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EKONOMĐK BÜYÜME TEORĐSĐNĐN GELĐŞĐMĐ VE BÜYÜMENĐN KAYNAKLAR

D. Büyümenin Temel Kaynakları

III. EKONOMĐK BÜYÜME TEORĐSĐNĐN GELĐŞĐMĐ VE BÜYÜMENĐN KAYNAKLAR

No rastro da Revista Mensal do Partenon Literário e de outras que colaboraram na consolidação do novo sistema literário rio-grandense148, a Revista da Academia Rio-Grandense de Letras é representativa para a criação da identidade regional do Rio Grande do Sul149. Sua história começa, portanto, no início do século XIX com o vencimento dos primeiros jornais do Estado.

O Diário de Porto Alegre, fundado em 1º de junho de 1827, marcou o princípio da história da imprensa no Rio Grande do Sul da mesma forma que possibilitou que os gaúchos pudessem divulgar suas contribuições literárias150. Os periódicos e os folhetos contribuíram determinantemente para a difusão da literatura gaúcha por serem meios mais acessíveis de publicação, na segunda metade do século XIX151. Apesar de divulgar a produção dos homens das letras, os jornais editados, entre eles o Semanário Oficial, de 1840, e O Mercantil, de 1849, não eram voltados especificamente para a literatura. Somente a partir de 1850, com o surgimento de O Guaíba, a literatura enfim encontrou seu espaço.

Com uma tiragem curta, já que suas atividades encerraram em 1858, O Guaíba serviu de modelo para os que o sucederam após a segunda metade do século XIX. Sobre a importância desse jornal na difusão da literatura do Rio Grande, Mauro Nicola Póvoas afirma152:

148 ZOHAR, Itamar Even. Polissistemas de cultura. Tel Aviv: Universidade de Tel Aviv, 2007.

Disponível em: <http://www.tau.ac.il/~itamarez> Acesso em: 12 out. 2011.

149 As revistas editadas antes da década de 1980 foram encontradas no acervo geral da

Biblioteca Central da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e na Coleção Júlio Petersen, propriedade da mesma Universidade. Os demais exemplares e os nº 1 e nº 2 do

Noticiário da Academia Rio-Grandense de Letras foram cedidos pela Academia Rio-Grandense

de Letras.

150 BARRETO, Abeillard. Primórdios da imprensa no Rio Grande do Sul. Porto Alegre:

Comissão executiva do sesquicentenário da Revolução Farroupilha. Subcomissão de publicações e concursos, 1986. p. 95-103.

151 BAUMGARTEN, Carlos Alexandre. A crítica literária no Rio Grande do Sul: do

romantismo ao modernismo. Porto Alegre: IEL: EDIPUCRS, 1997. p. 65.

152 PÓVOAS, Mauro Nicola. Uma história da literatura: periódicos, memória e sistema literário no Rio Grande do Sul do século XIX. Porto Alegre, 2005. p. 96.

O Guaíba formou a primeira geração romântica do Rio Grande do Sul, o que significa dizer que, do ponto de vista da evolução literária, o grupo rompe com o passado, já que Maria Clemência da Silveira Sampaio, Delfina Benigna da Cunha, Ana Eurídice Eufrosina de Barandas e Caldre e Fião, primeiros nomes da historiografia literária escrita sul-rio- grandense, pertenciam a uma fase de transição em que predominava o Arcadismo.

Disfarçada pelo Romantismo, a produção de O Guaíba já apresentava posicionamento político e valorizava os costumes gaúchos, o que viria à tona com o Partenon Literário. De acordo ainda com Mauro Póvoas153, a temática podia ser ingênua, mas os homens que estavam por trás da produção artística já começavam a pensar a literatura como um bom e possível mercado de trabalho e, também, como palco para as mais diversas manifestações.

O segundo jornal de destaque no Rio Grande, A Arcádia, circulou entre 1867 e 1870, tendo como proprietário o português Antônio Joaquim Dias. A Arcádia alcançou quatro séries, sendo as três primeiras publicadas em Rio Grande e a última em Pelotas, local para onde seu diretor e dono, Antônio Joaquim Dias, se transferiu.

Com circulação às segundas-feiras, contou com a colaboração dos escritores mais representativos do período. Destacam-se o dramaturgo, jornalista, contista, romancista, poeta e crítico literário Apolinário Porto Alegre, o poeta e ensaísta Aquiles Porto Alegre, o escritor e jornalista Apeles Porto Alegre, o poeta e jornalista Bernardo Taveira Júnior e o jornalista Goldomiro Paredes.

