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A sala de aula é o lugar por excelência da figura do professor. Nesse espaço, o professor reitera prescrições sobre o trabalho docente ou as subverte já que (re)constrói juntamente com os alunos essa prática no dia-a-dia. Dessa forma, tendo em vista a suscetibilidade a mudanças, a sala de aula instancia o enfrentamento das crenças,

imagens, orientações mais estabilizadas sobre o trabalho do professor com as novas formas de saber-fazer a prática docente.

Na sala de aula, portanto, há trocas de toda ordem face às relações intersubjetivas, interpessoais e intergrupais que se estabelecem nesse contexto, em decorrência dessas interações, versões da realidade emergem, compondo um sistema simbólico-interpretativo que permite identificar e analisar as diversas variantes que interferem e constituem o trabalho do professor em sala de aula.

Variantes tais como as representações sobre o relacionamento professor-aluno, sobre o objeto aula, sobre a organização do tempo e espaço escolar, sobre o planejamento e a sua realização, sobre objetivos educacionais, sobre recursos didáticos, sobre o papel da avaliação, entre outras, importam para a compreensão da imagem do espaço sala de aula emersa no processamento do discurso docente (re)velado no gênero memorial. Essas representações, por sua vez, são vitais para a elaboração da “realidade” como para que o sujeito social reaja a essa “realidade”, expondo a si e a seus pares.

Pauta-se agora a análise na forma como as locutoras expõem suas visões sobre a sala de aula, quais são as representações que se relacionam a esse objeto de discurso e quais são as implicações da maneira de representar o espaço sala de aula para a compreensão da atividade docente.

141-No meu dia-a-dia procuro transformar a escola, a sala de aula num lugar prazeroso, onde os alunos possam voluntariamente, pedir para ir... querer estar... querer ficar.

S1, UFMG

142-A sala de aula, a casa, o mundo, são lugares das experiências lúdicas, participam dos sonhos e projetos para uma vida melhor. Isso inclui sua construção, sua manutenção, sua preservação e seu usufruto, com uma participação consciente dos usuários que transforma o espaço em lugar pela (re)criação lúdica.

S5, UNIUBE

143-Na sala, os alunos têm o espaço para expor suas peculiaridades e ritos que cultuam, sem críticas e julgamentos. Tem apenas troca de informações com respeito, tolerância e são valorizadas as falas dos alunos.

S6, UEMG

A sala de aula para as locutoras deve se constituir num espaço agradável para o aluno, deve se transformar num lugar prazeroso, onde os alunos possam

vocábulo voluntariamente que denota que o animus do aluno deve ser levado em conta no contexto da sala de aula: ele tem que ter vontade, interesse em participar da prática educativa. No excerto 142, também a sala de aula é vista como um lugar que deve primar pelo prazer, lugar pela (re)criação lúdica e deve cooperar nos sonhos e projetos

para uma vida melhor. Enfim, a sala de aula deve ser um espaço democrático no qual há troca de informações com respeito, tolerância e onde são valorizadas as falas dos alunos (excerto 143).

Acredita-se que recorrer, por exemplo, ao vocábulo voluntariamente ou salientar certas características da imagem que as locutoras têm da sala de aula, tais como que deve ser uma instância garantidora de participação consciente dos usuários onde são

valorizadas as falas dos alunos, evidencia uma tomada de posição das locutoras no

sentido de estarem mais enquadradas aos preceitos educacionais atuais. E mais afastadas dos pressupostos da educação tradicional.

Isso ocorre, de certa forma, como resposta, consciente ou não, às representações indexadas à dimensão do passado que orientam a interpretação de que os agentes envolvidos no processo educativo dessa época não se importavam com um ensino prazeroso, sendo que os alunos não podiam escolher estar ou não em sala de aula, expor seus pensamentos. Suas possibilidades de escolha eram limitadas, seu agir cerceado. Essas representações compõem uma visão sobre a prática educativa que as falantes não desejam compartilhar à medida que elas sugerem, através das escolhas lexicais, estar em desacordo com esse quadro.

