BÖLÜM 4. ANADOLU ŞEHİRSEL AĞI / YERLEŞMELER SİSTEMİ
4.2 Yerleşmeler Sisteminde Değişim
4.3.11 Ankara Vilayeti Kayseri Sancağı: Kayseri Kenti
8.4. O Kósmos: a Harmonia e a Unidade do Logos / O Logos e Sua Proporcionalidade Com o Nómos /
Kánon e Métron: as Medidas no Interior do Logos / A Razão da Razão: A Lógica ou o Método de Pensar / O Logos Apodeiktikós e o Silogismo Lógico: Uma Gramática Para Uma Lógica / A Arquitetura Grega Como
Gramática / A Proporcionalidade do Ethos Grego e os Ambientes Construídos.
Conforme o exposto na seção anterior seguem-se às três acepções do termo ethos três formas correlatas segundo as quais as comunidades históricas expressam-se nos ambientes construídos. No caso grego, essas três formas parecem suceder-se no tempo na medida em que o ethos aproxima-se de sua vocação da
centralidade do humano e que as regularidades da physis vão-se organizando não apenas segundo a
“necessidade transiente da physis”, mas também, e principalmente, segundo o “finalismo imanente do logos”. É então de acordo com a terceira concepção de ethos, na sua forma ethos-hexis, que este abre no
mundo o seu espaço ou o lugar da cultura. Se expressa desse modo como uma natureza de segunda ordem a partir da qual os ambientes construídos, homologamente concebidos, passam a ser denominados arquitetura. Essa arquitetura é assim depositária desses movimentos sucessivos em direção ao ethos-hexis e que vem a demonstrar, ou especificar, nos ambientes construídos, a sua “personalidade ética”. Essa é uma das aproximações possíveis entre a arquitetura templária grega e seu ethos.
Uma segunda aproximação entre a arquitetura templária grega e o seu ethos encontra-se na representação do
logos nos ambientes construídos. Entretanto, essa passagem não se dá de modo contínuo e não sem algum
esforço expositivo.
Para ilustrar essa nova passagem da Ética à arquitetura templária grega, pelo menos duas idéias podem ser suscitadas: a dimensão do equilíbrio e proporção, noções correlatas ao sentido de justiça nas cidades-estado. Essa forma de expressão advém de uma profunda intuição e crença na existência de um princípio ordenador e unificador ao qual se submeteria não só a ordem das cidades assim como os seus objetos ou os ambientes construídos tomados separadamente. Anteriormente a esse momento de síntese grega, ambas as dimensões residiam no interior da ordem mitológica num todo que se articulava segundo uma paridade ou analogias às experiências humanas. Assim, conforme WARTOFSKY (1987), as noções de equilíbrio e proporção já haviam sido antecipadas pela mitologia. É a partir dessa organização mítica que emerge a posterior ordenação do logos:
“A mitologia grega incluía uma explicação, relativamente sistematizada, acerca de como surgiu o
kósmos [mundo, universo] e como ele foi ordenado, assim como um conjunto de prescrições e modelos para o comportamento humano. Como em todos os mitos cosmogônicos, [os gregos] concebiam a origem e o desenvolvimento do kósmos análogos à experiência humana, e as relações entre os deuses expressavam as relações, imaginativa e antropomorficamente concebidas, entre os elementos do mundo natural. De um cháos [caos] original, e das lutas pelo poder das primeiras gerações de deuses, surgiu uma ordem de coisas dispostas de acordo com uma lei que a tudo abarcava e cuja necessidade era imóvel. As leis dos homens e as características da ordem social se encontravam expressas na estrutura do mito: considerava-se que a divisão territorial, a hierarquia de poderes e o castigo das transgressões
se produziam de acordo com a lei, e a equidade das primeiras formas de justiça humana se manifestavam na forma de equilíbrio e proporção corretos, isto é, na harmonia que a lei faz surgir da luta e que se encontra em todos os relatos míticos. Se dispunha assim de um protótipo de explicação sistemática das razões das coisas: uma explicação teórica e pré-científica em função de entidades hipotéticas.” 525
Por outro lado, a idéia de um princípio ordenador e unificador já existia na idéia de kósmos. Conforme ainda WARTOFSKY (1987):
“Os mitos acerca da origem do mundo refletiam esse profundo sentido de „ordenação correta‟ [orthòs lógos 526]: o kósmos surgiu do cháos original [vazio obscuro e ilimitado que precede e propicia a geração do mundo] mediante essa ordenação ou proporção correta. O racionalismo iniciado pelos gregos já se
expressava na noção que uma uniformidade original, um confuso aglomerado de coisas desordenadas, poderia ser submetidas a um princípio de ordem unificadora.” 527
Assim os princípios necessários à aparição do logos ordenado, a dimensão do equilíbrio e proporção correta da justiça e a intuição de ordem unificadora, encontravam-se desde muito difundidas entre os gregos, ambas no interior da idéia de kósmos. É então esse logos que preside a ordenação das leis, nómos, necessárias à ordenação política e social das cidades-estados.
