• Sonuç bulunamadı

2.1. Kuramsal Bilgiler

2.1.1. Matematik Eğitiminde Teknolojinin Kullanımı

2.1.2.2. TPAB’ın Bileşenleri ve Özellikleri

No mês de julho de 1968, aconteceu a greve de Osasco, atingindo seis metalúrgicas, com a ocupação da Cobrasma. Também nessa greve, novas formas de luta eram utilizadas pelos trabalhadores, conforme mostra Espinosa:

No dia 16 de julho, atendendo ao sinal convencionado (o apito da Cobrasma, ás 8h e 40m), a partir da seção de limpeza e acabamento da fundição, os operários começaram a ocupar a fábrica. Organizaram, durante o dia, as comissões de vigilância, abastecimento, informações e mobilização. Nas horas marcadas, 12 h, 14 h, foram parando outras fábricas. Os operários da Barreto-Keller, Osram e Granada dirigiram-se em passeata para o sindicato. Os da Lonaflex ocuparam a empresa. (ESPINOSA, 1978, p. 16).

Além da ocupação da fábrica da Cobrasma por mais de dois mil operários, as comissões detiveram diretores da empresa, como havia acontecido na greve de Contagem.

Antecipando-se à greve geral que se indicava para outubro de 1968, época do dissídio coletivo dos metalúrgicos, a direção sindical de Osasco visualizava a possibilidade de

estendê-la para outras regiões do país. Iniciada, com a ocupação operária da Cobrasma, a greve já atingia as empresas Barreto Keller, Braseixos, Granada, Lonaflex e Brown Boveri e, parcialmente, a Eternit e a Cimaf, chegando a totalizar 10.000 trabalhadores. No dia seguinte, o Ministério do Trabalho declarou a ilegalidade da greve e determinou a intervenção no Sindicato, além da invasão das fábricas paralisadas. (ANTUNES; RIDENTI, 2007).

Diferentemente do que acontecera em Contagem, houve pouco espaço para negociação, a greve na Cobrasma durou apenas um dia, terminando com uma violenta invasão policial, com dezenas de prisões. ―O Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco também foi invadido e os operários que se encontravam reunidos na sede foram espancados e presos.‖ (OLIVEIRA, 2009, p. 282). A atuação violenta do governo impediu qualquer tentativa de continuação da greve, que foi encerrada no quarto dia, com o retorno dos operários ao trabalho.

Outro ponto em comum entre a greve de Osasco e a greve de abril, em Contagem, diz respeito à participação dos estudantes, embora isso não significasse que houvesse a participação direta das organizações de esquerda, da forma como havia ocorrido em Contagem. Osasco se caracterizou por um tipo de relação com o movimento estudantil, que acabava resultando em participação indireta das organizações. A partir de um ―obreirismo‖ motivado por uma repulsa ás organizações de esquerda desenvolveu-se uma relação com os movimentos de secundaristas. O grupo de Osasco, formado por operários interessados em se organizar para atuar em movimentos sociais, para lutar por direitos, na prática desenvolveu projetos de formação política:

Você forjava algumas lideranças, quatro ou cinco, pegava esses quatro ou cinco, marcava reuniões clandestinas no bairro, e esse pessoal recebia um curso de formação rápida em marxismo. Então, um curso muito rápido com base no Manifesto Comunista e Salário, Preço e Lucro, para explicar o que era mais-valia e revolução e ditadura do proletariado. Quem dava esse curso éramos eu e o Barreto. Também por critério escolaridade, não por sabedoria. Então demos trocilhões de cursos, trocilhões. Então o pessoal da Vanguarda de Fábrica era esse pessoal que tinha uma atuação destacada dentro da fábrica, tinha passado por esse curso nosso de introdução à política. era um pessoal que tinha um certo preconceito contra a esquerda organizada, induzido por nós. Sobretudo o PC, o PC era um [preconceito] fundamentado, o resto não chegava a ser tão fundamentado. O resto advinha mais da minha experiência dentro do movimento estudantil... Porque eu comecei a fazer filosofia em 1967, acabei sendo candidato do Centro de Filosofia numa Chapa com a POLOP, eu não era da POLOP, o presidente era o, um economista da Globo hoje, Carlos Alberto Sardenberg, ele era da POLOP, foi presidente da Chapa. Perdemos para a "Chapa dissidência" do Benetazzo que morreu depois, virou para a ALN e acabou morrendo. (ESPINOSA , 1978).

