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BÖLÜM 3. 19.YÜZYILDA OSMANLI İMPARATORLUĞUNDA DEĞİŞİM ve YAPILANMA

3.6 Kurumsal Yapı

8.2. A Síntese Arquitetônica Grega e o Conceito de Phrónesis / A Passagem da Madeira à Pedra / As

Dificuldades de Manipulação do Novo Material Construtivo / As Primeiras Soluções Técnicas / A

480

Topomorfo: “De tópos = lugar e morphé = forma.” Antropologia Filosófica II, op. cit., nota no 78, pg. 43.

481

Construção das Colunas / Algumas Técnicas de Içamento e Consolidação dos Blocos de Pedra / A Sofisticação das Correções Ópticas e o Ajuste das Partes / O Templo Como um Todo a Ser Contemplado /

Da Técnica à Ética.

Conforme já exposto anteriormente a evolução dos templos dóricos é lenta e grandes esforços têm sido realizados no sentido de esclarecê-la. Contudo, os critérios de avaliação e sistematização de seus sucessivos avanços técnicos ou formais que, quase invariavelmente recaem ou na impossibilidade de datações precisas daquelas ruínas ou na eventualidade da reunião de alguns comentários retirados de textos antigos, parecem não ser suficientes de modo que se estabeleça uma visão linear de sua evolução. Para além de indicar o inexpugnável sentido de auto-superação grego, a abordagem da evolução técnica dos templos dóricos 482 é de fundamental importância no contexto da dissertação já que o próprio movimento evolutivo de suas técnicas construtivas assim como a sua sofisticação formal, denunciam e comprova o sentido

sintético do ethos grego transposto materialmente aos ambientes construídos. Além do mais, essa síntese materializada ilustra e atesta a existência do núcleo conceptual apreendido pelo termo phrónesis para o qual concorre a sabedoria prática coroada pela centralidade do humano e permeada pela idéia do bem. Assim, convergem para a exemplaridade sintética da arquitetura templária grega não só elementos de ordem racionais e empíricos apreendidos nas próprias tecnologias construtivas como também a centralidade do

humano representada pelo bem fazer ético, ou como o resultado sintético e secular do ethos grego.

Eis então a razão para o longo percurso anteriormente apresentado pela dissertação que se inicia nos primórdios com a aparição e evolução dos primeiros hominídeos e a partir dos quais as noções de permanência, regularidade e ordenação do mundo passam a ser remontadas de modo a atingir-se a síntese grega que é coroada pela centralidade do humano. Assim, todas as categorias anteriormente apresentadas ou abordadas visavam unicamente à construção dessa unidade grega da qual decorrem os seus templos. É através desse esforço que se procurou montar uma versão, ainda que insuficientemente completa, para o surgimento e entendimento da primeira grande matriz arquitetônica ocidental.

Tão logo a idéia de templo se enraíza e encontra o seu estatuto formal relativamente definido entre os gregos as soluções técnicas para a sua construção passam a se superpor e a superar-se sendo sistematicamente aprimoradas. Os materiais menos duráveis, na medida do possível, vão sendo substituídos por outros mais resistentes. O mesmo ocorre com relação aos procedimentos técnicos que acompanham a trabalhabilidade de cada material substituído. Assim, paralelamente à troca dos materiais e o conseqüente esmero requerido na confecção das partes construtivas, as técnicas de montagem, expedientes de encaixes e fixação, artifícios de transporte das partes ao canteiro de obras, vão sendo aprimorados e melhor estudados de modo a se conseguir o aprimoramento geral das obras.

Nessa linha de raciocínio ou de sucessões tecnológicas, às primeiras colunas de madeira com as quais os templos são construídos seguem-se as colunas de mármore. Ao descrever uma das primeiras construções dóricas, o templo de Hera em Olímpia conforme a figura 100 483, apresentada na página anterior, ROBERTSON (1997), afirma que embora as suas características arquitetônicas sejam admiravelmente avançadas,

“...os materiais e métodos construtivos são os da era precedente [a Idade dos Heróis]. Até uma altura de

90 cm, as paredes são de primorosa alvenaria de pedra; acima desse nível eram de tijolo secos ao sol e,

482

Conforme o interesse da dissertação, a abordagem construtiva dos templos em momento algum se prenderá às abordagens das ordens gregas no que concerne às suas proporções e métrica, assunto já largamente abordado em vários trabalhos. O interesse dessa seção recai unicamente na descrição tecnológica desses templos, materiais empregados, soluções técnicas, etc.. Assim, aqueles elementos arquitetônicos descritos através dos termos técnicos específicos dessa arquitetura templária somente serão descritos na exata medida de sua aparição das notas ou citações.