Contudo, é a passagem do logos à ciência, ou à episthéme, que contém mais explicitamente os elementos de interesse mais próximos à dissertação. Esses elementos iluminam a aproximação entre essa forma conceptiva ética e a sua passagem aos ambientes construídos. Trata-se da concepção da lógica. Essa passagem do logos à ciência, ou episthéme, realizada pelo povo grego estabelece uma diferença radical, um grau de diferenciação entre sua forma civilizatória e as civilizações vizinhas ou contemporâneas: a supremacia de uma ordem científica subsumida à potência de uma nova forma Ética de ser e estar num mundo que é racional.
Conforme VAZ (1988),
“A passagem do saber à ciência assinala uma das mais profundas revoluções conhecidas pela história
humana. Ela pode ser caracterizada como aquele momento em que a racionalidade latente e difusa no esforço milenar do homem, para submeter a natureza a seus fins de utilização, para buscar nela as matrizes simbólicas das suas representações e crenças e para organizar seu próprio mundo humano, eleva-se sobre os enigmas do mito e sobre a cinzenta monotonia das rotinas empíricas e aparece como um grande sol que ilumina e atrai poderosamente tudo o que se move no universo físico e intelectual.”
É a partir desse nascimento orientado pela necessidade da organização política das cidades-estado e pela necessidade de uma certa estabilidade dos hábitos e dos costumes ordenados segundo normas e interditos do agir e pensar Éticos, que a razão ordenadora desdobra os seus esforços sobre si mesma presidindo o nascimento da ciência.
Nessa perspectiva do justo e do harmonioso como uma unidade conceptiva, o advento da ciência não encontraria na physis os elementos necessários à sua perfeita construção pois que estaria circunscrita à sua
“necessidade transiente”. É então segundo a centralidade do humano e de sua intencionalidade em realizar
sobre o mundo uma natureza de segunda ordem que é a pólis que a razão encontra em seu interior a sua
própria ordenação que é segundo o “finalismo imanente da razão”. Resta então, à própria razão, o esforço de
se orientar segundo a sua própria imanência. Como quer VAZ (1988):
525
Introdución a la Filosofía de la Ciencia, op. cit., pg. 97.
526
Conforme Henrique C. de Lima Vaz, esse orthòs lógos, indica inequivocamente uma relação de homologia entre a justiça e direito na pólis e a reta conduta individual. “A razão imanente ao livre consenso e que se explicita em leis, regras, prescrições e sentenças é o que se denomina propriamente Direito e que está para a comunidade como a razão reta (orthòs lógos) está para o indivíduo.” Escritos de Filosofia II - Ética e Cultura, op. cit., pg. 136. Assim é que os gregos ao agirem no sentido da pacificação da selvageria da aristocracia guerreira, proclamam a legitimação consensual do poder como que medida e lógica do ser civilizado.
Homologamente, os templos gregos se inscrevem nessa perspectiva da conquista da civilização, razão pela qual seu paradigma jamais foi esquecido pelas civilizações posteriores. Suas ordens expressam exatamente essa conquista ou esforço.
527
“Desta sorte, é no próprio processo da gênese da Ciência que surge e se impõe a idéia de medida ou
regra (kánon [528] ou métron [529]). A medida se manifesta em primeiro lugar como imanente à própria
razão, ao definir-se esta como um sistema de regras, como uma medida de si mesma ou, segundo a reduplicação característica do termo que originariamente a designou, como uma lógica, ou seja, uma
razão da razão.” 530
Assim, inicialmente subsumida à “necessidade transiente da physis”, mas construída segundo o “finalismo
imanente do logos”, a razão se concebe como medida de si mesma, dobra-se sobre si mesma na medida do
justo e harmonioso, prescreve-se inscrita na ordem da necessidade e do universal, estabelece critérios para a sua validade e suas regras de procedimento regrando-se a si mesma.
