2.1. Gelişmekte Olan Bir Sektör Olarak Sağlık Turizmi ve Boyutları
2.1.1. Sağlık Turizmi Kavramı ve Tanımı
O Fórum Global aconteceu paralelamente à Rio-92, reunindo membros de aproximadamente dez mil organizações não-governamentais e foi considerado um dos mais importantes movimentos por direitos sociais dos anos 1990. Configurou-se, também, como uma bandeira de lutas socioambientais e de mobilização contra o neoliberalismo (SIQUEIRA, 1992; LANDIM, 1993; MELLO, 2012).
Constituído enquanto Conferência da Sociedade Civil Global sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e, desde então, reconhecido como Fórum Global, este evento foi patrocinado e financiado pela ONU, por empresas multinacionais, bem como pelas próprias organizações não-governamentais que participaram dele, tornando-o, naquele momento, o maior exemplo de participação da sociedade civil organizada durante uma conferência internacional.
Estiveram presentes cerca de sete mil organizações não-governamentais de todos os cantos do planeta, com as mais diversificadas e temáticas bandeiras ambientais que mobilizaram, diariamente, mais de trinta e cinco mil pessoas em suas reuniões de sessões de debate e discussão (SIQUEIRA, 1992; LANDIM, 1993; MELLO, 2012).
Segundo Siqueira (1992, p.123), o Fórum Global foi considerado pelos seus idealizadores como um “grande guarda-chuva institucional”, permitindo que a sociedade civil expressasse seus pontos de vista sobre as questões sociais, econômicas e, dado o momento, fizesse uma avaliação sobre as questões ambientais que afetavam o mundo todo. Para ela, a conferência oficial deixou latente os conflitos e divergências nos interesses entre países ricos e pobres, no entanto, no Fórum Global
estes conflitos tiveram outros desdobramentos, surgindo esperanças para a viabilidade de nossa frágil Terra e sua população. No Fórum, “tribos” do mundo todo se reuniram para discutir e trocar idéias sobre o nosso destino comum. Afinal, George Bush48 não representa o pensamento de todo o povo
americano. Os ambientalistas deste país [EUA], presentes no Fórum Global, fizeram questão de deixar este fato muito claro. Isto também aconteceu com militantes ambientalistas de outros países, que discordavam abertamente da política de seus governantes quando esta era contrária aos interesses da população mundial (SIQUEIRA, 1992, p.124).
Em seu texto, Siqueira (1992, p.124-125), descreve alguns exemplos dos debates que ocorreram entre ONGs de diferentes partes do mundo, destacando o clima favorável às discussões e reflexões sobre os problemas ambientais que afligem, igualmente, mas de diferentes modos, todos os cantos do planeta. Na opinião dela, o Fórum Global provou que a sociedade civil – “os oprimidos do mundo” – tinham espaço e direito a voz, sem precisar de “intermediários para se fazerem ouvir”.
Para Mello (2012, s/p), o Fórum Global gerou “um conjunto de tratados das ONGs e movimentos sociais que organizaram uma rica plataforma de lutas que expressava um ambiente de unidade”. Segundo ela, o mundo havia acabado de sair da queda do muro de Berlim e estava diante da luta pelos direitos civis, pela liberdade de expressão e na luta contra o neoliberalismo econômico que assolava os mais pobres.
48 Aqui a menção à George Bush se deve ao fato de ser ele, naquele momento, o Presidente dos Estados Unidos
da América e de ter assumido uma posição contrária a muitos interesses ambientais globais postos em discussão naquela conferência. Especula-se que os interesses internos (lobbies) foram mais fortes do que o interesse comum da humanidade.
A autora aponta que aquele momento histórico de mobilização geral representou um bastião de resistência frente aos interesses econômicos dominantes e gerou significativas conquistas. Segundo ela, o Fórum Global de 92
plantou sementes férteis, nos abasteceu de esperanças e coragem para lutar. Quebramos a hegemonia do neoliberalismo, derrotamos a Alca [Aliança do Livre Comércio das Américas], paralisamos a OMC [Organização Mundial do Comércio] e conquistamos um novo ciclo político na América Latina, com tudo de bom e de esgotamento que nossas análises possam apontar (MELLO, 2012, s/p).
Do ponto de vista organizacional, Landim (1993, p.17), descreve o evento como sendo composto pelos mais diversificados atores, cuja “base institucional foi uma enorme quantidade de entidades designadas pelo termo ONGs”. Para ela, o Fórum Global materializou-se através de “conferências, panfletos e publicações diversas, eventos culturais, celebrações religiosas, propostas variadas”.
Não só a existência, mas também a vocação transnacional das “ONGs” ficou empiricamente provada através da variedade de raças, línguas e personagens “exóticas” de tudo quanto é parte do mundo que desembarcou no Parque, convivendo em um clima de reconhecimento mútuo que conformava certa ideia de conjunto – diversidade e “unidade” palpável também para os milhares de brasileiros participantes ou curiosos que transitaram por ali, nesses dias (LANDIM, 1993, p.17).
Este Fórum veio a representar, institucionalmente, segundo Landim (1993, p.32-33), um movimento catalizador que repercutiu positivamente na sociedade, vindo a valorizar e legitimar o trabalho daquelas organizações. Para ela, os eventos produzidos dentro do Fórum, representaram, verdadeiramente, a existência de uma “sociedade civil organizada”.
Frente às opiniões trazidas, podemos considerar que o Fórum Global foi o momento e a oportunidade em que os movimentos sociais tiveram vez e voz. Foram nas reuniões e nos debates temáticos que tornou-se possível à sociedade civil estabelecer seu ponto de vista sobre a situação ambiental e, assim, coube às Organizações Não-Governamentais capitanear esta mobilização que, tanto fiscalizou o que estava sendo decidido pelas delegações governamentais, quanto propôs deliberações em prol das soluções ambientais.
A significativa mobilização de pessoas é um aspecto importante no Fórum Global. De fato, ao considerarmos a presença diária de trinta e cinco mil pessoas construindo, participando ou mesmo assistindo aos eventos, nos leva a crer que parte delas não pertenciam a nenhuma agremiação, grupo ou sequer empunhavam alguma bandeira em particular.
Isso mostra que o interesse pelas questões ambientais – naquele momento em evidência no cenário mundial – impeliram as pessoas a participarem ativamente das discussões e, em se pensando nos números apresentados, é certo que a maioria não estava ali por um modismo casual (uma oportunidade de momento), mas deixava claro seu interesse pelos rumos e pelos temas discutidos.