• Sonuç bulunamadı

Uygun Testlerin Seçilmesi, Faktör Analizi, Tek Yönlü Varyans Analizi ve Korelasyon

7. BULGULAR VE YORUM

7.2. Uygun Testlerin Seçilmesi, Faktör Analizi, Tek Yönlü Varyans Analizi ve Korelasyon

O governo de Pedro Ludovico e aqueles que o sucederam, até o golpe de 64, fizeram parte da mesma classe dominante. Em sua maioria, eram partidários de seu grupo, salvo o governador que o sucedeu imediatamente.

Pedro Ludovico governou o Estado de Goiás de 1930 a 1947, sendo o mais importante líder goiano até o golpe de 64. A marca principal de seu governo foi, sem sombra de dúvida, a construção de Goiânia, como vimos.

Silva (1982) e Machado (1990) apresentaram Pedro Ludovico como o introdutor da modernização e a racionalidade, um contestador e um combatente da velha ordem oligárquica. Esta interpretação pauta-se nas propostas de mudanças contidas no Relatório de Estado (1930-33) apresentado a Getúlio Vargas. De fato, o

Relatório continha um projeto modernizador para Goiás, contemplando propostas

avançadas nos seguintes temas: educação, colonização, estatística, higiene e segurança.

Analisando o Relatório de Estado, Moreira (2000) concluiu ter havido uma efetiva expansão e melhoria no sistema educacional, mas não em uma dimensão que assegurasse o “pleno” desenvolvimento intelectual e científico no Estado. Silva (1982) chegou a uma conclusão semelhante, porém, aferiu que, apesar da significativa expansão do ensino primário, com a criação de novos grupos escolares, o número de escolas apresentadas no Relatório, entre 1930 e 1933, foi inferior aos realmente construídos.

Médico de profissão, Pedro Ludovico procurou racionalizar o setor da saúde, reduzindo os fatores que levavam à mortalidade da população urbana e rural. Para o combate às enfermidades utilizou farto material de propaganda: cartazes, prospectos

sanitários e exibições cinematográficas. Nessa época, várias doenças (varíola, malária, sífilis, lepra, tuberculose) comprometiam o trabalho no campo e, conseqüentemente, a produção agrícola.

A busca por racionalização ocorreu, também, no sistema de segurança. Foram fundadas companhias de infantaria, pelotões, esquadrões de cavalaria; houve aumento do efetivo e aquisição de armamentos, os salários receberam aumento e houve treinamento e parcerias com o Exército. Isso se deu com uma política de “expurgo” dos elementos identificados com o regime anterior. Foi feita uma reforma no sistema judiciário, elevando-se o número de desembargadores de cinco para nove e aumentando a quantidade de comarcas.

Todas estas mudanças davam um caráter “moderno” à administração de Pedro Ludovico. A racionalização ocultava seu real significado: assegurar a preponderância de sua classe, preservando, através destas medidas, a dominação sobre as oligarquias e submetendo-as a uma legislação impessoal. Não obstante, “a administração do interventor não exclui certas práticas e comportamentos políticos ligados às familiocracias, aos coronéis e às oligarquias goianas” (MOREIRA, 2000, p. 63).

Moreira (2000) utiliza vários depoimentos pessoais e relata fatos ocorridos para mostrar a forma de dominação tradicional que Pedro Ludovico empregou para legitimar seu poder político. Valia-se de “jagunços” para constranger seus adversários, bem como de “companheiros” que tinham uma prática comportamental semelhante. Esta conduta trouxe conseqüências na eleição sucessória de janeiro de 1947.

Usando de sua liderança, Pedro Ludovico indicou seu primo, José Ludovico (Juca Ludovico), na convenção do PSD. Um grupo dissidente liderado por Hozanah

Guimarães (presidente do PSD do município de Planaltina) não aceitou o nome indicado, no que foi acompanhado por outros líderes (Achiles de Pina, de Anápolis, e João D’Abreu, do Norte goiano). O grupo liderado por Pedro Ludovico não cedeu e o racha partidário foi inevitável, como expõe Rocha (1998).

