• Sonuç bulunamadı

2.1. Gelişmekte Olan Bir Sektör Olarak Sağlık Turizmi ve Boyutları

2.1.3. Sağlık Turizmi Türleri

2.1.3.2. Termal Turizm

33.6. As condições econômicas, tanto nacionais como internacionais, que estimulem o livre intercâmbio e acesso aos mercados contribuirão para que o crescimento econômico e a proteção do meio ambiente se apoiem mutuamente em benefício de todos os países [...].

33.9. Para que haja uma associação dinâmica entre todos os países do mundo, particularmente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, são necessárias estratégias de desenvolvimento sustentável e níveis altos e

previsíveis de financiamento para apoiar os objetivos a longo prazo. Com

esse propósito, os países em desenvolvimento devem definir suas ações prioritárias e necessidades de apoio e os países desenvolvidos devem

comprometer-se a atender essas prioridades (AGENDA 21, Capítulo 33,

Verifica-se, com o exposto, que as questões financeiras compõem um item (entrave, diríamos) à parte, na dimensão da implantação da Agenda 21. De fato, se de um lado o ônus (naturalmente) recai sobre os países desenvolvidos/ricos, é certo que esta responsabilidade não passa despercebida aos mesmos, sendo, portanto, um problema a ser resolvido.

Outro aspecto, observado no item 33.4, diz respeito ao fato de que, em não se concretizando os investimentos previstos, os custos dos problemas (das consequências da não mobilização) tornar-se-ão, proporcionalmente, mais caros, ou seja, é mais barato (mesmo sendo caro), fazer algo agora, do que deixar a conta para mais tarde.

Já sobre o contexto educacional – capítulo 36 da Agenda 21 – observamos que seus propósitos são delineados na seguinte ótica:

O ensino, o aumento da consciência pública e o treinamento estão vinculados virtualmente a todas as áreas de programa da Agenda 21 e ainda mais próximas das que se referem à satisfação das necessidades básicas, fortalecimento institucional e técnica, dados e informação, ciência e papel dos principais grupos. Este capítulo formula propostas gerais, enquanto que as sugestões específicas relacionadas com as questões setoriais aparecem em outros capítulos. A Declaração e as Recomendações da Conferência

Intergovernamental de Tbilisi sobre Educação Ambiental, organizada pela UNESCO e o PNUMA e celebrada em 1977, ofereceram os princípios fundamentais para as propostas deste documento (AGENDA 21, capítulo

36.1, grifos nossos).

Este excerto denota a perspectiva com a qual a educação é apresentada na Agenda 21 – aumento da consciência pública e o treinamento –, além de fundamentar que estes princípios educativos estão estabelecidos desde 1977, quando da Conferência de Tbilisi que aprovou a configuração da Educação Ambiental.

A Agenda 21, deixa explícito o ensino como processo pelo qual

os seres humanos e as sociedades podem desenvolver plenamente suas potencialidades. O ensino tem fundamental importância na promoção do

desenvolvimento sustentável e para aumentar a capacidade do povo para abordar questões de meio ambiente e desenvolvimento. [...] Tanto o ensino

formal como o informal são indispensáveis para modificar a atitude das pessoas, para que estas tenham capacidade de avaliar os problemas do desenvolvimento sustentável e abordá-los. O ensino é também fundamental para conferir consciência ambiental e ética, valores e atitudes, técnicas e comportamentos em consonância com o desenvolvimento sustentável e que favoreçam a participação pública efetiva nas tomadas de decisão. Para ser eficaz, o ensino sobre meio ambiente e desenvolvimento deve abordar a dinâmica do desenvolvimento do meio físico/biológico e do socioeconômico e do desenvolvimento humano (que pode incluir o espiritual), deve integrar-

se em todas as disciplinas e empregar métodos formais e informais e meios efetivos de comunicação (AGENDA 21, capítulo 36.3, grifos nossos).

Concluindo, o texto também menciona que a educação – os processos educativos constituídos pelas nações – devem

endossar as recomendações da Conferência Mundial sobre Ensino para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem (Jomtien,

Tailândia, 5 a 9 de março de 1990), procurar assegurar o acesso universal

ao ensino básico, conseguir, por meio de ensino formal e informal, que pelo menos 80 por cento das meninas e 80 por cento dos meninos em idade escolar terminem a escola primária, e reduzir a taxa de analfabetismo entre os adultos ao menos pela metade de seu valor de 1990. Os esforços

devem centralizar-se na redução dos altos níveis de analfabetismo e na compensação da falta de oportunidades que têm as mulheres de receber ensino básico, para que seus índices de alfabetização venham a ser compatíveis com os dos homens; (AGENDA 21, capítulo 36.4, item “a”, grifos nossos).

