C. KAMU İHALE KURUMU’NUN TAKDİR YETKİSİ YORUMLARI
4) Az Sayıda Geçerli Teklif Olması Sonucunda İhalenin İptal Edilmesinde Takdir Yetkisi
como um fenômeno multifacetado e de caráter mundializado. De origem contestável (para vários autores ele surgiu na Antiguidade com as viagens e peregrinações ou na Idade Contemporânea no século XIX, principalmente com o papel de Thomas Cook na Inglaterra), o turismo se difundiu de forma a agregar valores e comportamentos de maneira que a atividade per si é julgada pela sociedade como necessária para a sobrevivência do “homem” diante do papel que tem sobre a esfera do lazer e da tranquilidade (KRIPPENDORF, 2009).
As ciências afins buscam definições e conceitos do que é Turismo. Diversos autores questionam se é uma ciência, indústria, atividade ou um fenômeno. Knafou (2001) o associa a um conceito polissêmico, nos levando à dimensão que é avaliada pelos estudiosos e profissionais do turismo: de um lado, temos a análise científica, conceitual de como o turismo associa-se com o espaço, sociedade e com as pessoas; e de outro, o lado prático, técnico, profissional e econômico. Ou seja, o turismo possui características diversas que, de acordo com as dimensões escolhidas, nos levam às propostas e compreensões diferenciadas (AZEVEDO FILHO, 2013)
Mas no que tange à dimensão geográfica, o que podemos empreender? A geografia tem como seu caráter científico as dinâmicas espaciais. Então, a Geografia estuda o turismo a partir de suas características e dinâmicas realizadas e produzidas no espaço. Isto é, como ele se adapta às condições espaciais, (re) produz novos espaços, novas imagens, novas formas de “ver o espaço”. Antes de tudo, o turismo é um agente que além de modificar fisicamente o espaço, modifica “a visão” do homem sobre o espaço (RODRIGUES, 1997).
Desta forma, percebemos que o turismo além de ser um fenômeno social, ou seja, dialoga com as diversas faces da sociedade, as relações que são produzidas por ele, interlaçam com o espaço. Pois é desse último fator que o turismo apresenta a maior importância para as suas dinâmicas. Antes de tudo, o turismo produz espaços, modifica-os em face à suas dinâmicas consequentes (CRUZ, 1996).
Assim, o turismo apresenta vários aspectos espaciais quanto às suas ações, desde as escalas regionais (diferenciação e qualidades dos lugares, frente a fisiologia natural como as dinâmicas urbanas) como pelos aspectos metropolitanos (concentração de infraestrutura, serviços urbanos e comerciais) ou pelos aspectos urbano-turísticos (localidades que nascem ou são alteradas para uma perspectiva turística, principalmente modificadas pelo planejamento espacial capitaneado pelo Estado e a iniciativa privada).
Destarte, neste capítulo partiremos do ponto de que o turismo tem aspectos regionais e metropolitanos quanto às suas dinâmicas no Nordeste Brasileiro, pois quando se atrela à lógica regional (quanto à sua imagem e representações principalmente difundidas pelos governos estaduais e ao fundo, o governo federal), as dinâmicas turísticas concentram- se e ampliam-se, principalmente, nos espaços litorâneos e metropolitanos. Isto é, a junção da imagem regional-metropolitana é a vital constituição do turismo no Nordeste brasileiro.
A metropolização apresenta-se como uma nova lógica espacial presente, notadamente, no contexto mundial a partir do século XX com o advento da tecnologia, técnica e a consolidação da urbanização perante a industrialização tanto na Europa, e nas décadas posteriores do século XX, em outros continentes (Ásia, América do Sul, Oceania, entre outros).
A crescente urbanização causou uma verdadeira revolução na produção espacial, com novas formas, processos e agentes sociais. Santos (2005) atenta para o “tempo da metrópole” em que os lugares – por mais distantes que fossem dos grandes centros – estariam interligados – de alguma forma direta e/ou indireta – às metrópoles. O “espírito da metrópole” como dizia Cunningham (2006) pode ser uma metáfora mais próxima da realidade ou da sensação que este processo de metropolização se consolidava no mundo.
Lefevbre (1999) chama a atenção para as estruturas urbanas – até as inter e intraurbanas – em que caracterizavam as dinâmicas espaciais dos anos 1970-80 e as
tendências espaciais que se firmavam. Assim, com a implosão e/ou explosão da cidade – em seu tecido urbano – as observações e características vinculadas ao conceito de cidade tornaram-se insuficientes para se explicar as novas lógicas espaciais. Ou seja, teríamos então, uma nova era de urbanização no mundo.
