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Manevî Haklara Tecavüz Hâlinde Tecavüzün Ref’i Davası Açılması 1) Eseri Kamuya Sunma Hakkının İhlâli Halinde Davanın Konusu

§ 6 TECAVÜZÜN REF’İ DAVASI A) Genel Olarak

B) Tecavüzün Ref’i Dava sının Konusu

I- Manevî Haklara Tecavüz Hâlinde Tecavüzün Ref’i Davası Açılması 1) Eseri Kamuya Sunma Hakkının İhlâli Halinde Davanın Konusu

Na década de 1990, após o colapso do socialismo soviético, os movimentos de esquerda buscaram levantar bandeiras, inexistentes até então, como de autonomia e participação, na perspectiva de uma gestão democrática. Assim foi com o movimento trabalhista, na Polônia e na antiga Iugoslávia, e com o movimento educacional, influenciado pelos escritos de Cornelius Castoriadis e Michel Lobrot. Também no Brasil essas idéias tiveram grande repercussão.

Etimologicamente, autonomia vem da junção de duas palavras gregas: autos, que significa “si mesmo”, e nomos, que significa “lei”. Então, autonomia seria a determinação das leis para si mesmo, a capacidade de autodeterminar-se. Por princípio, então, o ato educativo constitui a formação para a autonomia. Ou seja, devemos potencializar o educando para que ele seja capaz de responder às suas próprias indagações, de tornar-se governante e respeitar as diferenças. Em poucas palavras: promover a educação para o autogoverno.205

Para isso, a própria escola precisa ser autônoma, o que significa que ela deve autogovernar-se, isto é, deve ter o poder de formular e executar seu próprio projeto político-pedagógico, de gerir seus próprios recursos, de eleger seus próprios administradores (diretores, membros dos conselhos de escolas), de trabalhar em parceria com a comunidade local.

Já em seus artigos, a Constituição de 1988 dá algumas pistas sobre o assunto: “democracia participativa” (art. 1.º), “pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas” e “gestão democrática do ensino público” (art. 206). No entanto, só podemos falar em uma autonomia relativa. Por dois motivos: a) “[…] é um processo sempre inacabado, um horizonte em direção do qual podemos caminhar sempre sem nunca alcançá-lo definitivamente [...]”206 e b) porque a escola não tem uma autonomia didático-pedagógica, no que se refere às questões filosóficas e políticas, nem autonomia em relação às questões administrativo-financeiras e orçamentárias.207

205

GADOTTI, Moacir. Escola cidadã. São Paulo: Cortês, 1992. p. 10.

206

GADOTTI, 1992, p. 44.

207

A efetivação de uma escola autônoma é um ato político de “abrir as portas” às classes dominadas, que nunca tiveram a oportunidade de sentir-se parte do Estado. Este, por sua vez, não deve omitir-se no financiamento e oferecimento de uma educação de qualidade para todos.

São intrínsecos à vivência da autonomia os princípios da democratização e da gestão democrática. Uma escola só pode ser autônoma se for democrática em seus princípios, em sua gestão e em suas práticas cotidianas.

Na verdade, o sistema educacional é um prolongamento do sistema social e político de um determinado período histórico. Assim: “Numa democracia, fundada nos princípios de autonomia e participação, a educação é ao mesmo tempo fator e produto da sociedade”.208

Durante o período de redemocratização, a participação de toda a comunidade escolar nas decisões, programas e projetos de uma escola ou de uma rede de ensino foi uma reivindicação da sociedade civil, liderada pelos sindicatos de professores. Essa política democrática de educação, de um lado, “[…] procura incentivar a participação de todos aqueles que estão envolvidos com os problemas educacionais e, de outro, procura estimular o papel crítico dos órgãos responsáveis pela educação”.209

Só com a participação dos “envolvidos” é possível promover a democracia, que pode e deve começar pela escola e pelos sistemas de ensino. Dessa forma é que se percebe quais são as necessidades reais de uma comunidade. Um sistema democrático de ensino pode ser avaliado “[…] pela capacidade que ele tem de acolher criticamente esses problemas da sociedade [necessidades reais], pela capacidade dos educadores de escutarem criticamente esses problemas, para identificá-los, equacioná-los, respondê-los […]”.210

Para efetivar a participação dos envolvidos, é preciso descentralizar e desconcentrar atividades por meio de uma gestão democrática, ao contrário do que ocorre em muitos sistemas, nos quais se propõe desconcentrar as tarefas educacionais, concentrando o poder de decisão.

208 Ibid, p. 114. 209 GADOTTI, 1985, p. 114. 210

A “gestão democrática do ensino público” foi proposta após vários debates que antecederam a formulação da Constituição de 1988 e está contida no art. 206, inciso VI, desse Instituto. Esse movimento histórico influenciou positivamente a gestão democrática: na estrutura e no funcionamento dos sistemas relativos à comunicação; na organização do trabalho escolar, com formulações de projetos político-pedagógicos; na definição e no acompanhamento da política educacional, abrindo canais de participação e acesso à informação, como é o caso dos coletivos

de escolas, ou conselhos de escolas, sua outra denominação.211

Esses coletivos de escolas, numa gestão democrática, implicam que

[…] a comunidade, os usuários da escola, sejam seus dirigentes e gestores e não apenas seus fiscalizadores ou, menos ainda, os meros receptores dos serviços educacionais. Na gestão democrática, pais, mães, alunos, alunas, professores e funcionários assumem parte de responsabilidade pelo projeto da escola.212

A gestão democrática pressupõe quatro passos: primeiro, capacitar todos os segmentos para colaborarem mais efetivamente, melhorando as condições de participação; segundo, tornar essencial o mecanismo de consulta à comunidade escolar, seja para definir políticas públicas, seja para viver a própria prática escolar; terceiro, institucionalizar a gestão democrática, dando mais consistência às decisões tomadas; quarto, definir processos de lisura na gestão, garantindo a transparência das ações, assim como o acesso às informações, criando canais que agilizem a comunicação entre os “envolvidos”.

Por um lado, a gestão democrática é um passo importante na aprendizagem da democracia e ajuda na aprendizagem e na vivência da cidadania. Por outro, ela pode ajudar a melhorar o ensino, pois propicia conhecimento do funcionamento da escola e comunicação permanente entre os “envolvidos”. Para que esses pontos se tornem realidade, é necessário que sejam incorporados ao cotidiano de todo sistema que envolve a escola, as secretarias de educação e os órgãos

211

GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José. Autonomia e propostas. São Paulo: Cortês, 2002. p. 23-31 passim.

212

colegiados. “A gestão democrática é, portanto, atitude e método. A atitude democrática é necessária, mas não é suficiente. Precisamos de métodos democráticos de efetivo exercício da cidadania”.213