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6. AVRUPA BİRLİĞİ ORTAK TARIM POLİTİKALARI

6.2. Türkiye’de Ortak Tarım Politikasının Uygulanma Süreci ve Etkileri

6.2.1. Hukuki Etkiler

O coronelismo deriva de uma contradição existente no interior de uma formação social onde está presente o Estado burguês, mas cujas relações de produção no campo são fortemente marcadas pelo pré-capitalismo. As relações pré- capitalistas derivam de vínculos de dependência pessoal existentes entre o proprietário e o trabalhador rural. Esta vinculação se dá também no campo ideológico, consistindo em um entrave para a transformação do trabalhador rural em cidadão, pressuposto básico do Estado burguês.

A peculiaridade básica para compreensão do coronelismo apontada por Saes (1994) é que se trata de um conjunto de práticas político-eleitorais usadas de modo peculiar no Estado burguês, em sua dupla função de desorganizar as classes trabalhadoras e organizar a classe dominante. É, então, uma prática usada somente no Estado burguês, isto é, é uma característica endógena a este tipo de Estado. Isso quer dizer que, ao contrário de outras relações de dependência, que caracterizam outros tipos de Estado, o coronelismo é um fenômeno que indica, justamente, a existência do Estado burguês.

Como já vimos, esta instituição desorganiza a classe trabalhadora através de seu aparelho jurídico-político, através do qual converte os agentes da produção, que são distribuídos em classes, em sujeitos jurídicos-políticos. Em outras palavras, transforma-os em cidadãos e, ao mesmo tempo, unifica-os em uma só classe, em um só corpo político, o povo-nação.

Como fica, porém, a unificação da classe dominante?

Essa construção ideológica do povo-nação serve para homogeneizar, pasteurizar as diferentes classes sociais, isto é, uniformizar os componentes das diferentes classes sociais em uma comunidade nacional. Nestas, todos são “pertencentes” a uma só classe social, isolados entre si – em outras palavras, retira dos indivíduos sua identidade de classe.

Feito isso, a unificação da classe dominante se dá quando se realiza seu interesse geral, comum a todas as frações da classe dominante, qual seja, a exploração econômica das classes trabalhadoras. Para atingir este intento, o Estado burguês realiza uma política de ordem, impedindo que estas últimas realizem uma ofensiva à propriedade privada.

Saes (1974) observa, seguindo Poulantzas, que o isolamento das classes trabalhadoras pode ocorrer também em formações capitalistas ligadas a modos de produção distintos do capitalismo. Por outros termos, o efeito de isolamento da representação da unidade do Estado burguês pode ocorrer em formações capitalistas que também comportem modos de produção pré-capitalistas.

Isso se dá, de uma maneira abrangente, no meio rural, onde existem relações de produção pré-capitalistas, meeiros, parceiros e outras formas de exploração. Manifesta-se aí uma relação de dependência pessoal com o proprietário rural, o que possibilitou o surgimento do fenômeno do coronelismo.

De acordo com Janotti (1981), o coronelismo se expressava em um encadeamento rígido de tráfico de influências, formando fortes elos, por meio de compromissos recíprocos, entre o eleitorado, o coronel e as instâncias de poder municipal, estadual e federal. Em âmbito municipal, o coronel fazia a política e completava a administração pública. Era-lhe dado todo o poder: ele indicava o delegado, o juiz, até mesmo a professora primária, tudo acontecendo dentro de um único partido.

Ocorriam, muitas vezes, desavenças internas (familiares ou de grupos políticos), já que todos queriam conquistar o poder – que não era reconhecido burocraticamente, mas exercido ao sabor das ambições e interesses pessoais. Para conseguir seus objetivos, o coronel desempenhava um papel importante no processo eleitoral, que garantia a sobrevivência desse sistema político e, por conseguinte, sustentava, através dos meios mais variados, a sua permanência no poder.