483

Legenda da figura 100: “Templo de Hera em Olímpia.” Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 76.

consequentemente, as antas, como em Tróia e Tirinto, eram revestidas em madeira.” 484

Nada poderia ser mais natural. É perfeitamente concebível que os avanços tecnológicos e mesmo a habilidade construtiva empregada na construção dos templos não acontecesse aos saltos, abruptamente, mas como de costume, lentamente e através de pequenos avanços e retrocessos. Àquela altura da história, quando a natureza ainda não estava modelada pelo cientificismo matematizado, os avanços tecnológicos estavam estreitamente relacionados ao estatuto empírico desse conhecimento, dependia efetivamente de ensaios, acertos e erros, o que demanda necessariamente tempo para o seu desenvolvimento.

Mais à frente o mesmo autor prossegue evidenciando a utilização de madeira tanto nos pilares como em alguns detalhes construtivos:

“Além disso, originalmente as colunas eram de madeira. Isto nos é assegurado por dois dados: em

primeiro lugar, Pausânias, no século II d.C., descobriu que uma das colunas do opistódromo era de carvalho; em segundo as colunas remanescentes são de uma extraordinária mistura que envolve desde o estilo e a técnica do século VII ou o início do século VI a.C. às formas helenísticas ou romanas. É óbvio que foram erigidas gradativamente ao longo dos vários séculos. Desde o início, todavia, devem ter existido colunas de alguma espécie e a única conclusão possível é que estas eram de madeira. ... Nada

sabemos acerca da arquitrave, friso ou cornija, que sem dúvida eram em madeira...” 485

ROBERTSON (1997) ainda retoma o templo de Apolo Termeu construído sobre o Mégaron B, anteriormente citado e apresentado conforme as figuras 88 e 90 revela que em sua construção a madeira fora largamente utilizada:

“Era excepcionalmente estreito, mesmo para um templo arcaico, apresentava uma fileira central de

colunas internas e media, no estilóbato [486], aproximadamente 12 m. por 38 m.. O acesso ao interior não

se dava por um pórtico nem tampouco por uma porta aberta em uma parede sólida; em vez disso, a primeira da fileira interna de colunas erguia-se in antis, na abertura entre as paredes laterais da cela,

[487] com os vãos em cada um de seus lados vedados por portas de madeira. O santuário foi saqueado

duas vezes no final do século III a.C. e as ruínas revelam indícios de uma restauração precipitada; é provável, porém, que as colunas fossem originariamente de madeira, gradativamente substituída, a exemplo de Olímpia, pela pedra. O material da parte superior das paredes é incerto: provavelmente não era de pedras, mas possivelmente madeira. Provavelmente o entablamento era de madeira até o final e havia métopas de terracota que evidentemente se encaixavam em tríglifos de madeira; ...” 488

Como se sabe, as madeiras de antigamente não poderiam ser muito diferentes das madeiras conhecidas de hoje e assim os problemas de sua manutenção deveriam ser os mesmos. Conforme o autor o material que as sucedeu foi a pedra; material muito mais estável, quase indiferente às variações de umidade e temperatura do ar, indestrutível por fungos ou insetos. Entretanto sabe-se que o mesmo tratamento técnico não poderia ser dispensado a materiais de constituições tão diferentes.

A madeira por constituir-se de fibras orgânicas dispostas longitudinalmente no maior sentido do tronco é um material macio e leve se comparado à densidade e dureza das pedras. Mais objetivamente, seria muito mais difícil para os construtores e arquitetos gregos a extração de uma peça de pedra nas proporções e dimensões

484

Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 76.

485

Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pgs. 76 e 77.

