2.2. Sağlık Turizmi Çeşidi Olarak Medikal Turizm ve Kapsamı
2.2.3. İnsanların Medikal Turizme Katılma Nedenleri
O encerramento da Conferência Rio+20 não foi diferente dos encerramentos das outras (tantas) conferências realizadas anteriormente. Seja do ponto de vista dos avanços e retrocessos ou mesmo da frustração por avanços módicos, muito longe do sonhado pelos expectadores e muito além das possibilidades reais dos governantes, a Rio+20 também teve sua parcela de sucesso e de fracasso.
Como já analisado em relação aos outros eventos aqui trazidos e com ressonância àquilo que apontamos sobre as múltiplas dimensões em conflito neste processo de construir saídas para os problemas ambientais – a situação política (soberania e influência), o arcabouço instrumental (leis e obrigações), as perspectivas econômicas (diferentes interesses) e as condições sociais (educação, pobreza, etc.) –, os resultados da Rio+20 evidenciaram que a situação não seria diferente também naquela oportunidade.
Para Ganem (2012, p.57-58), as opiniões sobre o resultado do encerramento da Rio+20 foram divergentes, pois, para representantes do governo brasileiro, seu documento final “supera o das conferências anteriores”. Entretanto, para muitos representantes da sociedade civil e da mídia, o término da Rio+20, “culminou com uma onda de desesperança e pessimismo”, especialmente quanto aos desejáveis “avanços em relação aos temas principais da Conferência – economia verde, pobreza e governança – e quanto a temas ambientais específicos, sobretudo mudanças climáticas”, que não foram devidamente alcançados.
Segundo a autora (GANEM, 2012, p.59), em que pese as muitas críticas ao desfecho do evento e às repetições assistidas daquilo que já foi amplamente “ventilado” em todos os outros eventos do gênero sobre os problemas ambientais e as necessárias ações corretivas, a Rio+20, demonstrou que a sociedade está “pronta e disposta para efetuar mudanças necessárias”, pois o movimento que se iniciou não pode mais parar.
No mesmo sentido, argumentando sobre os aspectos positivos da Rio+20, Paula (2012, s/p), afirma que a Conferência teve desdobramentos que vão muito além do documento produzido, pois gerou “articulações, acordos e compromissos muito mais eloquentes do que os esperados documentos oficiais”, especialmente, segundo o autor, pelo empenho dos participantes (sociedade civil e organizações não-governamentais), do que propriamente por parte das autoridades presentes.
Todavia, o autor adverte que a Conferência não pode ter uma análise rasa entre sucesso e fracasso, justamente por seus resultados (os documentos oficiais produzidos) serem “muito
cheio de dedos”, já que foram frutos do “consenso entre representantes de quase 200 países” (PAULA, 2012, s/p).
Daí a dificuldade de produzir acordos ousados, inovadores, à altura dos desafios do desenvolvimento sustentável. Essa dificuldade não justifica, contudo, a análise rasa com que alguns apressados se dispõem a acusar, julgar, condenar e sepultar a Rio+20 depois de cravar-lhe no peito a estaca do “grande fracasso” (PAULA, 2012, s/p).
Neste sentido, na análise do autor (PAULA, 2012, s/p), a conferência não fracassou, já que “produziu um texto assinado por todos” e que ainda “aponta para novas condições de inovação”. Além disso, um evento deste porte, com tamanha mobilização humana e de recursos, “vai muito além do documento assinado por governos nacionais”, pois inicia-se na “própria mobilização e consciência que o encontro criou”.
Para o autor (PAULA, 2012, s/p), diante de uma grave crise econômica internacional, os governos ficam mais receosos de assumirem compromissos externos e a grande contribuição à Conferência Rio+20 foi dada pela sociedade como um todo. Para ele, para além de governos e organizações oficiais, não somente as pessoas, mas também as instituições e empresas sobressaíram-se muito mais do que as possibilidades contidas em acordos assinados, catapultando o evento a um “processo de mudança para um contrato social que faça mais sentido do que o contrato atual”.
Oficialmente o órgão das Nações Unidas no Brasil afirma que a Rio+20, como uma das maiores conferências já convocadas pela ONU, iniciou uma “nova era para implementar o desenvolvimento sustentável”. Essa Conferência foi uma “rara oportunidade para o mundo concentrar-se em questões de sustentabilidade – para examinar ideias e criar soluções” (ONU, 2012, s/p).