Talvez seja necessário entender que os processos da urbanização e metropolização estejam ligados, não paralelos e/ou divergentes. Contudo, esse último apresenta-se como uma “nova amplitude” da urbanização com novos conteúdos. É desta forma, que Lencioni (2013) chama de “metropolização do espaço” um processo socioespacial que tem como principal característica as dinâmicas globalizantes com metamorfoses profundas nas estruturas e formas urbanas.
Temos assim novas lógicas espaciais que, a partir da (re) produção do espaço, parte agora não somente da urbanização per si, mas da metropolização. Carlos (2013) enfatiza que, atualmente, o urbano entrelaça-se principalmente ao entendimento da metrópole. Desse modo, a fragmentação/concentração difusa, contínua e densa são características essenciais da metropolização do espaço.
Assim, as metrópoles apresentam-se como espaços articulados
socioeconomicamente, porém desiguais e contraditórios, com modo de vida restritamente urbano que estabelecem relações com vários agentes sociais, espaciais e econômicos, em níveis cada vez mais intensos e de grandes escalas espaciais, e que produzem aspectos materiais e subjetivos perante os seus significados. (ARAUJO, 2013, p.8)
Deste modo, a compreensão do espaço não parte apenas de divisões simples entre urbano-rural ou metropolitano-não metropolitano2, mas de novas formas e estruturas
socioespaciais que são (re) construídas constantemente ante à concentração de fixos e fluxos do mesmo modo que a difusão e desconcentração destes. Talvez a urbanização de forma
2 Kayser (1969) a partir das análises realizadas na França fez conclusões de que existiam espaços metropolizados e espaços não-metropolizados. O primeiro teria as características das metrópoles pela sua concentração urbana de serviços e de pessoas. Enquanto os espaços não-metropolizados, seriam espaços mais distantes desses centros urbanos, que se assemelhavam aos aspectos rurais, que poderiam ter dinâmicas urbanas, mas ainda longínquas à comparação da metropolização. Lencioni (2004,2007,2011,2013) ao falar de tais “espaços” não segue diretamente à lógica abordada por Kayser, mas parte de seu raciocínio para efetivar a comparação socioespacial existente nas últimas décadas do século XX e as primeiras do século XXI.
desigual,3 anexada à metropolização espacial, seja a principal forma contínua da produção
espacial no presente momento.
No que tange a metropolização no/do espaço, temos aqui a relevância dos conceitos frente a ótica de nossa análise sobre o turismo no Nordeste brasileiro. O turismo, através das políticas governamentais (que se atrelam à iniciativa privada), coloca-se tanto como um vetor de desenvolvimento quanto um agregador de outras atividades econômicas. Fixa-se, então, como vetor econômico regional e metropolitano do Nordeste do Brasil.
É a partir desta dinâmica metropolitana que abordaremos, em especial, as cidades de João Pessoa (PB), Maceió (AL) e Aracaju (SE), pois são espaços que apresentam a importância dos aspectos metropolitanos (são áreas metropolitanas que se relacionam com metrópoles próximas a elas) e uma dinâmica regional (expressa no discurso e investimentos voltados à região).
A partir das dinâmicas regionais e metropolitanas relacionadas aos Estados da Paraíba, Alagoas e Sergipe – para nesse caso chegarmos às suas regiões metropolitanas – que entenderemos como o planejamento urbano-regional, através do turismo, é de forma diferenciada e desigual, acompanhado de políticas governamentais econômicas existentes na própria construção da região Nordeste.
