BÖLÜM 3. 19.YÜZYILDA OSMANLI İMPARATORLUĞUNDA DEĞİŞİM ve YAPILANMA
3.2 Ekonomik Yapı
3.2.1 Uluslararası Ticaret
3.2.1.2 Ticarette Kullanılan Bağlantılar – Lojistik Koridorlar
O Período Neolítico: A Fixação das Primeiras
Comunidades Humanas.
4.1. O Período Neolítico. A Estabilidade Climática e a Co-Periodicidade / Das Fazendas às Cidades: o
Salto Para a Cultura / O Desenvolvimento da Agricultura /As Hierofanias e a Fixidez do Olhar Empírico / O Desenvolvimento da Agricultura / A Centralidade Privilegiada do Mar Mediterrâneo - A Polarização do Mar Egeu / A Invenção da Unidade Construtiva: o Tijolo de Barro / Os Primeiros Centros Agrícolas - As Primeiras Habitações / A Cerâmica Cozida / A Metalurgia / A Navegação / A Escrita / Uma Unidade
Conceptiva: dos Tijolos de Barro à Escrita no Barro.
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4.1. O Período Neolítico.
4.1. A Estabilidade Climática e a Co-Periodicidade / Das Fazendas às Cidades: o Salto Para a Cultura / O
Desenvolvimento da Agricultura /As Hierofanias e a Fixidez do Olhar Empírico / O Desenvolvimento da Agricultura / A Centralidade Privilegiada do Mar Mediterrâneo - A Polarização do Mar Egeu / A Invenção da Unidade Construtiva: o Tijolo de Barro / Os Primeiros Centros Agrícolas - As Primeiras Habitações / A
Cerâmica Cozida / A Metalurgia / A Navegação / A Escrita / Uma Unidade Conceptiva: dos Tijolos de Barro à Escrita no Barro.
Conforme o exposto, a estabilidade climática observada no período Mesolítico abre à empresa humana as primeiras perspectivas de permanência numa mesma região e com ela as primeiras oportunidades de coexistência dos homens com uma mesma topografia, com os mesmos seres vivos, com o mesmo céu e com as mesmas águas. Essa coexistência possibilita a observação mais pormenorizada dos vários elementos que constituem o mundo natural pela ampliação do tempo de permanência num determinado sítio. Instala assim certa co-periodicidade 177 entre os homens e o seu mundo. Nessa perspectiva as hierofanias se inscrevem como as primeiras ordenações das primeiras intuições de regularidades atualizadas nesse novo mundo preenchendo de significados tudo aquilo que é alheio ao fato humano e, a partir de um lugar distante de suas próprias limitações, principia por ordenar as ações do grupo segundo uma dia-lógica que apreende as esferas do sagrado e do profano e da qual se depreende um novo humano, um humano no qual se iniciam as novas ordenações.
Se o período Mesolítico significou a conquista de um amplo espectro tecnológico e a aparição das primeiras hierofanias, o período Neolítico significará a potenciação dessas conquistas e a sua expansão no sentido da construção de um lugar de permanência que são as primeiras cidadelas agrícolas.
O período Neolítico, que vai dos 7.000 a 4.500 a.C., é a segunda subdivisão do período Holoceno que vai de 8.000 a.C. aos dias de hoje, contabilizando mais ou menos 10.000 anos, sendo antecedido apenas pelo
177 A utilização do termo co-periódico consiste num empréstimo da matemática mas se adequa bem ao contexto. “Co-periódico. Mat.
Que tem os mesmos períodos que outro: O seno e o coseno são funções co-periódicas.” Novo Dicionário da Língua Portuguesa, op. cit., pg. 381. A propriedade do emprego do termo co-periódico reside na idéia intrínseca a ele de sincronia, de correlação, ou ainda de co-determinação entre as esferas mítica, representadas pelas hierofanias, e a esfera do profano, representada pelos fatos humanos. À revelia de seu sentido matemático e racionalizante, o termo ainda explicita uma ordenação dos eventos no tempo, num tempo que não se limita pela urgência da caça, como havia sido o Paleolítico, mas agora num tempo de fixação das fazendas como foi o Mesolítico.
