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I. BÖLÜM

2.2. Sermaye Yapısıyla Ġlgili Kuramsal YaklaĢımlar

2.2.2. Modigliani ve Miller Sonrası Güncel YaklaĢımlar

2.2.2.4. Dengeleme Teorisi (Trade-Off Theory)

Além do estímulo à negociação e à busca de consenso entre capital e trabalho, o objetivo anunciado do governo era “modernizar” a estrutura sindical brasileira “democratizando” as relações de trabalho no país. Nesse sentido, com base no entendimento de que a estrutura sindical teria operado uma pulverização, acomodação e conseqüente enfraquecimento dos sindicatos e de que a reforma da legislação trabalhista seria fundamental para equacionar os problemas contemporâneos do mundo do trabalho, o governo federal apresentou, logo no início das atividades do Fórum, um relatório onde fazia um “diagnóstico das relações de trabalho no Brasil”10.

O relatório do governo apresentado ao FNT faz uma dura crítica ao sistema corporativo e à dinâmica das relações de trabalho no país, cujos problemas teriam se avolumado na década de 1990. Apesar das modificações introduzidas pela Constituição Federal de 1988, sobretudo a eliminação dos instrumentos mais explícitos de intervenção estatal, o entendimento do governo era de que o Estado ainda continuava a interferir na organização sindical, na negociação coletiva e na solução dos conflitos trabalhistas. A expressão dessa continuidade estaria, segundo o relatório, na manutenção da unicidade, do sistema confederativo, do imposto sindical e do poder normativo da Justiça do Trabalho, assim como na criação de uma nova fonte de arrecadação compulsória, a contribuição confederativa.

Um dos pontos de maior destaque da crítica governamental ao sistema corporativo é o crescente processo de pulverização pelo qual havia passado as organizações sindicais. O “fim” do controle estatal sobre os sindicatos estaria na origem do crescimento no número de sindicatos verificado a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988. Segundo o relatório do governo, entre 2002 e 2004, foram emitidas, pelo MTE, 1013 novas certidões de registro sindical, até dezembro de 2004 existiam em tramitação na Coordenação Geral de Registro Sindical – CGRS 4547 pedidos de registro sindical. Ao mesmo tempo, o número de

10 Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em

<http://www.mte.gov.br/fnt/DIAGNOSTICO_DAS_RELACOES_DE_TRABALHO_NO_BRASIL.PDF. Acesso em 29/06/2007.

associados a sindicatos de trabalhadores cresceu apenas 22%, o que indicaria a tendência à redução do tamanho médio dos sindicatos:

Como pode ser constado a partir dos dados mencionados, o aumento do número de sindicatos resultou menos do avanço da organização sindical e bem mais da fragmentação das entidades existentes. A pulverização trouxe consigo o enfraquecimento da representação de trabalhadores e empregadores. O contraste entre o crescimento numérico de entidades e o baixo ritmo de atividade econômica representa certo artificialismo na vida sindical brasileira, [...] o que impõe a

necessidade de superar o atual modelo de organização sindical, há muito criticado por sua origem autoritária, corporativista e por sua baixa representatividade [grifos nossos].

Por fim, o diagnóstico destaca o crescente processo de descentralização da negociação coletiva e enfatiza que o predomínio da solução judicial dos conflitos teria elevado o volume de ações trabalhistas e a postergação de impasses que poderiam se resolver por meio de composição voluntária. O diagnóstico conclui que o atual modelo de organização sindical foi se esgotando ao longo dos anos por suas distorções e incoerências, reafirmando a necessidade de uma reforma “democrática” do sistema de relações de trabalho.

No entanto, convém destaca, à despeito da alegada intenção em superar o corporativismo nas relações de classe no país, como ficou claro ao longo dos trabalhos desenvolvidos no Fórum, as posições mais conservadoras foram ganhando terreno, reduzindo os espaços para reformas mais amplas da estrutura sindical. Para “acomodar” divergências internas à CUT, a Articulação Sindical, por exemplo, recuou em sua proposta de instituir um “Sistema Democrático de Relações de Trabalho” no país (que apontava para uma reforma profunda da legislação sindical brasileira com a aprovação da Convenção 87 da OIT), levantando a bandeira de uma “reforma possível da estrutura sindical”. Mesmo com esse recuou, não foi capaz de evitar o acirramento das divergências em seu interior, tendo assistido a um razoável quadro de divisões com a saída, principalmente, do PSTU em 2004 e da Corrente Sindical Classista em 2007.

O governo, contrariando seus discursos anteriores, também acabou recuando em sua proposta de reforma ampla da legislação referente à organização sindical. Se esse recuo foi estratégico para costurar acordos e acomodar interesses divergentes, ele não foi suficiente para evitar críticas. Ao contrário do afirmavam representantes do governo, o documento final aprovado no FNT sempre esteve longe de representar qualquer consenso, mesmo no interior do próprio movimento sindical. As confederações, alijadas dos debates realizados no FNT e historicamente contrárias às mudanças na estrutura sindical, criaram um Fórum paralelo, o Fórum Sindical do Trabalho, para expressar e articular sua resistência. A grande crítica endereçada pelas organizações de trabalhadores às discussões realizadas no âmbito do Fórum

é que elas foram centralizadas pelas centrais, que não discutiram as propostas de reforma com as bases. Conforme destaca José Carlos Schulte (dirigente da Confederação Nacional no Comércio):

O FST se opõe ao FNT governista e patronal. Não aceitamos definir o futuro do sindicalismo junto com o patronato, com os banqueiros que sugam nossas riquezas. Isto não significa que o FST seja contra qualquer mudança na estrutura sindical. O que rejeitamos é um falso reformismo que retire direitos dos trabalhadores e enfraqueça o sindicalismo. Conhecendo, inclusive, as propostas do FNT e comparando-as com as nossas, do FST, entendemos que as que apresentamos representam avanços significativos na organização sindical dos trabalhadores, no rumo do aprimoramento da estrutura sindical atual, que tem sim muitos defeitos. Mas as nossas propostas não destroem a atual estrutura como as que são apresentadas pelo FNT (Schulte, 2004 p. 129-130).

Das discussões realizadas no Fórum culminou na elaboração de uma proposta de emenda constitucional – PEC 369/05, dando nova redação aos artigos 8, 11, 37 e 114 da Constituição Federal e de um anteprojeto de lei, envido ao Congresso em março de 2005. O documento em si traz algumas modificações importantes, todavia, não elimina os pilares da estrutura sindical corporativa. Na verdade, o texto resultante foi um texto ambíguo que, em muitos aspectos, reforçam o corporativismo e, em outros, como destaca Galvão (2004 p.52) abrem brechas para mudanças mais profundas, sendo que a possibilidade de um pluralismo sindical não esta completamente descartada.

2.5 A PROPOSTA DE REFORMA SINDICAL DO FNT E A CONVENÇÃO 87