Quando apresentava-se um analfabeto para votar, os próprios componentes da Mesa preenchiam as cédulas e assinavam as listas de presença. Aos indesejáveis, sob qualquer alegação, mandavam prender. A alegação de desacato era a mais comum. A interferência policial era notória e os amedrontados eleitores faziam muitas vezes questão de mostrar claramente a quem se destinava seu voto /.../. O momento da apuração se constituía no mais privilegiado para favorecer certos candidatos; sob mínimo pretexto anulavam-se cédulas ou acrescentavam votos, sem a mínima fiscalização da oposição, que era impedida de entrar no recinto (JANOTTI, 1981, p. 51).

O sistema eleitoral que se convencionou chamar de “voto de cabresto” era a base do poder do coronel. Permitia o controle do eleitorado e da oposição, através de mecanismos como a lista de votação: a cada eleição era feito um rol de eleitores, momento no qual se fazia sentir a influência do coronel, que trazia pessoas do

campo, onde tinha propriedades, para a votação; mesmo quando não as trazia, enviava-lhes o formulário de votação, o que contrariava as normas estabelecidas.

Ainda segundo Janotti (1981), na elaboração das listas havia pouco escrúpulo: incluíam-se analfabetos, menores de idade e até mesmo pessoas falecidas; por outro lado, durante a elaboração da lista definitiva, chegava-se a excluir os eleitores que eram politicamente contrários ao coronel.

Este conjunto de práticas e ações adotadas pelo mandatário local demonstra que

as massas do campo pré-capitalista não são o objeto e sim o instrumento do coronelismo. É que a relação de dominação e dependência pessoal implica uma modalidade de subordinação ideológica contraditória com a submissão à ideologia jurídica burguesa, da qual o voto é uma expressão e um aspecto: os setores que vivem em relação de dependência pessoal com a classe proprietária estão, por esse fato, imunes aos efeitos da ideologia jurídica burguesa (SAES, 1994, p. 89).

O poder político nos Estados era derivado da estrutura político-institucional definida no governo de Campos Salles, no início do século XX, cuja fórmula era capaz de “permitir o máximo de liberdade política no nível estadual e de delegar aos governadores a chefia do partido e oligarquias estaduais, bem como capaz de manter os compromissos do arranjo político nacional” (CAMPOS, 1983, p. 19).

Esta política – um arranjo entre o Estado, ente federal, e os Estados federativos, entes estaduais –, estava longe de ser uma descentralização republicana. Constituía-se antes no contrário: houve, na verdade, uma centralização, em que as decisões estaduais ficam fortemente dependentes do governo federal.

Esse arranjo coronelístico era configurado em um tripé: a chefia política exercida pelo coronel no município, o situacionismo estadual e o governo federal, trempe que sustentava o sistema político nacional.

Para Nunes Leal (1975), este arranjo entre o Executivo federal e os Estados, em vez de ameaçar o poder político, acabou por torná-lo mais efetivo em todo o território nacional. O governo federal e os estaduais dependiam dos coronéis para a obtenção dos votos nos municípios. Os coronéis, por sua vez, dependiam de recursos oriundos do poder público nos níveis estadual e federal.

Em seu cerne, o coronelismo tinha, por um lado, um poder público que se fortalecia e, por outro, um poder privado que diminuía. O poder privado estava assentado na posse da terra e a força eleitoral advinda da propriedade lhe dava prestígio político. Perissinotto (1994) afirma que o coronel expressava, no nível político, uma confusão entre o público e o privado. A forma com que se fazia presente na política republicana era o domínio privado do poder público local, com a benção do poder regional e sua total obediência a este último, dentro das regras do compromisso coronelista.

Outro fator aliado à política coronelística era o isolamento dos municípios, que favorecia a figura do coronel como um elo entre os governos estaduais e governo federal. Configura-se, desta forma, uma situação em que a liderança política estadual necessitava de votos dependentes do senhoriato rural, o que representava, de um lado, a fraqueza do Estado, e do outro, a tibieza social e política dos coronéis. Isto porque estes precisavam ter prestígio para a obtenção de empréstimos do governo estadual, com o objetivo de reforçar sua influência local. De tudo isto resultou aquele sistema de compromisso que não era outra coisa senão o coronelismo (LEAL, 1980, p. 13).

