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3.5.9.1. Programlı Tarama

Os estudos acerca da Gramática vêm sofrendo transformações ao longo do tempo. Delineou-se, primeiramente, no seio das razões filosóficas, perpassou por uma visão representacional do pensamento, chegando até as questões teóricas que se desenvolveram a partir da ciência linguística. De acordo com Weedwood (2002), os primeiros estudos da estrutura gramatical, propriamente como a conhecemos hoje, remetem a Platão. Foi ele quem primeiro especulou sobre as relações da junção entre o nome e o verbo. Ao fazer distinção entre substantivo e verbo, Platão abre espaço para uma compreensão da estruturação da linguagem, que, posteriormente, dará suporte a uma gramática.

Os filósofos da antiguidade grega refletiam sobre os aspectos da naturalidade e convencionalidade linguística. Além de se preocuparem com a etimologia das palavras, procuravam explicações para o nome das coisas com o objetivo de terem acesso ao próprio objeto. O estudo etimológico interessava-se pela relação entre as palavras e as coisas a fim de chegar à essência destas mediante a devida compreensão daquelas.

Sobre essa relação entre as palavras e as coisas, preconiza o discurso linguístico, a partir das lições de Saussure (1913, [2006]) no seu Curso de Linguística Geral, que não há uma relação direta, motivada, entre o nome e as coisas, o signo é estabelecido por meio de uma arbitrariedade. Para Saussure (2006), “o signo linguístico une não uma coisa a uma palavra, mas um conceito a uma imagem acústica”. Ou seja, o significante é arbitrário em relação ao significado, este não estabelece um laço natural com àquele.

Os filósofos, ao “buscarem a compreensão dos elementos da língua, através deste entendimento racional, irão buscar as proposições, o conhecimento, a verdade e a lei”. (MARIANTE, 2008) Eles contribuíram, essencialmente, com as questões linguísticas de regras e normas da língua que hoje são entendidas como sistema fonológico, morfológico e semântico.

Nesse sentido, a disciplina Gramática surgirá, primeiramente, através de especulações filosóficas quando dos estudos com a língua na poesia, na recitação da narração de mitos que buscavam a origem dos deuses, do mundo, dos homens e da vida. Entre os gregos, a essência da linguagem, está pautada na Retórica, caracterizada como uma atividade discursiva com finalidade persuasiva. Para a Retórica interessa o como dizer algo para encaminhar o ouvinte à conclusão desejada. Trata-se, portanto, de desenvolver regras de como dizer para convencer, justificando, desse modo, a prática democrática grega do exercício público da palavra com fins persuasivos. Desta forma, podemos presumir que os sofistas, ao

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buscarem o domínio linguístico, preocupavam-se igualmente com o ensino do uso correto da linguagem escrita a ser usada, principalmente, no contexto da retórica.

No contexto grego de utilização da linguagem, além da Retórica, têm-se também a Exegese ocupando-se com as questões da forma na atribuição do sentido, ou seja, era preciso interpretar o que havia sido dito ou lido na linguagem retórica especialmente nos textos antigos. Segundo Neves (apud Mariante (1987, 2008, p. 41), tanto a atividade retórica quanto a Exegese dos poetas instituíram uma prática que necessariamente encaminharia para preocupações primordialmente gramaticais. É a partir de então que se constituíram as condições propícias para o surgimento da Gramática pautada pela norma.

Os gramáticos no século XVI buscam o latim puro, clássico, como também retomam algumas categorias aristotélicas. No latim, a gramática é vista como a arte do bem falar e de bem escrever, vista como o uso correto da língua. Trata-se, assim, de uma gramática como escopo da linguagem e que, ao delimitar a língua, efetivamente a cria e a produz como uma representação do pensamento. Este, como podemos observar, é um dos modelos teóricos de interpretação da língua humana. Filósofos do século XX, como Wittgenstein, no seu Tractatus Logico-Philosophicus, expressa que a linguagem, embora possa descrever os fatos do mundo, não se releva adequada para explicar a face metafísica da realidade. O método para conceber esta constatação é o da análise lógica da linguagem, pois nesta visão a essência da linguagem está na descrição dos fatos do mundo e daquilo que ela pode dizer. Vale ressaltar que o filósofo em sua obra, Investigações filosóficas, avança e faz críticas a obra anterior, Tractatus, e tece, então, suas novas concepções sobre linguagem e gramática, pondo ênfase no contexto.

A concepção trazida pelo Tractatus Logico-Philosophicus fundamenta-se na ideia de que há regras universais que regem o pensamento humano e que o resultado desta predeterminação é a hipótese de que a natureza da linguagem é racional. Sendo, nesta perspectiva, a análise da linguagem vista como lógica, racional, tradutora fiel do pensamento humano e como uma doutrina que busca manter a regularidade da organização linguística, e para mantê-la, sustenta uma cultura fundamentada no acerto e no erro das produções linguísticas, desconsiderando assim os fatores socio históricos e culturais que fazem parte do contexto de uso da língua.

