Em pesquisa, o universo refere-se ao conjunto de elementos que possuem características para ser objeto de estudo.
No caso da aplicação do questionário, o universo referiu-se aos representantes de instituições sediadas na Área da Operação Urbana Consorciada.
Para o levantamento das instituições locais existentes, utilizou-se como fonte inicial as instituições listadas no Guia do Cidadão do Porto do Rio de Janeiro de Lobo (2010) que se localizam dentro da área da OUC. Mas, como o guia elenca apenas instituições de 1º. e 3º. Setor, as instituições privadas e outras instituições que não constavam no guia foram sendo incluídas no decorrer da pesquisa, a partir da indicação dos entrevistados e de um maior conhecimento da região.
A lista foi ampliada e fechada com um total de 92 instituições7. A lista encontra- se na Tabela 4.
7 Concomitantemente a elaboração deste trabalho, um grupo de pesquisa da Fundação Euclides Cunha, vinculado a Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a CDURP, desenvolveu uma pesquisa sobre as Organizações Sociais atuantes na Região Portuária. O foco da pesquisa foi as instituições de cunho assistencialista. Porém, a versão final do relatório da pesquisa não foi disponibilizada a tempo para ser utilizado nesse trabalho.
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Tabela 4: Lista das instituições locais levantadas.
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Em virtude do prazo para realização do trabalho e da falta de informações suficientes para que o contato com algumas instituições fosse efetuado, das 92 instituições levantadas, foram enviados questionários para 51 delas. O envio dos questionários ocorreu nos meses de setembro e outubro de 2011.
Já a amostra é a uma parte do universo que respondeu os questionários. A amostra da pesquisa foi constituída pelo recebimento de 16 questionários respondidos por e-mail (31% dos questionários enviados). Dentre os questionários recebidos, a maioria (62%) era de instituições do 3º. Setor, 19% de instituições do 2º. Setor e outros 19% de instituições do 1º. Setor. Os detalhes da amostra podem ser vistos na Figura 12 na próxima página.
Optou-se por não revelar os nomes das instituições que responderam os questionários, de modo a preservar as informações recebidas, uma vez que o objetivo da pesquisa é compreender a percepção quanto à participação e à concordância com o projeto de um modo geral.
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Figura 12: Amostra da aplicação dos questionários.
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No caso da realização das entrevistas, o universo referiu-se a alguns dos representantes de instituições locais que responderam os questionários enviados por e-mail, representantes de instituições localizadas fora da Área da Operação Urbana Consorciada que estão envolvidos em alguma das instâncias de participação8 e funcionários de órgãos executores do projeto. Os entrevistados foram escolhidos de forma não probabilística, pela facilidade de acesso.
A amostra foi constituída pela realização de oito entrevistas semi-estruturadas ocorridas durante o ano de 2011. Detalhes das entrevistas podem ser vistos na Tabela 5.
Tabela 5: Amostra das entrevistas realizadas.
ENTREVISTAS
Entrevistado 1 Membro do Fórum Comunitário do Porto e representante de instituição de fora da OUC Entrevistado 2 Membro do Fórum Comunitário do Porto e representante de instituição de fora da OUC
Entrevistado 3
Membro do Conselho Consultivo do Porto Maravilha, representante de instituição local e morador.
Entrevistado 4 Presidente do Conselho Comunitário de Segurança e representante de instituição local Entrevistado 5 Representante de instituição local e morador
Entrevistado 6 Funcionário da Concessionária Porto Novo Entrevistado 7 Representante de instituição local
Entrevistado 8 Funcionário da CDURP
Fonte: elaboração própria.
Vale a pena ressaltar e não pode ser desprezado para a análise dos resultados deste trabalho, o fato de alguns dos entrevistados representarem mais de um papel dentro do contexto da revitalização da Região Portuária e com isso serem mencionados em diferentes seções do capítulo 5. Como exemplo, podemos citar o fato dos entrevistados 3 e 4 exercerem cargos importantes em instâncias participativas e também responderem os questionários enviados às instituições locais por representarem e responderem por estas.
69 4.4 Tratamento dos dados
Para o tratamento dos dados obtidos nas reuniões acompanhadas e nas entrevistas realizadas utilizou-se o método da análise de conteúdo com grade mista. A análise de conteúdo é adequada para pesquisas exploratórias e quando utilizadas em procedimentos qualitativos focam no que é relevante, mesmo que não seja frequente no texto. (VERGARA, 2008).
No caso das entrevistas, estas foram gravadas com a permissão dos entrevistados e, posteriormente as realizações foram transcritas na íntegra, respeitando o conteúdo literal da fala dos entrevistados. Utilizaram-se, inclusive, trechos das falas das entrevistas para ilustrar alguns pontos importantes.
As reuniões acompanhadas não foram gravadas, anotações tomadas durante as reuniões serviram como insumo, principalmente, para avaliar a qualidade da informação.
As categorias previamente definidas para a elaboração da grade mista foram extraídas do trabalho de Tenório et al. (2008) para a avaliação de processos decisórios participativos deliberativos na implementação de políticas públicas.
As categorias selecionadas, seus respectivos critérios, o alinhamento com os objetivos intermediários e as fontes de dados encontram listados na Tabela 6.