Acerca deste último excerto, nos permitimos apenas apontar as contradições que outros trabalhos acadêmicos já fizeram sobre as concepções educacionais expostas e propaladas na Conferência de Jomtien. De fato, este seria outro capítulo sobre a educação, porém, não nos é possível fazer esta discussão aqui. De qualquer modo, fica o registro de como a Agenda 21 concebe o princípio Educação.

Isto posto, para além do que está contido no documento, é importante considerar, como aponta Lemos (2006), que, embora consensualmente se diga que a Agenda 21 foi assinada formalmente durante a conferência Rio-92 por todos os governos presentes ao evento, o que aconteceu foi apenas a sua aceitação naquela ocasião por parte das delegações, o que, de todo modo, não a torna menos importante.

A Agenda 21 (o documento original tinha cerca de 800 páginas) não foi discutida em detalhes e nem aprovada formalmente durante a Rio 92, que apenas tomou conhecimento do documento (“We take note...”). Entretanto, isto não diminui a importância deste documento, aceito tacitamente por todos os governos, para uso voluntário dos países. Embora não tenha força legal, a Agenda 21 contém um roteiro detalhado de ações concretas a serem executadas pelos governos, agências das Nações Unidas, agências de desenvolvimento e setores independentes (como o setor produtivo e as organizações não governamentais), para iniciar o processo de transição na direção do desenvolvimento sustentável (LEMOS, 2006, s/p).

Destacamos desta perspectiva apontada por Lemos duas situações: “aceito tacitamente por todos os governos para uso voluntário dos países” e “embora não tenha força legal [...] contém um roteiro detalhado de ações concretas a serem executadas”, que dão indícios, mais

uma vez, da problemática que envolve as questões ambientais quando se trata de tomada de decisões e compromissos para mudanças.

Aceitando-se que a Agenda 21 seja um documento ambicioso, que visa propor às nações um outro modelo de desenvolvimento, baseado nos ideais de sustentabilidade planetária, é um tanto quanto frustrante perceber que as nações apenas tomam nota (“we take note...”), que é de “uso voluntário” e que não tem “força legal”, muito embora seja um “roteiro detalhado de ações concretas”.

E, ainda que possamos questionar se um documento desse teor deveria ou não ter força de lei, é fundamental ponderar que são justamente as leis, por imposição de sua estrutura ordenadora, que garantem a execução de ações por parte de seus entes, como é o exemplo da própria legislação ambiental existente.

Lemos (2006, s/p), afirma que o documento é construído baseando-se na premissa de que a humanidade atravessa um tempo

de definição em sua história: continuar com as políticas atuais significa perpetuar as disparidades econômicas entre os países e dentro dos países, aumentar a pobreza, a fome, as doenças e o analfabetismo no mundo inteiro, e também continuar com a deterioração dos ecossistemas dos quais dependemos para manter a vida na Terra. É uma proposta de planejamento estratégico participativo, nos níveis local, regional e global.

A Agenda 21, ao propor mudanças de rumo para a humanidade, busca construir um “melhor padrão de vida para todos, ecossistemas melhor gerenciados e protegidos, e um futuro mais próspero e seguro” e, sendo este um documento político de mobilização global, também “pressupõe a ampla participação da sociedade na tomada das decisões necessárias” (LEMOS, 2006). Para o autor, isto remete a um

processo de transformação cultural, de mudança de mentalidades e de comportamentos em direção a uma sociedade com padrões sustentáveis de produção e consumo. Pressupõe que os governos e a sociedade em geral sentem-se à mesa para discutir e diagnosticar os problemas, identificar e entender os conflitos envolvidos, e decidir sobre a melhor forma de resolve- los, para iniciar o caminho na direção da sustentabilidade da biosfera (LEMOS, 2006, s/p).