Em outros termos, as locutoras reafirmam seus laços com a imagem do professor atual recorrendo a traços da prática docente (educação dialogada, aprendizagem significativa e prazerosa, respeito às diferenças) que no passado eram negados ou apagados.

Salientam-se aqui dois excertos elaborados pela mesma locutora que chamaram a atenção, sobretudo, pela semelhança na descrição de um quadro que se configurou em práticas sociais diferentes (prática escolar e prática familiar) inscritas no passado, mas que pareceram cooperar para a significação e avaliação das situações relacionadas à prática educativa expostas na enunciação.

144-Meu boletim tinha que ter só ótimo, exigência de meu pai, ai de mim se não fosse assim, a vara de marmelo lá em casa adoçava as minhas pernas.

Na sala de aula tinha também uma vara, ai de quem pintasse, era levado para o gabinete e lá tinha.

S5, UNIUBE

Esses excertos evidenciam práticas atreladas ao passado às quais se construíram sob a égide do autoritarismo nas relações com o objeto ensino/aprendizagem. Conforme explicita a locutora, os discentes deveriam se enquadrar a um modelo de expectativas, seja com relação à obtenção de boas notas, seja quanto ao comportamento em sala de aula, sob pena de terem sua integridade física ameaçada. O contexto descrito corrobora para o engendramento de uma imagem negativa da prática docente do passado, da qual, conforme já elucidado em outros excertos, as narradoras querem se afastar.

Continuando ainda a análise da perspectiva das cursistas sobre o espaço sala de

aula tendo em vista certas variantes, passa-se agora a focalizar a relação

professor/aluno.

145-Alguns anos atrás, não tinha coragem de discutir assuntos relativos à escola, alunos, famílias com a administração, tinha receio de dar “mancada” e a diretora não dava muita abertura. Hoje, discuto, dou opiniões e procuro transmitir isso aos meus alunos. Nunca calem, diante de certas situações, indaguem, critiquem, positivamente, deem suas opiniões, discutem, mas sempre respeitando e valorizando o outro. Tudo isso que passo, anteriormente, me comportava completamente ao contrário. Não permitia que eles falassem pois, eu era a autoridade máxima na sala, a dona da verdade. No

tempo em que eu estudava era assim, e os “bons” professores agiam desse jeito.

S12, UFMG

No relato explicitado é possível perceber um eixo temporal que subsidiará a construção do ethos docente no discurso. Primeiramente, a locutora, objetivando o seu agir no passado, expõe uma imagem passiva de si já que não tinha coragem de discutir

assuntos relativos à escola e justifica sua avaliação dizendo ter receio de dar ‘mancada’. E ainda, que a diretora não dava abertura. Depois, já inscrita no presente,

ela visa construir uma imagem contrária à imagem do passado, ao dizer que assume uma postura participativa e que, inclusive, atribuindo importância a essa postura, incentiva os alunos a fazerem o mesmo desde que respeitando e valorizando o outro.

Na locução seguinte, a escrita salienta a oposição entre as duas formas de se comportar, a do passado e a do presente. E, novamente, avalia sua postura no passado dizendo que se achava a autoridade máxima na sala, a dona da verdade. Após essa avaliação, ela volta a um passado mais remoto e diz que quando aluna os “bons”

professores agiam desse jeito. Ressalta-se a marca metaenunciativa no vocábulo “bons”

indicando que a locutora discorda do traço valorativo desses professores.

146-O respeito pelo professor virou lenda. Alunos de 3.ª e 4.ª séries chegam até a fazer ameaças, xingam, e até batem. Infelizmente é esta a realidade que vivemos.

S3, UNIUBE

A locutora menciona que o respeito pelo professor virou lenda. A RR que funda a sua afirmação é que o professor deve ser respeitado. No entanto, a RR sobre a figura do professor visto como profissional respeitado marca, para a locutora, um momento passado que não persiste na atualidade tendo em vista os diversos afrontamentos descritos à figura do professor. Assim, as RR orientam a reflexão da relatora e colaboram para que ela possa confrontar, avaliar e constatar a sua pertinência ou não nas situações da prática pedagógica com as quais se envolve no presente. Como se pode notar nesse excerto e no anterior, a categoria tempo é essencial para a promoção do processo avaliativo e constitutivo do universo docente, as dimensões temporais funcionam como folhetos que se sobrepõem no discurso e que ativam a (re)modelagem dos objetos de acordo com parâmetros relativamente estabelecidos nas interações sociais.