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Tabela 6: Categorias selecionadas para a análise do conteúdo. Categorias
para análise de conteúdo
Critérios Alinhamento com os
objetivos intermediários Fonte de dados Processo de discussão Órgãos de acompanhamento: existência de um órgão que faça o acompanhamento de todo o processo, desde sua elaboração até a implementação, garantindo a coerência e fidelidade ao que foi deliberado de forma participativa.
apresentar o projeto Porto Maravilha
pesquisa bibliográfica Canais de difusão: existência e
utilização de canais adequados ao acesso à informação para a mobilização dos potenciais participantes.
Órgãos existentes: uso de órgãos e estruturas já existentes evitando a
duplicação das estruturas. identificar e analisar as principais instâncias participativas na área do projeto Porto Maravilha
pesquisa bibliográfica, participação em reuniões, e entrevistas Relação com outros processos
participativos: interação com outros sistemas participativos já existentes na região.
Pluralismo
Participação de diferentes atores: atuação de associações, movimentos e organizações, bem como cidadãos não organizados, envolvidos no processo deliberativo.
levantar as instituições locais pesquisa bibliográfica e entrevistas analisar a participação das
instituições locais nas instâncias participativas na área do projeto Porto Maravilha participação em reuniões, aplicação de questionários (pergunta 2) e entrevistas Bem comum
Valorização cidadã dos resultados: avaliação positiva dos atores sobre os resultados alcançados.
levantar o grau de participação das instituições locais e o grau de concordância dessas com projeto Porto Maravilha;
aplicação de questionários (perguntas 1 e 3) e
entrevistas Fonte: elaboração própria com base em Tenório et al. (2008, p. 11).
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A análise foi feita a partir da leitura das transcrições das entrevistas e das anotações tomadas categorizando-as e vinculando-as a cada uma das categorias pré- estabelecidas.
Já os resultados da aplicação dos questionários foram tratados estatisticamente. O tratamento consistiu em, primeiramente, posicionar as respostas das perguntas 1 e 3 dos questionários em uma matriz por meio de um gráfico de dispersão. O cruzamento das variáveis permitiu identificar a relação entre o grau de participação e a posição frente ao projeto. As variáveis foram classificadas em uma escala de 1 a 5. Sendo:
Posição frente ao projeto (x): 5 - Concorda totalmente
4 - Concorda parcialmente 3 - Não concorda nem discorda 2 - Discorda parcialmente 1 - Discorda totalmente
Grau de Participação (y): 5 - Muito alta
4 - Alta
3 - Nem alta nem baixa 2 - Baixa
1 - Muito baixa O modelo é apresentado pelo gráfico da Figura 13.
Figura 13: Modelo do gráfico de dispersão.
Fonte: adaptado de PEGS (Programa de Estudos em Gestão Social).
O ideal para uma boa prática democrática ocorre quando a política tem alto índice de concordância combinado com alto grau de participação das instituições, o que facilita a implementação das ações e garante a legitimidade da política (quadrante 3).
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A situação oposta a esta se caracteriza pela baixa participação, o que não garantiria a legitimidade da política de maneira democrática (quadrante 2).
Quando há um elevado grau de participação, mas a concordância com a política é baixa, isto pode ser um sinal de que o projeto seja pouco eficaz para o território (quadrante 1).
No último caso, se a participação é baixa, mas existe alta concordância com o projeto, a participação deve ser mais bem estimulada pelo executor do projeto (quadrante 4).
No modelo proposto, cada quadrante representa as dificuldades e possibilidades da política no que diz respeito às instituições envolvidas. As instituições serão representadas por pontos no gráfico.
Vale lembrar que o tamanho do ponto apresentado na matriz corresponde ao número de instituições que compartilham da mesma opinião em relação ao grau de participação e a posição em relação ao projeto. Os pontos serão identificados conforme apresentado Figura 14.
Figura 14: Representação das instituições locais na matriz.
1 instituição 2 instituições 3 instituições 4 instituições Fonte: elaboração própria.
Após a elaboração desta primeira matriz, aprofundou-se a análise dos dados recebidos, realizando uma segunda matriz, que utiliza o mesmo princípio da matriz acima apresentada, mas com as respostas das perguntas 1 e 2 do questionário.
A análise de todo o material construído, a partir da construção das matrizes, serviu para avançar na análise dos critérios elaborados por Tenório et al. (2008) e na compreensão da lógica da participação.
73 “Entende-se que muito ainda tem que ser estudado e compreendido sobre a lógica da participação dos cidadãos na deliberação das políticas locais, porém os critérios aqui apresentados contribuem para compreender um pouco sobre a legitimidade e a representação nos modos de participação democráticos.” (TENÓRIO ET ALL, 2008, p.15).
Uma vez que, a pesquisa de campo foi constituída por informações vindas destas três diferentes fontes de dados (participação em reuniões, aplicação de questionários e realização de entrevistas), utilizou-se a triangulação metodológica como método para tratamento final dos dados.
“... a triangulação, também chamada de abordagem multimétodos, pode ser discutida e explorada com base em dois pontos de vista: como uma estratégia para o alcance da validade do estudo e como uma alternativa para a obtenção de novas perspectivas, novos conhecimentos” (VERGARA 2008, p.258).
Este método tem como característica propiciar a emergência de resultados contraditórios que podem tanto ser consequência das limitações da pesquisa quanto serem divergências devido às diferentes formas que o objeto se apresenta dependendo do ângulo enfocado. Contudo, este método permite aumentar a confiabilidade do estudo.
Após a triangulação, os resultados obtidos foram confrontados com o referencial teórico para formulação das considerações finais.