I. BÖLÜM
4.4. Tesadüfi Etkiler Panel Regresyon Analizi Sonuçları
Acontece que, as transformações que atingem o mundo do trabalho no país a partir da década de 1990, com o crescimento do trabalho precarizado e informal, e a permanência do corporativismo nas relações de classe, iriam colocar a CUT na difícil situação de ter que elaborar uma nova prática sindical que fosse capaz de, ao mesmo tempo, romper com a “velha” estrutura sindical e erigir um novo modelo organizativo que conseguisse fazer frente novas às clivagens que atingem a classe trabalhadora com a ascensão do neoliberalismo Brasil. Esta situação, reconhecida pela própria CUT, impôs um grande dilema ao sindicalismo brasileiro (e particularmente para a Central), pois a sua burocratização histórica e a verticalização, decorrente do corporativismo, iria questionar na raiz as estruturas tradicionais de representação dos trabalhadores:
Estamos neste momento diante de uma importante encruzilhada quanto ao novo modelo de organização sindical. Por um lado, vivemos com uma estrutura sindical arcaica, corporativista e baseada no modelo fascista da unicidade, das taxas
compulsórias, das datas-base, do poder normativo da Justiça do Trabalho; por outro lado, enfrentamos as transformações no mundo do trabalho, com novas formas de gerenciamento, terceirização, globalização da economia, privatização do Estado, inovações tecnológicas, etc. As conseqüências desse quadro, para o movimento sindical, são a pulverização do sindicato e a baixa representatividade enquanto classe. A própria construção da CUT já foi um importante passo para romper com o corporativismo oficial, mas continuamos submetidos, no nosso dia-a-dia, ao
sindicato corporativo, que em discurso tanto combatemos (CUT, 1995 p. 6- 7) [grifos nossos].
Esse, aliás, será um tema recorrentemente colocado pela CUT ao longo de toda a década de 1990. As transformações que atingem o mundo do trabalho impõem enormes desafios aos sindicatos, questionando as práticas sindicais do passado, bem como as estruturas burocráticas de organização dos trabalhadores. As recentes mutações sofridas pelos trabalhadores vêm provocando profundas cisões, fragmentando o coletivo de classe e complexificando as relações sociais. O novo complexo social, que surge com o processo de reestruturação produtiva, permeado pela fragmentação de classe (tanto em sua dimensão objetiva quanto em sua dimensão subjetiva), é cada vez mais recalcitrante às intervenções tradicionais dos sindicatos, exigindo a constituição de novas estruturas para a representação dos trabalhadores. Reconhecendo as transformações vivenciadas pela classe trabalhadora no país, a CUT já em 1997 (em seu VI Congresso) aponta os desafios e as dificuldades de se buscar a representação destes novos contingentes de trabalhadores que vão ganhando forma com o avanço da reestruturação da economia brasileira. A parti daí enfatiza que os sindicatos que continuarem a buscar em suas bases a representação exclusiva dos trabalhadores localizados nos setores tradicionais da economia estariam fadados ao esquecimento:
As transformações no mundo do trabalho indicam claramente as grandes dificuldades colocadas para um sindicalismo baseado exclusivamente nos setores tradicionais. A organização dos desempregados, dos trabalhadores informais, das mulheres e de contingentes mais amplos de excluídos, representa um desafio crucial para o futuro do sindicalismo. Estruturados numa fase de economias nacionais reguladas, mercados parcialmente protegidos e padrões de organização tradicionais, os sindicatos têm encontrado enormes dificuldades para combater os efeitos da globalização (CUT, 1997 p.10-11).
A própria constituição de um novo patamar de exclusão social, o desemprego estrutural, e a subproletarização tardia14, no bojo de um “novo (e precário) mundo do trabalho” (Alves,
14 Alves destaca que a subproletarização tardia é a nova precariedade do trabalho assalariado sob a
mundialização do capital, constituído pelos trabalhadores em tempo parcial, temporários ou subcontratados. Esses trabalhadores surgem não apenas em setores tradicionais da indústria (e dos serviços), mas, sobretudo, em setores modernos da produção capitalista. Assim, conforme o autor, formando a periferia do sistema (mas que se caracteriza de substancial importância para o processo de acumulação de capital), se encontra os trabalhadores em tempo parcial possuindo menos segurança no emprego, sendo constituídos pelos empregos casuais, pessoal com contrato de trabalho por tempo determinado, temporários, subcontratados, formando o núcleo da
2000), tende a debilitar, e impor novas provocações para a prática sindical tradicional. O sindicalismo vertical (decorrente da estrutura corporativa), que privilegia a dimensão de categoria profissional (fragmentando o coletivo de classe), herdado do período Varguista, encontra-se totalmente inadaptado para lidar em um contexto marcado por profundas segmentações entre os trabalhadores. Assim, à “velha” fragmentação decorrente do corporativismo (que divide os trabalhadores em diferentes categorias profissionais), soma-se um novo patamar de fragmentação (e divisão) no mundo do trabalho, proporcionado pelo processo de reestruturação da economia brasileira, com o surgimento de novas (e imensas) categorias de trabalhadores precarizados, excluídos do mercado formal de trabalho, ou impossibilitados de trabalhar por não responderem ao perfil exigido pela acumulação “flexível” do capital.