O que uniu os coronéis ao governo federal foi a cooptação dos eleitores, que se traduzia em votos e, ao final, para se consolidarem no poder, “os coronéis tinham que fazer parte do projeto político federal” (CHAUL, 1997, 135).

Quanto ao nível estadual, Campos (1983) mostra que o arranjo coronelístico foi estabelecido pelo compromisso entre os grupos políticos municipais sob o controle do Executivo estadual, sendo dada “carta branca” aos coronéis em seus domínios. A partir da submissão ao Executivo estadual é que se configurava a oligarquia, que se estabeleceu ampliando sua autoridade e que se tornaria um dos traços marcantes desse período.

Este compromisso era, na verdade, como já mencionamos, uma troca de proveitos entre o chefe político e o governo estadual, com atendimento por parte do Estado das reivindicações mais fáceis e viáveis do eleitor rural.

Isso não representa, no entanto, um convívio harmonioso entre os chefes políticos locais, de coronel com coronel, mas um quadro em que todos estavam lutando para exercer o poder, mas nenhum ia em sentido contrário ao governo estadual. Carregavam a sina de ser sempre governistas, no campo estadual e federal, se quisessem conservar as regalias do poder.

No início do século XX, o Brasil era um país eminentemente rural e sua população, principalmente no interior do país, não podia contar com o poder público, praticamente inexistente. Tal situação levava a população ficar à mercê da autoridade discricionária representada pelo coronel, que detinha a posse da terra.

O coronel era, geralmente, um grande proprietário de terras, “representante da oligarquia agrícola-mercantil que controla o poder público e orienta suas decisões” (JANOTTI, 1981, p. 9). Suas ações eram no sentido de manter afastadas do poder as outras classes sociais e também de manter os seus privilégios. Os desmandos aconteciam porque os responsáveis pela ordem pública (a polícia, os juízes, os delegados) eram todos indicados pelo coronel; dessa forma, as eleições podiam ser facilmente manipuladas.

Em Goiás, este processo não foi diferente. Duas oligarquias governaram o Estado no século XX: os Bulhões e, depois, os Caiados.

Apesar de ser importante uma discussão sobre como se deu a substituição de uma oligarquia por outra, vamos nos concentrar em explicar como era exercido o poder dos Caiados, que representavam os interesses dos pecuaristas, e a ascensão do descontentamento da fração de classe que representava os agricultores da região sulina do Estado de Goiás no seio do bloco no poder, pertencentes ao mesmo grupo.

Este embate entre frações no grupo hegemônico trouxe mudanças significativas no controle da política goiana, sem, contudo, mudar a classe dominante, que permaneceu a mesma.

1.4 A Configuração Particular do Coronelismo em Goiás

Embora os goianos tenham convivido com uma realidade autoritária por muito tempo, sempre associaram o coronelismo, em sua fase mais intensa, ao caiadismo. Seu representante maior foi o coronel Antonio Ramos Caiado, que era advogado, antigo tropeiro e fazendeiro.

Em Goiás predominava (e predomina) a grande propriedade – o latifúndio. Segundo o Censo de 1920, que cobriu 40% da área do Estado, existiam 16.000 propriedades e somente 2.500 dessas tinham menos de 40 hectares – o que representava 15% do total. O tamanho médio das fazendas era de 1.344 hectares.

Tabela 1: Goiás Distribuição das propriedades rurais - 1920 HECTARES Menos 41 De 41 a 100 De 101 a 200 De 201 a 400 De 401 a 1000 De 1001 a 2000 De 2001 a 5000 De 5001 a 10000 De 10001 a 25000 Mais de 25000 N° PROP. 2.515 2.672 2.046 2.382 2.843 1.523 1.643 606 301 103 % TOTAL 115,1 16,1 12,3 14,3 17,1 9,2 9,9 3,6 1,8 0,6

Fonte: Recenseamento do Brasil, 1920 – IBGE (apud CAMPOS, 1983).

