A entrada de Ir. Elvo Clemente na Academia Rio-Grandense de Letras em 23 de setembro de 1964 foi importante para os anos que seguiriam, uma vez que foi ele o renovador da entidade e das atividades acadêmicas, principalmente quando esteve à frente da associação como presidente. Em
144 Letras de Hoje, responsabilidade do Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, é um dos poucos periódicos literários que, mesmo depois de quarenta e cinco anos de edição, ainda mantêm a sua publicação.
seus mandatos, atividades como ciclo de palestras e a publicação da Revista da Academia Rio-Grandense de Letras foram aperfeiçoadas e ampliadas.
Com Clemente na agremiação, a sociedade literária prosperou e produziu como pouco havia ocorrido antes. Os calendários de palestras e o prestígio da instituição junto à iniciativa pública foram reestabelecidos. Prova está na cedência pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul de um dos salões mais pomposos do Solar dos Câmara, localizado na rua Duque de Caxias 986, no centro da Capital, para as palestras mensais organizadas pela sociedade literária.
Além disso, o contrato estabelecido com a CORAG, a Companhia Rio- grandense de Artes Gráficas, garantiu periodicidade à publicação academicista que, por diversas vezes, não havia sido editada com regularidade.
Durante os anos de 2000 a 2001, período em que Ir. Elvo de Oliveira presidiu a entidade, a Academia Rio-Grandense de Letras teve vida exuberante e profícua 145. O ciclo de palestras de 2001 reverenciou centenários e virtudes de escritores e datas: Moysés Vellinho, enaltecido por sua herança de crítica literária; Francisco Ricardo, lembrado em seus poemas e biografia; Guilherme Shultz Filho, poeta e jurista; Cecília Meireles, poetisa da Inconfidência e da ternura; Murilo Mendes, a poesia em pânico; Felipe D’Oliveira, poeta e espadachim; Darcy Azambuja, contista de No galpão e dos jogos; os 500 anos, o resgate que não aconteceu; Curt Nimuendaju, morte misteriosa na Amazônia; Raul Bopp, estranhas invenções; Olinto de Oliveira, iluminado fundador de nova luz; do livro Na formação de consciência. Além do ciclo de palestras, a Academia chegou a milhares de famílias com os Concursos do Escritor Universitário, promoção conjunta com o CIEE do qual foi presidente pouco tempo depois, em 2004.
Sobre a continuidade do que havia realizado em presidências anteriores, Clemente proferiu algumas palavras durante a sua posse referente ao biênio 2004 a 2006146:
145 CLEMENTE, Ir. Elvo. Vida da Academia. Quando a crônica floresce. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 2004. p. 90-91
146 CLEMENTE, Ir. Elvo. Saudação Acadêmica. Revista da Academia Rio-Grandense de Letras. Porto Alegre: CORAG, 2004. n. 18 p. 22-23.
Em primeiro lugar continuaremos o Ciclo de Palestras, iniciado há 15 anos pelo egrégio colega, vice-presidente Francisco Pereira Rodrigues. No próximo dia 11, acontecerá a primeira palestra em homenagem ao Centenário da morte de Apolinário Porto Alegre. Nas reuniões ordinárias das quintas- feiras, quando não houver palestra, haverá meia hora dedicada à Literatura com exposição de temas, de biografias, recitação de poemas, etc. Está se planejando há mais anos uma reunião ou jornada de Literatura reunindo as Academias de Letras dos três estado do Sul. Continuaremos o Concurso do Escritor Universitário com o CIEE, de que já tivemos duas esplêndidas edições. Desta vez terá um sentido especial o referido Concurso pela celebração dos 35 anos de existência do Centro de Integração Empresa e Escola (CIEE / RS). A Revista da Academia continuará; envidaremos esforços para que o Governo do Estado autorize a edição na Corag. Estreitaremos laços com a Secretaria de Estado da Cultura, mantendo relações com a Secretaria da Cultura do Município de Porto Alegre. Trataremos de organizar a secretaria da Academia, com telefone, computador e outros recursos que facilitam a vida acadêmica no seu dia-a-dia. Para alcançar este desiderato iremos em busca de verbas públicas e particulares. As Letras merecem tratamento condigno dos sócios da Academia e da Sociedade rio-grandense.
Durante o seu mandato, Ir. Elvo Clemente dedicou esforços sem fim para cumprir o que havia planejado juntamente com a os componentes diretivos da Academia. Se, infelizmente, a jornada reunindo as agremiações literárias do Sul do Brasil e a modernização da secretaria acadêmica não foram concretizadas, mas a retomada do convênio com a CORAG tornou-se realidade. Sobre a sua presença e importância, Francisco Pereira Rodrigues destacou147:
147 RODRIGUES, Francisco Pereira. Breve história da Revista. Revista da Academia Rio- Grandense de Letras. Porto Alegre: CORAG, 2007. n. 21 p. 129.
Em 2004, o eminente Presidente Ir. Elvo Clemente entrou em contato pessoal com o Dr. Irton Feller, então Diretor da Corag e, posteriormente, com os sucessores Dr. Mauro Gotler e Dr. Jorge Drumm, conseguindo restabelecer as antigas relações. E os números 18, 19 e 20 da Revista voltaram à edição da Corag.
A CORAG cumpriu o contrato junto à entidade até o final do mandato de Ir. Elvo Clemente, não assinando novo acordo para futuras edições. A partir do número 22, a Revista passou a ser custeada pela entidade. Tal fato evidencia o quanto a influência de Ir. Elvo Clemente em diversos setores colaborava para que a Academia progredisse. Sem a sua presença, ações como a edição e impressão do periódico acadêmico tiveram de ser repensadas.
Ir. Elvo Clemente legou ao Estado uma vasta produção bibliográfica e a continuidade da renovação do espírito academicista da Academia Rio- Grandense de Letras. É claro que a agremiação ainda tem um longo caminho na manutenção do que foi conquistado e na busca pelo que ainda precisa ser melhorado. Seu empenho, seus projetos e suas conquistas fazem deste religioso, professor e homem das letras um raro paradigma para os que aqui ficaram e para os que virão.
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