147-Vejo meus alunos como o centro da atenção educacional e fortaleço o compromisso da política de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino aprendizagem e

de sua formação como cidadão. Sinto-me empolgada com tudo.

S2, UEMG

A locutora explicita o lugar concedido ao aluno na dinâmica da prática educativa. Afirma que vê seus alunos como o centro da atenção educacional e, ainda, se mostra compromissada, engajada à política educacional no sentido de fazer com que o aluno tenha êxito no processo de ensino-aprendizagem. Expondo essa visão, o ethos que se evidencia é de uma professora alinhada às perspectivas da política educacional e consciente da sua importância para a viabilização dos objetivos traçados pela política educacional.

A locutora ao mesmo tempo em que se mostra alinhada aos propósitos da política educacional também valoriza seu papel para o sucesso do aluno no processo de

ensino aprendizagem. Na parte final, ela expõe seu envolvimento e sentimentos

Em seguida, focaliza-se o objeto aula na análise do contexto da relação ensino- aprendizagem. O interesse maior recai sobre a compreensão das maneiras de dizer o referido objeto, quais são os pontos positivos e negativos da ação docente no universo da aula, quais são os impactos dos elementos que compõem esse objeto para a prática educativa. Para subsidiar a análise do objeto aula, foram eleitos alguns aspectos que se acredita serem determinantes para a configuração desse objeto e que, portanto, devem ser considerados. São eles: a organização do tempo e espaço no âmbito da sala de aula, planejamento, atividades desenvolvidas, recursos didáticos, avaliação.

148-O professor deverá estar atento que a sala de aula é o lugar de múltiplas linguagens. Suas aulas serão sempre diversificadas, não vão ficar só no livro didático e quadro. Podendo incluir jornais, revistas, vídeos, materiais confeccionados pelos alunos e comunidade procurando enriquecer o espaço da sala de aula.

S9, UNIUBE

Aqui também é possível notar uma relação de oposição à medida que a locutora defende que a sala de aula deve ser o lugar de múltiplas linguagens e, nessa perspectiva, afirma que as aulas devem ser sempre diversificadas não se restringindo, portanto, ao

livro didático e quadro. De acordo com esse argumento, ela justifica a diversificação

das aulas, mencionando a inclusão de diversos gêneros e a participação da comunidade para o enriquecimento do espaço da sala de aula.

A sequência não vão ficar só no livro didático e quadro remete à imagem do objeto aula visto sob a óptica do modelo da educação tradicional. Desse modo, as representações sobre o objeto aula emergem na enunciação. Ao mesmo tempo, motivam e justificam as escolhas da locutora no percurso da atividade linguageira.

149-Vamos refletir: os alunos trazem as piadas, as brincadeiras e o bom humor para escola e nós, professores, precisamos favorecer o aparecimento do riso, da graça e da alegria no cotidiano escolar, sem que isso signifique uma ameaça à nossa autoridade.

S16 UEMG

A locutora, inscrita no grupo de professores, orienta o processo reflexivo a ser seguido pelos seus pares acerca da prática de ensino, à medida que defende que aspectos do imaginário (piadas, brincadeiras) e o bom humor são levados à escola pelos alunos. E que, portanto, o professor também precisa buscar recursos semelhantes que favoreçam o riso, a graça e a alegria no cotidiano escolar. O pronome nós cumpre uma dupla

função nesse excerto: a de provocar uma imagem de aproximação aos membros do grupo e a de orientar a produção de sentido no evento comunicativo (valor persuasivo).

150-Devemos enriquecer nossas aulas com excursões, visitas a museus e passeios ecológicos que fazem os alunos observar na prática o que eles estudam na sala de aula. Observações em laboratórios (por exemplo) além de deixar os alunos bem mais motivados, os ajudam a melhorar a escrita fazendo os relatórios. Porém quando não se têm condições financeiras para tanto o próprio terreno ao redor da escola pode ser um ótimo campo de observação.