Por sua vez, Lago (2006, p.76), descreve a Agenda 21 como sendo um documento “longo e ambicioso” que busca trazer “propostas de ações em mais de uma centena de áreas”, cuja execução aconteceria ao longo de décadas, o que o torna um “documento profundamente relevante”, tratando-se, para o autor, de

um programa de ação que atribui novas dimensões à cooperação internacional e estimula os governos, a sociedade civil e os setores produtivo, acadêmico e científico a planejar e executar juntos programas destinados a mudar as concepções tradicionais de desenvolvimento econômico e de proteção do meio ambiente (LAGO, 2006, p.76).

Segundo Lago (2006, p.76-77), a Agenda 21 havia sido concebida como um “plano de ação dirigido a governos”, servindo de base não somente para a atuação destes, mas também “atribuindo papel primordial à sociedade civil e às organizações não-governamentais”. Ainda para o autor, a Agenda 21 era composta de três elementos que davam a ela uma importância ímpar comparada a outros planos de ação, sendo estes:

um mecanismo financeiro com autonomia e recursos vultosos; um compromisso que permitisse a criação de um sistema eficaz de transferência de tecnologia; e a reforma e o fortalecimento das instituições para que o objetivo do desenvolvimento sustentável fosse levado adiante de forma efetiva e para que houvesse acompanhamento atento a esse processo (LAGO, 2006, p.77).

É certo que existem outras discussões a serem levantadas sobre a Agenda 21, em especial quanto aos bastidores de sua apresentação na Rio-92 – como bem aborda Lago (2006) respectivamente às questões de gerenciamento, acompanhamento, desenvolvimento e, em especial, sobre o financiamento de suas ações.

De todo modo, para finalizar, cabe expor que a Agenda 21 propõe, ainda, mais três níveis de desdobramentos, que são: a Agenda 21 dos países (a agenda nacional, dos países); a Agenda 21 local (das comunidades, das cidades) e a Agenda 21 Escolar (esta última uma derivação das propostas globais adaptadas à dimensão das unidades escolares, ou seja, no sentido de promover o fomento à participação dos alunos nas questões ambientais).

A Agenda 21 Nacional inicia-se já como um desdobramento da Agenda 21 Global, no sentido de que cada país passasse a construir sua própria agenda, elaborando seu plano de ações e metas, de controle e de desenvolvimento e – notadamente – de financiamento, diante da realidade, da estrutura e da organização de cada país.

E, uma vez determinando-se a Agenda 21 Nacional, caberia aos outros espaços (regiões, estados, cidades, comunidades, etc.), estabelecerem, respectivamente, suas agendas – mantendo-se a base dos princípios postulados na Agenda 21 Global, porém, estas pautas locais teriam o olhar de suas próprias particularidades, suas necessidades, urgências e outras considerações.

Em todas estas etapas caberia a articulação entre poder público, instituições governamentais e não-governamentais, sociedade civil, empresas, instituições de ensino e demais interessados, a fim de promover sua execução (em todos os sentidos). Portanto, mais do que um complexo documento com propostas, a Agenda 21 é, de fato, um importante instrumento de mobilização com vistas às mudanças necessárias, ainda que não tenha, como poderia ser desejável sob alguns aspectos particulares, força de lei para o seu cumprimento efetivo por parte de todos os países/nações/governos.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A CONFERÊNCIA RIO-92 Para Lago (2006, p.85), a Conferência do Rio, “sob os mais diversos pontos de vista”, foi, efetivamente, um grande sucesso. Naquele momento, duas décadas após a primeira conferência sobre meio ambiente, em Estocolmo – 1972, o mundo parecia pronto a “colocar o meio ambiente entre os temas prioritários da agenda mundial”. Todavia, segundo o autor,

a perspectiva de que o desenvolvimento sustentável seria a base de um novo paradigma da cooperação internacional, no entanto, revelou-se ilusória, uma vez que o processo de globalização se sobrepôs. O desenvolvimento sustentável não é necessariamente incompatível com a globalização: para muitos, ao contrário, a preocupação com o meio ambiente é uma das conseqüências da globalização. (LAGO, 2006, p.85).

Nesta ótica, Lago (2006), salienta que um dos elementos conceituais que minou as perspectivas sobre a efetividade de mudanças que poderia (realmente vir) propor os sem número de discussões, de negociações e de acordos que brotaram (ou germinaram) na aclamada mundialmente Rio-92, foi a globalização. Segundo o autor,

vários aspectos apontam para as dificuldades que a globalização representa para a tentativa de se impor o desenvolvimento sustentável como novo paradigma, como a incompatibilidade entre o crescimento das empresas transnacionais e a mudança dos padrões de produção e consumo (LAGO, 2006, p.85-86).