Nos estudos gramaticais do Renascimento, teremos a retomada dos valores e modelos do legado greco-romano, lançando-se, a partir de então, um novo olhar sobre os fatos da língua. Observava-se a latinidade, ou seja, a observância do falar correto no quadro da língua latina. Os romanos buscaram a estruturação de uma gramática normativa da língua e o

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estabelecimento do caráter invariável e social do uso correto da Língua Latina. Esta constatação evidencia que a norma não se funda mais na razão, nem de ser o reflexo de um pensamento estruturado, mas em constatações empíricas e objetivas. De acordo com a explicitação trazida por Mariante (2008), nesta fase já é possível observar a preocupação dos gramáticos em estabelecer diferenças entre a língua culta e a língua coloquial popular. Apesar do reconhecimento de uma variedade padrão (língua culta) e de uma variedade informal, não padrão (linguagem coloquial popular), há, neste período, a supervalorização da variedade de prestígio social, sendo a língua popular considerada como uma mistura da língua latina com outros falares de povos não românicos. Somando-se a isto, temos já uma concepção de linguagem como meio de comunicação, porém o estudo dos fatos linguísticos concentram-se na busca da internalização inconsciente dos fatos linguísticos, inerentes à norma culta.

A entrada no século XVIII nos traz um novo modo de pensar a língua e, consequentemente, o seu ensino. Nesta fase tratar-se-á de “uma gramática como uma forma que atende às necessidades e aos interesses da época moderna, voltada para o como a Gramática deve funcionar para regular a língua” (MARIANTE, 2008). Neste período, a linguagem é vista a partir de sua função essencialmente informativa. Jakobson (1973) desenvolve uma teoria da comunicação e, ao ampliar o modelo de Karl Buhler, reconhece que a linguagem desempenha três funções básicas: função expressiva/emotiva, que tem como foco o emissor; função apelativa/conativa, relacionada ao receptor; função referencial/informativa, com vistas no referente e no contexto; além de considerar também outros fatores que participam do ato de comunicação verbal, como a mensagem, o canal e o código.

No século XIX, foram desenvolvidas questões acerca da Gramática, a partir da ciência linguística, em que a linguagem passa a ser entendida sob novos enfoques, à luz de princípios que buscam descrever a sua natureza. Nesta fase, os estudiosos da língua preocupam-se não mais com a Gramática pura e simples, àquela baseada na lógica e que está desprovida de uma visão científica, mas a que aborda questões linguísticas para comparar textos de diferentes épocas, caracterizando uma escola filológica. O surgimento da Gramática Comparada, por Franz Bopp (1816), visava ao estudo das relações que unem o sânscrito ao germânico ao grego e ao latim. De acordo com Saussure (2006), foi Bopp quem compreendeu que as relações entre línguas afins podiam tornar-se matéria duma ciência linguística.

A grande guinada nos estudos linguísticos deu-se com Ferdinand Saussure (1857- 1913 [2006]), a partir do recorte feito para se estabelecer um objeto de estudo. A língua é vista como “um sistema de signos, como uma estrutura”, estabelecendo-se, assim, o estudo de uma linguagem natural, particular e não somente pautada na lógica, como era vista antes.

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Foi essa totalidade sistêmica que constituiu a ideia de um objeto autônomo e homogêneo, fazendo com que a Linguística ganhasse seu status de ciência no século XX. Para tanto, houve o estabelecimento de alguns princípios, adotados por Saussure, para o estudo científico da linguagem. Destacam-se as dicotomias: língua (langue) e fala (parole), sincronia e diacronia, significante e significado. Vale destacar que, segundo Neves (2012, p. 45), “neste ponto das reflexões, a partir de uma ciência linguística instituída, poder-se-ia chegar à formulação de uma hipótese funcional-cognitiva que considera a gramática como uma estrutura cognitiva”.

Tal como é indispensável a toda ciência, diversas outras visões sobre a língua surgiram para repensar, ampliar e refutar as ideias saussurianas. Neste ponto encontram-se os pilares dos estudos da linguagem, como: a investigação gerativista de Chomsky, explicitando a faculdade inata da linguagem; o estruturalismo funcionalista de Coseriu, abordando as línguas particulares e o surgimento de uma gramática cientificamente descritiva; e a corrente funcionalista, em que podemos citar particularmente os estudos de Halliday, sobre a gramática sistêmico-funcional, em que a gramática é vista como sensível às pressões do uso.

Ao concebermos a linguagem como uma forma de interação, podemos entendê-la como um construto coletivo, que se delineia a partir das práticas sociais existentes e que se manifesta nos diferentes grupos sociais. A área de estudos que trata a linguagem dentro do contexto de uso em que os falantes atuam como sujeitos dialógicos, tais como a Linguística da Enunciação, a Linguística do Texto, a Análise do Discurso, Pragmática, Sociolinguística e a Enunciação Dialógica de Bakhtin, pensa numa gramática que está a serviço do texto, do gênero e do discurso.

Nesta pesquisa, compartilhamos, para o ensino da análise linguística do português como língua estrangeira, das ideias propostas pela corrente funcionalista que entende a linguagem como um instrumento de comunicação e de interação social, sendo um estudo baseado no seu uso concreto. Esse entendimento é importante para situarmos nossa pesquisa, que trata do ensino de gramática, dentro de um campo de estudo da linguagem que tem como escopo uma gramática da expressão linguística, sendo visto o seu status no uso. A finalidade do trabalho é contribuir para que o aprendiz desenvolva capacidades para agir socialmente em situações acadêmicas e/ou profissionais específicas, o que vai ao encontro do que foi mencionado.

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