Esse movimento, que parece repetir o mesmo movimento de instauração de uma natureza de segunda ordem, determina o marco divisório entre doxa e episthéme, ou entre opinião e ciência. A razão, ao dobrar-se sobre si mesma como lógica, não mais em homologia ao mundo físico mas como que acima de sua “necessidade
transiente”, e ainda, acima de seu horizonte empírico, distingue as assertivas entre as não formalizadas
segundo a lógica, que são doxa ou apenas opinião, daquelas subsumidas a esse procedimento do pensar que é a lógica, doravante admitidas como episthéme ou ciência.
Como método do pensar, os procedimentos formais do pensar verdadeiro e correto instalam-se no interior da razão na forma do silogismo lógico,531 regra e medida de sua justeza e proporcionalidade. Assim concebido esse desdobramento formal do logos, anteriormente imerso nas contingências, ele procura ascender à necessidade e universalidade na forma desse logos apodeiktikós ou, a razão demonstrativa. Nesse horizonte de racionalidade, distinguem-se as assertivas informais das formais, ou doxa, opinião, e episthéme, ciência. E é a partir da ordenação do próprio silogismo lógico que emerge a aproximação possível entre os ambientes construídos e essa forma grega de ser e estar no mundo. Conforme PETERS (1983), o silogismo pode ser assim definido:
“Aristóteles definiu assim o silogismo: „Um silogismo é um argumento no qual, estabelecidas certas
coisas, resulta necessariamente delas, por serem o que são, outra coisa diferente das anteriormente
estabelecidas.‟ Tem-se observado com freqüência que esta definição é tão geral que se pode aplicar não
apenas à inferência silogística, como também a muitos outros tipos de inferência - se não à inferência dedutiva em geral. Aristóteles, no entanto, procedeu à exemplificação desta definição mediante inferências de um tipo especial: aquelas nas quais se estabelece um processo de dedução que conduz a estabelecer uma relação do tipo sujeito-predicado partindo de enunciados [sempre verdadeiros] que manifestam também a relação sujeito-predicado. Nesse processo dedutivo, além disso, supõem-se que a conclusão - que tem dois termos - é inferida de duas premissas, cada uma das quais tem também dois termos, um dos quais não aparece na conclusão. O silogismo aparece como uma lei lógica ou como uma série de leis lógicas, uma para cada um dos modos válidos. Estas leis lógicas estabelecem relações entre termos universais. ...A correspondente forma silogística usada por Aristóteles é:
Se „A‟ é predicado (é verdadeiro) de todo o „B‟, [premissa maior], e „B‟ é predicado (é verdadeiro) de todo o „C‟, [premissa menor], então „A‟ é predicado (é verdadeiro) de todo o „C‟. [conclusão].” 532
528
A palavra kánon é uma transliteração do grego que significa regra. “Cânon. 1. Regra geral de onde se inferem regras especiais. 3. Padrão, modelo, norma, regra. 4. Arquit. Qualquer uma das regras da composição (como a simetria, p. ex.), ou dos modelos plásticos que os acadêmicos queriam impor como fontes exclusivas, suficientes e definitivas, de beleza arquitetônica e valor artística.” Novo Dicionário da Língua Portuguesa, op. cit., pg. 270. É importante que se ressalte a aplicação do termo ao campo da arquitetura. Se o logos apodeiktikós, ou razão demonstrativa, manifesta o seu alcance dando as razões das coisas serem como são, ordenando-as e subsumidas na razão da razão que é a lógica, não seria estranho o seu desdobramento
529
A palavra métron é outra transliteração do grego, que de certo modo coincide com kánon.
530
Escritos de Filosofia II - Ética e Cultura, op. cit., pg. 184.
531 “Silogismo [lógico]. [Do gr. syllogismós, „argumento‟, pelo lat. syllogismu.] 1. Lóg. Dedução formal tal que, postas duas
proposições, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicadas, chamada conclusão.” Novo Dicionário da Língua Portuguesa, op. cit., pg. 1300.
532 Dicionário de Filosofia, op. cit., pgs. 369 e 370. Aristóteles funda sua definição de silogismo rumo à opinião comum. Segundo
Peters: “6. Ao discutir os tipos de silogismo, Aristóteles trata da contingência da doxa de um ângulo um tanto diferente. Um silogismo demonstrativo (apodeixis) assenta em premissas que são verdadeiras e essenciais. Assim ele difere de um silogismo
Conforme se vê, o silogismo lógico pode ser entendido como um encadeamento lógico, ou conseqüente, de propriedades atribuídas às coisas ou às idéias segundo as quais as suas peculiaridades encontram-se definidas segundo categorias relacionáveis.
