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3.7. AVG Tarama
3.7.4. Tarama Programlama
A construção epistemológica do ISD, de caráter interdisciplinar, pretende trazer mais que uma ciência linguística, psicológica ou sociológica, ela apresenta uma corrente da ciência do humano. Nesse sentido, é que ratificamos o uso do ISD como um quadro teórico- metodológico produtivo e significativo para a área de pesquisas no ensino/aprendizagem de línguas (estrangeiras, em nosso caso), como também para as pesquisas na área de formação de professores.
A base epistemológica desse quadro teórico se baseia na concepção de que as “condutas humanas” são construídas em um processo histórico de socialização, marcado, principalmente, pelo uso de artefatos simbólicos, como a linguagem, e determinado por
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dimensões culturais. Bronckart (2008) esclarece que sua visão de linguagem está embasada na definição de Coseriu, a saber: a linguagem como atividade significante. Por isso, afilia-se a uma perspectiva interacionista social da linguagem e em teorias de linguagem que dão primazia ao social. A construção teórica do ISD, diferentemente de outro recorte teórico, permite que vejamos a gramática e o seu ensino de maneira diferente, voltados à comunicação e para o desenvolvimento humano.
A sua proposta metodológica tanto de análise quanto de produção de textos orais e escritos segue, como foi descrito na seção anterior, a divisão dos textos em camadas que constituem a arquitetura interna dos textos e são acompanhadas pelas condições externas de produção dos textos. A partir disso, qualquer produção de linguagem, seja ela em língua materna ou estrangeira, será aprendida sempre em atividades coletivas sociais e mediatizadas por interações verbais.
Desta forma, essa proposta para o ensino de línguas se pauta não somente no conhecimento das regras da gramática, já que elas, por si só, não constituem fatores determinantes para que se produzam textos adequados a uma ação de linguagem pretendida em uma situação específica de comunicação.
No conjunto das informações que constituem um texto estão explícitas, além de suas unidades proposicionais, as informações que constituem o conteúdo temático e que definem, a partir dos parâmetros do contexto de produção dessa informação, as representações interiorizadas deste agente produtor do texto.
Dentro desse constructo teórico, a noção do contexto de produção, para esta pesquisa, é bastante relevante, pois nos dará suporte para que analisemos o agir do professor de PLE ao produzir textos sobre o ensino da gramática, uma vez que ao, encontrar-se em situação de ação da linguagem, reconstruiremos as “representações dos três mundos: dos parâmetros objetivos; dos parâmetros sociossubjetivos; da situação de ação da linguagem e dos conhecimentos disponíveis no agente” (BRONCKART, 2006, p. 146). Assim não poderemos analisar o agir no discurso professor em relação ao seu trabalho com as questões gramaticais em sala de aula de PLE desconsiderando o contexto de produção no qual está inserido.
Para Bronckart (1999, p. 93), o contexto de produção pode ser definido como:
O conjunto dos parâmetros que exercem influência sobre a forma como um texto está organizado. [...] Esses parâmetros estão reagrupados em dois conjuntos: o primeiro refere-se ao mundo físico e o segundo, ao mundo social e ao subjetivo.
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Bronckart (1999) ao se referir aos mundos representados teve como referência os estudos de Habermas (1989). Habermas, ao explicar o agir comunicativo, afirma que ele é constitutivo do social e os signos revelam representações negociadas que se estruturam em configurações de conhecimento – mundos representados. Habermas (1989, p.166) define tal agir da seguinte maneira:
O agir comunicativo pode ser compreendido como um processo circular no qual o ator é as duas coisas ao mesmo tempo: ele é o iniciador, que domina as situações por meio de ações imputáveis; ao mesmo tempo, ele é o produto das tradições nas quais se encontra, dos grupos solidários aos quais pertence e dos processos de socialização nos quais se cria.
Considerando que o foco de nossa pesquisa é o trabalho do professor com a gramática em sala de aula de PLE, seu agir ao explicar atividades de compreensão e produção textual, entendemos que o contexto de produção é bastante relevante, pois ele irá definir qual será o método mais adequado para aquela situação de ação de linguagem. Por isso é importante se ter em mente o contexto no qual determinado discurso ou texto é produzido para que haja uma compreensão dos objetivos do sujeito. De acordo com essa abordagem, ao eleger uma determinada forma de semiotização ou de colocação em discurso, o agente/ produtor o faz em função de suas representações, conhecimentos, objetivos e interesses específicos, bem como do interesse e necessidade dos alunos no momento da interação em sala de aula.
Ao investigarmos o contexto de produção, poderemos formular hipóteses sobre a escolha da abordagem gramatical feita pelo professor de PLE em sala de aula, quais foram os seus objetivos com essa escolha e como ela promove um ensino de gramática da língua, que capacite seus alunos a desenvolver e compreender textos nas variadas situações de uso da linguagem.
Para analisar o agir humano e o agir através de textos/discursos, Bronckart (2009 [1999]) propõe que as ações humanas devam ser consideradas em suas dimensões sociais e discursivas, através da compreensão do uso da linguagem em textos (orais e/ou escritos). Por isso, parte, então, de um procedimento metodológico descendente: que vai do texto à frase. Essa análise é fundamental para a construção da interpretação do agir e, assim, para o desenvolvimento humano, sendo que as representações que se fazem não são um reflexo do pensamento, mas revelam conceitos do indivíduo por meio de escolhas linguísticas.
Estas escolhas linguísticas são determinadas pelo contexto de produção e pela utilização dos mecanismos de textualização, que, por sua vez, permitirão um ensino voltado
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para a comunicação, mas que não descarta e leva em consideração o entendimento dos elementos linguístico-discursivos para a produção e compreensão dos mais variados textos. Assim, uma concepção de ensino que leve em consideração os mecanismos de textualização, enquanto parte integrante de um construto teórico que preza por um ensino de gramática a partir de uma unidade textual formada pelas ações de linguagem, de um contexto de produção definido e da mobilização das capacidades de linguagem, representa a promoção de um ensino produtivo de gramática em sala de aula de PLE. Vale destacar que a mobilização, por parte do professor, destas capacidades de linguagem também promovem, respectivamente, o desenvolvimento de capacidades de linguagem nos alunos, os auxiliando na leitura, compreensão e produção de textos.
Toda proposta de análise do ISD tem como base a linguística, isto é, os elementos linguísticos. Isso por si só já põe em evidência a aproximação do ISD aos conhecimentos desses elementos e a indicação da importância desses conhecimentos para o ensino a partir de gêneros.