C. KAMU İHALE KURUMU’NUN TAKDİR YETKİSİ YORUMLARI
14) Tekliflerin Kıyasen Değerlendirilip İhalenin İptal Edilmesinde Takdir Yetkisi
Ferreira (1986) define desenvolvimento como sendo “O estágio econômico, social e político de uma comunidade, caracterizado por altos índices de rendimentos dos fatores de produção, os recursos naturais, o capital e o trabalho.”
Após a Segunda Guerra, o desenvolvimento foi a idéia força que mobilizou as nações capitalistas. A maioria das políticas e das teorias de desenvolvimento colocava a industrialização como principal meio de superação da pobreza e do subdesenvolvimento, partindo do entendimento de que a industrialização traria a incorporação do progresso técnico ao processo produtivo e, portanto, da contínua elevação da produtividade do trabalho e da renda, além de impulsionar o consumo.
Assim, a expressão desenvolvimento transforma-se em concepção de progresso cíclico, por tratar dos aspetos puramente quantitativos (renda per capita, comércio, e taxas de investimento), traduzida na expectativa de aumento permanente de produção e consumo.
Esse conceito de desenvolvimento está presente nas mais diversas correntes, embora com algumas poucas diferenças, a idéia central continua sendo crescimento, como:
“O desenvolvimento deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e
transformações de ordem econômica, política e, principalmente, humana e social. Desenvolvimento nada mais é que o crescimento – incrementos positivos no produto e na renda – transformado para satisfazer as mais diversificadas necessidades do ser humano, tais como: saúde, educação, habitação, transporte, alimentação, lazer, dentre outras”. (OLIVEIRA, 2002, p. 40).
A compreensão das características e do conceito de desenvolvimento é muito importante para a elaboração e implementação de um plano de desenvolvimento regional, em especial, nas regiões menos habitadas.
3.2.1 O desenvolvimento regional
A grande depressão econômica que teve início em 1929 levou à formulação das idéias desenvolvimentistas, tendo como marco inicial a publicação da Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda, de John M. Keynes de 1936. Keynes divergia dos autores clássicos liberais e defendia uma maior intervenção do Estado na economia e o incremento do investimento público como forma de ampliar a demanda nos períodos de desaquecimento da economia e, assim, garantir o equilíbrio do sistema capitalista e os níveis de emprego.
Se opondo ao Keynesianinsmo e contra a intervenção do Estado na economia, prospera a corrente dos neoliberais, defensores do Estado mínimo, para quem a intervenção do Estado nos mecanismos de autoregulação do mercado representaria uma ameaça à liberdade econômica e política. O teórico Milton Friedman considerou indesejável a participação do Estado na expansão das atividades econômicas por meio de investimentos produtivos. Friedman, reafirmando princípios clássicos de Adam Smith, defendeu que o Estado deveria se restringir a:
a) Proteger a sociedade da violência e da invasão de outras sociedades; b) Proteger todos os membros da sociedade da injustiça ou opressão;
c) Edificar e manter determinadas obras públicas que não sejam de interesse da iniciativa privada;
d) Proteger os membros da comunidade considerados incapazes, como as crianças.
Era a base do receituário neoliberal que incluía, ainda: a contração da emissão monetária; a redução de impostos sobre rendimentos elevados; e, a abolição de controles sobre os fluxos financeiros. Os teóricos neoliberais fundamentaram as medidas adotadas na economia da maioria dos países a partir da década de 1970 (SPÍNOLA, 2004).
Feitas essas considerações que permitem a identificação das diversas medidas de políticas que envolveram os países em desenvolvimento, em especial o Brasil, e que possibilita uma postura crítica dos diversos momentos da economia nacional, busca-se teorizar outros aspectos do desenvolvimento regional.
Para Boisier (1989), para se entender o processo de desenvolvimento regional deve-se dar atenção especial a um conjunto de elementos – macroparâmetros – que delimitam o âmbito do planejamento de desenvolvimento regional em termos de sistemas de organização econômica, de estilos de desenvolvimento e dos conceitos dominantes sobre o desenvolvimento econômico. Para ele:
“[...] o processo de crescimento econômico regional pode ser considerado [...] como
essencialmente originado em forças e mecanismos exógenos à região; depende principalmente (mas não exclusivamente) do esboço das políticas macroeconômicas, do critério que guia a alocação de recursos entre as regiões e da demanda externa. Pelo contrário, o processo de desenvolvimento regional deve ser considerado, principalmente, como a internalização do crescimento e, em conseqüência, como de natureza essencialmente endógena”. (BOISIER, 1989, p.616).
No longo prazo, o desenvolvimento de uma região pode ser explicado como resultado da interação de três forças: alocação de recursos, política econômica e ativação
social. Essas forças mantêm relação de interdependência recíproca, ou seja, mantêm relações de retroalimentação. A figura abaixo retrata esta relação:
Figura 3.1 - Funções, dimensões e retroalimentação no planejamento regional Fonte: BOISIER (1989)
Na primeira força, o desenvolvimento está associado à disponibilidade de recursos (força econômica), depende da participação regional no uso dos recursos nacionais e estaduais. Este fator está no âmbito exclusivamente controlado pelo Estado. A segunda força está relacionada aos efeitos das políticas macroeconômicas e setoriais, isto é, também depende da ação do governo central, que pode afetar positiva ou negativamente a região. Por último o desenvolvimento regional depende da participação da população local, ou seja, da capacidade que a região tem para criar um conjunto de elementos políticos, institucionais e sociais, capaz de direcionar o crescimento, desencadeado por forças endógenas, para atingir o desenvolvimento no sentido estrito da palavra.
Nas décadas de 50 e 60, prevaleceu a prática do planejamento tecnocrático centralizado no Estado nacional. Para Perlof (1974) o planejamento estatal deveria privilegiar o planejamento regional vinculado ao projeto nacional. Para ele, o propósito central do planejamento deveria ser o “bem-estar” promovido pelo Estado. Mattos (1974) também vai nessa direção e afirma que o planejamento regional deve ter uma escala nacional, e um corpo de políticas e medidas econômicas que incidam sobre as interdependências estabelecidas entre as diversas partes do espaço geográfico nacional.