De acordo com os dados das Nações Unidas (ONU, 2012, s/p), na Conferência foram firmados compromissos da ordem de 513 bilhões de dólares, entre projetos principais e demais parcerias, além de programas de ações para mais 10 anos nas áreas de transporte, energia, economia verde, redução de desastres e proteção ambiental, desertificação, mudanças climáticas e aqueles relacionados diretamente ao desenvolvimento sustentável, bem como 705 compromissos extra-oficiais de iniciativa de governos, empresas, grupos da sociedade civil e universidades.
A Conferência Rio+20 para a ONU/Brasil (ONU, 2012, s/p), foi o momento em que os países “renovaram seus compromissos com o desenvolvimento sustentável”, e prometeram
“promover um futuro econômico, social e ambientalmente sustentável para o nosso planeta e para as gerações do presente e do futuro”.
Na avaliação do Instituto EcoD (Instituto EcoD, 2012, s/p), os principais pontos da Rio+20 foram:
O engajamento da sociedade civil, simbolizado pela realização da Cúpula dos Povos, que reuniu milhares de pessoas de mais de 100 países, entre indígenas, religiosos, sindicalistas, representantes dos movimentos das mulheres e cidadãos independentes, que bradaram contra a inércia dos tomadores de decisão;
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que representaram as metas a serem perseguidas pelos países para avançar nas áreas ambiental, política e social;
O Índice de Riqueza Inclusiva (IRI), que vai além do PIB e do IDH, que surge como um novo indicador mundial, tendo por objetivo incentivar a sustentabilidade dos governos, avaliando informações referentes ao capital humano, natural e manufaturado;
O Fórum da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, que surge como fórum de alto nível no âmbito das Nações Unidas, tendo como expectativa o maior comprometimento com o cumprimento das metas para o tema;
O fortalecimento do PNUMA, com a possibilidade de que o Programa possa atingir o status de agência da ONU com poder de decisão;
A redução das emissões de gases das grandes cidades, que foi o compromisso firmado por prefeitos das 59 maiores cidades do mundo, que se comprometeram a reduzir consideravelmente as emissões de gases do efeito estufa até 2020;
O investimento do setor privado, no qual grandes multinacionais firmaram diversos compromissos em prol do capital natural, além de metas relacionadas à Economia Verde, que contou com a adesão de 220 companhias;
O empoderamento da mulher, que repercutiu como essência do movimento, representado como força motriz do desenvolvimento sustentável;
A erradicação da pobreza, meta a ser alcançada frente ao maior desafio global do planeta, para a qual a ONU recomenda a cooperação internacional de investimentos e a facilitação de tecnologia para países em desenvolvimento; O Plano de Produção e Consumo Sustentáveis, como meta para que os países atinjam a sustentabilidade na produção e consumo, por meio da adoção de uma plano para mudar o comportamento das populações;
As Responsabilidades Comuns, mas Diferenciadas (CBDR), como princípio que espera dos países ricos maior empenho financeiro para implementação de ações frente às suas responsabilidades;
A Proteção dos Oceanos, com um novo instrumento internacional sobre os direitos do mar, buscando o uso sustentável da biodiversidade e conservação em alto mar, tendo em vista a carência de regulamentação internacional entre os países para as águas internacionais (Instituto EcoD, 2012, s/p).
De qualquer modo, o resultado oficial mais significativo da Conferência Rio+20 foi a construção do documento final intitulado “O Futuro que Queremos”, sendo este um pacto formal acordado pelos Chefes de Estado e Governo de 188 países, cujo significado representa o compromisso real dos países e que traça o caminho para a cooperação internacional com vistas ao desenvolvimento sustentável e seus pilares fundamentais.
O documento em si, destaca pontos importantes no conjunto do desenvolvimento sustentável – econômicos, sociais e ambientais – com ênfase no combate à pobreza e à fome; na proteção das florestas, oceanos e da biodiversidade; no incentivo à agricultura e às fontes de energia sustentável.
Encontra-se organizado em seis capítulos: I. Nossa Visão Comum; II. Renovação do Compromisso Político; III. A Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento Sustentável e da Erradicação da Pobreza; IV. Quadro Institucional para o Desenvolvimento Sustentável; V. Quadro de Ação e Acompanhamento; e VI. Meios de Implementação, distribuídos em 283 itens, num texto de 53 páginas (no original em inglês).