Ora, nesse sentido o silogismo funda-se como que uma
gramática,533 ou como um sistema de regras de ordenação formal da linguagem e das idéias segundo a sistematização e encadeamento das partes num todo articulado e flexível, adaptável às circunstâncias e ao que se quer dizer. Não é por acaso que SUMMERSON (1997), curiosamente, expõe a antiga arquitetura clássica segundo o mesmo termo ou, a sua gramática.
“As ordens, tal como exemplificadas nesses monumentos,
variam consideravelmente de um exemplo para outro, permitindo a quem quer que seja selecionar aquilo que considera como sendo as melhores características de cada ordem e estabelecer, assim, o que considera ser a ordem ideal. Ao longo da história da arquitetura clássica, a especulação quanto aos tipos ideais de cada ordem persistiu sempre, oscilando entre o respeito preciosista e a pura invenção pessoal.
... Portanto, seria um engano considerar as „cinco ordens da arquitetura‟ como uma espécie de jogo de montar usado pelos
arquitetos para não se darem ao trabalho da invenção. É melhor considerá-las expressões gramaticais que exigem uma imensa disciplina, mas uma disciplina dentro da qual a sensibilidade pessoal tem sempre um determinado papel - mais ainda, uma disciplina que pode ser rompida por um lance de gênio
poético.” 534
O exame das figuras 109 535 e 110 536 acima demonstra com clareza o argumento exposto. Cada dimensão e proporção de cada uma das partes do capitel e entablamento da ordem dórica, assim como todas as relações métricas das demais ordens, haviam sido precisamente dimensionadas de modo que o conjunto resulte numa harmonia inteligível, ou harmonia raciocinada e devidamente proporcionada.
A mobilidade compositiva desse sistema gramatical permaneceu sendo alterado pelos próprios gregos assim como através dos séculos, incessantemente, pelas várias gerações que se sucederam. Pequenas alterações foram vagarosamente adicionadas ou subtraídas. As figuras 111 537, 112 538, 113 539 e 114 540 abaixo mostram
dialético (dialektike) cujas premissas são baseadas em endoxa [opinião, opinião geral], definidas agora como opiniões que são aceites pela maioria dos sábios.” Termos Filosóficos Gregos - Um Léxico Histórico, op. cit., pg. 57.
533“Gramática. [Do gr. grammatiké (subentende-se téchne). 1. Estudo ou tratado dos fatos da linguagem, falada e escrita, e das leis
naturais que a regulam.” Novo Dicionário da Língua Portuguesa, op. cit., pg. 697.
534 SUMMERSON, J.: A Linguagem Clássica da Arquitetura, São Paulo, Martins Fontes, 1997, pg. 09.
535 Legenda da figura 109: “A ordem dórica grega e romana têm a mesma origem grega, mas desenvolvem-se de modos diferentes.
Possuem em comum : 1, tríglifos no friso, mútulos e gotas no sófito do lacrimal; 2, o capitel composto por ábaco sobre uma ou mais molduras. A coluna grega nunca possui base; quanto à dórica romana, quase sempre possui base, apesar de Vitrúvio não recomendar seu uso. O conhecimento adequado e o interesse pela ordem dórica grega ressurgiu em fins do século XVIII, razão pela qual seu emprego é raro no mundo moderno antes de 1800. A Linguagem Clássica da Arquitetura, op. cit., texto: pgs. 135 e 136: figura pg. 136.
536
Legenda da figura 110: “Esta ordem é uma invenção ateniense do século V a.C.. Nos exemplos mais antigos, distingue-se da ordem jônica apenas pelo capitel, recoberto por folhas de acanto. Vitrúvio, já no século I d.C., descreveu apenas o capitel, „porque a ordem coríntia não possui regras distintas para as cornijas e outros ornamentos‟; posteriormente, os romanos desenvolveram características próprias para o entablamento coríntio. Segundo Vitrúvio, o projeto original deste capitel foi feito pelo escultor Calímaco, que se teria inspirado em um cesto de brinquedos protegido por uma laje de pedra (o ábaco). A ordem coríntia, empregada do século XVI em diante, baseia-se em exemplos romanos, em especial os templos de Vespasiano e de Castor e Pollux, no Fórum de Roma.” A Linguagem Clássica da Arquitetura, op. cit., texto: pg. 134; figura: pg. 135.