Por outro lado, para Lago (2006, p.86), outras críticas pontuais ainda foram feitas sobre a conferência, sendo uma delas a que dizia respeito à declaração de proteção e o uso responsável das florestas. Conforme o autor, a “opinião pública, em todo o mundo, havia sido convencida de que algo tinha de ser feito para acabar com a destruição das florestas”, entretanto, as atitudes

protecionistas fomentadas pelos lobbies dos (e nos) países produtores de petróleo e consumidores de carvão acabou por minar esta ampla expectativa.

Lago (2006), conclui sua exposição acerca da Conferência Rio-92, apontando que um dos motivos que podem ser elencados para explicar a frustração geral com alguns dos resultados alcançados nela, foi o fato de todos os países ali presentes terem direito de veto, ou seja, qualquer governo poderia rejeitar qualquer proposta que não lhe agradasse diretamente (ou que não representasse adequadamente os interesses dos lobbies existentes internamente).

Washington Novaes, no artigo “Eco-92: avanços e interrogações”, publicado no mesmo ano da Conferência no periódico Estudos Avançados, aborda a Conferência Rio-92, sob uma ótica bastante interessante. De acordo com ele,

um evento como a II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento pode, deve e precisa ser visto por muitos ângulos. Cada um deles revelará um pedaço da história e ajudará a entender nuances e minúcias importantes para a apreensão das grandes questões globais. A chamada Eco- 92 tem história e desdobramentos importantes dos pontos de vista científico, diplomático, político, social e da comunicação. E ainda exige uma compreensão específica a partir de uma realidade brasileira. Da mesma forma que pressupõe abordagens apropriadas para cada um dos grandes temas da Conferência (NOVAES, 1992, p.79).

Para o autor, um dos quadros de destaque desta conferência (sob seus muitos ângulos), seria a discussão realizada em torno da temática sobre as mudanças climáticas que culminou no Tratado Sobre Mudanças Climáticas. Para Novaes (1992, p.79), sentia-se, desde o princípio das negociações, já nos meses que antecederam a realização da conferência, uma grande animosidade entre os países: “muitas das divergências seriam na verdade insuperáveis, dados certos fatores de ordem política e econômica, numa fase de transição para uma nova ordem mundial”.

Para Novaes (1992, p.79), estas divergências insuperáveis estavam postas diretamente na participação e no entendimento particular que o governo norte-americano impunha às discussões, tendo em vista, especialmente, o cenário interno das lideranças e lobbies neste país. Segundo o autor,

já enfrentando os problemas da recessão e do desemprego num ano de campanha presidencial, os EUA vêem-se às voltas também com a necessidade de desmontar parcialmente o complexo industrial militar, inviabilizado por falta de objetivos. A desmontagem, entretanto, agravaria a recessão e o desemprego. Não por acaso, um Escritório de Conversão criado pelo Congresso e entregue à direção do Pentágono só utilizou em 1991 metade dos 200 milhões de dólares que lhe foram atribuídos. Por isso, em lugar de

desativação, aprovou-se a construção de mais dois submarinos Seawolf, ao custo de 3 bilhões de dólares. Embora não tenham alvos, os submarinos asseguram 20 mil empregos. Da mesma forma, aprovou-se a construção de 5 aviões Stealth, ao custo de 4 bilhões de dólares, porque asseguram milhares de ocupações na Califórnia. ‘Temos de reconhecer que não estamos preparados para a paz’, afirmou dramaticamente um senador, na primeira página do New York Times, ao discutir a impressionante perda de competitividade da economia norte-americana diante da alemã e da japonesa nos últimos 30 anos (NOVAES, 1992, p.79).

Este excerto dá a dimensão do discurso interno que orientava as políticas norte- americana de investimentos, trabalho, emprego e consumo. Neste sentido, a desejada ótica de promoção de mudanças estruturais nos processos de consumo e desenvolvimento engendradas na Rio-92, seria uma clara ameaça a estas políticas, o que levou, taxativamente, o governo norte americano a não endossar o tratado sobre mudanças climáticas.