486Primeiramente: “Estilóbato. Espécie de envasamento com base e cornija, formando um pedestal contínuo, que sustenta muitas

colunas.” Dicionário de Belas Artes - Termos Técnicos e Afins, op. cit., pg. 224. Complementando: “Estereóbata. Vitrúvio define stereobatae como as paredes situadas abaixo das colunas acima do nível do solo; aparentemente ele trata estilóbato [termo grego], o nível do piso sobre o qual assentam efetivamente as colunas, como um elemento separado, acima da estereóbata. Possivelmente estivesse pensando no pódio dos templos romanos. Os autores modernos empregam o termo com acepções variadas, e o mais prudente é evitá-lo.” Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 455.

487 Primeiramente: “Cela. Na antigüidade: local onde se colocava a estátua do deus, ficando separada por grade. Havia tantas celas

quantas divindades.” Dicionário de Belas Artes - Termos Técnicos e Afins, op. cit., pg. 132. Complementando: “(cela; [termo grego] corresponde aos vocábulos áticos [termos gregos]; os termos gregos via de regra não se restringem à acepção mais limitada de „cela‟, embora o termo „naos‟ seja, com freqüência, utilizado nesse sentido pelos autores contemporâneos).” Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 451.

488

de um tronco de madeira. Além do mais, o seu transporte estaria grandemente dificultado por seu peso e pela inflexibilidade do próprio material e a eventualidade de rompimentos. Some-se ainda a esses empecilhos iniciais as dificuldades de manipulação no canteiro de obras de 40 ou 50 blocos de pedra medindo cada um de 8 a 10 metros de comprimento. Tratava-se indubitavelmente de desenvolver novas formas tecnológicas de modo a contornar as limitações desse novo material extensivamente empregado nas construções: a pedra. Essas novas estratégias de trabalho certamente não se limitariam aos procedimentos usuais de trabalho mas teriam que se amplificar na invenção e construção de novas ferramentas mais fortes e duráveis, no profundo conhecimento do material e suas propriedades, em novos métodos de trabalho, em novas formas de corte e transporte dos blocos de pedra, em novas modos de organização do canteiro e, enfim, numa nova sensibilidade dos construtores; sem dúvida a tarefa mais árdua.

Como se sabe hoje, a inventividade grega foi capaz de solucionar essas questões de vários modos. Primeiramente decompondo as colunas em segmentos cilíndricos de pedra, ou os tambores.489 Desse modo todas as questões anteriores estariam relativamente facilitadas e solucionadas. A próxima questão a ser equacionada seria o sistema de fixação e consolidação desses blocos o que se fez engenhosamente de algumas formas que serão descritas a seguir. Segundo mais uma vez ROBERTSON (1997) eis a organização mais geral dos trabalhos gregos para a construção das colunas:

“A coluna dórica origina-se diretamente do estilóbato, a parte externa do corpo do crepidoma [490

],

desprovida de base. Seu fuste contém 20 caneluras [491], que normalmente se interceptavam em

extremidades bem pronunciadas ou cantos vivos, ao passo que na ordem jônica o número habitual é de 24 e as concavidades quase invariavelmente são separadas por listras estreitas de superfície sem caneluras. Normalmente, como no caso presente, o fuste é composto por tambores separados por listras aos quais eram aplicadas as caneluras depois de erguidas as colunas; as juntas aqui foram totalmente

encobertas pelo estuque de mármore.” 492

Ora a decomposição das colunas em tambores, implica numa série de procedimentos técnicos específicos para a sua montagem, entre eles o desenho de gabaritos das caneluras sobre os toscos blocos de mármore que chegavam das pedreiras. Eis uma descrição de DINSMOOR (1950) para a construção dessas colunas da qual se depreende o grau de dificuldade dessas operações e alguma sofisticação tecnológica grega:

“Os tambores das colunas vinham da pedreira em forma de

discos irregulares, grosseiramente trabalhados com o picão e a marreta, não apenas no exterior cilíndrico, mas também no topo e na base. A partir de quatro pontos da circunferência saíam largas saliências, de 20 a 25 cm de largura e 15 a 20 cm de projeção, sugerindo que foram cortadas dos cantos de um bloco quadrado a partir do qual o tambor estivera inscrito. Retirados das pedreiras do Pentélico, o transporte deve ter sido feito por carrinhos, puxados por 30 ou 40 juntas de bois, mencionados nas inscrições de Elêusis e responsáveis pelas marcas encontradas nas pedreiras e estradas. Apenas os tambores excepcionalmente grandes, como aqueles de Selinus, eram transportados pelo método descrito por Vitrúvio: rolando pelo chão. Os tambores eram dispostos no chão e preparados

inicialmente conforme um gabarito perfeitamente circular de aproximadamente 4 cm maior do que o diâmetro final. A borda desse círculo determinava a posição da talha da pedra que era realizada com outros 4 cm de altura; o resto da circunferência do tambor era então preparada de acordo com a

489“Tambor. Fiadas de pedras redondas, mais largas ou grossas que altas, que forma o fuste ou tronco das colunas;...” Dicionário de

Belas Artes - Termos Técnicos e Afins, op. cit., pg. 475.

490“Crepidoma. Em grego esses termos normalmente se restringiam ao bordo externo, em degraus, da plataforma de um templo,

cujo restante era denominado [termo grego] em Atenas e [termo grego] no Peloponeso.” Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 453.

491 Primeiramente: “Canelura ou Acaneladura. Sulcos em meia-cana ao longo do fuste das colunas.” Dicionário de Belas Artes -

Termos Técnicos e Afins, op. cit., pg. 115. Complementando: “Canelura. O canelamento horizontal do toro da base jônica, designado pelos mesmos termos gregos nas inscrições, recebe por vezes o nome de „junco‟.” Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 451.

492

Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pg. 50.

superfície indicada pela margem talhada, primeiramente cortando-se canais verticais no meio da distância entre as saliências, depois por canais suplementares emoldurando as saliências e, finalmente, moldando as 12 áreas intermediárias com uma superfície finamente granida. Somente as quatro protuberâncias permaneciam intocadas. No tambor mais baixo de uma coluna dórica as caneluras eram deixadas com 5 a 7,5 cm de altura, sendo o resto do tambor deixado na sua cobertura rugosa e cilíndrica. Então, conforme os preparativos descritos acima, o tambor estava pronto para ser para ser içado e encaixado; o gabarito superior correspondente não era executado até que o próximo tambor estivesse pronto para ser assentado. Onde o estilóbato recebia o primeiro tambor da coluna a superfície era escavada [ver figura 101 493 página anterior] e aí eram traçados os diâmetros referentes aos eixos da

coluna e em muitos casos também a sua circunferência; a área no interior da superfície do último tambor era levemente trabalhada para conferir alguma aderência à superfície inferior do próximo. A superfície inferior do primeiro tambor das colunas de mármore dóricas da era de Péricles não estavam firmemente atadas ao estilóbato; mas nos encaixes superiores os arranjos eram diferentes. Um quadrado era escavado no centro das superfícies de contato dos tambores, algo em torno de 10 a 15 cm quadrados e 7,5 ou 10 cm de profundidade, onde peças de madeira (empolia [494]) de ciprestes eram fixados; no

centro exato do tambor, um outro furo de 5 cm de diâmetro era feito nessas peças nos quais um segundo pino circular de madeira era introduzido, formando um método simples de ajuste e empilhamento dos

tambores.” 495

ROBERTSON (1997) indica ainda outro método de fixação dos tambores denominado anatirose. Esse segundo método foi utilizado várias vezes associado ao método das empolias, e seu emprego encontra-se mais difundido na execução das alvenarias de pedras aparelhadas ou cantarias:

“As juntas entre tambor e tambor eram, de ordinário, firmemente engastadas por obra unicamente de um

anel que contornava as bordas. A parte interna desse anel compreende uma superfície áspera, seguindo- se uma ligeira reentrância circular, com uma abertura profunda no centro para acomodar blocos de madeira [o mesmo sistema descrito acima], ou empólios, que continham as cavilhas de madeira, ou

poloi, que interligavam os tambores. Tal sistema de engaste rígido unicamente nas bordas, chamado

anatirose, era de uso corrente também nas juntas verticais e horizontais dos blocos retangulares que formavam as paredes. Os blocos de uma mesma fiada eram interligados por grampos metálicos e aqueles situados em fiadas diferentes por cavilhas metálicas, ambos normalmente de ferro batido, com a utilização também de chumbo derretido para firmar tanto grampos como cavilhas no lugar. Um fino

revestimento de argamassa de cal era por vezes acrescido a fim de garantir a compactação da junta.” 496