Essas personalidades foram determinantes na Sociedade Partenon Literário e na fundação da primeira academia de letras do Rio Grande do Sul., pois o grupo da Arcádia influenciou e colaborou no surgimento do Partenon Literário e teve um caráter modelar para alguns aspectos da Revista Mensal publicada pelos partenonistas. A semelhança entre as publicações pode estar

153 PÓVOAS, Mauro Nicola. Uma história da literatura: periódicos, memória e sistema literário no Rio Grande do Sul do século XIX. Porto Alegre, 2005. p. 96.

conectada à presença de Apolinário Porto Alegre, uma vez que esse estudioso desenvolveu trabalhos na Arcádia e em seguida integrou o Partenon Literário, no qual exerceu papel importante na publicação de sua Revista Mensal154.

A Revista Mensal do Partenon Literário155, ainda que com interrupções, circulou durante dez anos, ou seja, de 1869 a 1879, totalizando setenta e um exemplares editados156, organizados em quatro séries. A publicação valorizou o regional através de textos líricos e narrativos. Trazia estudos, monografias, teses, algumas críticas literárias, discursos de sócios, crônicas e um amplo número de poemas. A Revista ainda informa que essa agremiação possuía uma numerosa biblioteca, com cerca de cinco mil volumes, que, infelizmente, perdeu-se ao longo dos anos157.

A agremiação, fundada em 18 de junho de 1868, encerrou suas atividades provavelmente em 1886158, ano no qual foi registrada publicamente

154 ZILBERMAN, Regina; SILVEIRA, Carmen Consuelo; BAUMGARTEN, Carlos Alexandre. O

Partenon Literário: poesia e prosa. Porto Alegre: EST; Instituto Cultural Português, 1980.

155 Apesar de, ao longo de sua existência, ter sido nominada de diversas formas, adota-se

como nome Revista Mensal do Partenon Literário por ser este o primeiro nome escolhido pelos agremiados para denominar sua publicação. O mesmo critério foi utilizado por Mauro Nicola Póvoas em seu trabalho de doutoramento. Cf. PÓVOAS, 2005. p.98.

156 Dados oriundos da tese de Mauro Póvoas. Cf. PÓVOAS, 2005. p. 98

157 ZILBERMAN, Regina; SILVEIRA, Carmen Consuelo; BAUMGARTEN, Carlos Alexandre. O

Partenon Literário: poesia e prosa.Porto Alegre: EST; Instituto Cultural Português, 1980.

158 PÓVOAS, Mauro Nicola. UMA HISTÓRIA DA LITERATURA: periódicos, memória e

sistema literário no Rio Grande do Sul do século XX. 2005. 322 f. Tese (Doutorado em

Letras) – Faculdade de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005. Apesar de a maioria dos textos sobre o Partenon não estabelecerem quando foram encerradas as atividades dos partenonistas, Mauro Nicola Póvoas, em sua tese de doutoramento, informa, em uma nota de rodapé, alguns fatos que elucidam esse momento. A nota informa o seguinte: “a propósito verificar artigo de E. Rodrigues Till, Contribuição à história do Partenon Literário. HESSEL, Lothar F. Et al. O Partenon Literário e sua obra. Porto Alegre: Flama; IEL, 1976. P. 186-187, em que é reproduzido um edital, a fim de selecionar projetos para a edificação da sede do Partenon Literário, datado de 9 de janeiro de 1886, publicado no jornal A Federação e assinado por Carlos da Gama Lobo d’Eça, 2º secretário da entidade. Em geral, o ano que a crítica marca como o fim da Sociedade Partenon Literário é 1885. Mesmo assim, vez por outra, há referências desencontradas sobre o fim da entidade. Artigo do Correio do Povo afirma que ela existiu “seguramente até as vésperas da Revolução de 1893, quando praticamente se extinguiu”. Ainda o mesmo jornal assinala que, em 1902, um grupo, entre os quais encontravam-se Múcio Teixeira, Benjamin Flores, Carlos Gama Lobo d’Eça, Olinto de Oliveira, João Simões Lopes Neto e Alcides Maia, tentou reviver a sociedade, sem sucesso, esbarrando na extrema rarefação do meio literário do momento. Para isso, ver O que foi e o que fez o Partenon. Correio do Povo, Porto Alegre, p.6, 17 jun. 1948. Moysés Vellinho, em artigo publicado no volume que reuniu as conferências pronunciadas no 1º Seminário de Estudos Gaúchos, realizado em 3 de setembro a 4 de outubro de 1957, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, acrescenta dados à questão polêmica do fim do Partenon Literário: “ em 1888, a sociedade era um fantasma do que fora; às vésperas da Revolução de 1893, consta que houve uma tentativa de reerguimento; em 1902, afinal, um grupo de escritores liderados por Alcides Maia, tentou uma ressurreição, sem sucesso. Em VELLINHO, Moysés. O Partenon Literário. Primeiro Seminário de Estudos Gaúchos. Porto Alegre: PUCRS, 1958. p. 25.

a última referência envolvendo trabalhos dessa sociedade. O término da agremiação, até hoje, não foi completamente explicado, sendo causas mais prováveis as relacionadas às divergências políticas e ideológicas entre seus associados, dificuldades financeiras e desistência de alguns membros.