De acordo com Antunes e Ridenti, a expressão ―Grupo de Osasco‖ foi apenas uma forma posteriormente criada para designar o conjunto de operários, operários-estudantes e

estudantes que viviam em Osasco e atuavam nos movimentos sociais. O grupo não possuía uma identidade partidária, tendo, antes, perfil de movimento. Um conjunto de concepções vagas, entretanto, dava-lhe certa unidade:

[...] defesa do socialismo, recusa das práticas conciliatórias de classe e priorização da participação e da ação das bases. Ainda que, com visões ligeiramente diferentes, todos os membros do grupo defendiam a criação de comissões de empresa (legais ou não) e a participação em todos os instrumentos legais de organização como o Sindicato. Além disso, também havia no grupo uma evidente simpatia pela Revolução Cubana e pela luta armada. (OLIVEIRA, 2011, p. 10).

É interessante observar que esses grupos de trabalhadores chegaram a organizar também um curso de recuperação escolar. Pelas características declaradas por Espinosa, isso lembra bastante a atuação, já mencionada, dos militantes de organizações ou de esquerda independente que atuavam dando aulas voltadas para a formação política, em escolas no Barreiro e Contagem. E nesse ponto, vale lembrar a preocupação de Gramsci com a necessidade de uma nova cultura, uma nova mentalidade e com a formação dos intelectuais orgânicos, indispensáveis para a transformação social (GRAMSCI, 1975, p. 1392). Vejamos a fala do próprio militante sobre a experiência de educação:

Então nós bolamos um Curso de recuperação estudantil, com alunos de todos os colégios, e com professores que eram militantes do movimento estudantil que eu recrutava na filosofia, física, nessa época, ainda pertencia a filosofia, matemática ainda não era um estudo independente, biologia, psicologia, tudo isso ainda integrava a Maria Antônia, se bem que nem todos estivesse na Maria Antônia. Então, com estudantes de todas as tendências, trotskistas, stalinistas, o MCI, de todas elas, todos voluntários. Nós montamos a reprodução de um curso ginasial com todas as matérias, Curso clássico, Científico e Normal, todas as matérias. Conseguimos junto a prefeitura, um colégio, que era um colégio, municipal, que era um colégio de madeira que chamava Colégio Osasco, Osasco? Não lembro o nome do colégio... perto da Igreja... Dia primeiro de julho [de 1968] começou: Curso de recuperação escolar, 700 inscritos... alunos [...] (ESPINOSA, 2013).

Entre as repercussões do movimento de Osasco, vale registrar que, no dia 18 de julho, jornalistas, artistas, intelectuais e estudantes haviam estruturado, em São Paulo, o Comitê de Apoio à Greve de Osasco que chegou a organizar manifestações e outras ações de propaganda e solidariedade aos grevistas. Após o término da greve dias depois, vários membros do Comitê de Apoio foram detidos ou passaram a ser procurados pelas forças da repressão.

O avanço da repressão sobre os operários após a greve de julho fez com que as lideranças do Grupo de Osasco entrassem para a clandestinidade. Algumas organizações de esquerda buscavam aproximação com a militância de Osasco, desde o início de 1968, devido à atuação combativa do sindicato dos metalúrgicos. Segundo Oliveira, entre esses grupos, a

VPR tinha mais identidade com as perspectivas do Grupo de Osasco. Devido à experiência do grupo com as mobilizações em fábricas, sindicatos, escolas e nos bairros, ele se uniu à VPR como responsável pelo ―setor de massas‖ daquela organização. Anos mais tarde, um de seus militantes, José Campos Barreto, o Zequinha, seria assassinado, juntamente com Carlos Lamarca, no sertão baiano (OLIVEIRA, 2009, p. 283).

Mais do que a greve de Osasco, deve-se observar que a greve de Contagem, em alguma medida, foi uma surpresa para o regime militar. Foi uma greve que constituiu uma ameaça ao arrocho salarial, que era um pressuposto da política econômica do regime. O governo teve que fazer concessões sobre uma política salarial que estava já definida. A classe trabalhadora tinha enfrentado uma política de governo e isto era ligado ao fato de greve ter sido iniciada dentro das fábricas. (ESPINOSA, 1978, p. 15). O governo preparou-se para outras situações similares e, em julho, impediu que a greve de Osasco fosse vitoriosa. As lições, todavia, ficavam em um tipo de memória que era da classe e, em Osasco, esse tipo de herança, ou de sucessão foi particularmente visível. Ali continuavam a existir núcleos voltados para a reorganização da oposição sindical. Alguns membros da liderança, no entanto, passariam para a luta armada, trocando o movimento operário pelas organizações de guerrilha.

Na região industrial do Barreiro e Contagem, a qualidade da vida dos trabalhadores continuava precária. Além dos salários baixos e do despotismo da vigilância interna das fábricas, as jornadas eram longas e exaustivas. As condições de moradia dos operários e suas famílias significavam ruas sem urbanização, beiras de córregos, áreas que ainda não haviam sido ocupadas pelas indústrias e terrenos que se tornaram favelas e que acomodaram os grandes contingentes de migrantes que vinham do interior, atraídos pela perspectiva de se tornarem ―trabalhadores fichados‖. O ano avançava e a tensão política se mantinha.