Essas novas segmentações dificultam a atuação dos sindicatos a partir de estruturas burocráticas, posto que os organismos sindicais não podem mais desempenhar seu papel tradicional de unificação do proletariado (de superação de sua divisão concorrencial e de sua segmentação) tendo como perspectiva uma organização corporativa restrita à categoria profissional15. Nesse sentido, para a CUT, o seu grande desafio seria redefinir e ampliar o campo de identidade dos trabalhadores, de forma a romper com a atual divisão dos trabalhadores em categorias profissionais ajustando-se ao novo perfil da classe trabalhadora, que enfrenta variadas formas de exploração (e dominação), acirradas com o processo de reestrutura produtiva:
As novas estruturas criadas devem ser pensadas como expressão e como espaços de construção de novas identidades que vão além da atual demarcação das categorias profissionais [...] Diante das transformações no mundo do trabalho e em função da própria experiência da CUT, é evidente a necessidade da Central de se ajustar ao novo perfil da classe trabalhadora, que enfrenta variadas condições de exploração e dominação [...] Devemos, assim, ampliar a participação e a adesão dos trabalhadores terceirizados, além da organização dos trabalhadores desempregados, daqueles que sobrevivem na economia informal e dos trabalhadores em empreendimentos autogestionários e solidários (CUT, 2003a p. 53).
De fato, o sindicalismo tem encontrado grandes dificuldades para incorporar as mulheres, os empregados de escritório, os que trabalham no setor de serviços mercantis, os
subproletarização tardia. Trata-se, segundo Alves, de um aspecto dissimulado da nova exclusão social, do qual o desemprego tecnológico é sua fratura exposta; muitas vezes, a discussão da quantidade de empregos sobrepõe-se à discussão da qualidade dos novos postos de trabalho, ocultando o problema da subproletarização tardia como um dos maiores problemas do trabalho no século XXI (Alves, 2000 p. 78).
15 Segundo Bihr, o sindicalismo “vertical”, que privilegia a dimensão de categoria e profissional, herdado do
período fordista, encontra-se, com a crise, totalmente inadaptado. Conforme destaca, somente um sindicalismo com estruturas “horizontais”, que privilegia a dimensão intercategorial, seria adequado para organizar ao mesmo tempo trabalhadores permanentes, instáveis e desempregados (Bihr, 1999).
empregados de pequenas empresas e os trabalhadores em tempo parcial. Esses trabalhadores, que têm crescido muito nos últimos tempos, ainda apresentam uma baixa tendência em participar das atividades sindicais, bem como filiar-se aos sindicatos, reduzindo as taxas de sindicalização e impondo sérios obstáculos para a atuação dos sindicatos, historicamente ligados aos setores mais tradicionais da economia:
[...] A capacidade de intervenção dos sindicatos diminuiu, como conseqüência de uma reestruturação produtiva que diminuiu a base sindical, ampliou o desemprego, modificou competências e diversificou as formas de contratação, via terceirização, trabalho em tempo parcial, trabalho temporário e recurso ao mercado informal de mão-de-obra. [...] As mudanças na economia e as mutações no mundo do trabalho
têm reduzido os efeitos das nossas fortalezas sindicais (metalúrgicos, bancários e indústria em geral) em virtude da desconcentração industrial, da
desverticalização e terceirização. [...] Esse quadro é uma ameaça ao crescimento da CUT, em particular, nos setores nos quais nossa representatividade é mais
fraca, mas que são ao mesmo tempo as áreas nas quais o emprego mais tem
crescido nos últimos anos: comércio e serviços em geral [...] Assim, este congresso tem uma grande responsabilidade: definir um conjunto de resoluções que contenha um plano de ação capaz de, preservando os princípios fundamentais de nossa Central, instrumentalizar o movimento sindical para responder aos grandes desafios da virada do milênio (CUT, 2000 p. 32-33) [grifos nossos].
3.1.4 A CRIAÇÃO DE SINDICATOS POR RAMO DE ATIVIDADE