Na oposição estava a União Democrática Nacional (UDN), que havia recebido o apoio do Partido Social Progressista (PSP) e acabou ganhando a adesão do grupo dissidente do PSD. O candidato da UDN era Alfredo Nasser –que, para compor a coligação dos partidos, abriu mão de sua candidatura a governador (em prol de Jerônimo Coimbra Bueno) e candidatou-se ao Senado.

Com a cisão do PSD, outros representantes políticos também passaram a apoiar Coimbra Bueno15. Não foi somente a dissidência do PSD que determinou a vitória da UDN, mas o peso da Igreja Católica (Moreira, 2000, p. 110). Isto porque José Ludovico havia aceitado o apoio do PCB, causando descontentamento na esfera religiosa e provocando a retirada do apoio da Igreja, que o redirecionou à UDN.

José Ludovico, na sua busca por ampliação de sua base partidária, deu depoimentos a favor dos comunistas: “O Partido Comunista Brasileiro tem sadios propósitos em prol da democracia, do povo do Brasil, este deve ser mantido e acatado por todos nós democratas” (apud DAYRELL, 1994, p. 383). Em seguida, Luís Carlos Prestes enviou uma correspondência para José Ludovico, confirmando o apoio:

Na luta que vimos travando pela democracia e progresso do país, particularmente nesse Estado, queremos que com sua eleição para o Executivo Estadual, daremos mais um passo à

15

Vale mencionar os deputados Caiado de Godói e João D’Abreu, além de Diógenes Sampaio Achiles de Pina, Hozanah Guimarães, Câmara Filho (ex-prefeito de Anápolis), Claro de Godói (ex- deputado federal), Nero de Macedo (ex-senador da República), Plínio Jaime (prefeito de Anápolis), Balduíno Santa Cruz (ex-secretário de Estado), Hermógenes Coelho, José Lourenço Dias e Nicanor Faria.

frente, porque com o apoio do povo proletariado e dos comunistas, fácil lhe será fazer um governo relativamente popular e democrata capaz de, ao menos, começar a solução dos problemas que afligem parte da população. (apud DAYRELL, 1994, p. 383)

Este apoio fez com que a Igreja Católica radicalizasse o discurso contra José Ludovico. O arcebispo de Goiás, D. Emanoel Gomes de Oliveira, e o bispo-auxiliar, D. Abel Ribeiro, passaram a pedir ostensivamente o apoio da população para o candidato da UDN – Coimbra Bueno.

A vitória foi apertada – uma diferença de apenas 1.839 votos – e a UDN não conseguiu fazer a maioria na Assembléia Legislativa. Esse fato representava um prenúncio de problemas a serem enfrentados pelo governo. A composição parlamentar ficou distribuída da seguinte forma: dois deputados do PCB, 16 do PSD, quatro da Esquerda Democrática (ED) e 10 deputados da UDN.

Coimbra Bueno sofreu oposição ferrenha. Durante seu governo, a dívida estadual cresceu e os salários dos servidores sofreram constantes atrasos. “O movimento pessedista traçou estratégias políticas inviabilizando a administração coimbrista, a fim de facilitar a retomada do poder” (MOREIRA, 2000, p. 113).

Uma vez no governo, o Estado assoberbado por inúmeros problemas de ordem administrativa e política, com minoria na Assembléia, com minoria de representantes na Câmara Federal, o Sr. Jerônimo Coimbra Bueno enfrentou durante o quatriênio governamental cerrada e, por vezes, impatriótica oposição. Chegou-se ao cúmulo de não ser conseguida a aprovação por três anos consecutivos – do orçamento do Estado. A obstrução sistemática erigiu-se em regra sem exceção, e a maioria oposicionista na Assembléia seguiu-a religiosamente. (ROCHA, 1986, p. 43)

Até mesmo no seio da UDN surgiram focos de tensão. Os deputados udenistas ficaram descontentes com a escolha da Vice-Governadoria, feita de forma indireta, sendo eleito Hosanah Campos Guimarães, dissidente do PSD.

A classe dominante, nesse período, não conheceu alterações e pouco se alterou o perfil fundiário goiano. A ação estadual ficou seriamente prejudicada pela crise política. Na verdade, o grupo liderado por Pedro Ludovico tudo fez para inviabilizar o governo de Coimbra Bueno. Este, por sua vez, encontrou problemas dentro de sua coligação, o que contribuiu para a queda da UDN na eleição sucessória.