Do que foi brevemente exposto sobre este documento, mesmo pesando outras possíveis avaliações e críticas, focamos nosso interesse sobre o que ele traz quanto à educação. Neste sentido, pesquisando a declaração “O Futuro que Queremos” (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012), não encontramos qualquer referência ao termo “educação ambiental”, obviamente, por não ser um documento direcionado a esta discussão.
Porém, no tocante à educação, numa concepção ampla e geral, o mesmo traz algumas posições, em especial, no capítulo V. Quadro de Ação e Acompanhamento, ocorrendo, na parte sobre “áreas temáticas e questões transversais”, um tópico específico sobre Educação, que contempla 7 itens com referências ao tema – itens 229 a 235 (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.46-47, da versão em português).
No item 229, o texto reafirma o compromisso de todos os países signatários com a educação, focando no comprometimento de reforçar a cooperação internacional para “alcançar o acesso universal à educação primária, especialmente para os países em desenvolvimento”. Complementa, ainda, que a educação de qualidade em todos os níveis é uma “condição essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza, a igualdade de gênero” e outros (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.46).
No item 230, há o reconhecimento de que as gerações mais jovens são “guardiões do futuro, e que é necessário melhorar a qualidade e o acesso à educação para além do nível primário”. Em vista disso, os signatários, tomam a resolução de dotar os sistemas educacionais de meios para “preparar melhor os jovens para a promoção do desenvolvimento sustentável”, através dos seguintes pontos: uma “melhor formação de professores”; “desenvolvimento de currículos em torno da sustentabilidade”; “desenvolvimento de programas escolares que abordem as questões ligadas à sustentabilidade”; “programas de formação que preparem os estudantes para carreiras em áreas relacionadas com a sustentabilidade”; “uma utilização eficaz de tecnologias de informação e comunicação para melhorar os resultados da aprendizagem”. Isso tudo com apelo para uma “maior cooperação entre escolas, comunidades e autoridades, em seus esforços para promover o acesso à educação de qualidade em todos os níveis” (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.46).
No item 231, os signatários solicitam o encorajamento dos Estados-Membros para uma promoção da “conscientização para o Desenvolvimento Sustentável entre jovens, nomeadamente, através da promoção de programas de educação não formal”, tendo em vista as metas já acordadas pelas Nações Unidas (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.46).
O item 232, ao enfatizar a importância de uma “maior cooperação internacional para melhorar o acesso à educação”, aponta para a “construção e reforço de infraestrutura em educação”, aumentando o “investimento em educação, particularmente investimentos para melhorar a qualidade da educação para todos os países em desenvolvimento”, inclusive encorajando os países a criarem bolsas de estudo para “ajudar a atingir metas de educação global” (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.46).
O item 233 se volta para a decisão dos signatários da declaração no que se refere ao compromisso de “promover a Educação para o Desenvolvimento Sustentável” e “integrar o desenvolvimento sustentável mais ativamente na educação” para além das metas já construídas globalmente (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.46).
No item 234, enseja-se o forte encorajamento para que as instituições de ensino “considerem a adoção de boas práticas em gestão da sustentabilidade em seus campi e em suas comunidades”, com a participação ativa dos alunos, professores e parceiros locais, “ensinando o desenvolvimento sustentável como um componente integrado a todas as disciplinas” (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.47).
Por fim, o item 235, ressalta a importância de “apoiar instituições de ensino, especialmente instituições de ensino superior em países em desenvolvimento, para efeitos de investigação e inovação para o desenvolvimento sustentável, nomeadamente no domínio da
educação”, desenvolvendo “programas de qualidade e inovadores”, incluindo o “empreendedorismo e formação profissional de habilidades e competências” para “promover os objetivos nacionais de desenvolvimento sustentável” (DECLARAÇÃO FINAL RIO+20, 2012, p.47).
Nos itens de 229 a 235 da Declaração O Futuro que Queremos, exceto pelo foco repetitivo e insistente nos princípios de uma educação para o desenvolvimento sustentável, o documento não traz nada de novo, ou qualquer outra contribuição, que já não tenha sido expressa anteriormente em discursos formulados desde Estocolmo-1972.