Novaes (1992) argumenta, ainda em relação às discussões sobre as mudanças climáticas, que outros países, como o Japão, já haviam se antecipado que não conseguiriam cumprir qualquer acordo efetivado – naquele momento – que exigia as reduções nos níveis de emissão de gases do efeito estufa. Em pauta, os países desenvolvidos, capitaneados pelos EUA, estavam menos preocupados com os custos ambientais e mais inclinados à manutenção da economia – compartilhavam desta ideia, os países produtores de petróleo, que discordavam dos impactos que o consumo de combustíveis fósseis pudesse (de fato) impor mudanças climáticas no globo terrestre.

A questão em torno dos combustíveis fósseis levou a proposta, apresentada pela Comunidade Econômica Européia, de criação de um “imposto sobre o consumo” destes combustíveis, condicionando o ônus aos países pobres, que seriam levados à “redução de consumo e a alta de preços” (NOVAES, 1992, p.81). Para o autor, isto penalizaria os pobres, no lugar dos ricos, e,

em lugar de transformações profundas nas estruturas de produção – que custariam investimentos fortíssimos aos países industrializados – se estaria tentando minimizar as ameaças de mudanças climáticas à custa dos países mais pobres. Quando, na verdade [...], mesmo que se pudesse resolver todos os problemas ambientais do chamado Terceiro Mundo, isso em termos globais não faria diferença significativa (NOVAES, 1992, p.81).

Outro tópico polêmico à Conferência Rio-92, foi sobre a Convenção sobre a

Diversidade Biológica, que, no entendimento de Novaes (1992), representou as delicadas

diversidade biológica existente – em especial pelo fato de o Brasil ser detentor de praticamente 30% desta diversidade global.

Estavam postas naquela situação – na discussão sobre a convenção – as perspectivas incompatíveis entre cientistas e diplomatas, os primeiros com uma preocupação com a conservação e universalização dos conhecimentos advindos desta riqueza, enquanto os diplomatas inclinavam-se muito mais por uma perspectiva econômica dos recursos (direitos de exploração, de registros de patentes e outras pesquisas). Aliás, segundo Novaes (1992), estava em jogo nesta convenção a diferença entre o direito aos recursos enquanto propriedade dos países e a secular relação de apropriação e expropriação estabelecida pela “forma das armas”. Segundo o autor,

ao estabelecer a soberania dos países detentores da biodiversidade sobre esses recursos e seu direito de participar dos resultados científicos e financeiros da exploração, a convenção aprovada no Rio de Janeiro muda a relação de apropriação entre países ricos e pobres (NOVAES, 1992, p.83).

Para Novaes (1992, p.83), o grande mérito da negociação e aprovação da Convenção sobre Diversidade Biológica foi a conscientização do mundo para a importância da questão, uma vez que na preservação dos ecossistemas está a garantia do nosso futuro, naquilo que o autor vislumbra como os “futuros materiais, medicamentos e alimentos” a serem produzidos e fornecidos à humanidade.

Outra preocupação da conferência, segundo Novaes (1992, p.87), consistia em ser a Rio-92 uma “conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento”, sendo toda perpassada pela questão “populacional”. Segundo o autor, questões do tipo “como reduzir a pressão sobre recursos naturais se a população do Planeta não cessa de crescer?” ou “como enfrentar problemas ambientais em âmbito planetário se uma parte considerável deles tem relações estreitas com os problemas da miséria?”, estavam postas diretamente aos governos, delegações, instituições, especialistas, leigos e demais participantes.

Para Novaes (1992, p.88), obrigou-se discutir na Rio-92, mesmo com os notáveis posicionamentos econômicos em jogo, formas de se pensar a “dignidade humana”, bem como sobre a adequação de “padrões civilizatórios às possibilidades de recursos e de equilíbrio da vida na Terra”. Porém, segundo ele, deixou-se a desejar nas decisões, notoriamente, a profundidade destes temas, “uma vez que a humanidade perdeu a disputa diante da ordem econômica estabelecida”.

Quanto à questão financeira, ou seja, sobre a proposição multilateral dos participantes (países ricos x países em desenvolvimento) na organização e estabelecimento de mecanismos de financiamento às ações ambientais, Novaes (1992), argumenta que não houve avanço nesta matéria devido às enormes dificuldades na discussão dos recursos necessários. Para ele, ironicamente,

não falta quem considere puro blablablá tudo o que aconteceu no âmbito da Conferencia oficial, quando nada porque, na hora de estabelecer os recursos financeiros para as centenas de páginas de programas da Agenda 21, os países mais ricos, na sua maioria, fugiram a compromissos – seja de quantitativos, seja de datas (NOVAES, 1992, p.89).