S 10, UNIUBE

Não obstante a relatora evidenciar seu posicionamento quanto à importância no que tange a relacionar o que os alunos estudam na sala de aula a atividades práticas, ela sugere uma série de espaços possíveis para que haja a efetivação dessa relação (excursões, visitas a museus, passeios ecológicos, laboratórios e, quando há carência de recursos, o próprio terreno ao redor da escola é apontado como um espaço propício). É interessante notar que S10 menciona que as aulas se enriquecem quando há atividades nesses espaços. Ao afirmar isso, revela que não considera o objeto aula como algo restrito ao espaço sala de aula.

A propósito do espaço escolar, esse tópico é elucidado pelos sujeitos docentes pesquisados.

151-Na minha prática diária, aproveito da melhor maneira possível o espaço da minha sala. Dificilmente trabalho individual, só em grupo, duplas ou círculo. A sala organizada dessa maneira facilita o meu trabalho. Não trabalho o conteúdo separado, no entanto, meus alunos possuem apenas os cadernos de sala e de casa.

S7, UNIUBE

152-Decidimos já mudar a disposição das carteiras dentro da sala de aula. Foram dispostas em grupos para 4 ou 5 alunos. .. Nosso objetivo é trabalhar em equipe, interagindo e criando laços de solidariedade, afetividade, convivência e estímulo à aprendizagem.

S2, UEMG

153-Antes, nem passava pela minha mente trabalhar em grupo com meus alunos, isso era um sinal de desorganização total, alunos andando pela sala, conversando com os colegas, de jeito nenhum. Hoje, vejo como é importante e indispensável o trabalho coletivo, integrado dentro e fora da sala de aula. Os alunos aprendem a respeitar o ponto de vista do outro, trocam ideias, se ajudam mutuamente. É muito gratificante presenciar essa troca harmônica e, às vezes, até conflituosa de habilidades.

S12, UFMG

É possível verificar que há consenso entre as locutoras no que tange a defender que a melhor forma de organizar a sala é favorecendo o trabalho coletivo (duplas,

trios...). A escolha quanto ao modo de organizar a sala é apontada como fator determinante para o desenvolvimento de atividades em sala de aula e, consequentemente, para o processo ensino-aprendizagem. Essa maneira de representar a organização do espaço sala de aula é também defendida nas instâncias de formação e, portanto, quando as locutoras demonstram sua adesão a essa perspectiva, seu posicionamento é avalizado pelo discurso proferido no Projeto Veredas.

Ademais, é inegável que ao salientar a variante espaço da sala de aula pensada para favorecer o trabalho coletivo na prática docente, para promover as relações entre os alunos, evidencia-se a negação das RR que trazem a imagem das carteiras enfileiradas fundada no contexto da educação tradicional. Negar, refutar essas RR é se colocar em uma situação mais adequada às novas tendências educacionais; é estar mais alinhado ao discurso oficial da educação na atualidade. Trata-se, pois, de uma escolha legitimada pela formação recebida no Projeto Veredas, o que não quer dizer que realmente a locutora não acredite que essa maneira de organizar a sala seja verdadeiramente ideal para a aprendizagem de seus alunos.

154-O professor e os alunos podem ainda transformar o espaço da sala de aula em espaços variados como cantinho de leitura, de pesquisa, de ciência e nas paredes cartazes, murais, calendários para tornar um ambiente acolhedor e estimulante da diversidade cultural, o que influencia decisivamente na aprendizagem, em favor de um ensino transformador.

S8, UFMG

Destacam-se alguns pontos importantes que foram elucidados pela locutora ao abordar o espaço da sala de aula. O primeiro aspecto que chama a atenção é quando ela diz o professor e os alunos podem ainda transformar o espaço da sala de aula em

espaços variados, revelando que professor e aluno em conjunto podem decidir sobre a

organização do espaço em questão. A locutora não concentra o poder de decisão tão- somente nas mãos da figura do professor: ela concede ao aluno a possibilidade de opinar, de agir e de propor mudanças no espaço da sala de aula.