Mesolítico (datado dos anos 9.000 a 7.000 a.C.). Os períodos posteriores ao Neolítico são a Idade do Bronze que se estende dos 4.500 a 2.500 a.C., e a Idade do Ferro, que vai dos 2.500 até o nascimento de Cristo. Segundo McEVEDY (1979), o período Neolítico é geralmente adotado como limite já que algumas transformações cruciais acontecem como:
“... cultura do trigo e da cevada, domesticação da cabra,
carneiro, porco e gado vacum, emprego do fogo na preparação da cerâmica, utilização de instrumentos de pedra polida (por
oposição à pedra lascada).” 178
Esses são os elementos e fatores necessários à fixação dos primeiros grupos familiares ou clãs em porções de terra definíveis. Assim, esse período significa uma oposição ao nomadismo do período
anterior, ou o Paleolítico. O período Neolítico é também conhecido como período da Pedra Polida pela abundância de artefatos que se utilizam dessa tecnologia encontrados nos sítios arqueológicos. Essa tecnologia indica uma maneira de ser e estar no mundo somente possível pela fixação dos antigos nômades, agora transformados em pastores e agricultores.179
Apesar dos primeiros assentamentos evidenciarem uma organização territorial e hierofânica bastantes diferenciadas dos períodos anteriores, não há ainda como comprovar-se a existência conceptiva de uma ordem racional formalmente organizada que se sobreponha ao mundo físico. A figura 35 180 acima, por exemplo, traz uma foto de um antigo machado de pedra polida. Como se vê, trata-se ainda de uma ferramenta irregular, toscamente elaborada, destituída de ordenação formal e assim destituída de uma intencionalidade estética que denuncie o predicado racional.
Com base na agricultura incipiente e na domesticação de algumas espécies animais e vegetais, das quais proviam um maior número de gêneros alimentícios e o conseqüente aumento populacional, a empresa humana experimenta uma verdadeira revolução comparável somente às revoluções que antecedem a modernidade.181
178
Atlas da História Antiga, op. cit., pg. 24.
179
Conforme DURANT (1966): “... No meio dessas ruínas encontram-se instrumentos de osso e pedra polida, a qual se tornou para os arqueólogos a marca distintiva da Idade da Pedra Polida, florescente há uns 10.000 anos a.C. na Ásia e 5.000 anos a.C. na Europa. Iguais achados foram feitos na França, na Itália, na Escócia, na Rússia, na América do Norte, na Índia e outros pontos.” A História da Civilização - Tomo I - Nossa Herança Oriental, op. cit., pg. 69.
180 Legenda da figura 35: “O machado do fazendeiro. Encontrado em Ehenside Tarn na Cumbria, esse machado de pedra foi feito
com pedras obtidas em Lake District em Great Langdale. (o comprimento da cabeça do machado é de 22 cm.).” Atlas of Prehistoric Britain, op. cit., pg. 53.
181
Conforme McEVEDY (1979): “A transição do modo de vida do Mesolítico para o Neolítico é um momento de viragem, no desenvolvimento social e econômico do homem, comparável, em importância, às revoluções industriais e científica dos séculos XIX e XX. O contraste entre um acampamento mesolítico e uma aldeia de camponeses do Neolítico é tão frisante que justifica
perfeitamente o termo „revolução neolítica‟; mas assim como o aparecimento da tecnologia moderna se mostra tanto mais surpreendente quanto mais atrasado é um país, assim também o Neolítico foi mais „revolucionário‟ quando, já plenamente
desenvolvido, se espalhou para além do Próximo Oriente, de onde evolucionou para a Europa, a África e a Ásia mesolítica.”Atlas da História Antiga, op. cit., pg. 24. Eis ainda uma descrição sucinta da passagem do período Paleolítico ao Neolítico, conforme o Atlas da História do Mundo: “As primeiras experiências com o cultivo de cereais e a domesticação de animais começaram no Oriente Próximo há 10 mil anos. O estilo de vida agrícola já estava consolidado quando vilarejos agrícolas surgiram nas áreas adjacentes do Sudoeste da Europa, 2 mil anos mais tarde. Dali, a agricultura estendeu-se pelas regiões férteis da Europa Central, alcançando os Países Baixos em 5.000 a.C.. Pouco depois, se difundiu para norte e oeste da Europa, incluindo Dinamarca e Ilhas Britânicas, sendo adotada pelas comunidades que praticavam caça e coleta em 4.000 a.C.. ... Os primeiros povoados „tell‟ de tijolos de barro, pouco antes de 6.000 a.C., situavam-se a oeste do Mar Egeu, em Creta (Cnossos) e na planície da Tessália (Argissa). A agricultura se estendeu para lá a partir da Anatólia. As rotas pelo Egeu eram conhecidas graças aos barcos pesqueiros e o transporte de obsidiana para o continente vindo da ilha de Melos (no Egeu). A cultura dos primeiros agricultores europeus era similar à de seus contemporâneos do outro lado do Egeu, que ainda não usavam a cerâmica. Técnicas anatólias logo se
expandiram: recipientes pintados eram usados na Grécia e Bulgária em 5.500 a.C.. O povoamento agrícola havia se estendido pelo vale do Vardar até o norte dos Bálcãs e região inferior do Danúbio. Os vilarejos eram agrupamentos de casas quadradas de tijolos, todas com idêntica disposição de lareiras e áreas de cozinhar e dormir. Em geral, havia uma casa comunitária maior ou santuário. A economia baseava-se na criação de carneiros, cultivo do trigo e leguminosas.” Atlas da História do Mundo, op. cit., pg. 42.
