebrado diversos acordos de cooperação jurídica, nos quais se prevê a prestação de assistência a estado estrangeiro, estando, de alguma forma, inserido na conjuntura internacional, todavia, ainda assim, se faz premente uma compilação de procedimentos voltados, especificadamente, à cooperação jurídica internacional. Destaque-se, ainda, que os estudos modernos sobre o tema demonstram que a cooperação jurídica não afronta a soberania nacional dos estados cooperados, tendo em vista a necessidade, sempre, em quaisquer procedimentos, de uma decisão brasileira dando embasamento aos requerimentos, bem como de compatibilidade da medida solicitada com a ordem pública e o interesse nacional100.
96 Artigo 5º, parágrafo terceiro, da Constituição da República Federativa do Brasil): “Os tratados e convenções
internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”.
97 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro - Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1922: “Salvo
disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. § 1o. Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três
meses depois de oficialmente publicada”.
98 Artigo 88 do Código de Processo Civil: “É competente a autoridade judiciária brasileira quando: I - o réu,
qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; III - a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil. Parágrafo único. Para o fim do disposto no no I, reputa-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial
ou sucursal”.
99 Artigo 1º, inciso I, do Código de Processo Penal: “O processo penal reger-se-á, em todo o território
brasileiro, por este Código, ressalvados: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional”.
100 BAPTISTA, Bárbara Gomes Lupetti. Breves considerações sobre o anteprojeto de lei de Cooperação Jurídica
Internacional. Revista da AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil. Brasília, ano 23, n. 84, abr./jun. 2006, p. 68.
Contudo, frente à ausência em alguns países de normas específicas que regulamentem a cooperação nos campos eminentemente internos, bem como a diversidade dos instrumentos de cooperação jurídica internacional, em matéria penal, existentes, contexto acentuado pela diversidade dos próprios sistemas jurídicos dos países cooperantes, se faz necessária a criação de um padrão normativo de garantias que, segundo Karl Larenz traduz um modelo perfeito a ser aspirado, dada a necessidade que o homem possui para orientar suas ações 101.
Com vistas à criação do referido padrão normativo, imperioso destacar que o multiculturalismo, apesar de respeitado, deve ser transposto em prol de um bem maior, qual seja o de primar pela manutenção e até mesmo pela consolidação dos Direitos Humanos.
Logo, com o fito de efetivar a cooperação jurídica em matéria penal, se faz necessário a criação do referido padrão, inclusive sob o âmbito universal, devendo o mesmo ser observado não só no conteúdo dos tratados internacionais e nos acervos jurídicos nacionais, mas como modelo de postura a ser seguida pelos próprios Estados em suas relações negociais. Nesse sentido, Bárbara Gomes Lupetti Baptista revela que o Estado Democrático de Direito exige prestação jurisdicional, célere, útil e efetiva; e, no mundo globalizado atual, não há como se obter efetividade sem a cooperação internacional, que funciona, pois, como instrumento viável à efetividade das decisões judiciais e como mecanismo garantidor de amplo acesso à justiça102.
Em razão disso, face à incapacidade de, no presente momento, estabelecer-se esse padrão universal, capaz de sistematizar e normatizar a cooperação jurídica, sob a ótica internacional, diversos países ratificaram tratados internacionais bilaterais ou aderiram a organizações internacionais, medidas, também, adotadas pelo Estado brasileiro que passou a internalizar determinados acordos, buscando, assim, a composição de seu acervo jurídico nacional, de forma a alinhá-lo a multitude de pactos.
Ocorre que, para a efetivação da cooperação jurídica, em matéria penal, não basta apenas subsistir o consenso e a ratificação de tratados, se faz necessário, também, a organização de toda uma estrutura capaz de implementar os mecanismos acordados.
Nesse sentido, Luiz Fabrício Thaumaturgo Vergueiro atenta que uma discussão essencial à compreensão e ao uso prático das medidas de cooperação jurídica internacional diz
101 LARENZ, Karl. Metodologia da Ciência do Direito. 3ª. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.
p. 656.
102 BAPTISTA, Bárbara Gomes Lupetti. Breves considerações sobre o anteprojeto de lei de Cooperação Jurídica
Internacional. Revista da AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil. Brasília, ano 23, n. 84, abr./jun. 2006, p. 70.
respeito aos agentes e instituições envolvidas na recepção, transmissão, interpretação, documentação e análise dos pedidos de cooperação, cuja evolução histórica levou, e leva até hoje, à complementariedade e, por vezes, superposição de atribuições e competências, colaborando estas, por vezes, também para a má compreensão de algumas medidas e instrumentos cooperacionais103.