Nas eleições de 1950, Pedro Ludovico foi eleito para o governo do Estado de Goiás com grande diferença de votos – 29.035. O candidato derrotado foi o médico e empresário Altamiro de Moura Pacheco, da coligação UDN/PSP. A estratégia utilizada foi buscar no segundo maior colégio eleitoral (Anápolis) o candidato à Vice- Governadoria (também o candidato oponente buscou ali seu vice).

Neste mandato, Pedro Ludovico, buscou soluções para o crônico problema da falta de energia. Construiu a Usina do Jaó, movida a óleo diesel, e a Usina de Rochedo, no Rio Meia Ponte.

A eleição de 1954 foi vencida por José Ludovico, primo de Pedro Ludovico e seu secretário da Fazenda. Foi uma eleição disputada, havendo 1.128 votos de diferença. O opositor veio, novamente, da UDN, em coligação com o PSP – Galeno Paranhos. Uma ocorrência durante a campanha eleitoral mostrou que velhos costumes ainda persistiam: a eleição foi decidida em dois momentos e urnas foram contestadas, pois apresentavam sinais de fraude eleitoral.

A construção de Brasília, ocorrida durante este governo, trouxe benefícios imediatos a Goiás: estradas foram melhoradas, o comércio de matérias-primas para a construção (madeira, calcário, cimento) de Brasília revitalizou o Estado.

A construção de Brasília e a esperança do progresso despertaram nos parlamentares goianos e na população interiorana uma nova mentalidade, a aceitação e a busca pelo “novo”, pelo moderno. O progresso redimensionou a vida

pacata de vilarejos e municipalidades. O fascínio e a competição afloraram em Goiás, naturalizando-se ao cotidiano goiano. (MOREIRA, 2000, p. 135)

José Ludovico foi o responsável pela desapropriação da área que comportaria o futuro Distrito Federal. Nomeou o médico e pecuarista Altamiro de Moura Pacheco para presidir uma comissão que tinha por finalidade a aquisição de terras dos proprietários no local onde se instalaria a futura capital.

O presidente Juscelino Kubitschek agradeceu os serviços prestados por Altamiro de Moura Pacheco em uma carta:

Prezado amigo Altamiro Moura Pacheco.

Venho querendo escrever-lhe há muito tempo. Hoje, porém, resolvi e esta carta lhe vai para significar-lhe o quanto lhe devo pela dedicação e pelo interesse devotados à construção de Brasília.

A você tocou a parte mais trabalhosa, aquela que não se vê, que se desenrola no silêncio dos gabinetes: a desapropriação de terras, sem o que Brasília não se faria jamais.

E você não empregou toda a sua imensa capacidade com objetivos fiduciários, fê-lo por idealismo, porque foi daqueles que cedo compreenderam o papel histórico, geopolítico da nossa Capital.

Brasília triunfou porque teve homens de sua têmpera, de seu arrojo, desses para quem o empreendimento se situava como o resgate da velha dívida nacional.

Permita-me dizer-lhe que minha admiração pelo seu trabalho não se dimensiona em nenhuma expressão escrita: ela cresce à medida que Brasília se impõe como a mais bela realização. Um afetuoso abraço. JK

Rua da Alfândega, 28 – 12°

Rio de Janeiro GB. (apud MOREIRA, 2000, p. 129.)

Em 1959, José Ludovico foi nomeado Diretor da Novacap, em substituição a Barbosa Lima Sobrinho.

A eleição deste ano foi atípica. Por determinação do Supremo Tribunal Eleitoral, o mandato do governador seria de dois anos, a fim de que a eleição de seu sucessor coincidisse com a eleição presidencial de 1960. A vitória de José Feliciano, pertencente ao grupo de Pedro Ludovico, foi facilitada pela “onda” progressista advinda da construção de Brasília. Enfrentando uma grande quantidade de partidos

(UDN, PSP, PTB, PSB, PCB, PL e PR), a vitória da coligação PSD-PTN foi significativa, com cerca de 38 mil votos a mais.

José Feliciano faz um governo independente. Rompeu com seu antecessor quando este quis retornar ao governo e apoiou a candidatura de Mauro Borges, filho de Pedro Ludovico, o que lhe rendeu a indicação para concorrer ao Senado, ao lado de JK, na eleição seguinte.