Nessa perspectiva, as arcaicas fazendas mesolíticas vão sendo lentamente substituídas por aglomerações ainda maiores, mais populosas, que com o passar do tempo vão se ampliando para constituírem as cidades. Como no período anterior, o caráter sacro das cidades permanece inalterado. Segundo MUNFORD (1982):
“Em dado ponto, o santuário deve ter-se deslocado para dentro da cidade ou, antes, os sagrados limites
do santuário devem ter sido lançados ao redor da fortaleza, tornando-a igualmente um recinto sagrado e inviolável. ... Certamente, quando a pá do arqueólogo desenterra uma cidade, encontra ele um recinto murado, uma cidadela, feita de materiais duráveis, ainda que o resto da cidade não tenha muralha nem estruturas permanentes. Isto é verdade desde Uruk até Harapa. Dentro daquele recinto, geralmente encontra ele três grandes edificações de pedra ou de tijolos cozidos, edificações cuja própria magnitude as coloca apartadas das demais estruturas da cidade: o palácio, o celeiro e o templo. A própria cidadela apresenta muitos traços de um recinto sagrado: a altura e espessura exagerada dessas muralhas, nas cidades mais antigas, que chegam a rivalizar com a Khorsabad do século XVIII, mostra-se significativamente fora de toda proporção aos meios militares que então existiam para assaltá-las. É apenas a bem de seus deuses que os homens se entregam tão extravagantemente a tais esforços. Todavia, o que a princípio se destinava a assegurar o favor do deus, mais tarde pode ter trazido recompensa, na prática, como uma proteção militar mais eficiente. O propósito simbólico provavelmente antecipou a
função militar. Nesta questão estou de acordo com Mircea Eliade.” 182
Se por um lado, as hierofanias ordenam inicialmente a compreensão das esferas do sagrado e do profano numa perspectiva absolutamente intuitiva, a co-periodicidade dos eventos e das coisas, compreendida como um grande arco temporal que apreende em sua esfera a existência do humano e tudo o que a envolve, possibilitará a apreensão mais constante entre as regularidades do mundo. São os princípios do que mais tarde convencionou-se denominar empiria. É claro que o seu estatuto de experiência, sequer poderia se aproximar do que se entende por experimentalismo moderno. Mas as suas bases estavam apenas sendo lançadas, ainda que intuitivamente. Assim, se as hierofanias são os primeiros indícios de uma ordenação possível, a co-periodicidade entre os eventos possibilitará a intuição do que modernamente se denomina empiria.
Essa empiria, ou o conhecimento a partir da experiência, ainda não encontrou a sua forma conceptual oposta, o racionalismo,183 ou ainda, de um tipo de conhecimento do mundo que se dá essencialmente através da razão. Permanece antes na perspectiva de um conhecimento que se faz a partir da observação da existência de certas regularidades em eventos semelhantes e, antecede àquilo, que entre os gregos, posteriormente se denominará doxa,184 ou opinião, que compõe um dos aspectos do conhecimento das coisas.
É nesse cenário que antecede à razão que as primeiras formas ordenadas do viver indicam a aparição de estilos de vida, de repetições comportamentais fixadas pela prática num mesmo local, pela prática cotidiana do plantio e dos cuidados com os animais. É desses rigores do trato dos animais e dos vegetais que a vida efetivamente se organiza num cotidiano, na repetição dos mesmos atos sistematicamente ordenados segundo a finalidade última da subsistência. Caso contrário a vida não seria agrária.
Emergem daí os primeiros hábitos e costumes, as primeiras formas que antecedem a uma Ética, as primeiras formas de ser e estar no mundo segundo uma regularidade necessária e que constitui-se conforme os trabalhos nos campos. Seus ambientes construídos assim o atestam.