Desta forma, compreendermos que, a partir destas dinâmicas metropolitanas (em suas escalas), podemos analisar a produção espacial do Nordeste brasileiro e suas ações distintas relacionadas ao turismo. Com isso, este capítulo propõe a seguinte metodologia:
a) O turismo e bases espaciais: de prática de lazer à atividade econômica no contexto mundial:Partirmos da origem da atividade turística e sua vinculação aos
3 Ao falarmos de “urbanização desigual” lembramos também o conceito de “desenvolvimento desigual e combinado” de León Trotsky que é intitulado de uma “lei” na sociedade capitalista, porém tal conceito é insuficiente para entendermos as dinâmicas socioespaciais atuais, por isso é necessário citar aqui Harvey (2010,2011) quanto à uma concepção mais ampla e abrangente para à “questão metropolitana”: a intitulada “urbanização incompleta”. Tal conceito abordado pelo autor, mostra a lógica do próprio sistema capitalista em promover e resolver crises de lucro e de capitais, em produzir “urbanizações” diante à agregação/desagregação. Em outras palavras, Harvey declara que o sistema capitalista está tão avançado perante às suas lógicas espaciais que não apenas “transforma a natureza” em lugares artificiais. Temos uma nova “era”, em que os espaços urbanizados ficam cada vez mais urbanizados. Ou seja, o “urbano” produz outros “urbanos”, uma “reprodução espacial” como afirma Carlos (2005). Por isso, a antiga dicotomia urbano-rural torna-se insuficiente para a explicação das novas lógicas espaciais atuais. A metropolização/regionalização vinculadas apenas às “escalas menores” de análise passam a ser importantes conceitos para as novas lógicas espaciais existentes, no vínculo local-regional-nacional- global.
espaços constituintes de seus fixos e fluxos. Buscamos compreender as principais características e funcionalidades do turismo em sua essência “espacial” influenciada, principalmente, pelos países europeus.
b) O turismo e os aspectos metropolitanos: a recente dinâmica espacial: A dinâmica da metrópole (apesar de já estar presente em muitos locais no século XIX, é no século XX que o elo metropolitano agrega outros lugares, países em todo o mundo) em sua relação com o turismo, bem como os novos espaços são produzidos a partir desta dinâmica mundial.
c) As bases do planejamento espacial: o turismo como “vetor de desenvolvimento”: Além de ter uma vinculação espacial, o turismo apresenta-se como um vetor de desenvolvimento em muitos locais no mundo, e notadamente no Nordeste brasileiro. As políticas públicas apresentam-se como importantes ações que planejam o turismo e o espaço, promovendo prioridades e modificações na economia, produzindo novas dinâmicas espaciais.
2.1. O turismo e bases espaciais: da prática de lazer à atividade econômica no contexto mundial
O turismo é uma prática social4 que estabelece relações socioespaciais na sociedade
contemporânea, pela sua amplitude internacional, e as conexões que são (re) feitas em várias escalas da sociedade, desde o Poder Público à iniciativa privada, passando por Estados e cidades. Mas mesmo no âmbito científico (e ainda mais no senso comum) a origem turística é ignorada, o que acontece também na análise geográfica que é fundamental para a compreensão do fenômeno turístico per si.
4 Araújo (2012) destaca que ao se falar de prática e atividade, considera-se que a “prática” está relacionada ao lazer e a um processo histórico-cultural. Ou seja, é um fenômeno social e cultural, sem ter, necessariamente, aspectos econômicos ou atrelados às lógicas comerciais. Quando se refere à “atividade”, designam-se as ações estatais e privadas que capturam a prática para eventuais planejamentos e desenvolvimentos econômicos. Em suma, considera-se a prática como a forma de lazer, e a atividade como a conjugação dessa prática à lógica econômica capitalista, relacionada aos meios de hospedagem, infraestrutura, modelos, entre outros elementos. Podemos indicar outra vertente sobre o turismo que seria um “fenômeno” conforme Fratucci (2008) indica, que coaduna com outro autor que enfatiza: “o turismo é um fenômeno e não uma indústria [como queremos defensores da sua vertente econômica]. Uma indústria pressupõe transformação de bens e nesse caso não se aplica ao turismo. A melhor forma de definir o turismo é utilizando o termo fenômeno, que significa a ação objetiva e intersubjetiva que se manifesta em si mesma, que pode ser apreendida pela consciência e que possui uma essência em si (PANOSSO NETTO, 2005, p.144).
Quanto à origem e as características fundamentais do turismo, nós pretendemos incitar um breve debate, porém necessário, para compreendermos a produção espacial e as relações existentes com ele. Envolveremos então, conceitos geográficos importantes para entendermos o turismo à vista das dinâmicas resultantes.
Iniciam-se, com a origem do turismo, duas características relevantes: a) ele nasce em um contexto regionalista principalmente vinculado à sua restrição a áreas específicas e, b) à um contexto metropolizador, principalmente nas três últimas décadas, devido à internacionalização dos fluxos e a crescente demanda e oferta de serviços relacionados à metrópole, presente em todo o mundo.
Consideramos que o Nordeste brasileiro é um dos cenários destas novas dinâmicas, que o turismo ao mesmo tempo em que se insere nos processos de metropolização5,
urbanização e fragmentação, promove também novos lugares dinâmicos em presença de uma emergente ordem de técnicas e tecnologias de caráter nacional e internacional.
