BÖLÜM 3: TURİZM VE KAMU YÖNETİMİ
3.2. Turizm ve Kamu Yönetimi
3.2.1. Turizm ve Merkezi Yönetim
A luta pela terra no Brasil inicia-se no período colonial e estende-se até os tempos atuais, com movimentos sociais organizados e institucionalizados como o MST e a participação crescente das ONGs (ALMEIDA, 1999). Para Oliveira:
os conflitos sociais no campo brasileiro e sua marca ímpar a violência, não são uma exclusividade apenas do século XX. São, marcas constantes do desenvolvimento e do processo de ocupação do país. Os povos indígenas foram os primeiros a conhecerem este processo. Há mais de quinhentos anos vem sendo submetidos a um verdadeiro etno/genocídio histórico. O território capitalista no Brasil tem sido produto da conquista e destruição dos territórios indígenas. (OLIVEIRA, 2007, p.185)
Durante um longo período que se seguiu ao golpe militar, conforme relata Beskow (1980), a agricultura no país passou por um intenso processo de concentração de terras e capitais nas mãos de uma pequena parcela de proprietários rurais, que detinham a maior parte dos recursos econômico- financeiros em detrimento de uma grande massa de trabalhadores rurais, os produtores diretos, que têm uma profunda importância na produção de alimentos no país. O autor sustenta que este processo ocorreu devido ao incentivo das políticas de crédito rural subsidiado, de assistência técnica e extensão rural, de exportação e de abastecimento interno, e principalmente resultando de uma política mais ampla de internacionalização da economia.
Assim, entre as décadas de 1960 e 1980, difundiu-se amplamente o processo conhecido como ‘modernização conservadora’ da agricultura. Norder (2004) analisa que este foi um processo parcial, seletivo e concentrado, tendo atingido um pequeno número de produtores, produtos e regiões. A modernização da agricultura teve um caráter fortemente excludente: 1) por direcionar seus benefícios aos grandes proprietários rurais e deixar sem atendimento a grande maioria da população rural brasileira que era ligada ao
que na época denominava-se pequena agricultura; 2) pelo crédito em grande parte destinado a um pequeno número de produtos, a saber, soja, café, algodão e milho; 3) por incentivar um acelerado processo de êxodo rural causando o crescimento do trabalho assalariado (NORDER, 2004). Assim, no complexo contexto de crise, a reforma agrária mostrava-se como questão de cunho crucial e também uma política de favorecimento aos assalariados e pequenos produtores rurais, associada às propostas dos trabalhadores urbanos, passando necessariamente pela superação do regime autoritário da época e pela incorporação dessas classes sociais a um processo político mais amplo (BESCOW, 1980).
Os diferentes setores da sociedade, na época, preocupados com a questão agrária mobilizaram-se de forma mais organizada a partir da década de 1950, com o surgimento de organizações e ligas camponesas, de sindicatos rurais e setores progressistas da Igreja Católica e do Partido Comunista Brasileiro.
Martins (1999) destaca que nesta época a reivindicação da reforma agrária veio a partir de um impulso mais ideológico e humanitário como resposta às injustiças sociais por parte de grupos distintos, como setores da classe média urbana, setores conservadores e também os de esquerda da Igreja Católica e alguns grupos de esquerda. Mostra assim, que não havia uma homogênea articulação de ideologias e proposição de projetos sociais.
Com o regime militar instalado no país, através do golpe militar de 1964, foi sancionado o Estatuto da Terra pela Lei nº 4.504, de trinta de novembro de 1964, no governo de Castelo Branco (BRASIL, 2012), que foi o primeiro instrumento legal a dispor sobre a execução de uma reforma agrária após a longa batalha de organizações de trabalhadores rurais, para conseguir aprovar projetos que passaram pelo Poder Executivo e pelo Poder Legislativo. As metas definidas pelo Estatuto da Terra eram basicamente duas: a execução de uma reforma agrária e o desenvolvimento da agricultura. No entanto, os militares não vieram a utilizar tal Estatuto para fins de Reforma Agrária.
Quatro décadas depois, é possível constatar que a primeira meta ficou apenas no papel; enquanto a segunda meta, do desenvolvimento da
agricultura, recebeu grande atenção do governo, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento capitalista ou empresarial da agricultura. De acordo com o Estatuto da Terra, a estrutura fundiária deve ser analisada a partir do módulo rural, que é a quantidade de terra necessária para um trabalhador e sua família (quatro pessoas) poderem se sustentar. Assim, o módulo rural é variável de acordo com fatores naturais e socioeconômicos. Onde as condições de produção requerem pouco espaço, o módulo é menor que nas outras áreas, onde se necessita de um espaço mais amplo (BRASIL, 2012b).
