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TÜRKĐYE’DE EKONOMĐK BÜYÜME SÜRECĐ VE YAPISAL DÖNÜŞÜM

B. Birinci Dereceden Farklar Versiyonu

IV. TÜRKĐYE’DE EKONOMĐK BÜYÜME SÜRECĐ VE YAPISAL DÖNÜŞÜM

Nesta subseção será discutido o fato da fala poder ser analisada ao nível do segmento ou acima desse (nível suprassegmental), o último referido na literatura como tendo associado traços suprassegmentais ou prosódicos. Por extensão, será apresentada a concepção fonética e fonológica de prosódia e o que fundamenta o posicionamento assumido neste estudo, de disposição do tempo de fala (taxa), em concordância com Laver (1994), em organização à parte da prosódica.

Como recém-mencionado, a análise linguística da fala pode ater-se aos segmentos, que em sucessão a compõem, ou pode extrapolar o nível desses, observando unidades maiores, comumente referidas na literatura como pertencentes ao nível suprassegmental. O nível suprassegmental de descrição da fala considera, segundo Laver (1994), todos os fatores que podem ser prolongados acima do domínio do segmento. Tal concepção é concorde com a apresentada por Nolan (1983, p.122, tradução nossa):

A cadeia suprassegmental da fala envolve [...] um domínio potencialmente maior que o do segmento, sendo tomada, tradicionalmente, como a modulação das dimensões fisicamente mensuráveis de f0, amplitude e duração.

Uma série de autores, entre eles Kent e Read (1992) e McQueen e Cutler (1997), rotulam de prosódia as variações dos mencionados parâmetros físicos (f0, amplitude e duração), assim como dos respectivos correlatos perceptivos (pitch, loudness19 e alongamento), ocorridas ao longo do enunciado.

O vocábulo “prosódia” vem do grego e tem por significado “melodia que acompanha o discurso”. Fujisaki (1997) se refere à prosódia como a organização sistemática de várias unidades linguísticas em um enunciado ou um grupo coerente de enunciados no processo de produção de fala.

O papel da prosódia no discurso é o de salientar ou diminuir o valor de algo no texto (CAGLIARI, 1997), exercendo, os elementos ou traços prosódicos, funções linguísticas e não linguísticas. A dinâmica da fala tem em si propriedades prosódicas que, de maneira geral, objetivam facilitar a compreensão do material linguístico

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Pitch e loudness são medidas subjetivas relacionadas, respectivamente, à sensação psicoacústica

veiculado. Tais propriedades são intrincadas e relacionais, mostrando-se difíceis de serem isoladas em seus mecanismos fisiológicos, uma vez que se estabelecem sempre em relação a outro elemento (ou seja, comparativamente).

A partir do levantamento bibliográfico realizado foi possível observar que o termo “prosódia” é utilizado com diferentes acepções. Cutler et al. (1997) concordam que o termo prosódia é de fato usado diferentemente pelos pesquisadores. Segundos os autores, em um extremo estão aqueles que mantêm uma definição abstrata (fonológica) de prosódia, tendo-a como a estrutura que organiza os sons, e no outro, aqueles que se referem a ela como a própria realização (perspectiva fonética de prosódia), havendo ainda os que, por conveniência, conjugam componentes de ambas as concepções.

Nooteboom (1997, p.640, tradução nossa) promove um acerto nessa caracterização quando expõe:

Na fonética moderna a palavra “prosódia” e a sua forma adjetival “prosódico” é frequentemente utilizada para referir aquelas propriedades que não podem ser derivadas das sequências segmentais dos fonemas subjacentes aos enunciados humanos. [...] Na Fonologia Gerativa Moderna, a palavra “prosódia” tem um significado diferente, sendo referida como um aspecto não segmental da estrutura linguística abstrata.

Na perspectiva fonética os traços prosódicos têm função exclusivamente descritiva e explanatória (LADEFOGED, 2001), enquanto que na perspectiva fonológica esses, isoladamente ou de maneira combinada (compondo um traço prosódico derivado), assumem função contrastiva, de oposição de significado (FIRTH, 1951; NESPOR e VOGEL, 1986).