537
Legenda da figura 111: “As ordens da arquitetura. Com esta gravura em madeira, de 1540, Sebastiano Serlio começou o seu tratado sobre as „cinco maneiras de construir‟. As ordens toscana, dórica, jônica e coríntia haviam sido identificadas por Vitrúvio.
Figura 109
algumas versões das cinco ordens gregas alteradas no decorrer dos séculos que se seguiram. Contudo esse modo peculiar de organizar e conceber os ambientes construídos atravessou os séculos mantendo a sua essência inalterada: o de um sistema conceptivo que se ordena segundo a
centralidade do humano
transposto ao espaço construído pela idéia de ordem, harmonia e justiça e que de modo mais articulado expressa-se por sua representação através do logos apodeiktikós, a razão, que ao ordenar-se dobra-se sobre si mesma como a sua própria medida e termo.
As cinco ordens gregas citadas pelo mesmo autor, Toscana, Dórica, Jônica, Coríntia e Compósita,
evidenciam a passagem dessa ordenação Ética à concreção dos ambientes construídos segundo a ordenação de seus elementos construtivos, impregnados de significados simbólicos, compostos numa determinada métrica e interrelacionados numa ordem de aparição relativamente constante e sempre proporcional. Há, nesse caso, inegavelmente uma racionalidade imanente ou constitutiva às ordens gregas numa relação que é homóloga ao ethos grego.
Esse nível de transposição homóloga entre o ethos grego e a sua forma de conceber-se a si mesmo ocorre segundo uma reciprocidade clara, sem ocultação, e somente seria possível num horizonte de cultura situado numa instância nomotética.
Essa mesma reciprocidade pode ser verificada com relação à idéia de harmonia. Retornando à SUMMERSON (1997):
“... encontramos, ao longo da história da arquitetura clássica, uma série de afirmações sobre os aspectos
essenciais da arquitetura que nos permitem dizer que o objetivo da arquitetura clássica sempre foi alcançar uma harmonia inteligível entre as partes. Tal harmonia foi vista como parte integrante dos edifícios da Antigüidade e como sendo inerente aos principais elementos antigos - em especial às cinco
„ordens‟, às quais logo nos referimos. Mas foi considerada também em abstrato por vários teóricos, os
quais demonstraram a harmonia em uma estrutura, assim como na música, é alcançada por meio da
Alberti havia identificado a compósita. Serlio foi o primeiro a mostrar as cinco ordens como uma série fechada, à qual nenhum acréscimo seria admissível.” a.” A Linguagem Clássica da Arquitetura, op. cit., pg. 02.
538 Legenda da figura 112: “Cada geração após Serlio estudou as ordens de novo e as delineou com variações cuidadosamente
justificadas. A versão de Vignola, primeira a ser gravada em cobre, apareceu em 1563.”A Linguagem Clássica da Arquitetura, op. cit., pg. 13.
539
Legenda da figura 113 (continuando o texto da legenda anterior): “Entretanto, a gravura em madeira de Scamozzi, feita em 1615, tem muito do espírito de Palladio.” Linguagem Clássica da Arquitetura, op. cit., pg. 13.
540 Legenda da figura 114: “O francês Claude Perrault consultou todas as autoridades italianas e produziu sua própria versão, em
uma gravura em cobre, de 1676, com uma escala modular a partir da qual as proporções das diferentes partes podiam ser lidas e memorizadas.” Linguagem Clássica da Arquitetura, op. cit., pg. 15.
Figura 111 Figura 112
proporção, ou seja, ao se fazer com que as proporções de todas as partes de um edifício sejam funções aritméticas e estejam relacionadas entre si.” 541
No horizonte Ético grego a harmonia é concebida como uma relação equilibrada entre as partes transpostas ao constructo segundo um conjunto de proporções matemáticas e logicamente encadeadas. Assim, o todo harmonioso não é apenas o resultado da expressão lógica da razão mas é também a expressão de uma Ética justa. É exatamente esse logos apreendido na dobradura do métron, como a medida da proporção que se dispõe no interior da lógica como o seu termo e medida, que encontra a sua transcrição concreta no espaço construído como a razão ou proporção entre as partes, ou a harmonia como a dimensão Ética universal. Essa