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3. BEYPAZARI’NDA KÜLTÜREL TURİZM VE KAYNAK DEĞERLERİ

3.1. Beypazarı İlçesinin Tarihi ve Kültürel Özellikleri

3.1.1. Tarihi Süreç ve Özellikler

Chegar à escola para desenvolver uma pesquisa e perceber aspectos relevantes para aquela comunidade é estar sensível a expressões, dizeres e atitudes dos que compõem a comunidade escolar incluindo professores, funcionários do núcleo gestor e estudantes. Mais

do que ouvir é preciso observar e compreender, por meio de estratégias metodológicas adequadas, a realidade dos sujeitos pesquisados.

Nesta fase inicial da pesquisa, foram realizadas visitas ao espaço escolar no período inicial de realização de oficinas de rádio educativo, assim como durante e depois da veiculação dos programas de rádio. Com base na observação de algumas atividades37 foram feitas algumas entrevistas. As entrevistas realizadas configuram-se como entrevistas antropológicas, de acordo com Guber (2004), que “sirve para descubrir las preguntas, esto es, para construir los marcos de referencia de los actores a partir de la verbalizacón asociada libremente” (GUBER, 2004, p. 143). Um dos aspectos interessantes da entrevista antropológica é que as perguntas vão surgindo em campo, com base no que está sendo observado pelo pesquisador. Com base no conhecimento do território, da identificação de algumas questões, as perguntas podem surgir ou ainda podem vir à tona por meio de um encontro informal nos corredores da escola, ou em um encontro específico para conversar sobre determinado aspecto observado anteriormente.

Ao chegar à escola de vidro para a primeira visita, escutei pelo lado de fora do janelão que dá para o estacionamento o professor conversando com os estudantes do quinto ano. “Vocês não escutam o que eu digo, eu falo e parece que vocês estão em outro mundo”38. Enquanto o professor dizia isso, os alunos travavam as mais diversas brincadeiras dentro de sala, desde jogar bolinha de papel nos colegas até imitar o que o professor dizia por meio de gestos exagerados. Imaginei que a rotina dos professores não mudou ao longo dos anos e que, os estudantes, desde a minha época escolar, pareciam estar “presos” a um ambiente que não os interessa ou no qual não se sentem à vontade. Percorrendo os corredores da escola e visualizando algumas situações, como a relatada logo acima, foi possível perceber que, muitas vezes, os conteúdos escolares, ou provas escolares, não são encarados com tanta preocupação pelos estudantes, mas, no entanto, o grupo permanece ali, dentro da sala de aula.

Um dos meus objetivos na escola de vidro, neste primeiro momento da pesquisa, foi o de acompanhar a rotina da radioescola, incluindo as oficinas de formação, a produção dos programas e a veiculação do material produzido. Fui surpreendida ao saber que a turma participante da rádio, responsável pela produção, gravação e veiculação dos programas, estava sendo modificada, visto que as estudantes, sim, em sua maioria meninas, estavam fazendo o nono ano do Ensino Fundamental e, por este motivo, tiveram que se ausentar para participar

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Estas atividades serão especificadas mais adiante. 38

do Pró-médio, cursinho preparatório para a seleção do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).

Diante desta mudança no contexto e da necessidade de continuar com a rádio em funcionamento as professoras optaram por selecionar novos estudantes e montar um novo grupo de radioescola. Para que este grupo fosse estruturado foram pensadas oficinas de rádio com 48 horas de duração e com periodicidade semanal. O grupo se reunia em dois dias da semana, as terças e quintas em dois turnos: manhã e tarde. Neste momento de contato inicial com a rotina da escola, foi possível identificar que, com a mudança de grupo e formação de novos estudantes para a veiculação do programa de rádio, a rotina da programação também seria modificada. Um grupo que antes era estruturado e com uma rotina a seguir, agora estaria dando lugar a estudantes que estavam começando a produzir programas de rádio, necessitando, assim, de um tempo maior para produzir, gravar e veicular os programas na hora do intervalo.

Ciente da importância do momento de formação e estruturação do grupo para o desenvolvimento da radioescola, optei por acompanhar, inicialmente, os encontros de formação em radioescola da escola de vidro. Alternei as visitas nos turnos da manhã e da tarde para que pudesse ter uma percepção dos dois grupos participantes. Vivenciei a rotina de veiculação dos programas de rádio e estive em alguns momentos festivos na escola, como, por exemplo, o aniversário de 37 anos que foi comemorado com toda a comunidade escolar. Durante a pesquisa, compreendi que os programas apresentados durante a minha presença na escola de vidro foram produzidos em parceria com os estudantes da primeira turma de rádio e os estudantes que participaram das oficinas durante o período da pesquisa.

No caso de junção das duas equipes para a produção do programa de rádio, nos questionamos se esta mudança que aconteceu em campo estaria relacionada à minha presença como pesquisadora. Já havia sido relatado pela coordenação da radioescola que o grupo formado anteriormente não estava mais participando das atividades e, no entanto, em muitas oportunidades em que estive em campo, observando as atividades da rádio da escola de vidro39, o grupo foi convidado para participar e desenvolver as atividades junto ao novo grupo que estava se formando no momento do desenvolvimento desta pesquisa. Por vezes, refletimos se, neste caso, a junção dos grupos foi para fortalecer a apresentação e nos impressionar, já que havia uma pesquisadora visitando a escola durante a apresentação. Ao longo da pesquisa, situações como esta tornaram a acontecer, o que nos leva a crer que a

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No aniversário de 37 anos da escola de vidro, o grupo antigo da rádio foi convidado para participar das atividades.

coordenadora da radioescola estruturava a produção dos programas com base na visita de estudantes, equipes de TV e/ou pesquisadores40.

A chegada à escola sem caixinha aconteceu em outro momento. No início da pesquisa, após a identificação dos critérios que norteariam a escolha das escolas que participariam da pesquisa, fiz algumas ligações e visitei algumas escolas. Em uma das visitas à escola sem caixinha fui interrompida pela direção que me disse não ser permitido a permanência de ninguém na escola que não tivesse autorização. Eu comentei com ela que ainda estava aguardando a autorização da Secretaria de Educação do Município (SME) e expliquei um pouco da minha proposta de pesquisa, mas a diretora foi clara: “aqui na minha escola, só com autorização. Vá embora e só volte quando tiver o ofício da SME”41.

Como um dos meus objetivos, na pesquisa, era perceber questões envolvendo a participação, o que está claramente associado às instâncias de poder que envolvem a radioescola no ambiente escolar, achei que esta escola poderia ser um espaço interessante para perceber tais questões. Passado algum tempo, já com a autorização da Secretaria, retornei à escola sem caixinha e passei a acompanhar o grupo de estudantes do ensino fundamental II, participante das atividades de rádio. As oficinas aconteciam às quintas-feiras pela manhã e à tarde. Percebi que todos chegavam cedo para as atividades e a minha participação com o grupo foi tomando forma ao longo dos meses. É sobre elas que nos voltaremos no tópico a seguir.