O ethos mostrado é de um professor não autoritário que se preocupa em criar um espaço favorável à aprendizagem do aluno. Aliás, a profesora-cursista deixa claro que o modo como se organiza a sala de aula (cantinhos de leitura58, de ciências, de pesquisa...)

58 Muitas locutoras mencionaram que na sala de aula onde atuam há o cantinho de leitura. Interessante

ressaltar esse ponto porque, apesar de não ser, especificamente o foco da pesquisa, é revelador porque sugere que os professores veem a prática de leitura como uma atividade relevante visto que há, geralmente, um espaço físico reservado na sala de aula para a promoção dessa atividade.

importa para tornar um ambiente acolhedor e estimulante da diversidade cultural. Esse ambiente é decisivo para a aprendizagem em favor de um ensino transformador. Interessante observar que, no contexto da transformação do espaço sala de aula, a locutora defende um ensino transformador. Tais escolhas corroboram para a construção de um ethos também transformador da professora que não se acomoda e que sempre busca o melhor para seus alunos.

155-Estudando o volume 2 do módulo 5, entendi a importância da construção do espaço e mais ainda, o espaço escolar. Como é importante reconhecer e explorar os espaços existentes sua pluralidade e na identidade.

Cada espaço é único, onde são criados os vínculos afetivos, lembranças e histórias. Quem não se lembra de algum espaço que em determinado tempo marcou sua vida?

S15, UEMG

Salienta-se a menção de que a reflexão sobre o espaço escolar foi motivada pelo material do Projeto Veredas (estudando o volume 2 do módulo 5, entendi a importância

da construção do espaço e mais ainda, o espaço escolar). A locutora defende seu ponto

de vista propondo uma pergunta que orienta o interlocutor a aderir à ideia sustentada e que traduz as operações avaliativas efetuadas pela locutora quando da objetivação da temática focalizada. A seguir, será mostrado como as participantes do Projeto abordam o tópico tempo escolar.

156-Quando estou na sala de aula estou sempre buscando novas formas de administrar meu tempo para aproveitar da melhor forma o conteúdo que irei ministrar, tentando maiores condições de conseguir fomentar uma aprendizagem significativa.

S7, UNIUBE

157-Durante a caminhada de anos sem trégua pelas escolas, vejo que o tempo é uma variável a ser considerada pelo professor, na organização do ensino e do trabalho escolar... O professor deve organizar seu trabalho escolar de modo a contemplar a influência do tempo próximo ao recreio final do dia. Ele poderá diversificar suas aulas, promovendo atividades estimuladoras e evitando recorrer a técnicas expositivas. É preciso reconhecer o tempo decorrido em aula e o consequente cansaço da criança.

S9, UNIUBE

No excerto 156, a locutora atribui importância à administração do tempo visando

conseguir fomentar uma aprendizagem significativa. No excerto 157, o professor deve

levando em consideração o tempo decorrido em aula com o objetivo de evitar o

cansaço da criança.

Parece que a influência do tempo próximo ao recreio final do dia é visto como um sinalizador de que as atividades a serem desenvolvidas nesse momento devem ser mais dinâmicas evitando recorrer a técnicas expositivas. Se se observam a sequência

promovendo atividades estimuladoras e evitando recorrer a técnicas expositivas,

percebe-se que a relação que se estabelece é de oposição. A conjunção “e”, nesse caso, é adversativa. A locutora, então, não considera que as técnicas expositivas sejam

atividades estimuladoras.

Nota-se, ao longo da análise, certo desconforto das locutoras ao dizerem que recorrem à aula expositiva na prática docente. Frequentemente, quando assumem que utilizam essa técnica, há justificativas. De um modo geral, elas não querem ter a sua imagem atrelada à imagem de um professor que sempre utiliza a técnica em questão. Certamente, esse comportamento ocorre porque a representação sobre a aula expositiva está muito atrelada à imagem da educação tradicional.

158-[...] estou sentindo uma certa dificuldade para colocar minhas ideias em prática, pois

trabalhamos em grupo e tem algumas pessoas no grupo que não aceitam muito bem a