Segundo BUAINAIN, GUANZIROLI e ROMEIRO (2003), na década de setenta, acreditava-se que a questão agrária havia sido superada pelo processo de modernização baseado na mecanização e na utilização de variedades selecionadas de sementes e de insumos químicos. Já nos anos oitenta, apostava-se na integração da agricultura com os capitais industriais, comerciais e financeiros, através deste processo de modernização agrícola. Os mesmos autores afirmam que:
dentro deste quadro analítico, a reforma agrária é vista como anacrônica, desnecessária e insustentável. Para ser competitivo e sobreviver, é preciso adotar um “pacote” tecnológico que exige elevados investimentos, bem como possuir uma área mínima relativamente grande ou ocupar um nicho de mercado, sobretudo pela integração ao complexo agroalimentar. O movimento de concentração da produção agropecuária em um número cada vez menor de estabelecimentos cada vez maiores era considerado parte de uma tendência “natural” e necessária que já ocorrera nos países capitalistas desenvolvidos e que, portanto, não poderia ser freada, sob pena de provocar um atraso tecnológico no setor agropecuário, com impactos negativos no próprio processo de desenvolvimento econômico. (BUAINAIN, GUANZIROLI e ROMEIRO, 2003, p. 313)
O movimento em prol de maior justiça social no campo e da reforma agrária generalizou-se no meio rural do país e assumiu grandes proporções e conflitos no início da década de 1980 (FERRANTE e SILVA, 1988). Com o fim do regime militar, o debate sobre a reforma agrária foi retomado no Primeiro Plano Nacional da Reforma Agrária – PNRA, elaborado por José Gomes, histórico defensor desta reforma. O I PNRA estava previsto no Estatuto da Terra e foi apresentado com a chegada da Nova República, em 1985, e tinha como objetivo a restauração da democracia e a aplicação, na prática, do Estatuto da Terra, estabelecendo como meta destinar 43 milhões de hectares para o assentamento de 1,4 milhões de famílias até 1989.
Diante de pressões contrárias à reforma agrária, o plano original sofreu alterações significativas, dificultando o processo de desapropriação. Como resultado, o número de beneficiários de projetos de reforma agrária no final do governo Sarney não atingiu 10% da meta inicial. Com a pressão dos latifundiários paulistas e a complacência do presidente da república, segundo Stedille e Fernandes (1999), o plano ficou inviabilizado tendo quatro anos depois como resultado um número bem mais modesto de famílias assentadas. O autor ainda demonstrou que não havia um projeto de reforma agrária para aquele governo, fazendo das políticas de assentamentos, objetos de manipulação pelos proprietários de terra que se beneficiavam com a venda de terras ao INCRA.
Nessa época, o sindicalismo rural espalhou-se por todo o Brasil e simultaneamente começaram a surgir outros movimentos de trabalhadores. Assim, surge em 1984, oficialmente, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST (FERNANDES, 2008), que buscava trabalhar e organizar especificamente os sem terra, filhos dos pequenos agricultores com pouca terra, meeiros, arrendatários, assalariados rurais e outros. Estes movimentos foram crescendo e desenvolveram novas estratégias de luta para a conquista da terra, sobretudo através das ocupações (CPT, 2012). A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG foi reconhecida oficialmente em 1964 e tem papel decisivo na inclusão da reforma agrária na pauta da política nacional. Os diversos eventos ocorridos geraram conquistas
para os trabalhadores e trabalhadoras rurais, a exemplo da criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF; da desapropriação de áreas destinadas à assentar famílias e da melhoria das condições de trabalho dos assalariados e das assalariadas rurais (CONTAG, 2012).
Em 2003 foi lançado o II Plano Nacional de Reforma Agrária, no qual foi proposto um novo modelo de reforma agrária com a recuperação dos atuais assentamentos e a implantação de novos, com assistência técnica e acesso ao conhecimento e as tecnologias apropriadas, orientados por projetos produtivos adequados às potencialidades regionais, respeitando as especificidades de cada bioma e comprometidos com a sustentabilidade ambiental; criando uma estratégia conjunta de produção e comercialização para abrir novas possibilidades econômicas para os assentamentos e para sua integração numa dinâmica de desenvolvimento territorial.
Com metas bastante promissoras, o II PNRA foi aparentemente direcionado para a promoção da viabilidade econômica, da segurança alimentar e nutricional, da sustentabilidade ambiental para garantir o acesso ao direito e a promoção da equidade. Este prevê a disponibilidade de crédito, assistência técnica, apoio à comercialização e à agregação de valor; bem como, a construção de infra-estrutura produtiva, econômica e social: água, saneamento básico, energia, via de escoamento da produção, além de outras políticas públicas que garantam a universalização do acesso aos direitos fundamentais (ROSSETTO e HACKBART, 2003).