As poucas estradas que existiam eram bastante precárias e não tinham manutenção efetiva. Em sua maioria, situavam-se na região sulina do Estado. Quando do período chuvoso, o trânsito era impossível, situação ainda pior no Norte. A possibilidade de comunicação era mínima – nem telégrafo existia, haja vista que, em investigações procedidas em São José do Duro (em 1919), os telegramas da comissão investigadora para a capital de Goiás eram transmitidas de Barreiras, na Bahia (CAMPOS, 1983, p. 48).

Esta região, o Norte, tinha uma vinculação mais estreita com Belém (PA), pela navegação fluvial do Rio Tocantins, com todas as dificuldades que isso poderia acarretar. Campo (1983) menciona, por exemplo, que os deputados e senadores estaduais desta região iam para os trabalhos legislativos na cidade de Goiás, então capital estadual, fazendo um trajeto que ia de Belém ao Rio de Janeiro e voltavam para Goiás passando por Minas Gerais e pelas poucas estradas que existiam na região sulina goiana até a capital.

A população de Goiás em 1920 era de, aproximadamente, 512 mil habitantes, com uma densidade demográfica de apenas 0,7 habitantes por quilômetro quadrado – muito baixa, demonstrando um vazio demográfico significativo. Se considerarmos que cerca de 90% da população eram oriundos do meio rural, podemos concluir que

as cidades eram muito pequenas. A Tabela 2, a seguir, mostra, de acordo com o Censo de 1920, os municípios com maior população.

Tabela 2: Goiás: Municípios de maior população – 1920

MUNICÍPIO POPULAÇÃO REGIÃO %

CATALÃO 38.574 SUL 7,5

BOA VISTA DO TOCANTINS 25.786 NORTE 5,0

MORRINHOS 24.502 SUL 4,7

GOIÁS 21.223 MATO GROSSO 4,1

IPAMERI 19.227 SUL 3,7

PEDRO AFONSO 18.971 NORTE 3,7

ANÁPOLIS 16.037 MATO GROSSO 3,1

FORMOSA 15.636 CENTRO-NORTE 3,1

CORUMBÁ 14.636 CENTRO-NORTE 2,8

PORTO NACIONAL 14.120 NORTE 2,7

POUSO ALTO 13.714 SUL 2,6

JARAGUÁ 13.508 MATO GROSSO 2,6

CURRALINHO 13.376 MATO GROSSO 2,6

RIO VERDE 12.661 SUDOESTE 2,4

BONFIM 12.621 SUL 2,4

SANTA LUZIA 12.461 SUL 2,4

TAGUATINGA 12.140 NORTE 2,3

CORUMBAÍBA 10.652 SUL 2,0

SANTA CRUZ 10.584 SUL 2,0

JATAÍ 10.010 SUDOESTE 1,9

OUTROS 181.490 35,4

Fonte: Recenseamento Geral do Brasil, 1920 – IBGE

A partir dos dados apresentados, podemos verificar que o Estado de Goiás, em 1920, oferecia os pressupostos para a implementação da política coronelística: latifúndios, cidades isoladas, pouca ou nenhuma presença do poder público, a grande maioria da população habitando e dependendo dos proprietários dos latifúndios, isto é, dos coronéis.

A oligarquia dos Caiados exercia o domínio do poder estadual – logicamente, dentro do “modelo” vigente, isto é: I) fidelidade ao pacto coronelístico, o que

representava uma submissão ao poder central; II) organização da máquina estadual, com o exercício dos principais postos e delegando às lideranças locais, os outros coronéis, “carta branca” para agir em seus redutos, desde que não se questionasse o poder estadual; III) uso da máquina eleitoral para “legitimar” as diversas instâncias do poder; IV) predominância do Executivo sobre os demais poderes, governando por decretos; e V) uso da força armada para garantir a manutenção do poder.

