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2.2. Sağlık Turizmi Çeşidi Olarak Medikal Turizm ve Kapsamı

2.2.1. Medikal Turizm Kavramı ve Tanımı

A Rio+20 foi um resultado político, diplomático, temporal e, talvez, simbólico, de todas as outras reuniões, cúpulas e conferências já realizadas no âmbito da Organização das Nações Unidas e seu sistema de organizações (UNESCO e PNUMA, por exemplo), cujos objetivos eram voltados a pensar os problemas ambientais globais e encontrar soluções a serem colocadas em prática.

Todavia, e considerando os possíveis recortes históricos, a Conferência das Partes para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), realizada na cidade de Copenhague, capital da Dinamarca, entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, pode ser tomada como um dos mais significativos antecedentes à Conferência Rio+20, especialmente pelas expectativas e frustrações que gerou.

Isto porque, esperava-se que na Conferência de Copenhague, os países reunidos sob o patrocínio da ONU e suas organizações, chegassem a construção de um novo grande-acordo internacional sobre meio ambiente, que viria substituir o então esgotado (mas não totalmente realizado) Protocolo de Quioto78.

Naquele momento, em 2009, havia a grande expectativa de que o mundo veria finalmente a construção de um acordo de compromissos entre os países industrializados e mais desenvolvidos (e ricos), e os países em-desenvolvimento (e mais pobres), com vistas a reduções significativas e efetivas nas emissões de gases do efeito estufa, mitigando e (afastando) os impactos catastróficos do aquecimento global.

Assim, Copenhague-2009 teria a função (já que havia gerado esta esperança), de estabelecer um efetivo comprometimento global nas reduções da emissão de gases do efeito estufa, com a adesão de cada país sobre o controle de suas próprias emissões, bem como a expectativa de que os países ricos financiassem (sem reservas) os custos para estas mudanças e ajudassem os países mais pobres em suas necessidades de soluções.

Para ABRANCHES (2010, s/p), a Conferência de Copenhague hospedou uma “cúpula de lideranças globais sem precedentes na história recente da diplomacia”, tendo sido a única na história das COP com a presença de mais de cem dirigentes globais, perdendo somente para a Rio-92.

Na opinião do autor, “nunca uma COP foi precedida por tantas manifestações e ações em favor de um acordo sobre mudança climática”, havendo, naquele momento, “uma sintonia com as principais recomendações da melhor ciência do clima disponível” (ABRANCHES, 2010, s/p). Na opinião do autor:

Apesar da presença da elite do poder político mundial e da inédita demonstração de mobilização da sociedade civil globalmente organizada pelo tema, o que definiu o caráter singular tanto da cúpula de lideranças globais quanto da COP15 foi o desfecho confuso e melancólico. Como explicar que

uma reunião que se dá no mais favorável contexto dos últimos tempos, com uma ampla janela de oportunidade aberta para um bom acordo, termine em ambiguidade e impasses subterrâneos? (ABRANCHES, 2010,

s/p, grifos nossos).

O grifo impresso ao excerto dá a dimensão das frustrações que esse evento rendeu, pois havia se configurado em Copenhague uma situação extremamente propícia à construção de um acordo que não se efetivou. Na análise de Abranches (2010, s/p),

Os dirigentes das principais nações do mundo se envolveram em negociações diretas, de conteúdo e de detalhe, sem trabalho prévio dos diplomatas e tecnocratas, como sempre acontece nesse tipo de encontro. Normalmente, os funcionários graduados negociam e escrevem o resultado, os governantes depuram o texto, assinam e tiram a foto comemorativa. Em Copenhague, os

líderes negociaram, discutiram o texto final, que não assinaram, e saíram sem foto ou fechamento formal da cúpula. Em um processo de negociação

diplomático prévio, resolvem-se os impasses que possam ser resolvidos amigavelmente e se elidem ou adiam aqueles que não têm solução amigável imediata (grifos nossos).

Como pode ser entendido, Copenhague teve o privilégio (e o azar) de contar com a presença de líderes mundiais que, representando suas nações e os anseios globais, foram incapazes, especialmente pela imposição de seus próprios discursos seculares de desenvolvimento e sustentabilidade (pressionados por suas correntes internas), de chegar a um acordo que contemplasse as necessidades locais e o interesse global.