Desse estilo de vida pouco se sabe dado que os registros são escassos e que a escrita ainda não havia sido organizada. Esses antigos povoados, longinquamente situados na passagem do período Paleolítico ao Neolítico, foram construídos em tijolos de barro secos ao sol, e foram denominados povoados tell. Eles são os primeiros testemunhos da fixação humana em verdadeiras aglomerações, ainda que modestas. Entre eles
182
A Cidade na História - Suas Origens, Transformações e Perspectivas, op. cit., pg. 46.
183 “Racionalismo. 3. Filos. Doutrina segundo a qual nada existe que não tenha uma razão de ser, de tal modo que, de direito, nada
existe que não seja inteligível. 4. Filos. Doutrina segundo a qual todo conhecimento verdadeiro é conseqüência necessária de princípios irrecusáveis a priori e evidentes. 5. Filos. Segundo Kant, doutrina que afirma que a experiência só é possível para um espírito que disponha de um sistema de princípios universais e necessários que organizam os dados empíricos. 6. Filos. Crença na razão e na evidência das demonstrações.” Novo Dicionário da Língua Portuguesa, op. cit., 1180.
encontra-se Çatal Hüyük, na antiga região da Anatólia, atual Turquia. Eis uma rápida descrição, conforme LLOYD/MÜLLER (1980), do que lá foi escavado:
“Para observar mais uma elaboração precoce das idéias
arquitetônicas desta fase neolítica do desenvolvimento humano (ainda no sétimo milênio), mais uma referência ao sítio de Çatal Hüyük, perto de Konya no sul da Anatólia. Aqui não estamos diante de uma cidade mas sim de uma municipalidade que cobre cinqüenta acres [aproximadamente 13 hectares] ou mais. As casas, construídas em tijolos de barro secos ao sol, estão dispostas contiguamente quase como células de uma colmeia, mas cada qual possui vários cômodos retangulares igualmente concebidos, e cada uma é acessível somente por uma escada de madeira a partir de seu terraço. Os terraços são, é claro, intercomunicados e provêm espaço para a vida em comum de seus habitantes. Existem várias características estranhas nessas construções. Algumas aparentam ser um santuário e são ornamentadas com cabeças ou chifres de animais, às vezes reais, às vezes reproduzidas em emboço. As paredes são decoradas com murais coloridos, repetidamente repintados após novos emboços; os desenhos se aproximam muito das pinturas das cavernas do último período cultural [Período Paleolítico]. Como nas demais habitações, a sala principal tem uma plataforma elevada onde se dorme, e a lareira é usualmente colocada debaixo da escada de entrada, assim a fumaça pode escapar pela abertura do alçapão de entrada. ... Um novo elemento surge nesses assentamentos de Çatal Hüyük, especificamente a necessidade de defesa periférica, inicialmente contra animais mas também provavelmente contra a rivalidade de outras comunidades. O acesso aos terraços a partir do exterior é feito novamente por escadas removíveis, e os muros
externos das casas não possuem portas ou janelas.” 185
As figuras 36 186, 37 187 e 38 188, mostram respectivamente uma fração do plano da cidadela, uma perspectiva da reconstituição do plano da cidade e uma reconstrução idealizada do interior de uma das casas desse mesmo vilarejo de Çatal Hüyük.
A essa altura da história essas aldeolas mantinham-se graças à sua concepção geral. As habitações, concebidas como um maciço, mas articuladas entre si através do pátio interno comum a todas elas, não possuíam acessos ao nível do solo para o exterior, de modo que seus
habitantes deveriam antes subir nas coberturas das casas para depois descerem ao interior da aldeola. Seus terraços poderiam ser usados através de um sistema de escadas ao ar livre conformando um segundo piso disposto à vigília permanente e assim defensivo. É datado desse mesmo período um outro dispositivo defensivo introduzido em Jericó, trata-se da torre circular.189
185
LLOYD, S./MÜLLER, H. W.: Ancient Architecture, Itália, Milão, Electa Editrice, 1980, pg. 09.
186
Legenda da figura 36: “Çatal Hüyük, parte do plano da cidade, nível VI B (Mellaart, 1967).” Ancient Architecture, op. cit., pg. 10.
187
Legenda da figura 37: “Çatal Hüyük, perspectiva reconstruída de parte do plano da cidade, nível VI B (Mellaart, 1967).” Ancient Architecture, op. cit., pg. 10.
188
Legenda da figura 38: “Çatal Hüyük, reconstrução do interior de uma casa típica (Mellaart, 1967).” Ancient Architecture, op. cit., pg. 10.