Skorupski, em sua dissertação de Mestrado, mostra a ocupação dos cargos estaduais e federais e os respectivos vencimentos recebidos pela família Caiado, em 1928. As informações são reproduzidas na Tabela 3.

Quando não ocupados diretamente pela oligarquia, os outros cargos eram desempenhados por pessoas da estrita confiança da família e até as questões de menor importância eram decididas pelo senador Antonio R. Caiado.

Esse preenchimento de cargos por indicação, e não por competência, está em contradição com os pressupostos do Estado burguês, cuja burocracia deveria ser preenchida pelo critério meritocrático. Trata-se de uma identificação do poder público com o privado, que ficou conhecido como “filhotismo”, recrutamento de parentes ou dependentes para o preenchimento de cargos na burocracia estatal.

Tabela 3: Cargos exercidos pela família Caiado - 1920

MEMBROS PARENTESCO CARGO VENCIMENTOS

ANUAIS

Antonio R. Caiado Senador – Chefe 53.000$ (Federal)

Brasil R. Caiado Irmão Pres. Estado e professor 47.000$ (Estadual)

Arnulfpho R. Caiado Irmão Intendente 9.660$ (Estadual) / 20.000$ (Município)

Leão R. Caiado Irmão Diretor Escola /Senador 4.000$(Estadual) / 11.000$(Estadual)

Ubirajara R. Caiado Irmão Deputado 4.000$ (Estadual)

Lincoln Caiado Genro Deputado/Professor 53.000$ (Federal) / 3.600$ (Estadual)

Luis Xavier Genro Juiz Federal 20.400$ (Federal)

Euler Coelho Genro Inspetor Agrícola 12.000$ (Estadual)

Joviano Castro Sogro do filho Deputado/Professor 53.000$ (Federal) / 6.600$ (Estadual)

Abílio Castro Sogro do filho Deputado/Tesoureiro/Del. Fiscal 9.000$ (Estadual) / 4.000$ (Estadual)

Agenor Castro Sogro do filho Diretor Escola de Direito/

Hospital/Professor 192.000$ (Estadual)

Bernardo Albernaz Sogro do filho Médico PM 12.000$ (Estadual)

Rocha Lima Sogro Julio Caiado Senador 53.000$ (Federal)

Francisco Perillo Cunhado Senador/Professor 7.600$ (Estadual)

Olegário Pinto Primo Senador 53.000$ (Federal)

Geraldino Caiado Primo Senador/Adm Porto 16.000$ (Estadual)

Raul Caiado Primo Coletor/Anápolis 12.000$ (Estadual

Carlos Caiado Primo Adm Porto 7.200$ (Estadual)

Vasco Caiado Primo Fiscal Obras 4.800$ (Estadual)

Joaquim Albernaz Primo Chefe Seção 4.200$ (Estadual)

Argemiro Amorim Primo Escrivão Imposto 8.000$ (Estadual)

Luis Caiado Primo Fiscal Consumo 4.000$ (Estadual)

Sebastião Caiado Primo Escrivão/Formosa 4.800$ (Estadual

Ayrosa C. Castro Primo Pres. de Justiça 15.600$ (Estadual)

Teodhoro C. Castro Primo Deputado/Tesoureiro 6.000$ (Estadual) / 4.000$ (Estadual)

Raulino C. Castro Primo Intendente Anicuns 6.000$ (Estadual)

Antenor C. Amorim Primo Pres. Tribunal Justiça 4.000$ (Estadual)

Walter Nascimento Primo Engenheiro Município 6.000$ (Estadual)

Oswaldo Nascimento Primo Funcionário Público 3.600$ (Estadual)

Newton Albernaz Primo Promotor 3.600$(Estadual)

Francisco A. Caiado Primo Dep./Tesoureiro 10.600$(Estadual)

Honório A. Caiado Primo Coletor Municipal 6.000$ (Estadual)

Wadjo R. Lima Primo Fiscal Luz Elétrica 3.000$ (Estadual)

TOTAL DOS VENCIMENTOS:

ESTADUAIS: MUNICIPAIS: FEDERAIS: 253.600$ 40.000$ 327.000$ TOTAL GERAL:... 627.000$

Para unificar o discurso oficial do Estado, foi criado um jornal, O Democrata, o órgão oficial do Partido Democrata (PD), controlado pela oligarquia. O governo fez que esse jornal circulasse em quase todos os municípios goianos.