Para Mira-Mateus (2004), embora os traços prosódicos possuam inicialmente um caráter fonético, podem ser utilizados fonologicamente para marcar os limites das unidades (por exemplo, o início ou o fim de uma palavra), além de para opor significados lexicais (por exemplo, em línguas onde o tom é distintivo) e frasais (diferenciando, por exemplo, frases interrogativas e afirmativas).

Foram também encontradas divergências quanto à quais seriam exatamente os traços prosódicos, o que fica visível ao serem confrontadas, por exemplo, as definições de prosódia apresentadas por Crystal (1985, p.249, tradução nossa), a saber, “termo usado na fonética suprassegmental e fonologia para referir

coletivamente as variações no pitch e na loudness, no tempo e no ritmo” (visão que

mistura elementos perceptivos, de organização temporal e fonológico), e por Ladefoged (2001, p.276, tradução nossa), a saber, “são traços fonéticos como acento, duração, tom e entonação, não sendo essas propriedades de consoantes ou vogais isoladas e sim de unidades maiores”.

Considerando a área de aplicação deste estudo, Fonética Forense, Watt (2010), descrevendo os traços normalmente observados nas análises da Comparação de Locutor, elenca como características prosódicas a entonação, o ritmo, o tempo e a qualidade vocal.

Já Laver (1994) refere como sendo traços suprassegmentais os apontados por Crystal (1985), acrescentando, contudo, os padrões de variação relativos à continuidade da fala20. Clark et al. (2007) pactua com Ladefoged (2001) ao admitir como suprassegmentos o acento, o tom e a entonação, abstendo-se, no entanto, no que se refere à duração.

A despeito da não concordância exata acerca de quais seriam os traços prosódicos ou suprassegmentais, Fletcher (2010, p.523, tradução nossa) afirma que tais traços são, “para muitos foneticistas e cientistas da fala, sinônimo de variação em parâmetros como f0, intensidade e duração”, derivando da combinação desses os demais fenômenos suprassegmentais, como o acento, a entonação e o ritmo.

Quanto aos demais traços prosódicos mencionados, encontra-se na literatura referência à taxa de articulação e à qualidade vocal (a última representada, entre outros, pelo pitch), como sendo (CLARK et al., 2007, p.327, tradução nossa) “outras

configurações e ajustes de longo termo”, e ao tempo de fala e à continuidade como sendo (LAVER, 1994) fatores não linguísticos, utilizados para sinalizar informações paralinguísticas (relacionadas ao estado atitudinal e emocional do locutor) e extralinguísticas (indicativas da identidade e da personalidade do locutor).

Laver (1994) propõe a análise da produção da fala através de três módulos organizacionais: o de organização temporal (módulo que abrange a duração segmental, a continuidade e a taxa ou tempo de fala), o de organização prosódica (restrita ao pitch e à loudness) e o de organização métrica (constando nesse último

grupo o acento, o peso silábico, a proeminência e o ritmo). A partir da concepção de Laver (1994, Parte VI, p.431 a 546) acerca do contexto de inserção do tempo de fala

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no conjunto de elementos constituintes da produção da fala, formulou-se o esquema apresentado na Figura 13, abaixo.

Figura 13 – Disposição do tempo de fala em relação aos demais elementos da produção da fala

Fonte: Elaborado a partir de LAVER (1994, p.431-546).

Nota: Conforme o autor, “Iniciação” refere-se ao mecanismo respiratório, “Fonação”, à atividade laríngea e “Articulação”, às mudanças rápidas nas ações dos órgãos do trato vocal para criação dos padrões fonéticos associados aos segmentos linguísticos.

Segundo o autor (LAVER, 1994), o tempo de fala compreende um fenômeno do nível suprassegmental da produção da fala, atinente ao módulo de organização temporal (conforme indica a Figura 13 recém-apresentada). No presente estudo, reitera-se, assumir-se-á tal concepção, a despeito da revisão acerca do termo prosódia (justificada pelo fato desse ser utilizado, não raro, como sinônimo de suprassegmento), bem como de suas funções e status. Entende-se como oportuna e

mais apropriada, considerando-se que as taxas temporais aqui estudadas constam como variáveis dependentes e não como intervenientes, a adoção de um referencial teórico onde o tempo de fala é disposto em uma organização didaticamente apartada da prosódica.