Em síntese, a Declaração Final da Rio+20 reafirma a preocupação com as questões ambientais com base nos mesmos princípios das conferências anteriores, evidenciando que estes problemas (poluição do ar, da água, do solo; exploração e esgotamento dos recursos naturais; ameaça à biodiversidade; aquecimento global e mudanças climáticas, etc.), estão a ameaçar a sobrevivência do planeta e de todas as espécies que nele habitam.
A declaração também reafirma a necessidade de que todos os países/nações empenhem mais esforços e recursos financeiros para que sejam alcançadas as soluções desejáveis, notadamente nas bases do desenvolvimento sustentável e da economia verde, alterando o quadro catastrófico que se anuncia, especialmente para os países/nações em desenvolvimento e àqueles em situações ainda mais precárias.
Aliás, de fato, em vista da recorrência do termo educação para o desenvolvimento
sustentável – que se configurou num tipo de proposta única desde a Rio-92, não podemos dizer
que algo diferente tenha sido construído ao longo da história.
Repetidamente vemos os discursos ambientais, em qualquer nível de discussão, mas em especial quanto à Educação, serem recolocados em foco em todos os momentos em que ocorreram os encontros e conferências. Não há, por assim dizer, para além do discurso internacional generalizado, um movimento real, consistente e efetivo, que conte com investimento e acordos concretos, capaz de levar a cabo as pequenas e lentas iniciativas que vêm ocorrendo mundo afora.
Para Ganem (2012, p.41), a Declaração “O Futuro que Queremos”, resultante da Conferência Rio+20, é, de fato, “quase um vazio de metas”, constituindo-se num “protocolo de intenções” sem efetivos compromissos reais, de tempo e prazo, dos países signatários. Para a autora,
Fica evidente que “O Futuro que Queremos” contém muitos reconhecimentos de ausência de progresso ou mesmo de retrocessos, bem como diretrizes de
ação, mas as decisões sobre ações concretas foram adiadas. Um resultado esperado diante da necessidade de aprovar um documento consensual entre 193 nações com problemas díspares. Mas, mesmo com pouca expectativa em torno da Conferência, muitos atores envolvidos manifestaram grande insatisfação. As organizações não governamentais recusaram-se a referendar o documento oficial, impedindo a menção final de que o documento foi elaborado com a participação da sociedade civil (GANEM, 2012, p.43).
Na visão da autora, os resultados alcançados exacerbam a “baixa prioridade manifestada pelos governantes, sob a justificativa de que a crise econômico-financeira impede maiores investimentos nos problemas ambientais”, de tal modo que este posicionamento acabou por contrariar as “expectativas daqueles que viram a crise como oportunidade de mudança para uma sociedade sustentável” (GANEM, 2012, p.44).
Seja como for, os desdobramentos da Conferência Rio+20 são tanto positivos quanto negativos quanto forem as análises e opiniões emitidas pelos atores e pelos interessados envolvidos na discussão (pessoas, instituições, governos e governantes), especialmente porque o evento – grandioso como só – tem espaço para todos os movimentos em curso. Todavia, o que fica registrado, é a repetição dos discursos já proferidos, dos compromissos e das promessas realizadas, especialmente, por aqueles que mandam nos destinos do planeta.
Nenhuma diplomacia supera, em qualquer grau e nível, as correntes internas e seus interesses divergentes – não há um movimento que possa convergir às soluções, se este movimento não conta com o necessário consenso das partes envolvidas, bem porque, se a Rio+20 viu a grandeza dos movimentos sociais como outra marca do que o futuro espera, também viu a pequeneza dos governos diante de suas necessidades internas tendo em vista a crise financeira mundial instalada.
O conflito que a Rio+20 expôs ao mundo contemporâneo foi, novamente, o de que não existem soluções prontas para os antigos problemas, e que pobreza e fome, exploração dos recursos naturais locais e regionais, nacionais e internacionais, desenvolvimento tecnológico e mobilização social estão indissociavelmente ligados à necessária condição de que países (todos) têm de fazer concessões e recuos em prol do coletivo global.
Não há, em que pese a ordem internacional dos fatores políticos-econômicos- diplomáticos-sociais, uma resposta única, uma saída prática e simples para os problemas ambientais e, de resto, para os problemas de desenvolvimento sustentável nos três pilares institucionais. Assim, a Rio+20 deixou claro que temos que encontrar não só soluções para os problemas, mas também mecanismos para colocá-los em prática e compromissos coletivos para que sejam levados a cabo.