Com esses princípios fundantes sobre a relação geográfica-turismo-sociedade, podemos aprofundar algumas importantes questões sobre o impacto do turismo sobre o espaço, ou mais especificamente, a influência do turismo sobre o espaço. Temos aqui a genealogia do turismo como uma análise para a compreensão das mudanças socioespaciais decorridas durante o tempo.
Parafraseando Rejoswski (2002), Ambrózio (2005), Cazelais (1999), Knafou (1996), Hiernaux-Nicolas (2008) podemos deduzir que a origem do turismo (mesmo com contestações diversas) segue três principais visões:
a) O turismo teria se originado nos anos 776 a.C com as Olímpiadas gregas, com a hospitalidade manifestada naquela época de se hospedar visitantes que
5 Podemos citar Lencioni (2003) nos processos de regionalização a partir da metropolização, que de fato acontece no Nordeste brasileiro. Outros conceitos que está autora cita, como “cidade-região” não podem ser comparados à atual realidade da área em questão. Haesbaert (2011) apontado como importante autor teórico desta análise, é enfático ao analisar que a “região” não é mais explicada pela concentração ou característica peculiar, mas pela forma que se adere à lógica de redes e territórios. É a partir desta lógica de polarização a partir da dinâmica metropolizadora que podemos compreender a produção regional, já que apresenta como a mais importante forma de mudanças na atual produção espacial. Harvey (2009) aponta tal questão como relevante, já que a partir das dinâmicas espaciais decorridas nos países menos desenvolvidos é que o crescimento econômico – no contexto global ainda persiste. A metrópole com sua importância global e local apresentam- se como uma forma e “área” indiscutível para a compreensão da construção regional. Carlos (2004) enfatiza de que a metrópole cada vez mais tem a importância no cotidiano das pessoas, através tanto de sua polarização virtual como “física”.
participariam do evento, e assim, muitas “pousadas e empreendimentos” relacionados ao turismo formariam cidades voltadas ao lazer;
b) O turismo teve início na Roma Antiga, com a capacidade do Império em interligar muitas cidades pela construção de estradas em quase todo o território, além da prática da vilegiatura6 que se apresentava como hábito auxiliar e/ou
determinante de vários fluxos a Roma, principalmente daqueles oriundos da elite ou das classes médias dominantes;
c) E por fim, a terceira e em muitos aspectos mais aceita e discutida, na qual o turismo é proveniente (ou para outros, teria um aspecto contemporâneo e definitivamente, a amplitude regional-mundial) da Inglaterra, ainda nos meados do século XIX, mediado, principalmente, por Thomas Cook, com a Agência Cook que conseguiu levar 165 mil pessoas a um evento em Londres.
Partindo destas três noções sobre a origem turística, destacamos que o turismo se apresenta como força motriz na questão espacial, principalmente nos meados de século XIX. Logo, partimos do pressuposto que o turismo [contemporâneo] perpassa por origens variadas no continente europeu ainda na Antiguidade, mas, que se consolida como prática de lazer de aspecto regional-mundial no século XIX.
O ponto de partida é que seu nascimento se dá no discurso romancista-naturalista, influenciado pelos aspectos naturais que embasava a ótica da sociedade. Em outras palavras, o turismo surge em suas mais variadas diversificações a partir das diferenças naturais existentes, notadamente na Europa.
Em el siglo XVIII el turismo adquiere una nueva dimensión. Se extiende a outra clientela, amplía su área geográfica y diversifica sus actividades. La naturaleza, celebrada por numerosos escritores como Rousseau, se convierte em el marco privilegiado de las estancias (...) (MESPLIER, DURAFOOUR, 2000 p.18)
6 Pereira (2012) e Ambrósio (2005) observam que a vilegiatura se originou na Roma Antiga, com a presença maciça de sua elite em espaços litorâneos. Como uma prática social, possui definições culturais, políticas, econômicas e principalmente espaciais. Atrela-se a discussão da vilegiatura, por causa das práticas destinadas a lazer, assim como o turismo. Nota-se então, uma constituição relevante das práticas de lazer (turismo e vilegiatura) na produção espacial desde a época da Roma Antiga que se apresenta na atualidade, pelas mais variadas políticas públicas e ações da iniciativa privada. Há uma discussão de prática de lazer que se atrela aos aspectos econômicos (que é o aspecto mais discutido) e seus impactos espaciais no mundo, e principalmente, as formas que este, exerce interferência direta e/ou indireta.