O emprego das empolias para a fixação dos vários tambores constitutivos dos pilares associadas ao método da anatirose era um método perfeito. As empolias garantiam que os vários tambores estivessem perfeitamente assentados segundo o alinhamento de seus eixos verticais e que não rodassem sobre os próprios eixos. O método da anatirose assegurava que as cargas do peso próprio e das coberturas se concentrassem apenas nas áreas determinadas pelos anéis escavados o que, associado ao alto coeficiente de atrito do material mármore, tornava perfeita a consolidação e aderência de bloco para bloco. Desse modo todos os esforços horizontais que porventura pudessem deslocar os blocos estariam contidos e os acabamentos das colunas poderiam ser realizados sem desperdício de energia ou trabalho.

Contudo os problemas relacionados às construções de pedra não se limitavam ao empilhamento, ajuste, fixação e acabamento de cada peça, mas também se relacionava ao seu transporte. A figura 102 497 ilustra alguns procedimentos e métodos utilizados pelos gregos para transportar os blocos semi-acabados à sua posição específica. Tratam-se de expedientes de içamento dos mesmos. Para isso os blocos recebiam pequenas incisões através das quais eles poderiam ser presos por meio de cordas, ganchos ou cunhas, elevando-os seguramente às posições preestabelecidas.498 DINSMOOR (1950) descreve alguns desses

493 Legenda da figura 101: “Construção da coluna, mostrando o pino central.” The Architecture of Ancient Greece - An Account of Its

Development, op. cit., pg. 172.

494

Ver o sentido do termo empolia na próxima descrição recolhida de Robertson.

495

The Architecture of Ancient Greece - An Account of Its Development, op. cit., pgs. 171 e 172.

496

Arquitetura Grega e Romana, op. cit., pgs. 76 e77.

497 Legenda da figura 102: “Formas de sistemas de içamento. (a, b) laços com corda; (c, d) tenazes; (e) cunha de ferro.” The

Architecture of Ancient Greece - An Account of Its Development, op. cit., pg. 174.

498

procedimentos:

“Para içar e locar, tenazes suspensas trabalhavam com

roldanas e usualmente gruas prendiam as protuberâncias deixadas nas faces expostas dos blocos, os quais podiam ser colocados diretamente no seu local específico e quase na sua exata posição, não sendo necessário de ser escorado ou outro ajuste através de um deslocamento lateral de alguns centímetros por meio de alavancas. Para algum trabalho especial, as tenazes suspensas agarravam as superfícies dos blocos por meio de encaixes especiais; o último bloco a ser instalado na fileira, o bloco do meio, tinha seus encaixes no topo, de modo que pudesse ser colocado exatamente na posição entre as superfícies verticais dos seus blocos vizinhos e ao mesmo tempo deixar as tenazes suspensas livres para serem retiradas. Essa preocupação com a remoção do aparato de elevação dos blocos demonstra todas as variadas invenções empregadas no início e no fim das operações: cabos passavam através de túneis nos topos dos blocos (como no templo de Hera em Olímpia) ou

através de sulcos na forma de „U‟ (como no templo de Zeus

Olimpus em Ácragas), ou instrumentos de ferro encaixados perfeitamente nos sulcos nos topos dos blocos (presos somente pelo meio nos melhores períodos gregos e por dois lados no período helenístico tardio e no romano).” 499

Conforme se vê, as tecnologias dos trabalhos em pedras, destinadas à substituição das construções em madeira, são sofisticadas e laboriosas.500 Além dos cuidados requeridos na escolha dos melhores blocos, marcação dos gabaritos, corte das pedras e

sistemas adequados ao transporte das partes às posições corretas, outras providências deveriam ser tomadas com respeito à sua perfeita fixação. Esse procedimento tecnológico, similar às empolias, consistia em incrustarem-se grampos 501 de metal forjado em pequenas escavações nos blocos unindo-os de modo que não se movimentassem segundo as alterações de temperatura ou pequenos movimentos da base talvez causados por tremores de terra.