Skorupski (1992) aponta que se fez necessário, para o controle do poder, adotar a prática de governar por decretos, divididos em três grandes áreas de atuação: reforma administrativa, reforma do judiciário e da segurança pública. A primeira correspondeu à criação de cinco Secretarias de Estado: Interior e Justiça, Obras Públicas, Finanças, Segurança Pública e Particular da Presidência. A Secretaria do Interior e Justiça visava a “manter o controle sobre os municípios, acrescido do fato de que essa articulação também é possível ampliar a influência sobre as lideranças emergentes” (SKORUPSKI, 1992, p. 125). Já a Secretaria Particular da Presidência, que detinha mais poder, era ocupada sempre pelos membros da oligarquia que exerciam maior influência sobre as demais.

É importante salientar que, com vistas a obter o controle absoluto da Força Pública, isto é, do aparelho repressor estadual, alterou-se o Regimento da Força Pública. Seu comandante-geral passou a ser nomeado por decreto, pelo presidente do Estado, e o sistema de promoções foi modificado: o critério anterior se dividia em 50% por antigüidade e 50% por merecimento, e passou a ser um terço por antigüidade e dois terços por merecimento – este, baseado numa lista tríplice enviada pelo comandante-geral para escolha pelo presidente do Estado.

Com a Reforma do Judiciário (Decreto 5.755, de 10/6/1918), extinguiram-se as eleições gerais para o cargo de juiz distrital, que passou a ser nomeado pelo presidente do Estado, abrindo, dessa forma, seu controle sobre o processo eleitoral e, também, sobre os processos criminais. O presidente do Estado exercia então o poder absoluto sobre o sistema judiciário.

Outro atributo exclusivo da oligarquia era a escolha do “delegado de polícia”. Desta forma, os atos de repressão tinham o aval e respaldo político. Eram comuns as denúncias de assassinato, torturas, perseguições e que tais, já que a polícia era a própria extensão do domínio político.

Alguns conflitos tiveram repercussão fora do Estado de Goiás, alcançando amplitude nacional. Um deles foi o massacre de São José do Duro, cidade próxima à divisa com a Bahia. A cidade era dominada pelos Wolneys (cujo chefe era o coronel Abílio), que indicaram em 1909 o nome de Artur Melo para a Presidência do Estado, sem a concordância dos Caiados. Na eleição seguinte, Artur Melo conseguiu se sagrar Deputado Federal e, de novo, os Caiados não o deixaram assumir: foram à capital federal e conseguiram a anulação do pleito.

Os Wolneys passaram a fazer oposição e fundaram um jornal na cidade de Goiás, capital estadual. Como resposta, os Caiados expulsaram todo o clã do partido e demitiram todos dos cargos que ocupavam: “com o intuito de arrasar o domíno wolneysta daquela região, até os cargos públicos, desde juiz, passando pela Coletoria, até o funcionário do Correio, foram a partir daí ocupados por adversários dos Wolneys” (SKORUPSKI, 1992, p. 130).

O que ocorreu foi uma contenda de coronel com coronel. Um lado havia o domínio sobre um município e região circunvizinha e, do outro, tinha o poder das forças militares estaduais. O presidente do Estado (à época, João Alves de Castro, cunhado de Antonio Caiado) mandou as tropas da polícia estadual invadirem São José do Duro; estas encontraram resistência, o que acabou em um banho de sangue. Somente da família dos Wolneys foram assassinados nove membros. Os restantes fugiram para a Bahia e se instalaram na cidade de Barreiras. São José do Duro foi praticamente arrasada.

Outro episódio de repressão que repercutiu ocorreu em um distrito do município de Pirenópolis – Calamita dos Anjos. Nesta localidade vivia uma jovem de