Nas palavras de Abranches (2010, s/p), após a chegada dos chefes de Estado e Governo, a COP-15 “parou de vez”, pois uma “cúpula política de governantes interveio em uma reunião diplomática formal, com agenda prefixada e procedimentos regulamentares”, deixando claro que se abria, naquele momento, uma “via política de negociação, que não tinha roteiro para desembocar no leito da negociação legal, no quadro da Convenção do Clima da ONU”.

Para Abranches, (2010, s/p), ao encerrar a “fase técnica”, que tomou toda a primeira semana do evento e estava a cargo de diplomatas e especialistas, a conferência passou a viver um “impasse insolúvel” no plano diplomático. Segundo o autor, iniciava-se naquele momento, a “fase política”, sob a direção dos Ministros que chefiavam as delegações. Todavia, o impasse se aprofundou e os ministros “deixaram a solução para os chefes de Estado e Governo”.

Abranches (2010, s/p) aponta que acontecia ali uma “reunião política informal”, pois “nunca foram tantas as informalidades entre tantos e tão poderosos governantes”, o que acabou por descaracterizar aquilo que seria, oficialmente e nos moldes para tal, uma reunião/conferência oficial da ONU, nem de “outras organizações multilaterais institucionalizadas” como se poderia, de fato, esperar.

Como conclusão, Abranches (2010, s/p), pontua que:

a última plenária da COP15 foi aberta em condições muito especiais. As negociações, que levariam a documentos conclusivos dentro do processo formal da ONU, haviam sido interrompidas. Os dois documentos centrais que vinham sendo negociados nos dez dias iniciais da COP, de um acordo dentro da Convenção do Clima e a proposta para o segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, não puderam ser concluídos porque, em princípio, seriam substituídos pelo Acordo de Copenhague, negociado pelos governantes. Não havia procedimento estabelecido para que o acordo substituísse esses documentos. O presidente da Convenção, o primeiro- ministro Lars Rasmussen, da Dinamarca, tentou fazer que o plenário aprovasse o acordo e o transformasse em documento oficial da ONU. Porém, sem instrução política dos governantes às delegações e sem a aprovação final

dos chefes de Estado e governo, não havia possibilidade de consenso no plenário (ABRANCHES, 2010, s/p).

O que ocorreu foi que o texto de conclusão de Copenhague não foi “negociado pelo conjunto de dirigentes presentes à COP15”, pelo contrário, ele foi negociado por um “pequeno número de governantes”, uma “cúpula de elite, dentro da cúpula”, sendo os principais responsáveis por sua “estrutura vaga e aguada” e forma final os países EUA, a França, o Reino Unido e os países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) (ABRANCHES, 2010, s/p).

Com o inevitável desfecho, para frustração geral, encerrava-se a Conferência das Partes – a Conferência de Copenhague-2009, com os anseios de que em um momento futuro, seria possível construir algo mais do que intenções “vagas e aguadas” como ocorreu com o acordo final deste evento, que tinha tudo para dar certo, mas naufragou pela inconveniência das necessidades particulares dos envolvidos em relação às necessidades globais.

Por outro lado, em que pese uma análise menos catastrófica da conferência e a bem do debate, é fundamental dizer que Conhenhague-2009, apesar da desilusão mundial, foi capaz de trazer à baila alguns pontos positivos acerca das questões ambientais.

Neste sentido é interessante apontar, segundo Abranches (2010, s/p), os principais pontos positivos da conferência:

pela primeira vez, desde que as negociações do clima foram paralisadas por impasses sucessivos [...], todos os governos dos maiores emissores do mundo aceitaram se comprometer com ações de mitigação.

o Acordo de Copenhague, se for efetivado pelos líderes que o negociaram [...], pode servir de instrução aos delegados para que redijam uma proposta formal para um documento legal, a ser adotado pelo plenário da próxima COP. houve avanço mínimo, e ainda assim significativo, nas posições dos maiores emissores que, até agora, se recusavam a cooperar com o esforço global de mitigação: EUA, China, Brasil e Índia.

o impasse no financiamento foi resolvido [...], o financiamento de curto prazo, [...] estará disponível para as ações imediatas dos países em desenvolvimento. houve progresso em transferência de tecnologia, outro ponto de impasse sistemático nas negociações anteriores (ABRANCHES, 2010, s/p).

Todavia, embora tenham sido levantadas questões importantes sobre a problemática ambiental global, em nenhum momento se discutiu (nem havia aparato para tal) questões ligadas à Educação Ambiental. Assim, em nossa leitura, Copenhague não aproveitou este momento para dizer algo mais sobre o tema.