Desta maneira, nos séculos XVIII e XIX, o turismo passa a ser o principal mote de novas dinâmicas na Europa, particularmente nos “lugares naturais de destaque” como montanhas, rios e mares. Os aspectos naturais – anteriormente ligados apenas às suas características físico-geográficas – passam a ter aspectos diferenciados, resultantes de dinâmicas espaciais e principalmente vinculados às novas formas sociais.
Logo, a “natureza” passa a ter um marketing de formas diferenciadas. Antes, vinculada essencialmente, às imagens e ideologias oriundas da Idade Média além da própria necessidade de recursos e materiais para a sobrevivência humana, ela e seus aspectos naturais passam a ser alvo de admiração, e não de medo ou repulsa. Temos aqui, a construção de novas práticas e comportamentos, e no fundo, da “ciência” em um novo olhar para o mundo. (DANTAS,2002).
Neste quesito, Boyer (2003) enfatiza que tal conduta da sociedade deve-se principalmente às invenções – motivadas pela expansão do sistema capitalista – de práticas lúdicas oriundas das elites britânicas. O autor ressalta ainda que o ócio e lazer sempre foram visualizados com destaque para tais classes, mas com as novas tecnologias e possibilidades, ampliou-se o aproveitamento do ócio e do lazer para espaços considerados longínquos e irrelevantes. Coadunando Boyer (1993) e Knafour (1991) apontamos, no turismo, as características iniciais da elite:
Estas invenções por criarem distinção, estão expostas à admiração e em seguida são imitadas. Sua difusão efetua-se por meio de uma capilaridade social que caracteriza a segunda Idade da Humanidade: o conjunto das pessoas de altas rendas (...). Depois, no início do século 20, novas camadas sociais, burgueses, funcionários públicos, profissionais liberais, apropriam-se das práticas e dos locais de turismo aristocrático. E foi assim que houve uma filiação paradoxal entre o turismo, a invenção da elite e a prática do turismo de massa (BOYER, 2003, p.9)
Em outras palavras, o turismo inicia-se por práticas relacionadas ao ócio e lazer das classes mais abastadas. Essas experiências passam a ser imitadas, especialmente, pela classe média resultantes das alterações econômicas. A palavra-chave de nossa análise são as invenções que surgem, tanto relacionadas ao turismo, como ao próprio “turismo”.
Urry (2001) destaca que a principal diferença do turismo em relação à outras atividades econômicas é “a sua capacidade de produzir ilusões ou (in) verdades em um mesmo espaço” (que possui conteúdos diferenciados). O que podemos dizer seguindo a
visão do autor, é que um espaço caracterizado por um aspecto natural, passa a ter concomitantemente, um aspecto social diferenciado a partir do que é constituído da ótica turística.
Ainda segundo o autor, é este tipo de ótica que diferencia os lugares. Pois, nem todos os lugares são considerados turísticos per si. É uma construção histórica, que perpassa por um volume de relações sociais e espaciais ao longo do tempo. Reafirma Urry (ibid., p.19) que “O olhar [turístico] é constituído através de signos, e o turismo abrange uma coleção de signos”. Logo, o que o autor destaca é a formação (ou a constituição ilusória) de um olhar de turista.
Este olhar passa por uma construção histórica no âmbito internacional desde o século XVIII, atada a vários significados sociais, principalmente, elitistas. Thomas Cook tem um papel fundamental nesta “visão turística”, pioneira na Inglaterra, e que, posteriormente, seria difundida por todo o mundo a partir de inúmeros aspectos naturais, em especial os regionais. (REWJOWSKI,2002)
As primeiras estratégias do turismo – que se mantém até hoje – baseiam-se especialmente nas diversificações naturais, com aspectos vinculados as novas e/ou (re) estruturações já existentes. Portanto, o turismo (re) inventa os lugares de formas direta e indireta para a construção de um olhar turístico. A figura 1 apresenta um paper turístico da Agência Cook de 1891, que contempla os aspectos naturais e sociais, em um contexto mundializado, ainda no século XVIII.
Figura 1 – Paper turístico da Agência Cook (1891) Fonte: http://www.theguardian.com/
Paralelo ao turismo – ou mais claramente à sua invenção – citado por Knafour (1991) os lugares possuem várias dimensões, e entre elas, as turísticas. Em outras palavras, o autor afirma que o “lugar não se torna turístico, mas passa a ter uma dimensão turística”