I. BÖLÜM
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3.4.4.3. Tedarikçi Listesi Oluşturmada Kullanılan Kaynaklar
Como já discutido anteriormente, a partir do século XIX as ideias das causas transformistas começaram a surgir notoriamente com os estudos de Lamarck e de Cuvier. Contudo, tal cenário anterior foi substituído pelos estudos dos naturalistas ingleses Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Wallace (1823-1913), em um trabalho em conjunto denominado “A origem das espécies por meio da seleção natural”, em 1859 (DOMENICO et al, 2012).
Amorim (2002) reitera o discurso anterior sinalizando que somente ao longo do século XIX tivemos, de fato, uma inclusão da ancestralidade comum entre os seres vivos como um episódio que trata de sistematizar toda a diversidade biológica existente na Terra.
Dentro desta perspectiva, Santos (2008) elucida que “a diversidade biológica começou a ser compreendida dentro de uma perspectiva materialista que dava pouco espaço a explicações sobrenaturais. [...] Deus, como causa próxima, foi sendo lentamente substituído pela evolução” (SANTOS, 2008, p. 185). Em consonância:
Em termos sistemáticos, isso significaria que os grupos biológicos reconhecidos como naturais seriam aqueles resultantes do processo evolutivo e não mais os que de alguma forma traduzissem os desígnios divinos ou essências impossíveis de serem alcançadas. Assim, grupos naturais refletiriam o processo de descendência com modificação (que
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pode ser representado através do conceito da ancestralidade comum, uma vez que todos os organismos vivos do planeta têm alguma relação de parentesco entre si, em algum nível hierárquico) (SANTOS, 2008, p. 185).
A obra de Darwin “era essencialmente resultante de pesquisa taxonômica, e a taxonomia continuou a desempenhar um papel importante no desenvolvimento da teoria evolutiva, fornecendo a base para o conceito biológico de espécie e para grandes teorias da especiação e da macroevolução” (MAYR, 1997, p. 174).
Nas próprias palavras de Darwin:
Algumas vezes tem-se usado uma figura de uma grande árvore para representar todos os seres da mesma classe. Acredito que esta é a maneira mais adequada para isso. Os ramos e os gomos representam as espécies existentes, as ramificações produzidas durante os anos precedentes representam a longa sucessão das espécies extintas. A cada período de crescimento, todas as ramificações tendem a estender os ramos por toda parte, a superar e a destruir as ramificações e os ramos ao redor, da mesma maneira que as espécies na grande luta pela sobrevivência. As bifurcações do tronco, que se dividem em grossos ramos, e este em ramos menos grossos e mais numerosos, tinham, quando a árvore era nova, apenas ramificações com brotos [...]. Desde o crescimento inicial da árvore, mais de um ramo deve ter murchado e caído. Ora, esses ramos caídos, de espessura diferente, podem representar ordens, famílias e gêneros inteiros, que não possuem exemplares vivos e que apenas conhecemos em estado fóssil [...]. Os ramos mortos e quebrados são sepultados nas camadas da crosta terrestre, enquanto que as suas suntuosas ramificações, sempre vivas e incessantemente renovadas, cobrem a superfície (DARWIN, 1859
6apud SANTOS; CALOR, 2007, p. 4-5).
Na obra “A origem das espécies”, Darwin elucida que um sistema de classificação baseado em características evolutivas deve compreender dois critérios, igualmente equilibrados: a genealogia e o grau de semelhança entre os seres vivos (MAYR, 2008).
Mayr (1998) discorre sobre o impacto da classificação darwiniana frente às outras escolas taxonômicas da época. Para este autor:
A contribuição básica de Darwin para a Taxionomia foi de dupla ordem: pela sua teoria de descendência comum, ele forneceu uma teoria explicativa para a existência da hierarquia lineana [...]; e restaurou, [...] em princípio, o conceito de continuidade entre os grupos de organismos (MAYR, 1998, p. 246).
Nas palavras de Simpson (1962), Darwin mostrou que as classificações eram inteiramente relacionadas com a concepção de que os táxons eram originados pela
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evolução e, diante disso, que a filogenia é um meio de se explicar como se deu e se dá a sequência evolutiva de todos os seres vivos.
Neste sentido, segue abaixo breves princípios da chamada “taxonomia darwiniana”:
Os grupos taxonômicos são o resultado da descendência com transformações ou, utilizando o termo hoje mais em uso, o resultado da filogenia; todos os táxones válidos tem uma ascendência comum; o critério mais importante embora não o único para o escalonamento dos táxones é a propinquidade da descendência; os caracteres usados nas definições não só devem ser interpretados como evidência de afinidades filogenéticas, como escalonados e avaliados de acordo com o seu provável significado na propinquidade da descendência (SIMPSON, 1962, p. 57).
Contudo, Santos (2008) argumenta sobre o que a teoria de Darwin-Wallace trouxe de fato para a consolidação da Sistemática e Taxonomia:
Apesar da revolução sem paralelos proporcionada pela teoria de Darwin-Wallace para a compreensão dos processos biológicos, ela pouco significou em termos práticos para a atividade sistemática – o evolucionismo demoliu o conceito de “arquétipos” na biologia, contudo não explicitou uma maneira de identificar, nos sistemas naturais, o seu arranjo genealógico. É certo que os grupos naturais devem refletir a ancestralidade comum (as classificações biológicas são necessariamente filogenéticas), mas como depreender tal fato da natureza? Como ordenar o conhecimento biológico de forma que ele inclua a perspectiva da evolução das espécies? O fato é que a teoria evolutiva de Darwin-Wallace, apesar de funcionar como o princípio norteador dos sistemas de classificação, não foi suficiente para solucionar a questão central da sistemática biológica (SANTOS, 2008, p. 186, grifo nosso).
Dentro dessa perspectiva, o uso da classificação darwinista se deu efetivamente até meados do ano de 1965 (MAYR, 2008). De acordo com o respectivo autor, muitos taxonomistas tem dificuldade de relacionar e entender a evolução não linear de alguns conjuntos de características dos seres vivos: “classificações inteiramente diferentes, por exemplo, podem resultar do uso de caracteres que se manifestam em diferentes estágios do ciclo de vida” (MAYR, 2008, p. 192) dos organismos.
Para tanto, foi-se necessário a criação e validação de um “método robusto que possibilitasse a reconstrução de parentesco e a delimitação de grupos naturais realmente ancoradas no evolucionismo” (SANTOS, 2008, p. 187). É o que a próxima seção deste trabalho irá discutir.
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1.4. Século XX: alguns dos principais contribuintes da Sistemática e Taxonomia