189
Conforme ainda LLOYD/MÜLLER (1980), em “Retornando por um momento a Jericó, pode-se ver a mais familiar e provavelmente a mais efetiva precaução para a defesa. Os escavadores expuseram as ruínas de uma enorme torre circular construída em pedras, com vinte e seis pés de diâmetro [aproximadamente 8,5 metros], e eventuais partes do muro defensivo.”
Figura 36
Figura 37
A figura 39 190 na página anterior, mostra o que restou dessa torre da cidadela de Jericó. Trata-se de uma construção destinada à presença constante de vigias que olhavam incessantemente para o horizonte com a finalidade de reconhecer qualquer um que se aproximasse excessivamente do aglomerado. O sentido defensivo dessas cidadelas parece ter sido crucial. É ainda próximo à Çatal Hüyük, na cidadela de Hacilar, ainda na antiga Anatólia, que a estabilidade climática promovida pelo globo é transcrita numa nova cidadela onde mais uma vez o tema da defesa é evocado por LLOYD/MÜLLER (1980):
“Em outros lugares do sul da Anatólia, em Hacilar perto de
Burdur, novamente pode-se ver exemplos desses antigos acontecimentos: a planificação dos edifícios segundo uma intenção defensiva. O assentamento datado dos finais do período Neolítico mostra abrigos com uma mesma planta baixa, nos quais os proeminentes volumes das lareiras domésticas foram diametralmente colocadas em relação à porta de
entrada.” 191
As figuras 40 192 e 41 193 referem-se ao antigo povoado de Hacilar. Conforme pode-se ver, a estrutura da cidadela indica a mesma preocupação defensiva, segundo a qual as habitações não se abrem diretamente para o exterior da aldeia. Entretanto, se em Çatal Hüyük e em Hacilar os assentamentos são dispostos segundo intenções semelhantes, em Khirokitia isso transcorre diferentemente. A figura 42 194 na próxima página, apresenta uma distinta tipologia de residências que conformam uma outra morfologia urbana. Ela existiu na ilha de Chipre, no Mar Mediterrâneo. Segundo ainda LLOYD/MÜLLER (1980):
“Comparativamente, é interessante notar que um assentamento
contemporâneo ou um pouco mais recente em Khirokitia na ilha de Chipre, aparentemente não requeria defesas periféricas. Aqui as casas retiveram a forma circular arcaica e eram cobertas com domus de tijolos de barro sobre uma estrutura de pedras. Há dentro um piso superior apoiado em pilares de madeira a acessível por uma escada de madeira.” 195
Nesse caso as habitações não são concebidas como nos outros dois povoados. O sentido de proteção íntima, ou pelo menos de menor vulnerabilidade, é assegurado pela condição insular e gera habitações que não se articulam segundo uma fortificação, ou seja, que não se fecham para o exterior.
Contudo, mesmo nesse caso isolado na história das comunidades humanas, pode-se observar a existência de um muro periférico ao redor de parte da cidadela de Khirokitia, que se não engloba toda a cidadela, ao menos determina com precisão algum tipo de domínio ou distinção entre o sagrado e o profano, entre o interior e o exterior, entre a vida do interior da aldeia sob a proteção divina e a vida exterior, desprotegida e entregue às Ancient Architecture, op. cit., pg. 09.
190
Legenda da figura 39: “Jericó, restos de uma torre neolítica.” Ancient Architecture, op. cit., pg. 10.
191
Ancient Architecture, op. cit., pg. 11.
192
Legenda da figura 40: “Hacilar, diagrama isométrico da Fortificação II (Mellaart, 1965).” Ancient Architecture, op. cit., pg. 11.
193 Legenda da figura 41: “Hacilar, diagrama isométrico de uma casa neolítica (Mellaart, 1965).” Ancient Architecture, op. cit., pg.
11.
194
Legenda da figura 42: “Khirokitia (Cyprus), reconstrução de uma vila neolítica.” Ancient Architecture, op. cit., pg. 11.
195
Ancient Architecture, op. cit., pgs. 09 e 11.
Figura 40
Figura 41 Figura 39
hostilidades naturais. As esferas estavam definidas, o mundo já havia sido dividido em duas amplitudes diferentes, em dois domínios distintos. Assim, ao que tudo indica as teses de Munford e Eliade podem ser facilmente admitidas.
Retornando à descrição desse período, os parcos registros dessa temporalidade são mais duradouros que aqueles dos períodos